Quando passei a ler apenas com emoção, Clarice entrou e se instalou de forma definitiva na minha vida. Até se tornar quase tão indispensável para mim como meu pão de cada dia. Aos poucos, ela se transformou num apoio indispensável para os meus momentos de dor. Uma espécie de oráculo para as minhas dúvidas existenciais. Sempre a palavra justa a conferir sentido ao que me acontecia. Mesmo que a palavra justa estivesse às vezes encoberta no meio de uma escrita mais vertiginosa do que meu pensamento era capaz de alcançar.
Comecei a ler Clarice Lispector, como quem lê um livro de ficção. Achava que era como Duna ou Senhor dos Anéis. Na minha época não existia ENEM.
Dei com os burros n'água: parecia que lia um misto do evangelho segundo Paulo com um manual Zen. Fechei o livro.
Fui passear numa livraria e dei de cara com esse livro aqui, da Simone, minha xará.
Li no avião em uma hora, amei. Simone criou o degrau que eu precisava pra espiar dentro do mundo Clariciano.
Só tem um porém: esqueci o livro na bolsinha do avião. A princípio fiquei triste, mas depois pensei que teria sido melhor assim. Espero que o livro consiga "Cl-aliciar" alguns outros humanos.
Esse livro é uma surpresa agradável. Longe de ser um manual técnico e objetivo, a obra se revela um depoimento pessoal e tocante de como a escrita de Clarice Lispector impactou profundamente a vida da autora.
E como não se sensibilizar com a beleza dos textos de Clarice Lispector? Para mim, assim como para a autora, é impossível. Ler Clarice é mergulhar em questões profundas, questionar o cotidiano e encontrar beleza nos detalhes.