Lêdo Ivo lançou o seu primeiro livro em um momento de intensa transformação da literatura brasileira, em meados da década de 1940, quando uma nova geração literária emergia e buscava se afirmar. Os novos de então, conhecidos como geração de 45 e neomodernistas, procuravam restabelecer o equilíbrio entre forma e fundo, "a revalorização da palavra, a criação de novas imagens, a revisão dos ritmos e a busca de novas soluções formais" (Tristão de Athayde), preservando as liberdades alcançadas pelo modernismo. A crítica observou que As Imaginações (1944) e Ode e Elegia (1945) encarnavam esses novos rumos da poesia brasileira, inclusive em suas hesitações. Mas o poeta se distinguia pela capacidade emocional, uma sensibilidade romântica e uma espécie de alquimia verbal, um amplo domínio sobre as palavras e rara capacidade de reuni-las, extraindo delas efeitos novos, mágicos e surpreendentes. A preferência pelo soneto (gênero em que o poeta escreveria centenas de poemas) se afirma a partir de Acontecimento do Soneto (1949), uma espécie de exercício de contenção, sem abdicar da linguagem luxuriante e da adjetivação inovadora. Com o tempo, o poeta foi podando excessos, reduzindo os poemas a formas cada vez mais sintéticas, numa ação semelhante ao desgaste produzido pelo tempo, num esforço de extrair apenas o essencial dos fatos, mas sem renunciar ao permanente exercício do soneto e de outras formas poéticas de sua preferência. Aproxima-se da poesia oriental, em particular do hai-kai, como pode ser exemplificada em Confissão do Mentiroso ("Nada tenho a dizer,/ e toda vez que escrevo/ digo o meu tudo") e O Silêncio Divino: ("O silêncio. Deus fala/ pelos cotovelos ou é o grande mudo?"). Sintético e moderno, como os poetas chineses, há 3 mil anos. A verdadeira poesia flutua acima dos tempos.
Lêdo Ivo[1] (Maceió, 18 de fevereiro de 1924 - Sevilha, 23 de dezembro de 2012), filho de Floriano Ivo e Eurídice Plácido de Araújo Ivo foi um jornalista, poeta, romancista, contista, cronista e ensaísta brasileiro. Seu primeiro livro foi As Imaginações. Fez jornalismo e tradução. Da sua vasta obra, destacam-se títulos como Ninho de Cobras, A Noite Misteriosa, As Alianças, Ode ao Crepúsculo, A Ética da Aventura ou Confissões de um Poeta. Era membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 13 de novembro de 1986 para a cadeira 10, sucedendo a Orígenes Lessa.
Prachtige poëzie. Het gedicht "Water en vreugde" sprak mij in het bijzonder aan:
Wanneer het najaar komt aan Romes poorten, worden door bladeren die vallen minnaars gescheiden. Momenten gaan voorbij: vogels vliegen op en brengen in hun vlucht de ruimte van de aarde naar de hemel, die zo dicht bij mensenogen is en altijd zo ver weg. Maar te midden van al die verlamming en zo grote lusteloosheid van lippen en van oogleden in slaap verenigd en van stille stenen die bloedbaden verbergen en van regen die op de vergeelde bodems valt van kaf en herfst, verklaart het klateren van de fonteinen - water en vreugde - dat het leven een zang is zonder einde.
Ik heb een andere editie gelezen dan aangegeven. Het gaat om een selectie van Lêdo Ivo's oeuvre, genaamd "Vleermuizen en blauwe krabben", vertaald door August Willemsen. Aangezien deze niet op Goodreads geïndexeerd staat, heb ik naar deze versie verwezen.
Lêdo Ivo é importantíssimo e muito pouco discutido dentro da literatura brasileira. Aqui fala sobre se perder em uma cidade grande como um animal selvagem que não compreende o que há de importante no concreto com o qual o homem se cerca.