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Nossos Ossos

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Heleno é assíduo. Já o era no Nordeste, é-o agora em São Paulo. Dramaturgo de ofício, patrulha palcos e esquinas, dois lados da mesma ferida, estreando peças e folheando rapazes. Um fê-lo chegar, outro fá-lo-á partir. É assim, a metrópole. Uma urgência venérea.

Os sentimentos desarrumam-se-lhe então, mordentes, quando a morte, a única (im)possível, faz contas à vida. Com Cícero era diferente. O boy entranhara-se-lhe. Matou-o a cidade, com a sua perfídia febril, mandou-o ao chão. Cada um morre como pode. Heleno, devoluto, viaja com o corpo para o seu Nordeste, o seu e o de Cícero, na promessa dolente de devolvê-lo aos pais.

É esta a autopornografia de Freire. Uma noite pela mão, estrada fora, saciada de nada e de lugar algum.

100 pages, Paperback

First published November 1, 2013

3 people are currently reading
138 people want to read

About the author

Marcelino Freire

49 books60 followers
Marcelino Freire nasceu em Sertânia, PE, em 1967. Viveu no Recife. Desde 1991 reside em São Paulo. É autor, entre outros, de Angu de Sangue (Ateliê Editorial), Amar É Crime (Edith), Rasif e Contos Negreiros (Record) - este último, vencedor do Prêmio Jabuti 2006, foi também publicado na Argentina em tradução feita por Lucía Tennina. É o criador e curador da Balada Literária, evento que acontece anualmente, desde 2006, no bairro paulistano da Vila Madalena. Nossos Ossos é seu primeiro romance.

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1 star
2 (1%)
Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Cata.
483 reviews78 followers
March 31, 2017
Hoje venho falar-vos de Nossos Ossos de Marcelino Freire, a minha mais recente leitura. Raramente escrevo reviews nos dias que correm, mas decidi abrir uma excepção por se tratar de um lançamento recente que teve - pelo que pude constatar- pouca notoriedade.
Nossos Ossos é um livro que não agradará a todos os leitores, nem pretende agradar. Para além de de se tratar de um romance LGBT, temos também a escrita peculiar do autor que, no meu caso em particular, primeiro estranhei, depois entranhei.
É um livro com passagens bonitas, linguagem por vezes crua, história triste, pontas soltas. Apesar de ser ficção, poderia ser facilmente uma história real. Creio que foi isso aquilo que mais me agradou nela.
Não ficou um favorito, mas causou impacto. Mais impressionante ainda é este ter sido o trabalho de estreia de Marcelino Freire.
Quanto à capa, prefiro a original. Lamento, mas a capa portuguesa não me atrai minimamente. Não tivesse conhecido o autor e ouvido falar sobre o livro em questão, ter-me-ia passado ao lado.
Profile Image for Eric Novello.
Author 67 books568 followers
Read
October 9, 2017
Belo livro do Marcelino! Não dava para esperar menos.
Prosa com cadência de cordel, pensada para a arte falada tanto quanto a escrita.
Só fica um porém: Parece filme LGBT dos anos 90, que precisava ter morte, violência, HIV, tentar adotar e não conseguir, ser brigado com a família, expulso de casa, crise de identidade por causa de religião, e todo o bingo de desgraças de problemática LGBT ao mesmo tempo. Aqui não é tudo ao mesmo tempo, ok, não tem metade do que eu falei, tô sendo implicante, mas é um bocado ainda assim.
Profile Image for Arthur .
284 reviews69 followers
August 7, 2014
Pra devorar e (desculpe o trocadalho) chupar até o tutano.
Profile Image for Lucas Rafael.
Author 9 books9 followers
June 2, 2016
Uma prosa feita com versos, por vezes rimada, sempre cantada. Ritmo bom, agradável, passa rápido que nem se vê.
Profile Image for R..
Author 8 books45 followers
December 26, 2018
A prosa longa de Marcelino é um livro que parece sussurrado, cantado no nosso ouvido, repleto de oralidade, respiros e silêncios. O ritmo falado é um bálsamo aos ouvidos acostumados a algumas prosas duras de hoje em dia. Recomendo.
Profile Image for Cátia Vieira.
Author 1 book854 followers
September 7, 2017
A minha crítica na Comunidade Cultura e Arte:

Valter Hugo Mãe, no prefácio a Nossos Ossos, introduziu Marcelino Freire como o “(…) mestre. (…) um escritor de maravilha, na esteira dos maiores do seu país, na esteira dos maiores da língua portuguesa” e terminou, afirmando: “Não dá medo ler Marcelino Freire. Dá juízo”. Iniciamos uma espécie de ritual de preparação para o que se aproxima e antevemos; respiramos de modo profundo, porque nos iremos embrenhar (ou embater?) no colosso literário que Valter Hugo Mãe nos promete. Porém, falhámos redonda e inegavelmente. Qualquer preparação não terá sido suficiente. A violência, a angústia e a individualidade de Nossos Ossos impõem-se como um percurso, uma luta. Temos de suspender a leitura para recomeçar com outro fôlego. Imbuímo-nos em Heleno Gusmão, bebemos do seu amor a Cícero, também referido como o boy. Uma viagem visceral, sem dúvida.

Marcelino Freire (n. 1967), escritor brasileiro, tem vindo a privilegiar o conto, tendo publicado Angu de Sangue (2000), BaléRalé (2003), Contos Negreiros (2005) – galardoado com o Prémio Jabuti de Literatura, em 2006 -, Rasif – Mar que Arrebenta (2008) e Amar é crime (2010). Assim, Nossos Ossos (2013), que surge, apenas este ano, nas livrarias portuguesas, é a primeira prosa longa do autor. A obra já terá também chegado a países como a Argentina e França e arrecadou o Prémio Machado de Assis 2014 de Melhor Romance.

O protagonista desta obra chama-se Heleno Gusmão e é dramaturgo. Esboçar, moldar e entregar o destino aos seus personagens sempre se configurou como o seu propósito, o seu sonho. Num mundo de animais, ambicionava ser rei. Num mundo de violência e de morte, almejava tocar as entranhas da vida e penetrar o submundo. Num mundo doloroso e impiedoso, buscava erguer-se, sentindo inteiramente:

“Pedi ainda um tempo para pensar, eu sempre fui devagar na preparação dos instrumentos, naquele solo de rachar, eu gostava, repito, de costurar vestimentas, criar um texto qualquer, inventar uma história para ver a tarde cair, meus irmãos ficarem curiosos, presos às aventuras que eu arquitetava ali, na hora, o destino eu tinha em minhas mãos, quando crescer eu quero ser várias pessoas, ir fundo, escrever para me sentir, assim, o dono do mundo, o rei dos animais”.
Confrontado com o homicídio do seu amante, Heleno decide encontrar a família de Cícero – oriundo de Poço de Boi – para lhes devolver o corpo e conceder um enterro digno. Numa procura, que transcende os preceitos morais, o protagonista recorda o seu percurso, desde o passado pernambucano à vida adulta na grande cidade. Num tom que mescla o fluxo e simplicidade da oralidade com uma violência e profundidade aflitivos, Freire apresenta uma paixão homossexual, entre um dramaturgo e um prostituto, numa cidade que violenta e aniquila, de forma desumana e inclemente.

Num jogo constante da palavra, que se reflete inclusive nos títulos de cada uma das partes do romance, imergimos a um estádio de vigília e de luto, acompanhando o pesar de Heleno por um amante morto, por uma cidade atroz, por um passado distante. Ser e vivenciar pode ser podre e custoso. Esta é uma ‘vida prostituta’. Porém, os ímpetos de vida do protagonista, espelhados também na linguagem desamarrada, liberta-nos do sufoco. Esta São Paulo bestial e crucificadora é essencial à própria experiência vivencial do protagonista. Heleno alimenta-se de excessos e paradoxos, de infernos e vísceras. Afinal:

“(…) a vida é tão curta para ser pequena. Filho da puta, até hoje essas palavras rebatem no meu juízo, ficam cicatriz em minha mente, a gente, mesmo sem querer, se lembra, durante uma eternidade a gente se lembrará do fim da inocência, do que restou daquele primeiro amor, do dia em que meu coração foi ao inferno e voltou (…)”

Em entrevista ao Observador (18/03/2017), Marcelino Freire assinalou o cariz autobiográfico de Nossos Ossos, ainda que tenha escrito um personagem mais exagerado, uma experiência mais exacerbada: “É autobiográfico, mas eu exagero para construir o personagem. O [amor] dele deu errado. No meu caso o meu amor deu muito errado [risos]. A vida é feita de amores possíveis e de amores impossíveis”. Sobretudo, o escritor nordestino declara o seu fascínio pela marginalidade, pelo submundo, pelos velhos, gigolôs e travestis.

No final de contas, concordamos simplesmente com Valter Hugo Mãe. Marcelino Freire é mesmo mestre; é um grito na contemporaneidade lusófona.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Suellen Rubira.
955 reviews89 followers
May 1, 2019
A história central - levar o corpo assassinado de um michê até seus pais - é por si só interessante. Mas há uma camada além, pois o dramaturgo Heleno Gusmão (protagonista desse romance) não só encara o teatro como sua profissão como também recorre a atitudes teatrais para resolver conflitos que vão surgindo. All the world's a stage, já dizia Shakespeare e é isso que Marcelino nos dá a conhecer: a vida é teatral e dramática e surreal.
Profile Image for Pablo.
Author 4 books3 followers
January 5, 2015
Sensível. Tocante.
Você lê esse livro numa sentada.
Marcelino Freire te leva em prosa distante, para bem longe...
Profile Image for Igor Laterça.
67 reviews3 followers
May 11, 2020
Marcelino Freire, com esse romance, traz um estilo e uma linguagem bastante originais, parecendo-me uma inspiração no trabalho do autor português José Saramago. Os diálogos são sensacionais, o vocabulário de todos os personagens é muito adequado ao grupo social ao qual cada personagem pertence, fazendo uso duma linguagem que, até então, não vira na literatura brasileira. Ademais, a obra aborda muitos assuntos como arte, violência urbana, homofobia, migrações e sonhos numa cidade com mais oportunidades do que a cidade natal. Além disso, as personagens são bem elaboradas e fogem ao que imaginamos que sempre há numa história. Esse livro ganhou o prêmio Machado de Assis — maior prêmio da literatura brasileira — de melhor romance e não foi à toa! Excelente!
Profile Image for terrystad dit Roy.
229 reviews3 followers
July 9, 2024
Très peu de livres traduits en français nous sont parvenus jusqu'à maintenant.

j'ai réussi à mettre la main sur celui-ci.

Petit volume, un brin de poésie, un petit roman de douleurs. le tout se passe au Brésil, celui de Sao Paulo et celui aussi de la campagne du nord-est du pays. Quand on fait partie de la communauté LGBTQI, pas trop le choix de rejoindre la grande ville et survivre. On aime ou on aime pas. Moi, j'ai plutôt aimé.
Profile Image for Fernando Hisi.
653 reviews9 followers
August 14, 2018
Literatura brasileira precisa superar o autor defunto. Absolutamente ninguém vai fazer melhor que o Brás Cubas. Tem umas rimas perdidas aqui que deixam tudo meio estranho, fiquei com a sincera impressão que era melhor um tudo rima ou um nada rima. É rapidinho.
Profile Image for Viviane Silva.
58 reviews6 followers
June 28, 2017
Com uma prosa gostosa, humana, leve e ao mesmo tempo profunda, Marcelino Freire surpreende, encanta e faz pensar. Arte. Pura arte.
Profile Image for Tiago Germano.
Author 21 books124 followers
October 28, 2015
A prosa sincopada, por vezes rimada, mais me turvou que embalou a leitura. Fico à espera do eco, perco o foco da história.
Displaying 1 - 17 of 17 reviews

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