Antes deste livro, nunca tinha lido nada de Jacinto Lucas Pires. Não tinha grandes expectativas e estava com um certo receio que se revelasse um escritor "pouco profundo"...
Acabei por gostar bastante da história: José procura o amor (a metáfora da viagem de metro logo no princípio do livro, que passa pela estação do metropolitano de Lisboa chamada Socorro - que pena a estação já não ter este nome [actual estação do Martim Moniz] - e que termina na estação de Roma é brilhante). Maria procura a felicidade. A história chega a ser um bocado surreal (veja-se o último capítulo) e até chega a ser violenta (talvez crua seja uma palavra mais adequada) em determinadas alturas, mas não deixa de ser ternurenta em certos aspectos.
A favor da história estão também as restantes personagens de fundo que lhe emprestam uma dinâmica muito própria (quase como um coro, que se nos dirige constantemente): os rapazes do futebol que conversam sobre o amor, os homens do lixo que 'pesam' na balança o amor e a paixão, o homem dos "Cachorros e uma Metáfora", bem como os sugestivos nomes dos cafés, lojas, quiosques que a pouco e pouco vão aparecendo e que remetem de forma bastante perceptível para a própria história.
Foi uma leitura bastante interessante, se bem que a forma de narrar de Jacinto Lucas Pires seja um pouco seca, como se de um telegrama se tratasse (terá sido esse o objectivo, de modo a tornar a história fria?).
Para acabar, queria acrescentar que achei muito estranho deparar-me com algumas palavras com as quais não estou mesmo familiarizado, se bem que ainda dei umas quantas gargalhadas com elas: disaine, régui, tichârte, smôquingue, colãs, salunes, lúpingue. Ao tentar aportuguesar palavras estrangeiras, Jacinto Lucas Pires mais não conseguiu do que criar momentos hilariantes para quem lê esta sua história.