Traça um panorama histórico do modelo econômico a partir de 1964, - quando os militares assumiram o poder e instauraram uma nova "ordem" – e como a população negra trabalhadora se encaixou nesse cenário. Em seguida, resgata historicamente os movimentos negros, uma vez que: “falar do Movimento Negro implica no tratamento de um tema cuja complexidade, dada a multiplicidade de suas variantes, não permite umas visão unitária. Afinal, nós negros, não constituímos um bloco monolítico, de características rígidas e imutáveis”. Dentro desta pluralidade, elenca diversas estratégias de resistência ao sistema escravocrata, como os quilombos, as irmandades de homens pretos, as religiões de matriz africana. Narra o processo de criação do Movimento Negro Unificado, do qual foi cofundadora no ano de 1978
Lélia Gonzalez foi uma ativista e intelectual negra; denunciou o racismo e o sexismo como formas de violência que subalternizam as mulheres negras.
Nascida em Belo Horizonte, no dia 1° de fevereiro de 1935, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde graduou-se em História e Geografia, fez mestrado em Comunicação e doutorado em Antropologia Política. Atuou como professora em escolas de nível médio, faculdades e universidades.
Iniciou o primeiro curso de Cultura Negra na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV). Para Lélia Gonzalez, o conceito de cultura deveria ser pensado em pluralidade e servir como elemento de conscientização política. Neste sentido, por meio do curso de Cultura Negra, propunha uma análise da contribuição africana na formação histórica e cultural brasileira, tendo incorporado ao currículo aulas práticas de dança afro-brasileira, capoeira e o conhecimento das religiões de matriz africana.
Foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado contra Discriminação e o Racismo (MNUCDR), em 1978, atualmente Movimento Negro Unificado (MNU), principal organização na luta do povo negro no Brasil e, integrou a Assessoria Política do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras.
Lélia também ajudou a fundar o Grupo Nzinga, um coletivo de mulheres negras e integrou o conselho consultivo da Diretoria do Departamento Feminino do Granes Quilombo.
Uma das primeiras obras publicadas pela ativista foi o artigo “Mulher negra: um retrato” e, na década de 80, publicou seu primeiro livro “Lugar de negro” em parceria com o sociólogo Carlos Hasenbalg. A obra trouxe um panorama histórico do modelo econômico de 1964, a inserção da população negra neste cenário e o resgate histórico dos movimentos sociais negros. Publicou em 1987 o livro “Festas Populares no Brasil”, onde registra as festas populares espalhadas pelo Brasil, traduzindo a diversidade das manifestações culturais de cunho religioso ou não. Além da festividade a obra mostra os laços indissociáveis entre Brasil e África.
Lélia faleceu em 10 de julho de 1994, seu legado através de sua obra acadêmica e militância contribuíram para impulsionar não apenas a problemática racial no Brasil, mas também o papel da mulher negra na sociedade.
Excelente livro! Compila análises de Lélia Gonzalez e de Carlos A. Hasenbalg sobre a história do movimento negro no Brasil, a relação entre negros e brancos no Brasil, a ideologia por trás dessas estruturas sociais, a mobilidade de classes e o papel da publicidade enquanto embasamento dessa ideologia que rege nosso país até hoje.
Foi ótimo ler esse livro, principalmente a primeira parte, escrita pelo ícone Lélia Gonzalez, sobre a história do MNU. A segunda parte foi mais teórica, me fez entender muita coisa que sabia antes de forma empírica, e agora entendo o fundamento, com diversas pesquisas referenciadas e fundamentos sólidos para as bases do racismo no Brasil. Apesar do conteúdo muito bom, tive dificuldade em me engajar na leitura por motivos que não sei identificar.
Lugar de Negro é uma coletânea curta de três textos de duas grandes referências nos estudos das relações entre desigualdade e raça ― Lélia Gonzalez e Carlos Hasenbalg ―, estes grandes pensadores da questão problemática que é o ‘’racismo abrasileirado’’ Sendo um dos melhores livros acadêmicos sobre o teor racial que eu já li sobre, a questão estrutural no negro brasileiro é multifacetada e única em seu modo. Temos uma determinação cultural de achar que o racismo não existe no Brasil, que vivemos em uma ‘’democracia racial’’ ou que somos ‘’todos um só’’, mas essa dinâmica se prova ilusória ao avaliarmos as estatísticas absurdas de abuso policial, cárcere e violência politica contra a população negra. Os autores quebram o paradigma que o racismo ‘’é igual em todo o lugar’’ e instruem de como o preconceito racial contra o negro é produzido e reproduzido pela comunidade cultural e sociológica brasileira. Vale muitíssimo a pena como uma leitura acadêmica sobre negritude.
Um refresco em tempos de pseudointelectuais negros dizendo que a ditadura é problema de branco, uma aula de história da luta negra, Lélia como sempre didática demais, uma mãe! E a parte do Carlos também muito importante, a questão da segregação no espaço geográfico e divisão de trabalho e muito interessante a pontuação do papel do negro na publicidade
Esse livro reforça o entendimento das bases so racismo no brasil e compara um pouco aos eua. Não acrescenta mt aqueles q ja versam ou estudaram o assunto em especial por serem textos algo mais antigos mas nao antiquados.
um livro claro sobre a estruturação do MNU, o contexto racista brasileiro e de como a interseccionalidade de raça e classe (dentre outras) permeiam as vivências negras!