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Encounters with Nationalism

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The forecast demise of nationalism under the new moral orders of communism and internationalism has proved illusory. In the present century, to an extent greater perhaps than in all others, nationalism has been the dominant force in the affairs of humankind. Why should this have been? Why is it that a national identity should continue to be the aspiration of almost all peoples without one and, at the same time, the justification - in the process of obtaining, securing and expanding it- for casting aside every trace and tradition of civility? In Encounters with Nationalism Ernest Gellner seeks some answers. His approach is to consider first the ideas of the main modern thinkers on the subject, from Marx, List, Malinowski and Carr, to Masaryk, Heidegger, Patocka, Hroch, Havel and Said. He examines the origins, subjects and context of their writings, their interactions with culture and politics, and their influence - both on theory and on events. The range is wide, covering Eastern, Western and Islamic societies, and includes extensive discussions of the related themes of civil society, theocracy, communism, imperialism, capitalism and liberalism. Professor Gellner is never less than trenchant. He is concerned here not only to understand, but to criticize. He confronts several powerful and fashionable notions that fuel and/or attempt to explain contemporary nationalism - among them postcolonialism. On the one hand he exposes their incoherence and irresponsibility; on the other he places them alongside ideas of real currency. Nor does he evade the controversy surrounding the nature of judgement the reader will also find here concise and penetrating discussions of relativism, pluralism, objectivity and the possibility of universal values.

228 pages, Paperback

First published January 1, 1994

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Ernest Gellner

56 books105 followers
Ernest Gellner was a prominent British-Czech philosopher, social anthropologist, and writer on nationalism.

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Profile Image for Maria Ferreira.
227 reviews50 followers
June 19, 2020
Ernest Gellner, filosofo e antropólogo social [1925-1995], judeu checo, nascido em França e naturalizado britânico, país que o acolheu a si e à família no inicio da segunda grande guerra.

Na Wikipédia, página dedicada a Ernest Gellner pode ler-se: “O sociólogo David Glass disse uma vez que não tinha a certeza se a próxima revolução viria da direita ou da esquerda, mas ele tinha a certeza de que, viesse ela de onde ela viesse, a primeira pessoa a ser abatida seria Ernest Gellner.”

É um pouco assim, Gellner ataca tudo e todos, sejam de esquerda ou direita. Nesta obra, sobre o nacionalismo, tema pelo qual o autor se dedicou apaixonadamente durante largos anos, podemos ler as opiniões que o autor escreveu sobre o nacionalismo erguido em vários países, em especial sobre os países da Europa, apesar de também acabar por falar sobre os países do norte de África, contudo, aqui não há muito para dizer.

Ao longo do livro, o autor define o termo nacionalismo e mostra os diferentes tipos de nacionalismos que foram implementados, extraindo exemplos de obras escritas de filósofos, antropólogos e historiadores.

Gellner é um critico agressivo, não poupa nada nem ninguém, chama incompetente e incapaz aos colegas que fazem investigação e, que omitem parte fundamental de acontecimentos e de opiniões de pessoas importantes que podem de alguma forma influenciar o pensamento. De forma muito natural e direta refere Gellner que há “vontade” de omitir informação pertinente e mascarar opiniões porque não se sabe o que irá acontecer no dia seguinte, isto a propósito de Gellner referir que em 1939 centenas de académicos, entre os quais seus colegas filósofos, apoiaram formalmente Hitler, apesar da sua maioria ter ideias contrárias, e muitos deles após a queda do nazismo revelarem-se antifascistas desde que nasceram.

Na verdade Ernest não se comprometeu com nenhuma opinião sobre o nacionalismo, e também, não vislumbrei que ele identificasse um país onde tenha sido aplicado o nacionalismo com sucesso, contudo, podemos ler ao longo do livro "o enorme fracasso do socialismo", Gellner claramente detestava Marx e as suas ideias, disse mais de 20 vezes que Karl Marx e Friedrich Engels estavam errados e que os seus opositores estavam certíssimos.
Profile Image for J TC.
235 reviews26 followers
December 16, 2023
Ernest Gellner - Dos Nacionalismos
O livro de Ernest Gellner, “Dos Nacionalismos”, ao contrário do que supus quando iniciei a sua leitura, não é um livro de História, sendo antes (para futuros leitores não serem induzidos em erro), uma coletânea de ensaios sobre história. Uma coletânea que tem como pano de fundo a formação dos Estados, dos Estados-Nações e o aparecimento das suas respectivas Nacionalidades. Escrito por um autor dotado de uma impressionante bagagem sobre literatura e história europeia, é ainda possível comprovar ao longo de todo o livro a sua formação em antropologia. Formação que se expressa em demasiada supremacia com detrimento de um papel mais didático que esperava e porque não reconhecê-lo, que sobre o tema necessitava.
O prefácio do livro é de António Costa Pinto e em poucas linhas este conseguiu resumir a posição do autor sobre a formação dos estados modernos e dos seus respectivos nacionalismos – “… A tese central de Ernest Gellener é a de que o Nacionalismo modeno é um produto recente, fundamentalmente da época das construções dos Estados-Nação no séc XIX: industrialização, urbanização, e educação das massas foram o seu reagente ….”. Esta posição é mais adiante reafirmada quando diz “… a prática nacionalista resultou da unidade linguística, um sistema educacional homogeneizador, um aparelho de estado vigilante, uma socialização da unidade cultural vinda de cima e outros instrumentos forjados pelos estados-nação. O Estado é o garante da formação da Nação, nem sempre com êxito, e na época dos estados-nação, a última precisa desesperadamente de um Estado …”. E se dúvidas houvesse, o autor explica-o de forma resumo ao estilo de uma “peroração”: “No mundo pré-industrial havia padrões muito complexos de cultura e poder interligados que não convergiam de modo a formarem fronteiras políticas nacionais. Com a industrialização tanto a cultura como o poder estandardizaram-se, subscreveram-se mutuamente e convergiram. As unidades políticas adquiram fronteiras rigorosamente definidas que ao mesmo tempo se tornam fronteiras de cultura. …. Nem as classes nem as nações existem como mobiliário permanente da história. A sociedade agrária é dotada de uma estratificação complexa e de grande diversidade cultural, mas nenhuma destas dá origem a agrupamentos importantes e decisivos. Com a industrialização ocorreu durante algum tempo uma polarização económica, mas a estandardização cultural demorou mais tempo. Quando convergem transformam decisivamente o mapa”.

Mas vamos tentar elencar as razões que levam o autor a ter esta interpretação sobre as origens dos nacionalismos.
Creio que a origem dos nacionalismos pode assentar na sua ausência. Assim, e segundo visão do autor as sociedades agrárias medievais e pré-industriais apesar de serem muito heterogéneas, não continham dimensão nem substrato cultural que lhes permitisse assumirem-se com uma dimensão uniforme e um enquadramento como o que reconhecemos aos nacionalismos.
Nas sociedades agrárias apenas existiam pequenas comunidades que comunicavam entre si, que se guerreavam, mas as características culturais e linguísticas ultrapassavam largamente as fronteiras dessas comunidades. Com a evolução desta malha social e o aparecimento das sociedades medievais governadas por um sistemas régios, que para se firmarem e sustentarem promoveram uma uniformização cultural, económica e linguística dos seus reinos, o que resultou como gérmen para as futuras nações.
Na era pré-industrial e com o período dos descobrimentos, ocorreu um alargamento do comercio, o que motivou alguma prosperidade e resultou numa maior diversificação dos estratos sociais. Este fosso entre estratos sociais foi ampliado nas suas vertentes social e culturais pelas correntes e movimentos do iluminismo (francês, inglês e americano). Estes movimentos resultaram no seu conjunto numa divisão da sociedade, numa divisão entre nós e os outros.
A etapa seguinte ocorreu com a industrialização. Dado que a industrialização não ocorreu de forma uniforme, daí resultou uma assimetria que espelhava a forma como essas proto-nações se industrializaram, fruto de inovações em ciência e de tecnologias (por esse anos Portugal encontrava-se deslumbrado pela riqueza que importava dos entrepostos ultramarinos. Esse fluxo de riqueza nunca espevitou o engenho nacional, e como bem nos avisaram os “Velhos do Restelo” foram a causa do nosso atraso que ainda hoje pagamos e potenciamos ao continuarmos a cometer os mesmos erros. Recomendo sobre este tema a leitura de “Breve interpretação da História de Portugal” de António Sérgio). Esta polarização originou polos assimétricos de desenvolvimento e riqueza económica. Estes polos quando existentes em áreas geográficas uniformes, delimitadas por fronteiras naturais inequívocas (ilhas), forneceram as condições indispensáveis para o desenvolvimento destes sentimentos nacionais (importância do nicho e isolamento para o desenvolvimento económico e cultural). Estas áreas geográficas uniformes, quando tecidas por uma língua comum, com necessidades de defesa óbvias, dotadas de uniformidade étnica, com religião e cultura comuns e um sistema de educação de massas também ele uniforme, possibilitaram que esse core territorial e populacional relativamente homogéneo tivesse um desenvolvimento económico e cultural próprio, ou seja que desenvolvesse um sentimento nacional. E como a industrialização se deu numa dada língua, ela acabou por estar na génese do reforço das etnias.
Nas sociedades pré-industriais as relações e dependências eram essencialmente familiares e de proximidade geográfica pelo que não assumiam dimensões para nacionalismos mais ou menos evidentes. Foi a industrialização que possibilitou essa mudança. Com a industrialização a etnia substitui o parentesco na atribuição de uma identidade.
Mas esta construção foi automática e necessitou de tempo, estabilidade, e um governo comum da etnia dominante. Há mesmo uma relação de interdependência entre a malha - etnia e a formação de um governo que quando formado tende a transformar por um mecanismo político uma etnia num nacionalismo.
Se a máquina a vapor permitiu o desenvolvimento económico necessário à formação de nacionalismos, foi o iluminismo e as suas consequências sociais, no sistema educativo e nas duas formas de cultura (Alta-cultura: a fornecida do sistema educativo; Baixa-cultura: a que se adquire fora do sistema educativo) que permitiu a consolidação dessas proto-nações.
Nas sociedades pós-iluminismo os vários nacionalismos foram influenciados por duas correntes distintas. As correntes liberais inicialmente fortaleceram os conceitos nacionais do nós e individuais através das liberdades comerciais, enquanto os que abarcaram pela via das teorias marxistas tenderam a abandonar e a trocar a via comercial em favor da consciência de classe. Esta divergência entre sociedades liberais e marxistas e a sua contribuição para a formação de nacionalismos veio a acentuar-se no pós industrialismo com a financialização da economia e o aparecimento de causas fracturantes (ambientalismo, racismo, crises migratórias, sexismo, xenofobia, homofobia, etc).
O mundo industrial no século XXI deixou de ser composto de gente iletrada e passou o ser determinado por cidadãos com estudos gerais básicos e particulares na sua área de especialização. Esta forma de alta cultura (transmitida pelo sistema educacional) interfere com a noção de nacionalismo e tal como a globalização tende a diminuir a consistência e força deste sentimento.
Para além destas modificações observadas nos nossos dias, também as modificações ocorridas na forma com o trabalho é desempenhado levaram a que o sistema educativo anónimo com uma linguagem elaborada, complexa deixasse de ser dirigido para uma elite, mas para todos os que lhe pretendiam ter acesso. Esta universalização do ensino influenciou como é óbvio as noções de cidadania e nacionalismo. Os países em que o ensino é de acesso livre funciona como uma força que diminui os nacionalismos, nos países onde para se aceder a estas formas de alta-cultura é necessário haver investimento pessoal e económico, este investimento acaba por ser um factor diferenciador e formador de elites e de elites nacionalistas.
Mas a industrialização não foi uma causa isolada dos nacionalismos. Como ela ocorre numa dada língua e por pessoas com um estereótipo semelhante tanto na pigmentação da pele como nas convicções religiosas, estes dois factores acabaram também por influenciar a formação e consolidação de etnias.
Como a industrialização não se fez em simultâneo, surgiram regiões mais desenvolvidas e outras menos. Esta assimetria favoreceu a separação das populações e respectivos nacionalismos. Com esta separação as nações mais industriais tendiam a importar mão de obra das menos industrializados, mas não integram estes emigrantes com facilidade. Daqui surgiram formas de xenofobia que se enquistaram e relegaram estes descartados para um sub-mundo dos gueto, o que ainda mais agravou o fosso entre o nós e os outros (veja-se o exemplo recente das acções de militares da GNR sobre emigrantes asiáticos na costa Alentejana).
As regiões com atraso económico e industrial não se desenvolvem em concorrência externa. Tendem a exportar mão de obra. Com a concorrência não é possível desenvolvimento, verificando-se apenas um desgaste dos recursos (humanos e materiais) e daí um agravamento do fosso. Para que uma nação cresça economicamente precisa de se isolar (Friedrich List, economista alemão inícios do século XIX que se opôs às teorias liberais de Adam Smith e propunha um papel importante para a Nação e estado para o desenvolvimento económico). (É claro que dirão que temos inúmeros exemplos de nações isoladas que não se desenvolveram. É certo que as temos, mas creio que na quase totalidade desses casos o atraso se deve mais à impreparação ou falta de visão dos líderes e classes dirigentes. O isolamento económico duma dada nação não implica que os seus cidadãos tenham eles uma “falta de mundo”).
Nas colónias foram as elites locais que fomentaram os nacionalismos quando viram as vantagens na independência dos seus territórios. Com a independência diminuíam o leque dos membros da elite imperial, o que aumentava as suas próprias probabilidades, por não terem de concorrer numa unidade maior onde estavam em clara desvantagem.
As convicções religiosas foram e são elas também factores importantes na formação de sentimentos nacionais. E a origem desta relação remete-nos para uma época em que uma divindade sacralizou um povo e uma região dando dessa forma origem a uma das primeiras formas de nacionalismo. Nos tempos actuais há inúmeros exemplos de nacionalismos baseados em elementos sacrossantos, mas também temos muitos exemplos em que é o próprio nacionalismo sacralizado para que esta reverencia inspire e promova a unidade.
Esta sacralização do poder e do estado foi reforçada pelas ideias de Friedrich Nietzsche, o qual fez uma interpretação de Darwin segundo a qual a humanidade para se desenvolver necessitava de nichos relativamente estanques que permitissem a evolução (mais tarde foi aqui colada a ideia de pureza de raça), ou seja uma posição de defesa de uma cultura em detrimento de valores humanos universais. Dessa forma se reforçaram os conceitos nacionalistas que modificados pela irmã e cunhado de filósofo Elisabeth Förster-Nietzsche e Bernhard Förster, que enquanto fiéis depositários dos escritos do filósofo vieram depois a estar na base de deturpações que vieram posteriormente a ser coladas ao antissemitismo assumido pelo regime nazi.
“Mas nem as nações nem as classes fazem parte de um qualquer mobiliário da história”. As nacionalidades não existem realmente. São realidades que emergem da correlação entre cultura e política dentro de certas condições económicas. Estão longe de ser universais. Haja alterações da realidade política económica ou mesmo de cultura e as nacionalidades também se modificam, extinguem ou evoluem. Um bom exemplo disso ocorre quando os impérios se fragmentam. Com o seu desmembramento resultam estados mais fracos cujo sentimento de nacionalidade não fica reforçada.
Com o emergir da idade média a Europa encontrou-se dividida pela Reforma e Contra-Reforma em duas metades. Olhando para o mapa, no seu canto noroeste, emergiram sociedades que gradualmente evoluíram para governos limitados, e responsáveis, com elevação do estatuto conferido ao comércio e à produção industrial, em comparação com o estatuto herdado, de honra marcial e dominação política. Evoluíram para um outro paradigma em que o individualismo e liberdade de pensamento se generalizaram. No século XVIII este novo mundo do Norte distanciava-se nitidamente do seu rival do Sul não apenas em prosperidade, mas também e ironicamente no próprio campo em que o rival se pretendia insuperável, ou seja, na guerra. Os Holandeses bateram as monarquias ibéricas, e uma nação de logistas derrotara repetidamente a nação francesa, uma nação bem mais vasta em aristocratas militares. Esta superioridade moral aliada a um crescimento sem precedentes da ciência e da tecnologia, acabou por habilitar as novas nações comerciais a completarem a transição da predação para a produção. O “ancien regime” do Sul foi o primeiro caso de subdesenvolvimento europeu e só começou a ser remediado (mas nunca verdadeiramente ultrapassado) com a revolução social ocorrida com o Iluminismo.
A prosperidade surgida destes movimentos teve também um retorno negativo sobre os sentimentos étnicos no sentido estereotípico do termo. Esta retroalimentação acentuou-se ainda mais com a globalização, o aumento de entropia cultural, a internacional consumista. Com estas as diferenças entre os grupos tendeu a perder-se, e a Nação enquanto compromisso intermédio entre interesses individuais e humanidade no seu todo tendeu a esbater-se.
Contudo, há quem não aceite esta desvalorização dos sentimentos nacionalistas das modificações decorrentes das sociedades liberais. E é com este desconforto e inconformismo, com a dominação por elites viciadas no poder que os movimentos populistas encontram o seu terreno fértil e tendem para a reposição dos sentimentos nacionalistas.

Uma belíssima análise do fenómeno dos nacionalismos que não pude aproveitar adequadamente por um “déficit” literário e cultural do qual me retrato, mas também por uma tradução descuidada num misto linguístico de origem espúria.
Profile Image for Cărăşălu.
239 reviews76 followers
June 5, 2018
It's a collection of essays and discussions of other books and thus not the best introduction to Gellner's thought. However, for those who like to weigh nationalism against Marxism, many of the texts here deal exactly with this. Others are about specific cases (Masaryk and Havel in Czechia, Ataturk in Turkey). In the end, I think most of these essays are better read on an individual basis.
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