Estou olhando isto a perguntar-me agora com que olhos de anjo caído e rebelde terá olhado para a mesma praia desolada aquele rapaz raro há mais de um século. Cameleiros preguiçosos jogam as damas árabes com excrementos redondos e secos dos seus animais. Mais de cem anos despois eu estou seguramente no mesmo ponto olhando seguramente do mesmo modo e com toda a certeza para a mesma cena. Tam anjo caído e rebelde como aquele rapaz cem anos antes. Tam preguiçosos os cameleiros que jogam damas árabes, tam idênticos os excrementos redondos e secos dos animais.
Hoje é tudo igual. O tempo está parado aqui. Pergunto-me se serei capaz de continuar mirando. Pergunto-me se serei capaz de manter a lucidez. Porque estou a olhar isto e estou a querer ver-te. Porque te vejo apenas num esforço de imaginaçom. E o tempo passa e já nom sei adivinhar-te bem.
Carlos Quiroga é professor na Universidade de Santiago de Compostela. Fundou e dirigiu várias revistas, como O Mono da Tinta, e foi Bolseiro de investigação da Gulbenkian (1991-92), do ICALP (1992-93) e da Universittà Italiana per Stranieri (1983). Doutorado com distinção e louvor, para além da actividade académica tem publicação dispersa de textos e fotografias em revistas e jornais de Portugal, Galiza, Brasil, Espanha e Alemanha, colaborando na intervenção de artistas plásticos, em antologias, livros colectivos, etc. Publicou em livro G.O.N.G. - mais de vinte poemas globais e um prefácio esperançado (1999); Periferias (1999, Prémio Carvalho Calero de narrativa, publicado no Brasil em 2006); A Espera Crepuscular (2002, primeira parte da trilogia Viagem ao Cabo Nom, que reúne poesia, fotografia e narrativa); Il castello nello stagno di Antela/ O castelo da lagoa de Antela (2004, prémio de Teatro infantil na Mostra de Ferrol-terra em 1988, publicado na Itália em galego e italiano pela Collana editoriale); O Regresso a Arder (2005, terceira parte da Viagem ao Cabo Nom); Venezianas (2007). Inxalá foi já prémio Carvalho Calero de narrativa e editado na Galiza em
O autor Carlos Quiroga - professor na Universidade de Santiago de Compostela - doutorou-se com uma tese sobre Fernando Pessoa o que, suponho, lhe deu legitimidade para utilizar frases do poeta como se fossem da sua autoria: "eu nunca serei nada, não posso querer ser nada, mas tenho em mim todos os sonhos da Humanidade toda..." (página 8).
O livro que, em 2006, recebeu um prémio de narrativa, é um exercício de pedantismo no qual Quiroga despeja a rodos a sua erudição sobre história, religião, política, geografia, literatura, moda, gastronomia e o diabo a sete. Muito melhor que a Wikipedia...
A minha leitura deslumbrada com tanto conhecimento, condensado em cerca de 100 páginas, escapou-me o assunto que me aliciou a ler o livro: "Quem nunca pensou em largar tudo de repente e partir? Quem nunca amou perdidamente?"
Inxalá Espero não me deparar muitas vezes com este tipo de Lixoratura...
Leitura difícil principalmente no início, que é aborrecido, mas vai melhorando e gostei muito desde o meio até ao fim. Sobre saírmos de onde estamos para nos conhecermos realmente.
"As mulheres Afars desprezam is pretendentes que nunca mataram um homem, desejam alguém com o bracelete de ferro que indica que matou dez inimigos" pag. 23
"O Djibouti, no Corno de África, é uma das áreas mais quentes e áridas do planeta, o único lugar do mundo onde se pode ver, ano após ano, o nascimento de um novo oceano, onde se pode observar, mês após mês, a deriva dos continentes, a dilatação inexorável de uma fenda na crosta terrestre" pág 39
"O medo da solidão e da morte são a pura essência do deserto.(..) O medo é bom para nos lembrar que é preciso um chão para segurar a paixão. (...) Sempre que esperes alguma coisa do futuro, pronuncia um inxalá" pág. 119 e 120
Texto difícil e complicado de seguir. Será que a história era assim tão parte do autor que ele teve medo da partilhar e de ser descoberto na sua totalidade no meio dela? Não gostei quando o autor usou frases de Fernando Pessoa sem as citar.
É raro ler um livro sem perceber o que está a ser transmitido. Pois aconteceu com este... No início não consegui perceber mesmo nada do objectivo do autor. A partir de determinada altura, quando o autor faz um flashback em que fala do que aconteceu na sua história com uma mulher até ela aparecer morta no Hospital de Santa Maria onde ele trabalhava e ele acabar por fugir para a Abissínia (Etiópia) sendo suspeito de a asssassinar... aí ainda se consegue seguir o fio à meada. Mas tem pelo meio pensamentos dispersos sobre a origem da palavra Abissínia, histórias de padres do deserto, a história do Ras Tafari, enfim... ficamos enredados e o cérebro dá um nó.
Achei este livro um bocado estranho, e por vezes difícil de seguir, mas em contrapartida gostei das curiosidades históricas e geográficas que vão sendo reveladas sobre a região conhecida como "Corno de África". Uma dessas curiosidades é a história de Lalibela, a cidade gémea de Jerusalém (http://en.wikipedia.org/wiki/Lalibela), que é Património da Humanidade e cuja existência eu desconhecia por completo...
Não gostei muito. Achei o estilo muito pretensioso e desadequado à história, a qual me pareceu mal estruturada e de certo modo incoerente com o intuito da obra. Curioso que com este livro, o escritor tenha recebido um prémio.
Em breve farei uma opinião para o canal... mas o livro é tão confuso, parece um aglomerado de dados sobre geografia, religião e história sem conexão nenhuma à história em si..