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Castanha do Pará

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Inspirado no conto Adolescendo Solar, de Luizan Pinheiro, o romance gráfico Castanha do Pará reconta, em forme de fábula, uma situação cada vez mais comum nos dias de hoje; Castanha é um menino-urubu que vive suas aventuras pelos cenários do tradicional mercado público Ver-o-Peso, em Belém. Mora sob o céu aberto e sobrevive dos furtos e das migalhas de atenção que sobram do mundo ao seu redor. O romance gráfico de estreia de Gidalti Moura Jr. abusa da expressividade na pintura para dar a vida a este conto urbano, criando uma visão lúdica e ritmada para a poesia da dura realidade.

80 pages, Hardcover

Published January 1, 2016

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Gidalti Jr.

3 books

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Displaying 1 - 15 of 15 reviews
Profile Image for Igor Guimarães.
28 reviews3 followers
February 25, 2024
Automaticamente quis começar tudo de novo. Incrível . A montagem do Gidalti é absolutamente interminável . É um livro que tudo acontece ao mesmo tempo com a velocidade que as suas trocas de páginas permitam .
Profile Image for Cintia Andrade.
487 reviews51 followers
November 15, 2018
A primeira coisa que você perceberá sobre Castanha do Pará é que ele é um livro lindo. A arte é estonteante.

Na primeira cena da história (caso a capa lhe escape), o personagem Castanha apanha de cinto, sendo golpeado diretamente no rosto. Logo, a segunda coisa que você perceberá é que o livro trata de violência. Violência parental, violência do Estado, violência no futebol, violência gerada pela pobreza, violência de todos os lados.

Muitas vezes, quando a arte se propõe a tratar de temas sociais importantes (como é o caso aqui), eu concordo e aplaudo a politik mas a arte em si acaba parecendo um panfleto, fica sem vida e esvaziada. Não é o caso. A história de Castanha do Pará é construída de forma muito interessante: Uma vizinha do menino chama a polícia para contar que ele está desaparecido, e vai narrando eventos de sua vida e de como o menino foi parar na rua. Ao mesmo tempo, vamos acompanhando essas cenas ilustradas por uma visão mais imparcial (sem a influência da narradora).

Castanha e seus amigos, ao contrário dos adultos, são antropomorfizados, metade humanos, metade animais, e o resultado disso na arte, na linguagem e na esfera interpretativa da história é esplêndido.

Achei das melhores coisas que li este ano.
Profile Image for Paula.
128 reviews36 followers
September 13, 2019
Castanha do Pará (2017), ambientado nos arredores do mercado Ver-o-Peso de Belém, é a interpretação em quadrinhos de um conto do paraense Luizan Pinheiro. O professor e quadrinista Gidalti Jr. trabalhou o conto em uma de suas aulas, gostou e resolveu tomá-lo como ponto de partida para um romance gráfico. Hoje, uma simples busca no Google revela que o conto inicial pouco aparece na mídia, exceto em referência à obra de Gidalti.

Castanha do Pará se passa em dois planos narrativos: de um lado, acompanhamos o relato convoluto de uma vizinha do menino Castanha para um policial que procura o menino; do outro, vemos fragmentos da vida de Castanha nas ruas. O que me chamou atenção na HQ foi a maneira como Gidalti articula um diálogo entre esses dois planos. Um exemplo é o da página 38. O policial, Seu Peixoto, tenta ouvir o jogo de futebol por um rádio emprestado da vizinha, Dona Iracema. Nas ilustrações propriamente ditas, vemos Castanha andando pelo mercado em um dia de sol, mas a cena é narrada perfeitamente pelo diálogo distanciado de Seu Peixoto e Dona Iracema que aparece em caixotes nas margens dos quadrinhos. “Parece que tava no sol quente o dia todo”, “se esquentar muito escangalha”, dizem sobre o rádio que não funciona. Enquanto isso, as ilustrações mostram o menino suando debaixo de um sol brilhando forte. “É [pilha] daquelas miúdas, sabe? Não aguenta nada.” Castanha, uma criança, segura a cabeça com as mãos, passando mal. “AM parece que fica fora do ar, seu Peixoto!” e o menino desmaia. Outro elemento interessante que perpassa todo o romance é o futebol: é dia de um grande jogo entre Remo e Paysandu. No plano da vizinha e o policial, isso aparece quando seu Peixoto pede o rádio para ouvir o jogo. E já na primeira descrição de Castanha, na página 12, Iracema o caracteriza para o policial dizendo que “Vive usando uma camisa do remo. Toda velha”.

Ao longo do romance, o futebol aparece em uma espécie de delírio de Castanha, quando ele desmaia, e também depois em uma brincadeira do menino na chuva. Assim, a temática do futebol funciona como fio que aproxima os dois planos narrativos. Além disso, os vendedores na feira se vestem também com camisas de times diversos, e ao fim, Castanha é chamado para um bar para uma aposta justamente por ser torcedor do Remo. Assim, o futebol também aproxima o menino de rua dos adultos que o cercam e desprezam. Mostra que no fim do dia, ainda que não percebam, são todos humanos e semelhantes.

As crianças com cabeças de animais pareceram uma referência a Maus. Achei que funcionou.

Uma coisa que não ficou completamente clara para mim foi o título, relacionado à cena do homem assistindo jornal na TV. Criativo, mas não entendi exatamente o por quê.
Profile Image for Mario Mikon.
80 reviews3 followers
December 17, 2017
Não é bem meu estilo, pois se trata, de grande parte do quadrinho, da história de um menino pobre.

No geral, apesar da minha crítica ao tema meio "clichê", tem a parte técnica muito boa: ótimos desenhos, ótima progressão de história e, principalmente, diálogos com regionalismos espetaculares.

Aprendi uma nova gama de palavras populares exatamente por causa desse quadrinho. Fenomenal quanto a isso.

Minha grande crítica: faltou arriscar mais! Porém, é um autor que merece ser seguido!
Profile Image for Rafael Machado.
82 reviews1 follower
December 23, 2018
Não à toa, Castanha-do-pará ganhou o prêmio Jabuti de quadrinhos em 2017. Com uma arte incrível, Gidalti faz uma crítica sensacional a realidade paraense. Não teve como não se emocionar com as expressões e locais utilizados para compor a história.
76 reviews2 followers
January 30, 2024
Há uma reflorescência do quadrinho nacional acontecendo. Um novo iluminismo artístico que quem segue e está ligado está a par e curtindo muito. Descobri a pouco e estou correndo atrás do tempo (obras) perdidas. Uma das estrelas desse novo ápice da contracultura nacional é o Guildalti Jr., diretamente de Belém, com seu premiado HQ Castanha do Pará. Como as outras histórias desenhadas nacionais que se destacam na atualidade, lida com temas sociais, desta vez, no norte do Brasil. História tocante, triste, acompanhada por uma arte (aquarela) de primeira. Recomendo muito.
34 reviews1 follower
February 24, 2020
Imagine que "Os incompreendidos" (Les 400 coups), de François Truffaut, fosse adaptado para a Belém dos anos 1990.

Imagine que os adolescentes tivessem cabeças de bicho (o protagonista veste a de um urubus, ave quase que onipresente no Ver-o-Peso).

Imagine que assim como lá os adolescentes sejam criaturas sem lugar. Mas aqui a coisa é ainda pior.

Já dá para ter uma ideia.
Profile Image for Laura Bonilla.
51 reviews37 followers
August 18, 2021
Una novela gráfica que retrata la crudeza con la que son tratados muchos niños en Latinoamérica y el mundo, sin tener en cuenta las difíciles condiciones que deben afrontar.

Una muestra de la influencia de los prejuicios en el desarrollo de una persona, y de la realidad de miles de familias que han sido marcadas por la violencia de sus miembros.
Profile Image for Andres Varela.
622 reviews30 followers
December 29, 2022
Duro, descarnado, real, con una buena ilustración. Una historia muy común al tercer mundo, muy triste, muy cotidiana, por desgracia.
La elección del gallinazo, y el resto de animales, para identificar a estos adolescentes resulta muy acertada.
Profile Image for Douglas Spadotto.
125 reviews2 followers
April 12, 2020
Retrato cru de uma realidade brasileira, alegorizada com temas regionais do Pará que trazem ainda mais potência e universalidade.
Profile Image for Daniel Barrero.
Author 3 books2 followers
May 14, 2021
Una historia super ligera, y que nos da mucho que pensar.
Profile Image for João, o próprio.
2 reviews
March 28, 2024
Castanha Do Pará

Castanha reflete a realidade de muitas crianças, adolescentes e jovens vagando pelas ruas de todo o Brasil, pelos mais diversos motivos pessoais e/ou familiares. Castanha é o típico estorvo social. Sem ter tido uma verdadeira educação ou base familiar e por conviver muito tempo com a violência doméstica, sua maneira de reagir ao mundo é através do ódio e da violência. E mesmo assim, percebemos que os sonhos e as brincadeiras de criança ainda estão dentro dele, conseguindo vir à tona em uma das cenas mais bonitas e ao mesmo tempo mais tristes de todo o quadrinho, que é o momento onde o vemos brincar na chuva. A (semi?) fábula que é Castanha do Pará mostra-se uma realista e terrível fotografia social e uma reflexão sobre o abandono e sobre a perdição de uma vida. Uma caminhada pelo centro de qualquer grande cidade nos mostrará algumas dezenas de meninos iguais a Castanha: famintos, cometendo pequenos crimes, arrumando brigas, entrando no mundo das drogas, se ferindo e muitas vezes também ferindo outras pessoas. E a narrativa de Gidalti Jr. torna isso ainda mais próximo de nós, pelo vocabulário que ele utiliza (com gírias, expressões e flexões típicas de Belém).
This entire review has been hidden because of spoilers.
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