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Poesia Completa de Mário de Sá-Carneiro

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A primeira edição crítica e anotada da poesia completa de um dos maiores vultos da literatura portuguesa do século XX.

«Os mais de cem anos passados desde a morte de Mário de Sá‑Carneiro oferecem‑nos a ocasião ideal para revisitar a edição da sua obra, central na geração de Orpheu e absolutamente influente nas sucessivas gerações de escritores portugueses desde então. Sá‑Carneiro é uma presença indelével no imaginário colectivo nacional, seja pela intensidade da sua escrita, seja pela força totalizadora da imagem de uma existência percebida como tendo fixado nos textos literários a sua própria dissolução.»— Ricardo Vasconcelos

Este volume inclui todos os poemas da obra adulta e da juvenília, apresentando o conjunto inédito «Versos Dispersos da Infância e da Juventude», os primeiros que Sá‑Carneiro escreveu. Ao documentar a evolução de todos os textos, esta edição permite ao leitor observar o escritor no seu ofício. Apresenta ainda uma importante selecção de fac-símiles e um núcleo de cartas nunca antes reproduzidas (de autoria diversa), enviadas a Fernando Pessoa após a morte de Sá-Carneiro, em 1916, que revelam novos dados sobre os poemas encontrados no quarto de Paris onde o escritor se suicidou.

696 pages, Hardcover

First published April 1, 2017

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Mário de Sá-Carneiro

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Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.

Na fase inicial da sua obra, Mário de Sá-Carneiro revela influências de várias correntes literárias, como o decadentismo, o simbolismo, ou o saudosismo, então em franco declínio; posteriormente, por influência de Pessoa, viria a aderir a correntes de vanguarda, como o interseccionismo, o paulismo ou o futurismo.

Nessas pôde exprimir com vontade a sua personalidade, sendo notórios a confusão dos sentidos, o delírio, quase a raiar a alucinação; ao mesmo tempo, revela um certo narcisismo e egolatria, ao procurar exprimir o seu inconsciente e a dispersão que sentia do seu «eu» no mundo – revelando a mais profunda incapacidade de se assumir como adulto consistente.

O narcisismo, motivado certamente pelas carências emocionais (era órfão de mãe desde a mais terna puerícia), levou-o ao sentimento da solidão, do abandono e da frustração, traduzível numa poesia onde surge o retrato de um inútil e inapto. A crise de personalidade levá-lo-ia, mais tarde, a abraçar uma poesia onde se nota o frenesi de experiências sensórias, pervertendo e subvertendo a ordem lógica das coisas, demonstrando a sua incapacidade de viver aquilo que sonhava – sonhando por isso cada vez mais com a aniquilação do eu, o que acabaria por o conduzir, em última análise, ao seu suicídio.

Embora não se afaste da metrificação tradicional (redondilhas, decassílabos, alexandrinos), torna-se singular a sua escrita pelos seus ataques à gramática, e pelos jogos de palavras. Se numa primeira fase se nota ainda esse estilo clássico, numa segunda, claramente niilista, a sua poesia fica impregnada de uma humanidade autêntica, triste e trágica.

Por fim, as cartas que trocou com Pessoa, entre 1912 e o seu suicídio, são como que um autêntico diário onde se nota paralelamente o crescimento das suas frustrações interiores.

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