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Retalhos da Vida de um Médico
"Retalhos da Vida de um Médico" é um conjunto de crónicas fundamentalmente acerca da vivência de Fernando Namora na sua atividade profissional enquanto médico de província. "Retalhos da Vida de um Médico" foi adaptado ao cinema por Artur Ramos.
488 pages, Paperback
Published October 1, 2016
About the author
Fernando Namora
56 books54 followersFERNANDO NAMORA nasceu a 15 de Abril de 1919, em Condeixa-a-Nova. Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (1942), exerceu clínica na sua terra natal, na Beira Baixa e no Alentejo e foi assistente no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa. Estreou-se nas letras com o vol. de poemas Relevos (1933); o seu terceiro livro de poesia (Terra, 1941) iniciou a colecção “Novo Cancioneiro”, órgão do Neo-Realismo, do qual fazia parte nomes como Carlos de Oliveira, Mário Dionísio e Rui Feijó. Além de poesia e romances publicou contos, novelas, memórias, narrativas de viagem e biografias romanceadas, tendo a sua obra sido traduzida em várias línguas: As Sete Partidas do Mundo (1938), Fogo na Noite Escura (1943), Casa da Malta (1945); Minas de São Francisco (1946); Retalhos da Vida de Um Médico (1949-63), em dois vols.; A Noite e a Madrugada (1950); O Trigo e o Joio (1954); O Homem Disfarçado (1957); Cidade Solitária (1959); Domingo à Tarde (1961, Prémio José Lins do Rego); Diálogo em Setembro (1966), Os Clandestinos (1972); Cavalgada Cinzenta (1977); Resposta a Matilde (1980); Rio Triste (1982, Prémio D. Dinis); Nome para Uma Casa (1982); Sentados na Relva (1986). Em 1981, foi nomeado para o Prémio Nobel da Literatura pelo PEN Clube e pela Academia das Ciências de Lisboa. Foi condecorado pela Presidência da República com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 1988. Faleceu a 31 de Janeiro de 1989, em Lisboa.
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Community Reviews
Displaying 1 - 8 of 8 reviews
November 15, 2019
Estes "Retalhos" são uma colecção de cerca de três dezenas de crónicas que relatam episódios da actividade de Fernando Namora enquanto médico recém-licenciado a exercer primeiramente no Portugal profundo (Beira Interior e Alentejo) e mais tarde na cidade, respectivamente nas décadas de 40 e 60 do século XX, em pleno Estado Novo. Retalhos que retratam o ambiente social da época, marcado pela pobreza e pelo analfabetismo, e as limitações e a impotência, com que, tão frequentemente, se deparava o jovem médico na sua luta contra a doença e os mitos nascidos da ignorância. São histórias de conteúdo muito humanista, narradas numa prosa exemplar na forma como conjuga erudição, simplicidade e beleza. A contracapa desta edição não engana o leitor quando nos apresenta a obra como de "um autor exemplar da fusão, sempre almejada, entre a literatura e a vida". Lindo de ler.
April 21, 2026
Esta obra de Fernando Namora destaca-se pelo uso magnífico do realismo literário. O autor descreve-nos vários cenários da sua vida quotidiana de forma exímia, crua e chocante, nunca perdendo a prosa poética que o caracteriza. Ao ler esta obra somos, sem qualquer tipo de esforço, transportados para ambientes rurais e, mais tarde, citadinos de um Portugal antigo, marcado pela pobreza, rudeza dos costumes e desconfiança no médico e na ciência. Namora impressiona-nos com as suas descrições excecionais do ambiente social que marca essa época, a pobreza, as dificuldades vivenciadas pelo povo como uma entidade e, particularmente na 1ª série, as duras condições e as formas de vida nos ambientes rurais.
É chocante perceber como a Medicina desses tempos é (felizmente) tão diferente da atual. Contudo, mais chocante ainda é notar como muitos dos problemas apontados por Fernando Namora continuam tão atuais nos dias de hoje, quer seja na repercussão negativa dos curandeiros e boticários (ou diremos dos "maravilhosos" suplementos que prometem ser a resolução de todos os nossos problemas) ou até no analfabetismo em saúde, mesmo na era da (des)informação digital que vivemos.
É chocante perceber como a Medicina desses tempos é (felizmente) tão diferente da atual. Contudo, mais chocante ainda é notar como muitos dos problemas apontados por Fernando Namora continuam tão atuais nos dias de hoje, quer seja na repercussão negativa dos curandeiros e boticários (ou diremos dos "maravilhosos" suplementos que prometem ser a resolução de todos os nossos problemas) ou até no analfabetismo em saúde, mesmo na era da (des)informação digital que vivemos.
May 12, 2017
Um excelente livro, em que Fernando Namora, médico escritor, nos apresenta pequenas histórias por ele passadas durante a sua vida de clínico, primeiramente na zona de Monsanto na Beira baixa e depois no baixo Alentejo.
Namora mostra-nos num tom por vezes irónico, por vezes sarcástico o Portugal profundo durante as décadas de 40 e 50 do século passado. Um Portugal pobre, analfabeto, preso a tradições e costumes antigos e religiosos, um Portugal oprimido onde os pobres são muito pobres e os ricos muito ricos... É neste portugal que o jovem médico vai aos poucos (com muitos dissabores à mistura) crescendo, aprendendo e sobretudo fazer-se respeitar, mas ao mesmo tempo observar e transpor no papel com a mestria da sua escrita todo esse mundo social que o rodeava.
Namora mostra-nos num tom por vezes irónico, por vezes sarcástico o Portugal profundo durante as décadas de 40 e 50 do século passado. Um Portugal pobre, analfabeto, preso a tradições e costumes antigos e religiosos, um Portugal oprimido onde os pobres são muito pobres e os ricos muito ricos... É neste portugal que o jovem médico vai aos poucos (com muitos dissabores à mistura) crescendo, aprendendo e sobretudo fazer-se respeitar, mas ao mesmo tempo observar e transpor no papel com a mestria da sua escrita todo esse mundo social que o rodeava.
March 26, 2026
Tantos anos a percorrer este nome que só tinha forma de avenida mas finalmente sei o que namora Fernando.
September 11, 2019
Desde que li um livro de contos de Fernando Namora que desejava ler este volume, misto de contos, memórias e autobiografia. Seguimos um jovem médico na sua aprendizagem enquanto profissional e enquanto homem, por entre o mundo rural português das Beiras e do Alentejo nos anos 40 do século XX, e a cidade de Lisboa dos bairros de lata e dos senhores burgueses. Este médico vê-se sempre dividido entre a lealdade à sua origem camponesa e ao que poderia ganhar com a sua profissão, mas o que vence nele é o respeito pela dignidade do seu semelhante, que é sempre um indivíduo com um rosto, uma história, que não é necessariamente bom nem mau mas que tem os seus motivos para agir como age.
E o médico, mais do que curar o físico (como em O Filho, História de umas Mãos Pequenas, O Crime, A Mulher que Engolia Alfinetes) tem que conhecer as almas e as provações materiais que as atingem, para depois conseguir chegar à sua humanidade.
E mais do que autores como Soeiro Pereira Gomes, Fernando Namora é mais poético e reflexivo: "Há dias em que a melancolia chove dentro de nós como num pátio interior, atapetado de jornais velhos." (p.447).
E o médico, mais do que curar o físico (como em O Filho, História de umas Mãos Pequenas, O Crime, A Mulher que Engolia Alfinetes) tem que conhecer as almas e as provações materiais que as atingem, para depois conseguir chegar à sua humanidade.
E mais do que autores como Soeiro Pereira Gomes, Fernando Namora é mais poético e reflexivo: "Há dias em que a melancolia chove dentro de nós como num pátio interior, atapetado de jornais velhos." (p.447).
January 16, 2019
Livro de narrativas primeiramente publicado em dois volumes (1949 e 1963)
(1949):
História de um parto
A mulher afogada
A prima Cláudia
Dias de Vento
Reputação
A visita
Cardos, cardos na floresta!
Um homem do Norte
Meia dúzia de histórias pitorescas (I-A primeira consulta, II-História de uma pneumonia, III-A voz do sangue, IV-Ciganos e o mais que se lerá, V-Curandeiros, VI-Mais curandeiros)
Malandro
História quase policial
Um conde na Ilha Fria
Outra história de um parto
A Tuberculosa
O Canudo e a estátua
(1963)
O influente
O homem que queria morrer
Os sapatos
História de umas mãos pequenas
Um começo de vida
O filho
O crime
O rufia
A mulher que engolia alfinetes
O Cão
Apenas uma laranja
(1949):
História de um parto
A mulher afogada
A prima Cláudia
Dias de Vento
Reputação
A visita
Cardos, cardos na floresta!
Um homem do Norte
Meia dúzia de histórias pitorescas (I-A primeira consulta, II-História de uma pneumonia, III-A voz do sangue, IV-Ciganos e o mais que se lerá, V-Curandeiros, VI-Mais curandeiros)
Malandro
História quase policial
Um conde na Ilha Fria
Outra história de um parto
A Tuberculosa
O Canudo e a estátua
(1963)
O influente
O homem que queria morrer
Os sapatos
História de umas mãos pequenas
Um começo de vida
O filho
O crime
O rufia
A mulher que engolia alfinetes
O Cão
Apenas uma laranja
October 28, 2015
Gostei mais dos da 1ª série (1949) - que são mais campesinos que dos da 2ª série (1963).
Nota-se um tom corporativista da classe médica: É recorrente a queixa de que são incomodados a horas impróprias por coisas de nada. E são mal pagos, e alvo de muita maledicência
Nota-se um tom corporativista da classe médica: É recorrente a queixa de que são incomodados a horas impróprias por coisas de nada. E são mal pagos, e alvo de muita maledicência
November 21, 2012
À altura de um clássico da literatura universal.
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