O conceito de "democracia racial" foi (e ainda é) um mantra do orgulho nacional. Daqueles que recusam a realidade. Uma das maiores referências na defesa dos direitos dos negros no Brasil, mesmo após sua morte, Abdias Nascimento sobrepõe testemunhos pessoais, reflexões, comentários e críticas, opondo o discurso oficial sobre a condição social e cultural do negro brasileiro à realidade, fazendo a desconstrução do que se convencionou chamar de "democracia racial", cenário utópico e irreal no qual "pretos e brancos convivem harmoniosamente, desfrutando iguais oportunidades de existência, sem nenhuma interferência, nesse jogo de paridade social, das respectivas origens raciais ou étnicas."
Abdias do Nascimento was a prominent African Brazilian scholar, artist, and politician. Also a poet, dramatist, and Pan-African activist, Nascimento created the Black Experimental Theater (1944) and the Black Arts Museum (1950), organized the National Convention of Brazilian Blacks (1946), the First Congress of Brazilian Blacks (1950), and the Third Congress of Black Culture in the Americas (1982). Professor Emeritus, State University of New York at Buffalo, he was the first Afro-Brazilian member of Congress to champion black people’s human and civil rights in the National Legislature, where in 1983 he presented the first Brazilian proposals for affirmative action legislation. He served as Rio de Janeiro State Secretary for the Defense and Promotion of Afro-Brazilian People and Secretary of Human Rights and Citizenship. While working as curator of the Black Arts Museum project, he began developing his own creative work (painting), and from 1968 on, he exhibited widely in the U.S., Brazil and abroad. He received national and international honors for his work, including UNESCO’s special Toussaint Louverture Award for contribution to the fight against racism, granted to him and to poet Aimé Césaire in 2004. He was officially nominated for the 2010 Nobel Peace Prize.
Muito enriquecedora essa leitura. Além de dar o bê-a-bá pro desmantelamento do mito da democracia racial (que segue presente no discurso de muita gente através das ideias de miscigenação, principalmente), constrói muitos nexos causais que acredito terem ampliado meu entendimento da questão e possibilidade de argumentação. É interessante como os mesmos pontos que são utilizados como argumento pró democracia racial atestam justamente pras práticas racistas cotidianas dos brasileiros. Por fim, considerando a publicação do livro em 1977, gostei de poder traçar um comparativo das pautas enunciadas pelo autor e onde houveram avanços institucionais na direção das propostas dele, e onde seguimos estanques no mesmo lugar, mesmo 4 décadas depois.
Leitura essencial para se compreender as dinâmicas raciais no Brasil pós-abolição da escravatura.
Em um contexto no qual o Estado brasileiro desfrutava da imagem de criador de uma sociedade marcada pela harmonia e pela igualdade no estatuto da convivência social, Abdias Nascimento promoveu a desconstrução do mito da “democracia racial” e apontou a subsistência da dominação da população majoritária de origem africana pela elite branca minoritária, ainda que formalmente não existisse qualquer sistema de segregação.
Escrito há mais de 40 anos, mas permanece atual – e necessário.
Sem sombra de dúvidas é um dos principais livros sobre racismo que li e deveria ser referencial obrigatório sobre a história de sobrevivência do negro no Brasil. Descontruindo crenças como "democracia racial", "oportunidades iguais para todos", "Brasil o país mais inclusivo de se viver" o autor nos mostra que o reflexo da sociedade do hoje é um produto das políticas escravagistas que duraram 400 anos. Se você está em busca de remover a camada racista que está invisível no olhar da sociedade brasileira, o livro de Abdias lhe fará entender porque o negro é: marginalizado (o negro nunca será melhor do que o branco); inferiorizado (faça o exercício de contar quantas pessoas negras estão sendo servidas e quantas estão servindo); vive no subemprego (podendo ser entendida como a escravidão pós-abolição); não é protagonista na esfera econômica (lideranças negras são rarirades e quando existem são embranquecidas para se sentirem parte); não está nos holofotes da mídia (exceto quando os temas são violência, carnaval e futebol). Caso você ainda tenha dúvidas de que o Brasil precisa de políticas afirmativas para de fato incluir o afro-brasileiro em uma posição de igualdade, deleite-se pelas páginas de O Genocídio do Negro Brasileiro.
Primordialmente o autor contextualiza como o escrito chegou ao público.
Originalmente foi um ensaio para o colóquio do Segundo Festival Mundial de Artes e Culturas Negras realizado em Lagos de 15 de janeiro a 12 de fevereiro de 1977, porém foi rejeitado.
Não fiquei surpresa pois os assuntos não estão em consonância com a imagem que sociedade brasileira queria se mostrar ao mundo.
Fiquei deveras triste pois se o governo tivesse trabalhado (aqui) o material desse livro, hoje teríamos uma outra realidade. Fim do racismo? Não. Mas estaríamos mais adiante para a conquista de nossa cidadania real.
Ao se averiguar como hoje se fala sobre sexualidade e gênero como um assunto incentivador ao coito, da mesma forma, o documento foi tido como propagador de crenças ideológicas. Os 6 delegados enviados pelo Brasil se querem se manifestaram, em omissão não quiseram estar envolvidos em debater as questões raciais do Brasil.
A imprensa Nigeriana documentou a rejeição e por conseguinte se despertou a curiosidade para saber as condições do negro brasileiro.
Em vista disso o trabalho foi mimeografado (me sinto tão velha por saber o que é isso) e distribuído aos participantes do Colóquio que se organizaram em 5 grupos para discursão. Dessa maneira propostas foram lançadas. A delegação brasileira tentou impedir que as propostas fossem colocadas visto que Abdias não era um delegado oficial.
O ano era 1977 e o documento denunciava que o Brasil não fazia de forma obrigatória o estudo da história da África e consequentemente negando a mais da metade da população do país conhecer sua história e raízes que por certo lhe ajudariam a formar uma identidade.
Somente em 09 de janeiro de 2003 que a lei 10.639 foi assinada. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
Não posso deixar de comentar que estava na proposta, mas foi vetado que professores deveriam contar com a participação de entidades do movimento afro-brasileiro. Eu acho que ficaram com medo da revolução.
Os delegados oficiais produziram monografias de pretenso caráter científico (grifo do autor) e colocavam o afro-brasileiro e africano como objeto de pesquisa e destituído de humanidade e dinâmica histórica.
ATENÇÃO: a partir de agora vou usar o símbolo * para os falsianes
Um dos delegados Dr. George Alika (*) descreveu a religião de matriz africana como culto primitivo, mágico e animista. Esse autor seguia os estudos de Nina Rodrigues (*) que dizia que o transe era manifestação de histeria e patológico.
Outro delegado Antônio Vieira (*) não teve seu trabalho distribuído no colóquio, entretanto ele fez um pronunciamento onde omitiu qualquer referência aos problemas dos descendentes dos africanos no Brasil.
Abdias é um escritor orgânico pois a matéria investigada também lhe atravessa de forma pessoal.
Cita vários autores como o professor Thales de Azevedo (*) que assegura que o mito da democracia racial é “orgulho nacional”. Fala de Gilberto Freyre (*) e o seu termo criminoso: morenidade (em uma única palavra ele consegue propor o desaparecimento do negro físico e espiritualmente através de estratégias de branqueamento).
O negro escravizado foi imprescindível para história econômica do Brasil. Café, Cana de açúcar, ouro e diamantes eram explorados pelos negros a base de violência e crueldade, porém tampouco tiveram recompensa financeira e ou simbólica, pois todo o conhecimento e ciência era bagagem dos escravizados.
O sistema escravocrata forçou uma fama de ser uma instituição benigna. O colono português utilizava de mentira e dissimulação para encobrir sua natureza racista e espoliadora. Ainda ousou dizer que a escravidão que já existia em África era semelhante à sua. As ameaças e corrupção dos chefes tribais não foram contextualizados. O passado Africano fora distorcido. Há corajosos que citam que houve senhores escravocratas “bons e humanos”. Os supostos Senhores Benevolentes.
Os missionários cristãos tiveram uma participação efetiva e entusiástica no cruel, terrível e desumano tráfico negreiro. Exemplos como Padre Antônio Vieira (*) e sua firme posição racista.
Pierre Verger (*) um branco europeu que se intitulava porta voz do estudo sobre o negro e o africano disse que o Brasil é um local racialmente harmonioso e que o branco não é racista com o negro.
O mesmo, glorifica a imagem da “mãe preta” amamentando a criança branca. Pelo contrário, essa imagem foi um dos mais terríveis crueldade racista do tempo escravocrata. Mulheres negras foram estupradas ou engravidavam de uma relação afetiva, mas não tinha direito a seu filho.
A criança quando não vendida, não tinha o direito de ser amamentado pela própria mãe pois seu leite era propriedade do senhor que podia oferta-lhe a seus próprios filhos ou alugar/vender essa escravizada para que amamentasse outra criança. Não há nada de harmonioso nesse “símbolo” destacado por Verger.
A mulher negra foi escravizada, impedida de estabelecer qualquer estrutura familiar, prostituída e estuprada sistematicamente. Até hoje tem desprestígio social. O autor cita um velho ditado popular, mas continua atual Banca pra casar, Negra pra trabalhar Mulata pra fornicar
Pierre Verger em plena Universidade de Ifé aplaude a violência sexual a mulher africana quando exalta algumas situações da relação dos filhos dos brancos donos de plantação com os escravizados: “...teriam a sua iniciação sexual com garotas negras trabalhando nas casas grandes...”
O Africano inválido, enfermo incurável ou idoso era lixo humano na concepção dos escravocratas que lhes concediam alforria para não lhe oferecer apoio ou subsistência.
Manter os Africanos e seus descendentes fora da sociedade exonerava as responsabilidades dos senhores, do estado e da Igreja.
Monteiro Lobato (*) endossava o coro de que o negro sequestrado e trazido da África sob grilhões era o causador do “problema racial brasileiro" e que de certo o faziam de propósito por vingança. O autor infantil apostava suas esperanças em são Paulo que estava sendo injetado de sangue europeu.
O mulato (mantendo o termo original do livro) era geralmente fruto estupro da mulher negra e tinha designação especial no sistema escravocrata: feitor, capitão do mato entre outras tarefas de confiança.
O branqueamento sistemático era tido como uma esperança para se aniquilar a “mancha negra” da sociedade” era uma aposta que tinha como objetivo a eliminar da raça negra ou seja, seu genocídio.
O escritor José Veríssimo (*) exaltou que a mistura das raças iria eliminar a raça negra. Vários outros intelectuais com a mesma linha de pensamento foram citados.
A política imigratória foi instrumento básico para o branqueamento. Um decreto em 1890 proibia a entrada de indígenas da Ásia e Africanos.
Getúlio Vargas (*) no fim do seu governo assinou o decreto N 7.967 que dizia:
“Atender-se-á, na admissão dos imigrantes, à necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência europeia, assim como a defesa do trabalhador nacional.”
Rui Barbosa (*) em 1899 mandou incinerar documentos financeiros da escravidão para proteger o Estado, pois os escravocratas pretendiam pedir indenização devido o fim da escravidão oficial. Ato esse que fez com que perdêssemos documentos indispensáveis para uma análise histórica da escravidão.
A discussão pública do racismo e discriminação racial era inibida e o regime militar agia de forma violenta.
A discriminação racial é a base da desigualdade social. A “boa aparência” nos anúncios de emprego era uma forma de dizer que a vaga não era para uma pessoa de fenótipo negroides irrefutáveis. A cor da pele é uma variável de peso na desigualdade econômica em que o negro se encontra.
A cultura Africana foi folclorizada para se tornar palatável.
A religião de matriz africana era a única religião que era exigido registro policial. As casas passavam por inúmeras invasões onde eram confiscadas esculturas rituais, objetos de culto, vestimentas litúrgicas e as lideranças eram encarceradas.
O autor é fundador do Teatro Negro experimental... Enfim
O livro é um patrimônio imaterial. É inumerável a contribuição que o autor coloca no livro do que é ser negro no Brasil.
Livro muito bom e necessário. As vezes agressivo, mas é compreensível dado o histórico do estado brasileiro (branco) contra os negros e povos originários ao longo dos últimos séculos.
Nós, brancos, temos que ter mais empatia e ler mais textos de autores negros e também de povos tradicionais e originários. Temos que saber escutar mais, e aprender com isso a partir das perspectivas de outras pessoas, que tem uma outra história de vida, com reflexões proprias da realidade em que viveu. Escutando mais podemos criar uma realidade melgor para todo mundo, e não somente para uma parcela da população. As vezes esses textos podem soar agressivos justamente por causa das diferentes perspectivas vividas. Tambem é importante notar e compreender a violência secular institucionalizada contra essas pessoas - do qual nós, mas principalmente nossos antepassados brancos, indivual ou coletivamente, tiveram grande parte papel.
Achei extremamente adequados os capitulos do livro e traz propostas extremamente interessantes para o Estado Brasileiro.
É curioso pensar na atualidade desse livro, embora tenha sido escrito há mais de 40 anos. As reflexões que Adbias coloca por meio dos seus relatos e de suas experiências, a perseguição política por parte do estado brasileiro, a questão da estratificação sempre negativo para a pessoa negra. Os processos de embranquecimento dessa sociedade brasileira e como a fetichização dos corpos negros sem foi algo em voga. Leitura obrigatória e elementar para se pensar o negro no brasil, a política, as artes e suas consequências. O que me dói muito é o que Abdias escreveu por volta da década de 1970 ainda é real e horrivelmente atual.
esse livro tem TANTA informação, achei incrível como o autor pega um argumento usado pra justificar a ""democracia racial"" no brasil e mostra todo o embasamento que torna aquilo completamente sem sentido.
quando ele fala da folclorização da arte africana e de como a religião reforçou o racismo no brasil foram partes que se destacaram pra mim.
É assustador que um livro de 1978 contenha sentenças e estudos tão facilmente aplicáveis à realidade de um mesmo país (e mundo) em 2020, mas é exatamente isso que acontece aqui.
Embora escrito na década de 70, o livro permanece super atual ao tratar das questões raciais no Brasil, desmentindo especialmente o mito da democracia racial. Abdias antecipou vários conceitos e ideias sobre a situação do negro no Brasil. Pode-se dizer que é um homem a frente do seu tempo, com um esclarecimento aterrador. Leitura obrigatória para todo cidadão. O começo pode parecer um pouco maçante, pois trata-se da contextualização de um coloquio realizado em Lagos em 77 e que Abdias teve seu texto censurado. Mas vale a pena seguir para entender o conteúdo do documento que ele pretendia apresentar no evento.
É triste ler um livro escrito há 40 anos e perceber que seu conteúdo ainda faz todo o sentindo no Brasil do século XXI. Ainda mais um livro que trata do racismo e preconceitos voltados para a população afrodescendente do país. Apesar disso o livro se faz EXTREMAMENTE necessário.
O Genocídio do Negro Brasileiro é um livro que tem como foco principal mostrar o quanto a democracia racial tão defendida pelo povo brasileiro não passa de uma grande falácia. Nascimento relata as inúmeras formas e tentativas do governo brasileiro e seus intelectuais de propagarem a mensagem de que o Brasil as raças/etnias vivem em plena harmonia. O governo queria a mistura das raças para que assim a raça/etnia do branco europeu se prevalecesse e assim em 2012 a nossa nação seria estritamente branca. Depois da escravidão largou os negros por aí e permitiu a entrada somente de estrangeiros europeus. A igreja também colaborou e muito para esse processo.
A democracia racial que nunca existiu só traz prejuízos em todos os setores para a população negra no Brasil. Os negros largados à margem da sociedade. Sua cultura e contribuição para a construção do país é apagada. Essa falsa democracia está tão arraigada que fez e faz mais estragos que o apartheid na África do Sul e a segregação nos Estados Unidos. Além de fazer com que os próprios negros reconheçam esse discurso como verdadeiro e o propague também. Mas como Nascimento deixa claro o negro só faz isso porque ser incluído e tratado como um branco com medo de ser ridicularizado.
O texto de Abdias Nascimento é forte e corajoso. Não mede esforços para trazer a verdade e a clareza de como os negros sempre foram tratados por aqui e a forma que o país quis vender a imagem de "um país de misturas harmoniosas". É pungente e esclarecedor. Todos deveriam ler essa obra e ter noção da história do negro brasileiro. Criar consciência e desmitificar essa democracia. Apesar de termos avançados em alguns aspectos de políticas/ações afirmativas, infelizmente vivemos em uma sociedade racista que não se diz racista e que menospreza a cultura negra de todas as formas.
Recomendo esse livro principalmente para as pessoas negras para conhecerem o nosso passado, mas indico aqueles que querem entender o processo do racismo no Brasil e que de alguma forma luta contra para que isso se perpetue. Precisamos nos conscientizar e lutar contra qualquer repressão racial.
Me dá vergonha admitir que até o presente momento eu desconhecia boa parte da história do Brasil relatada neste livro. É incrível, e ao mesmo tempo deprimente, ver que poucos avanços ocorreram nos quase cinquenta anos desde sua primeira publicação. Abdias Nascimento era um homem muito à frente do seu tempo e eu o consideraria um herói do movimento negro brasileiro.
A única "crítica" que tenho a fazer sobre esta obra é o fato de que em meio à tantas discussões sobre o embranquecimento do país e referências à negros de alma branca, o autor omitiu, não sei se propositadamente, relacionamentos interraciais que não se encaixavam nas categorias por ele criticadas. Visto que o próprio Nascimento era casado com uma mulher branca, não só branca mas também norte-americana, eu esperava uma discussão ainda que breve sobre o assunto.
No mais, aprendi muito com este livro e definitivamente o recomendo à todos.
Livro essencial, principalmente nos dias atuais em que muitos enxergam o respeito a direitos como privilégios, acham que não há racismo no Brasil e que negros possuem as mesmas faculdades que brancos (mesmo que todos os negros que possuam 30 anos hoje no país tenham tido seus bisavós escravizados). A coletânea de textos desmistifica a ideia de democracia racial imaginada por muitos, como também analisa, cientificamente, suas implicações para com as mulheres, religião, trabalho. Obra escrita há 40 anos, mas infelizmente ainda bastante atual.
Certamente um dos livros mais importantes que li até hoje. Abdias me ajudou a olhar com profundidade o racismo no Brasil e a identificar muitos elementos presentes na minha vida, que ingenuamente não me dava conta. Há algum tempo tenho passado por um processo de internalização e orgulho das minhas raízes não européias. Essa obra de arte literária me deu elementos para continuar me aprofundando no tema e assim educar aqueles que ainda acreditam no mito da democracia racial no Brasil.
Livro extremamente necessário. Abdias do nascimento descontrói todas as hipocrisias que formam a hipocrisia da democracia racial brasileira, desmistificando uma série de ideias que já adentraram ao senso comum. Com uma linguagem acessível o autor permite que qualquer um possa acessá-lo, estudá-lo e dessa forma compreender o genocídio sofrido pela população negra desse país ha séculos.
Em 15 capítulos Abdias expõe e brilhantemente argumenta as situações e mazelas que os afrobrasileiros passam. Mesmo, décadas depois de seu lançamento ainda é relevante. É sem dúvidas um ótimo primeiro passo para entender os cenários, as variáveis, as circunstâncias para depois se aprofundar em outros livros.
Livro muito importante para a formação do cidadão brasileiro, entender um pouco do racismo brasileiro, como surgimos a partir de sangue, sexo e estupros, e da ideia de "Democracia racial", que é uma farsa.
Recomendo a todo brasileiro ou interessado na cultura e formação do estado brasileiro a leitura.
A escrita de Abdias é fluída e fácil de acompanhar.
O autor narra as várias formas de genocídio para além das noções óbvias apreendidas do conceito. Através críticas muito bem fundamentadas rebate os sociólogos e cientistas sociais que produziram textos racistas acerca da realidade brasileira, desconstruindo o mito da “democracia racial”
mais um dos títulos que são marcantes em minha vida! até a história de como este livro chegou em minhas mãos foi especial... os acontecimentos pós leitura também foram/são extremamente significativos.
Livro para aqueles que ainda acreditam na "boa escravidão brasileira", no "luso-tropicalismo" e na "culpa dos próprios negros" pela escravidão reverem seus conceitos.
A história do Brasil escrita por quem sofreu na pele os efeitos de uma idealização da democracia racial, escondendo o quanto o Brasil é estruturalmente racista
Trabalho acadêmico com informações muito relevantes sobre o tema. O autor, de cara, descarta a ideia de isenção em sua escrita e abraça o compromisso da luta antirracista. Leitura importante.