"Errar é humano." Essa afirmativa tão comum encerra uma verdade mais profunda que muitas vezes se perde no clichê: o pecado e o perdão são duas faces da mesma moeda — sem um não pode haver o outro. É exatamente dessa duplicidade que o historiador Leandro Karnal trata em Pecar e perdoar — Deus e o homem na história. Com uma análise focada nas experiências tão intrinsecamente humanas do desvio da norma e do restabelecimento da confiança, Karnal mostra como a sociedade moderna ainda utiliza essas noções baseadas na religiosidade judaico-cristã, e como, apesar de suas origens tão antigas, tais conceitos seguem cada vez mais atuais.
Leandro Karnal (São Leopoldo, RS, 1963) é um historiador brasileiro, atualmente professor da UNICAMP na área de História da América. Foi também curador de diversas exposições, como A Escrita da Memória, em São Paulo, tendo colaborado ainda na elaboração curatorial de museus, como o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutor pela Universidade de São Paulo,1 Karnal tem publicações sobre ensino de História, bem como sobre História da América e Religiões.
Um livro fácil e agradável de ler. Em algumas passagens bastante engraçado (!). Contudo, sua virtude é o seu pecado: Karnal acaba discorrendo sobre assuntos extremamente complexos de forma superficial, e sua "tese" não se sustenta.
Um ótimo livro, leve e profundo que fala da relação do homem com o pecado na bíblia e nos dias de hoje. Se você assiste as palestras do Prof. Karnal no Youtube já vai conhecer uma parte deste livro.
Gostei muito desse livro, porém ele peca (ops!) inicialmente com esse título de "Deus e o home na história". Que história se ele se baseia na Bíblia e Torá apenas? Mal fala sobre a perspectiva do islamismo e considerar apenas essas três religiões no mundo e na história acho meio pobre e a definição só é feita depois... Aprendi bastante com esse livro pois não sou conhecedora da Bíblia e gostei das associações. Mas o livro é basicamente um registro do processo de autoconhecimento do autor... o título engana... Tirando isso é um livro bem escrito sim.
Tinha até umas coisinhas interessantes, mas me incomodou muito a forma como ele expressou certas ideias porque sempre parecia uma coisa determinista e eu fui pegando bode.
Uma leitura muito interessante, com o toque de ironia e humor inteligente que bem caracteriza Leandro Karnal. Uma história do pecado e do perdão de uma perspetiva religiosa e ética. Com divertidas reflexões sobre os pecados atuais (ex: a gula tem uma nova faceta: a obsessão por comida fitness) e sobre a imperfeição do Homem, a partir do momento que Deus o convidou a sair do Éden e a ir mundo fora.
Muito bom. Karnal tem um discurso muito fluído, didático e provocador.
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"A Idade Média tinha santos, nós temos empreendedores."
"A nova gula: comemos menos, mas pensamos mais infinitamente na comida que os glutões da Divina Comédia"
"Somos mais zelosos com a comida hoje de que um rabino ortodoxo polonês do século XVII".
Em que pese o fato do autor não ser cristão, judeu ou muçulmano, ele tece, com maestria, um texto analisando os sete pecados capitais, os dez mandamentos, a questão de perdoar e a oração.
Nessa seara, admite que a Bíblia é uma referência, independente de qualquer crença religiosa, com seus ensinamentos.
Ao final do livro, o autor confessa ser um pecador, que consegue viver UM dia sem cair em tentação, mas só.
Ainda, uma lista de filmes recomendados, muito interessante.
No livro, Karnal discorre sobre os 7 pecados capitais, como eles foram concebidos e sob quais formas eles se apresentam nos dias atuais; ele mostra como os conceitos bíblicos estão presentes na vida de todos, incluindo dos ateus, sob novas formas. Gostei muito de sua comparação entre as sociedades religiosas dos séculos passados e a nossa sociedade do desempenho. O livro nos leva a um passeio pela história das religiões, enquanto provoca reflexões importantes sobre como levamos nossa vida e quais são os efeitos do pecado e do perdão no nosso dia-a-dia.
Para temas tão profundos, o autor foi muito feliz e conseguiu aborda-los de forma clara e leve. Mesmo uma pessoa não-religiosa consegue acompanhar as referências bíblicas e o livro desperta o interesse de saber mais sobre os conceitos apresentados.
“Criar punição antes da infração indica que já se sabe da dificuldade na observação da regra. Quando estabeleço o que acontece com quem não obedecer, já reconheço que obedecer é uma opção e que é humano enfrentar a regra.”
Gostaria que o livro fosse mais longo, a leitura é sofisticada e fácil ao mesmo tempo, muito interessante, recomendo muito a sua leitura, seja qual for a sua crença, isso é indiferente na leitura desse livro.
Karnal conseguiu provocar, explicar, e sintetizar muito bem religião, fé, perdão e crescimento pessoal num livro calmo, leve e tranquilo, de leitura fácil, quase como um diálogo com o leitor.
Muito interessante as correlações que o autor faz entre fatos cotidianos e passagens da Bíblia. Ele evidencia algumas inconsistências e eventuais discordâncias entre religiões. É um livro que nos faz refletir muito.