Com o rei D. Carlos ao leme da nação, os habitantes de uma recôndita aldeia portuguesa dispõem-se a castigar, certa noite, os praticantes de um pecado hediondo, deitando fogo à sua casa na orla de uma floresta paradisíaca. E é tal a sanha colectiva contra os pecadores que – salvo os que ainda não andam e os que já não conseguem andar – só duas pessoas na povoação inteira não participam do massacre: Ana, a parteira, e o padre Engrácio. Conseguindo adiantar-se ao morticínio, resgatam com vida um par de gémeos recém-nascidos, baptizados nessa mesma noite com os nomes de Laura e Lourenço Duchamp. Recebidas em orfanatos distintos, as crianças crescerão sob o signo da tristeza, da violência e da solidão, sempre carentes da alma gémea que desconhecem ter, enquanto na aldeia, à medida que os anos passam, a culpa vai consumindo, um por um, os criminosos. Ana, que não pode ter filhos, nunca deixa, porém, de se perguntar pelos meninos que salvou, ignorando, como eles, que o reencontro é sempre uma possibilidade. Numa linguagem cuidada e bela e um leque de personagens fascinante, Paula de Sousa Lima constrói em O Paraíso uma narrativa pungente sobre o preconceito, o arrependimento e a incapacidade de fugir ao destino.
Desde que saiu, que me senti atraída por este livro. A capa é lindíssima e a história parecia muito interessante. E de facto acho que é, mas a forma como está escrita e como é contada acabou por retirar muito do prazer da leitura. É uma escrita algo difícil, muita da linguagem é enquadrada no período histórico da acção (finais séc. XIX até pouco depois do Regicídio) e o texto todo corrido, em estilo de fluxo de consciência, não resultou para mim. É um estilo de escrita que cansa e confesso que os últimos capítulos já foram lidos na diagonal só para poder acabar. Tenho curiosidade em saber se os outros livros da autora também terão este género de escrita ou se é só este. Recomendo pela história, mas é um livro para ler com calma e atenção.
Este livro foi para mim um livro "meio termo", ou seja, nem gostei nem desgostei. A história é contada por vários personagens que podemos considerar principais onde cada capítulo pertence a um personagem que nos dá a sua versão da história. Todo o enredo é a volta de um crime cometido como forma de castigo por um pecado hediondo e as suas consequências ao longo dos anos.
A linguagem, na minha opinião, é um tanto complexa com um vasto vocabulário, mas que corresponde bem a época em que decorre a história (a quando do regicídio). O que menos apreciei foi o facto de as falas das personagens não serem assinaladas o que a princípio me fez confusão, mas depois acabei por me habituar. É uma obra que requer uma grande atenção por parte do leitor!
Ainda assim, gostei da mensagem que passou em que vemos o quão é fácil a sociedade julgar e condenar tudo o que não vai de encontro à norma social que as pessoas estipulam e o quão negra é! Independentemente do ano, da década, do século ou da evolução!
Não posso dizer que fiquei desiludida com a leitura, mas não me preencheu a alma como esperava que acontecesse. Porém, para quem quiser se aventurar numa obra diferente é uma boa opção 😊
Uma paixão, um amor, um pecado que leva a pecar muitos mais. Uma história apaixonada e apaixonante escrita de uma forma que toca o coração. Uma escrita que faz lembrar Saramago. Adorei!