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O Que É Fascismo? E Outros Ensaios

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Romancista celebrado pelas distopias de 1984 e A revolução dos bichos, George Orwell também foi um prolífico repórter e colunista. Entre as décadas de 1930 e 1940, o autor de O que é fascismo? colaborou em diversos veículos da imprensa britânica. Nesta coletânea de 24 ensaios publicados em revistas e jornais, organizado por Sérgio Augusto, Orwell explora um amplo espectro de assuntos, sempre perpassados pela política, sua principal obsessão intelectual e literária. Com temas que variam de Adolf Hitler à pornografia, de W. B. Yeats a O grande ditador, os textos selecionados pelo jornalista Sérgio Augusto compõem um inteligente mosaico das opiniões de Orwell durante o período crítico da Segunda Guerra Mundial e do início da Guerra Fria. Com sua visão irônica do mundo conflagrado da época, os ensaios demonstram a potência criativa do "socialismo democrático" adotado pelo escritor como credo político após sua experiência na Guerra Civil Espanhola, em contraposição aos totalitarismos de esquerda e de direita então em voga.

158 pages, Paperback

First published January 1, 2017

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About the author

George Orwell

1,290 books50.9k followers
Eric Arthur Blair was an English novelist, poet, essayist, journalist and critic who wrote under the pen name of George Orwell. His work is characterised by lucid prose, social criticism, opposition to all totalitarianism (both fascism and stalinism), and support of democratic socialism.

Orwell is best known for his allegorical novella Animal Farm (1945) and the dystopian novel Nineteen Eighty-Four (1949), although his works also encompass literary criticism, poetry, fiction and polemical journalism. His non-fiction works, including The Road to Wigan Pier (1937), documenting his experience of working-class life in the industrial north of England, and Homage to Catalonia (1938), an account of his experiences soldiering for the Republican faction of the Spanish Civil War (1936–1939), are as critically respected as his essays on politics, literature, language and culture.

Orwell's work remains influential in popular culture and in political culture, and the adjective "Orwellian"—describing totalitarian and authoritarian social practices—is part of the English language, like many of his neologisms, such as "Big Brother", "Thought Police", "Room 101", "Newspeak", "memory hole", "doublethink", and "thoughtcrime". In 2008, The Times named Orwell the second-greatest British writer since 1945.

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Displaying 1 - 30 of 31 reviews
Profile Image for Anna Braga.
181 reviews16 followers
February 20, 2019
“Por períodos bem longos, de qualquer forma, pessoas podem permanecer imperturbáveis ante evidentes mentiras, porque simplesmente se esquecem de um dia para o outro do que foi dito, ou porque estão sob um bombardeio tão constante de propaganda que ficam anestesiadas para tudo que acontece.”
Profile Image for Vanessa Leite.
99 reviews
January 5, 2021
incrível como tem ensaios aqui tão atuais que não parecem nenhum um pouco que foram escritos há mais de 70 anos

mais uma obra do Orwell para contribuir com a impressão de que ele daria, hoje em dia, um excelente colunista da Folha
Profile Image for Harvey Hênio.
636 reviews2 followers
October 19, 2022
O professor, jornalista e escritor inglês Eric Arthur Blair viveu pouco. Ele nasceu em 1903, na Índia, onde seu pai era funcionário público do Império Britânico e faleceu em Londres em 1950 com apenas 47 anos em função de complicações provocadas por uma tuberculose mal curada. Eric Arthur Blair é sem dúvida um ilustre desconhecido para você que está lendo este texto mas, tenho convicção de que, caso você tenha um mínimo de proximidade com o mundo da literatura você reconhecerá de imediato a alcunha com a qual Eric Arthur Blair se consagrou e imortalizou: George Orwell.
Orwell é autor de dois livros icônicos, lidos, debatidos, republicados e transpostos para outras mídias com sucesso: “The animal farm” (aqui no Brasil publicado com o nome “A revolução dos bichos”) de 1945 em que o autor elabora uma espécie da alegoria sobre os caminhos e descaminhos da Revolução Russa e “1984” ambientado num futuro distópico em que a liberdade individual morreu frente à ascensão do totalitarismo. No entanto poucos sabem que além dessas duas consagradas obras Orwell escreveu e publicou muito mais. De uns 10 anos para cá tem sido feito um esforço de editores e editoras para mostrar o que Orwell produziu além das duas obras que o consagraram e este livro “O que é o fascismo?: e outros ensaios” faz parte desse esforço.
“O que é o fascismo? ...” é composto por ensaios escritos por Orwell nas décadas de 30 e 40 do século passado. Os temas são muitos e os textos, de uma maneira geral, revelam toda a verve, humor, erudição, bagagem de leituras e todo o senso crítico de um autor que poderia ter produzido muito mais e há que se lamentar profundamente seu passamento precoce.
É impressionante constatar lendo esse livro como George Orwell era culto e como eram grandes e consistentes os seus conhecimentos acerca de vários temas. São excelentes as resenhas literárias que ele faz (em especial uma resenha do execrável “Mein Kampf” de Hitler), seus comentários sobre cinema (com destaque para uma crítica ao filme “O grande ditador” de Charlie Chaplin), suas reflexões acerca do socialismo, da literatura e suas relações com a esquerda e suas análises e argumentações acerca de fatos dele contemporâneos como a Guerra Civil Espanhola.
No entanto o ponto alto dessa coletânea é a contundência com que o autor condena o fascismo sendo que essas condenações não são baseadas em opiniões e sim em fatos, análises e argumentos. Vale destacar o ensaio “O que é o fascismo” em função de certos alertas que o autor faz e que dialogam, de forma inquietante, com os igualmente inquietantes dias atuais, tão tolerantes com a intolerância e os discursos de ódio e vale a pena reproduzir um trecho do ensaio “Sobre panfletos”, de uma contemporaneidade incrível:

“Durante anos no passado fui um laborioso colecionador de panfletos, e um leitor razoavelmente constante de literatura política de todos os tipos. O que me impressiona cada vez mais – e impressiona muitas outras pessoas também – é a extraordinária depravação e desonestidade da controvérsia política em nossa época. Não estou meramente afirmando que controvérsias são acrimoniosas. Elas têm de ser quando tratam de assuntos sérios. Estou dizendo que quase ninguém parece achar que um oponente merece ser ouvido com atenção, ou que a verdade objetiva importa tanto quanto você ser capaz de marcar ponto num debate. Quando olho para minha coleção de panfletos – conservadores, comunistas, católicos, trotskistas, pacifistas, anarquistas ou sabe-se lá o que mais -, a mim parece que todos tem a mesma atmosfera mental, embora os pontos de ênfase variem. Ninguém está em busca da verdade, todos estão apresentando um “caso” com total desconsideração à imparcialidade ou à exatidão, e os fatos mais evidentemente óbvios podem ser ignorados por quem não os quer ver”.

Incrível como esta análise casa-se à perfeição com as tristes tendências atuais que valorizam os “casos” ou seja, as opiniões e versões em detrimento dos fatos e dos argumentos e como está na moda atualmente as distorções que Orwell já execrava em 1944 quando o texto foi escrito: a desconsideração das opiniões alheias e a intolerância em relação ao contraditório.
Excelente leitura que propicia um intenso e desconcertante diálogo com os dias atuais.
Profile Image for Rodolfo Gasparetto Manzoli.
21 reviews
June 5, 2020
Uma excelente compilação de ensaios Orwellianos a respeito do nazismo, fascismo, stalinismo, além de vários autores, sendo criticados ou defendidos. Aqui, Orwell destacava o futuro mau uso do termo fascista. Um bom guia de como debater com um oponente político, sem entrar no demérito de desclassificá-lo apenas porque discorda de suas idéias. Uma ressalva às críticas feitas a Hitler (o qual é reduzido a um bebê mimado e chorão) e escritores deliberadamente apoiadores de Mussolini. Não alivia para Stálin, o qual julga ter desvirtuado o verdadeiro socialismo. Orwell era defensor de um socialismo libertário. Um excelente guia de ensaios e pensamentos de Orwell. Para quem gostou de 1984 e Animal Farm, uma excelente leitura. Aliás, extremamente indicado para debates políticos atuais, principalmente para quem for de esquerda e necessitar de uma certa autocrítica.
Profile Image for Haymone Neto.
330 reviews5 followers
July 28, 2017
Mais uma boa coletânea de ensaios de Orwell. A lucidez do autor em relação ao contexto em que vivia é impressionante: era um socialista que rejeitava a URSS, e um democrata avesso ao imperialismo das potências. Foi também um mestre da crítica literária. O ensaio sobre a evolução das histórias de detetive para a pulp fiction é brilhante.
133 reviews3 followers
May 21, 2018
O termo mais comum de se ouvir após 5 minutos de conversa caso você ouse exibir qualquer descontentamento com o status quo atual é "fascista". Isso não é de hoje. George Orwell nestes ensaios que datam 1938-1948 discute sobre esse fenômeno e diversos outros e responde a uma incômoda, para alguns, pergunta: O que é o fascismo, de fato?
Profile Image for emily.
16 reviews5 followers
August 24, 2019
mister para autocrítica sobre ser de esquerda, juntamente com dois tiro no peito com cada verdade de pontos de vista inéditos que foram jogados na minha cara
Profile Image for Pedro Riegel.
51 reviews3 followers
January 1, 2022
Enquanto algumas resenhas são quase como cápsulas do tempo, analisando obras clássicas com a visão e conhecimento que se tinha no conturbado mundo pós nazismo, outros são textos atemporais (como o que da título ao livro) que lêem e analisam situações políticas e sociológicas que se mostram presentes até hoje.

Ótimo ler e 'confirmar' que os 2 clássicos de Orwell não são frutos de propaganda, mas sim se reflexão, vivência e até de autocrítica das ideias que ele mesmo apoiava.
Profile Image for Rafael Jaques.
27 reviews1 follower
April 11, 2018
Um bom livro, que retrata um período histórico específico. Muito bom para compreender problemas da sociedade antiga e que perduram até hoje.
Profile Image for Yor.
306 reviews13 followers
December 31, 2022
Um maravilhoso livro sobre pensamento crítico e político, por meio da compilação de ensaios de Eric Arthur Blair publicados sob seus pseudônimos George Orwell e John Freeman, neste livro traduzido e publicado para o Brasil, fiquei encantado ao descobrir a ordem cronológica das publicações originais. feito em sua época em diversos meios escritos na Inglaterra, entre os anos de 1938 a 1948.

Se você já leu algum dos livros de Orwell, este pode sem dúvida ser um livro muito gratificante para ler, revisar e se colocar no meio do tempo, com todos os conflitos políticos, sociais, econômicos, com as ditaduras nos países europeus. Leremos atentamente os pensamentos críticos do autor sobre política, sociedade e cultura, também encontraremos alguns vislumbres de algumas obras que George Orwell leu e que serviram de inspiração ou crítica na construção de seus distópicos, como 1984, e a sátira do Animal Farm, e seus outros trabalhos publicados.

George Orwell nestes ensaios compartilha sua visão crítica sobre comunismo, socialismo, governos totalitários e autoritários, bem como incentiva a investigar, compreender e ler nas entrelinhas todos os movimentos, sendo esta uma questão complexa para participar e muito mais para criticar. defender, embora seja claro que todas as ideologias e suas profecias têm conflitos internos e visão em sua realização, nada resta senão participar de cada pensador e gerar um pensamento crítico e compreensão sobre os tempos e seus movimentos em todos os tempos. , nenhum sistema político e econômico é perfeito, e nós o veremos de perto conforme o autor argumenta contra e a favor, por exemplo em seu magistral ensaio "O que é o fascismo" , encontraremos um rude e sincero posicionamento sobre essa grande questão, o que é o movimento fascista e quem são seus seguidores ou defensores, também vemos um incentivo para cada um de seus leitores e cidadãos de todas as culturas e momentos para refletir com calma sobre as dificuldades de colocar um rótulo simples, e como isso pode mascarar um movimento pró-fascista, e os inconvenientes do uso indevido de uma palavra que se tornou apenas uma forma de denegrir a política e a sociedade entre todos. seus adversários. , a invenção de uma palavra usada por um partido que depois de muito tempo abrange tantos eixos que não é fácil explicar em poucas palavras, abordando um tema de ideologia, faladores e se dá porque por trás da palavra fascismo há um significado oculto que é complexo de descrever e explicar.

Índice y estructura del libro:
- Prefácio
- O jornalista exemplar
- Resenha — A guerra civil na Espanha, de Frank Jellinek (New Leader (Londres), 8 de julho de 1938)
- Sem contar os crioulos (Adelphi, julho de 1939)
- Resenha — Mein Kampf, de Adolf Hitler (tradução integral) (New English Weekly, 21 de março de 1940)
- Profecias do fascismo (Tribune, 12 de julho de 1940)
- O grande ditador (Time and Tide, 21 de dezembro de 1940)
W. B. Yeats (Horizon, janeiro de 1943; Critical Essays; Dickens, Dali and Others; Collected Essays)
- A literatura e a esquerda (Tribune, 4 de junho de 1943)
- Quem são os criminosos de guerra? (Tribune, 22 de outubro de 1943)
- Socialistas podem ser felizes? (Tribune, 24 de dezembro de 1943)
- Ezra Pound (Tribune, 28 de janeiro de 1944)
- História e mentiras (Tribune, 4 de fevereiro de 1944)
- Biografias — (da coluna As I Please) (Tribune, 10 de março de 1944)
- O que é fascismo? — (da coluna As I Please) (Tribune, 24 de março de 1944)
- Limites de viagem na Europa — (trecho selecionado da coluna As I Please) (Tribune, 12 de maio de 1944)
- Propaganda (Tribune, 2 de junho de 1944)
- Koestler e o ramo do livro (Tribune, 9 de junho de 1944)
- Resenha — O negro do Narciso, Tufão, A linha de sombra, Dentro das marés, de Joseph Conrad (Observer, 24 de junho de 1945)
- Arthur Koestler (Escrito em [setembro] 1944; Critical Essays; Dickens, Dali and Others; Focus 2 1946; Collected Essays)
- Raffles e miss Blandish (Horizon, outubro de 1944; Politics, novembro de 1944; Critical Essays; Dickens, Dali and Others; Collected Essays)
- Sobre panfleto (Tribune, 8 de dezembro de 1944)
- Resenha — Nós, de E. I. Zamyatin (Tribune, 4 de janeiro de 1946)
- Iugoslávia e expurgo de escritores (Tribune, 3 de janeiro de 1947)
- Resenha — A alma do homem sob o socialismo, de Oscar Wilde (Observer, 9 de maio de 1948)
- Resenha — Notas para uma defiição de cultura, de T.S. Eliot (Observer, 28 de novembro de 1948)


Muitas citações políticas ousadas e interessantes e pensamento crítico, úteis tanto para o seu tempo de publicação quanto para os dias atuais.

“como podemos “combater o fascismo” se fortalecemos uma injustiça muito mais ampla?”


“Deve-se lembrar que a situação da Alemanha, com seus 7 milhões de desempregados, era obviamente favorável aos demagogos.”


““The Secret of the League” foi escrito em 1907, quando o crescimento do movimento obreiro começava a aterrorizar a classe média, que imaginava, erroneamente, estar sendo ameaçada de baixo, e não de cima. Como prognóstico político o livro é trivial, mas é de grande interesse devido à luz que lança sobre a mentalidade da luta da classe média.”


““Quando um homem de verdadeiro gênio aparece no mundo, pode-se reconhecê-lo por este infalível signo, o de que todos os ignorantes conspiram contra ele.” Assim escreveu Jonathan Swift, duzentos anos antes da publicação de Ulysses.”

“Quando tiranos são executados, deveriam sê-lo exclusivamente por seus próprios súditos; os que são punidos por uma autoridade estrangeira, como Napoleão, acabam virando mártires e lendas.”

“Arriscando-me a dizer algo que os editores do Tribune podem não endossar, sugiro que o verdadeiro objetivo do socialismo não é a felicidade. A felicidade tem sido até agora um produto, e até onde sabemos assim pode continuar para sempre. O verdadeiro objetivo do socialismo é a fraternidade humana. Esse é o caso, e assim é amplamente percebido, apesar de isso em geral não ser dito, ou não ser dito alto o bastante. Homens passam suas vidas em dolorosas lutas políticas, ou são mortos em guerras civis, ou torturados em prisões secretas da Gestapo, não para estabelecer algum paraíso com aquecimento central, ar-condicionado e iluminação fluorescente, mas porque eles querem um mundo no qual homens amem uns aos outros em vez de trapacearem e se assassinarem reciprocamente. E eles querem esse mundo como um primeiro passo. Para onde irão a partir daí ainda não é tão certo, e a tentativa de prever em detalhes só faz confundir a questão.


O pensamento socialista tem de lidar com previsões, mas apenas em termos latos. Com frequência, tem-se que visar a objetivos que são discernidos só muito vagamente. Neste momento, por exemplo, o mundo está em guerra e deseja a paz. Porém, o mundo não tem experiência de paz, e nunca a teve, a não ser quando ainda existia o Bom Selvagem. O mundo queria algo que só vagamente pensava poder existir, mas que não era capaz de definir com exatidão.”


“Quase todos os criadores de utopia se parecem com o homem que está com dor de dente e, por isso, pensa que a felicidade consiste em não ter dor de dente. Eles querem produzir uma sociedade perfeita mediante uma interminável continuação de algo que só foi valioso porque era temporário.
Mais sábio seria dizer que há certas linhas ao longo das quais a humanidade tem de se movimentar, que a grande estratégia está mapeada, mas que profecia em detalhes não faz parte de nosso negócio. Quem quer que tente imaginar perfeição simplesmente revela seu próprio vazio.”


“Mas a guerra atual, como Joyce descobriu, não é de um tipo que possa ser ignorada, e creio que deve tê-lo levado a refletir que uma escolha política é necessária, e que mesmo a estupidez é melhor que o totalitarismo.”


“Vai-se constatar que, do modo como é usada, a palavra “fascismo” é quase desprovida de todo significado. Numa conversa, é claro, é usada até mesmo mais desarrazoadamente do que quando impressa. Ouvi o termo ser aplicado a agricultores, a lojistas, ao Crédito Social, ao castigo corporal, à caça à raposa, às touradas, ao Comitê de 1922, ao Comitê de 1941, a Kipling, Gandhi, Chiang Kai-Shek, à homossexualidade, aos programas de rádio de Priestley, aos Albergues da Juventude, à astrologia, às mulheres, aos cães e a não sei o que mais.”

“Mas debaixo de toda essa confusão subjaz uma espécie de significado oculto. Para começar, é óbvio que há diferenças muito grandes, algumas delas fáceis de apontar, mas não fáceis de explicar, entre os regimes chamados fascistas e aqueles chamados democráticos. Segundo, se “fascista” significa “que tem simpatia por Hitler”, muitas das acusações que listei são mais justificadas do que outras. Terceiro, todo aquele que indiscriminadamente lança a palavra “fascista” em todas as direções está agregando a ela alguma medida de significado emocional. Por “fascismo” eles estão se referindo, de maneira grosseira, a algo cruel, inescrupuloso, arrogante, obscurantista, antiliberal e anti classe trabalhadora. Com exceção de um número relativamente pequeno de simpatizantes do fascismo, quase todo inglês vai aceitar “troglodita” como sinônimo de “fascista”. É a coisa mais próxima de uma definição a que chegou essa tão abusada palavra.

Mas o fascismo também é um sistema político e econômico. Por que, então, não podemos ter dele uma definição clara e aceita por todos? Ai de nós, não teremos uma — ainda não, pelo menos. Explicar a razão disso é algo que levaria muito tempo, mas basicamente é porque é impossível definir satisfatoriamente fascismo sem admitir coisas que nem os próprios fascistas, nem os conservadores, nem socialistas de nenhum matiz querem admitir. Tudo que se pode fazer no momento é usar a palavra com certa medida de circunspecção e não, como usualmente se faz, degradá-la ao nível de um palavrão.” - George Orwell, Tribune , 24 de março de 1944


Limites de viagem na Europa
“Mesmo na Europa os limites para viajar estavam constantemente se estreitando. A menos que fosse para uma visita curta, era muito difícil entrar na Inglaterra, como descobriram tantos alquebrados refugiados antifascistas. Vistos para a URSS eram emitidos com bastante relutância a partir de 1935. Todos os países fascistas se fechavam a qualquer um em cujos registros constasse ser antifascista. Havia muitas áreas que só se podiam atravessar com a condição de não descer do trem. E ao longo de todas as fronteiras existiam cercas de arame farpado, metralhadoras e rondas de sentinelas, frequentemente usando máscaras antigás.

Quanto à migração, tinha quase desaparecido desde os anos 1920. Todos os países do Novo Mundo fizeram o que era possível para manter imigrantes afastados, a menos que trouxessem com eles consideráveis somas de dinheiro. A imigração japonesa e chinesa para as Américas havia cessado completamente. Os judeus da Europa foram obrigados a ficar e ser chacinados porque para eles não havia para onde ir — no caso dos pogrons tsaristas de quarenta anos antes, tinham conseguido fugir em todas as direções. Diante de tudo isso, dizer que os métodos modernos de viagem promovem a intercomunicação é algo que simplesmente não posso entender.

Os contatos intelectuais também diminuíram já há muito tempo. Não faz sentido dizer que o rádio põe as pessoas em contato com países estrangeiros. Se o rádio faz alguma coisa, é exatamente o contrário. Uma pessoa comum jamais ouve uma rádio estrangeira, mas, se em qualquer país um grande número de pessoas sinalizar que o está fazendo, o governo tratará de impedi-las, seja com punições brutais, seja com a apreensão de aparelhos de ondas curtas ou com a instalação de estações que transmitem sinais de interferência. O resultado disso é que toda rádio nacional é um tipo de mundo totalitário em si mesmo, zurrando noite e dia propaganda para pessoas que não têm como ouvir nenhuma outra coisa. Enquanto isso, a literatura fica cada vez menos internacional. A maioria dos países totalitários barra a entrada de jornais estrangeiros e só permite uma pequena quantidade de livros estrangeiros, que são submetidos a uma cuidadosa censura e às vezes são publicados em versões deturpadas. Cartas que circulam de um país a outro habitualmente são adulteradas no meio do caminho. E em muitos países, durante a última dúzia de anos, livros de história têm sido reescritos em termos muito mais nacionalistas do que antes, de modo que as crianças possam crescer com a visão mais falsa possível do mundo lá fora.”

Resenha ─ A alma do homem sob o socialismo, de Oscar Wilde.
“Wilde decerto percebeu que havia tendências autoritárias no movimento socialista, mas não acreditou que iriam prevalecer, e com uma espécie de profética ironia escreveu: “É difícil para mim pensar que qualquer socialista, hoje em dia, pudesse propor seriamente que um inspetor fosse bater toda manhã em cada casa para verificar se cada cidadão se levantou e fez trabalho físico durante oito horas” ─ o que, infelizmente, é justo o tipo de coisa que inúmeros socialistas modernos proporiam. é evidente que alguma coisa deu errado. O socialismo, no sentido de coletivismo econômico, está conquistando a terra com uma velocidade que dificilmente pareceria possível sessenta anos atrás, e ainda assim a utopia, pelo menos a utopia de Wilde, não ficou mais próxima.”

“Na verdade, o problema do mundo como um todo não é como distribuir a riqueza que existe, mas como aumentar a produção, sem o que a igualdade econômica significará apenas uma pobreza comum.”
Profile Image for Ricardo Grings.
54 reviews1 follower
June 22, 2023
Sensacional - 4,5 (A).
O trabalho do editor ao dar um panorama da abordagem sobre o ambiente em que o fascismo se desenvolvia, construindo isso com os textos do autor, é magistral: os textos se conversam e desenvolvem um ponto, se tornando um livro coeso, apesar de ser um compilado - quase me arrependo da minha regra de não dar 5 estrelas para livros de crônicas ou ensaios, esse aqui merecia...

É um conjunto de artigos e ensaios escritos por Orwell entre 1938 e 1948, abordando principalmente o mundo naqueles anos da 2a grande guerra e do início da guerra fria - a maioria dos textos transparecendo esse período de ideias totalitárias à direita e à esquerda.
A abordagem orwelliana, embora obviamente não cite expressamente, é uma aplicação da horseshoe theory que demonstra que os extremos do espectro político, em sua face extrema e totalitarista (comunismo e nazismo) estão muito mais próximas entre si do que do centro liberal - cujos conceitos estão na base do olhar de George Orwell.

O autor, famoso pelos excelentes 'a revolução dos bichos' e '1984', foi muito mais jornalista do que romancista - o que nos tempos atuais de debate sobre o papel de jornalismo, é bastante importante compreender. E a seleção de textos é sensacional - a maioria publicados em jornais/revistas e na sua coluna fixa no quinzenário socialista inglês 'Tribune' (denominada 'as I please', caracterizando sua independência de visões pré-concebidas), tratam da sociedade e da abordagem de temas sociais diversos e muito bem abordados e que abordava "de temas transcendentais (as mentiras alimentadas pelas guerras, a essência do fascismo, as barreiras internacionais impostas pelo nacionalismo e os estados totalitários, a mesmice da propaganda de esquerda e direita, os expurgos de escritores nos regimes comunistas) a amenidades que por vezes surpreendiam negativamente os leitores com menor jogo de cintura e impermeáveis ao humor".

Particularmente os textos de resenhas de livros que o autor faz é muito interessante, desenvolve a análise crítica do texto, comparando-o com outras obras dos mesmos autores e compara com outros autores contemporâneos e no zeitgeist. A leitura contribuiu para um aumento sensível da minha lista de leituras futuras, de muitos autores que nem conhecia.
Como bem define o editor no prefácio (jornalista exemplar): "as colunas são uma mina de preciosos insights sobre a cultura, em especial sobre o jornalismo literário e o mercado editorial, cujos percalços, diga-se, pouco mudaram nas décadas seguintes".

O conteúdo é denso e interessante, cada capítulo leva a uma reflexão interessante sobre o contexto da época e seus conceitos aplicados a esses tempos atuais de retomada dos pensamentos fascistas, 90 anos depois. Vale muito a leitura.

Prefácio: o jornalista exemplar.
Resenha - a guerra civil na espanha, de frank jallinek.
Sem contar os crioulos.
Resenha - mein kampf, de adolf hitler (tradução integral).
Profecias do fascismo.
O grande ditador.
W.B. Yeats.
A literatura e a esquerda.
Quem são os criminosos de guerra?
Socialistas podem ser felizes?
Ezra Pound.
História e mentiras.
Biografia.
O que é fascismo?
Limites de viagem na europa.
Propaganda.
Koestler e o ramo do livro.
Resenha - o negro do narciso, tufão, a linha de sombra, dentro das marés, de joseph conrad.
Arthur Koestler.
Raffles e miss blandish.
Sobre panfleto.
Resenha - nós, de E. J. Zamyatin.
Iugoslávia e expurgo de escritores.
Resenha - a alma do homem sob o socialismo, de oscar wilde.
Resenha - notas para uma definição de cultura, de T.S. Eliot.

A reflexão que faz em 'sobre panfletos', em particular, é sensacional:
"[...] Ninguém está em busca da verdade, todos estão apresentando um "caso" com total desconsideração à imparcialidade ou à exatidão, e os fatos mais evidentemente óbvios podem ser ignorados por quem não só quer ver. Em quase todos eles podem-se encontrar os mesmos truques de propaganda [...]"
"Em minha opinião, uns poucos pacifistas são intimamente pró-nazistas, e partidos de extrema esquerda de um jeito ou de outro terão espiões fascistas em suas fileiras. O importante é descobrir quais indivíduos são honestos e quais não, e as usuais acusações genéricas tornam isso muito difícil. A atmosfera de ódio no qual se conduzem as controvérsias cega as pessoas para considerações desse tipo. Admitir que um oponente possa estar sendo honesto e inteligente é tido como algo intolerável. É mais iminentemente satisfatório gritar que ele é um tolo ou um patife, ou ambos, do que descobrir como de fato ele é. Foi esse estado mental, entre outras coisas, que fez com que as previsões políticas em nossa época fossem notavelmente malsucedidas."
Profile Image for Claus Canddie.
17 reviews
July 26, 2022
Esse breve ensaio do George Orwell pode parecer bem sintético, até pela organização em tópicos das relações (ou reputações) de diferentes ideologias e denominações políticas para com o Fascismo; entretanto, esse formato não só reserva as mesmas virtudes de um bom ensaio, como também foi uma escolha inteligente. Orwell acaba adiantando por meio dos tópicos que o termo "fascista" já era, em 1944, empurrado de grupo a grupo, que como selvagens, limitam a discussão política a uma troca de jargões que, sendo baseados em ideias sérias da sociologia, perdem o seu significado na linguagem. Quase oitenta anos depois desse ensaio ser publicado, nada mudou em relação ao uso desse termo.

Por fim, vale ressaltar que além das provocações gerais da definição dos tópicos, é muito claro que ele toca em pontos válidos da relação umbilical entre Socialismo e Fascismo. Mais uma vez, muito próprio de um bom ensaio, e ajuda a compreender como Orwell elevou essa seleção de pensamentos e observações para o 1984, que seria publicado cinco anos depois.

"All one can do for the moment is to use the word with a certain amount of circumspection and not, as is usually done, degrade it to the level of a swearword."

10/10
Profile Image for eduardo.
10 reviews
November 22, 2021
"Porque, se examinar a imprensa, você verá que não existe quase nenhum grupo de pessoas [...] que não tenha sido denunciado como fascista durante os últimos dez anos."

O trecho acima é o do ensaio que dá título ao livro: "O que é fascismo?" — sem dúvidas, um dos três melhores, seguido por "Sem contar os crioulos" e "Socialistas podem ser felizes?".

Na continuação do texto, Orwell monta uma lista de todos grupos que foram chamados de fascistas: conservadores, socialistas, comunistas, trotskistas e muitos outros "istas". O ensaio foi publicado em 1944, mas poderia muito bem ser impresso no jornal de amanhã e continuaria fazendo sentido.

Por isso que, ainda mais assustador que o Orwell ficcionista, é o Orwell objetivista.
Profile Image for Mácio Meneses.
62 reviews2 followers
September 5, 2022
Excelentes ensaios que mostram como o Orwell, escrevendo na primeira metade do século XX, tinha uma visão cristalina do que estava acontecendo no mundo naquele momento, antecipando eventos que ocorreriam anos ou décadas depois.

Segue um trecho de um texto que ele escreveu em 21 de março de 1940:

“É provável que, na própria mente de Hitler, o Pacto Russo-Alemão não represente mais do que uma mudança no cronograma. O plano apresentado em Mein Kampf era esmagar primeiro a Rússia, com a intenção implícita de esmagar a Inglaterra em seguida. Agora, como as coisas se apresentam, a Inglaterra tem de lidar com o fato de ser a primeira, porque a Rússia foi, entre as duas, a mais fácil de subornar. Mas a vez da Rússia chegará quando a Inglaterra já estiver fora de cena”

George Orwell
Profile Image for Igor.
1 review
September 25, 2023
Se estes textos fossem publicados no jornal matinal que leio, eu acordaria alegre e ansioso todos os dias. Não tem nada de espetacular no ensaio que dá nome ao livro, mas os outros ensaios e principalmente as resenhas de Orwell sobre literatura são muito instigantes. A crítica tem várias funções, e pessoalmente, a minha favorita é instigar o leitor para que ele vá atrás de suas próprias experiências com um pouco de bagagem, um outro olhar. Eu gosto de imaginar o livro antes, e essa expectativa para mim tem muito valor, mesmo que não vá condizer com a realidade da minha percepção. O último ponto é que nunca vou esquecer o jeito que ele descreve Guerra e Paz, é de uma leveza muito grande e uma sensibilidade ainda maior.
Profile Image for Débora Morais.
56 reviews
December 7, 2023
Leitura interessante e rápida de alguns ensaios e artigos de George Orwell. Aqui, o leitor se depara com assuntos ainda relevantes atualmente como sua crítica a banalização do termo fascismo, críticas a grupos que foram inicialmente indiferentes a ascensão do nazismo e isso inclui os próprios socialistas, por mais que ele também se considere um homem de esquerda, seu senso crítico lhe permite criticar a todos sem alienação.

Outro ponto interessante é a análise de alguns livros de autores renomados como Dickens, T. S Eliot entre outros. Nessa parte do livro é interessante conhecer os livros que estão sendo criticados, caso não, a leitura se torna um pouco perdida.
Profile Image for César Augusto.
31 reviews36 followers
September 19, 2017
Orwell é Orwell. Não há o que criticar nessa obra, faz criticas sensatas, refexões agudas e precisas sobre obras literárias e movimentos políticos. Percebi que em alguns textos, certos comentários me fizeram lembrar de outras obras como A Revolução dos Bichos e 1984. Sua visão aguçada para política é estrondosa para um escritor . Sem contar que me fez ter a curiosidade sobre outras obras. É um livro para ser relido de tempos em tempos para manter a mente sã e livre de qualquer influência política errada.
Profile Image for Dean.
59 reviews3 followers
September 17, 2018
"Except for the relatively small number of Fascist sympathizers, almost any English person would accept ‘bully’ as a synonym for ‘Fascist’. That is about as near to a definition as this much-abused word has come."

A powerful essay that very much reflects how politics has always been, and how words of once great significance are degraded into just slanders for people whom one faction don't agree with.
4 reviews
December 16, 2020
Análises literárias e políticas escritas pelo Orwell. Algumas são datadas, outras sobre livros que ainda não li e talvez nunca leia. Porém, as que não se enquadram nessas categorias são muito boas. Como o artigo que dá o título ao livro: "O que é fascismo". Também a análise sobre o Mein Kampf, O grande ditador, entre outras. Permite ter uma boa visão do criticismo de Orwell ao Fascismo, à URSS e ao governo britânico.
30 reviews
February 22, 2021
Coletânea de textos políticos de George Orwell, a maioria sendo do período anterior e durante a segunda guerra. Leitura essencial para quem tenta entrar na cortina de fumaça da primeira metade do século XX, pois os textos trazem uma ideia do que era viver (ou sobreviver) em um mundo com o nazismo e o comunismo em plena força.
Profile Image for Anderson Paz.
Author 4 books19 followers
January 26, 2023
Daqueles livros que se lê por conta do autor e se arrepende. São 24 ensaios desconexos. O ensaio que tenta dizer o que é fascismo diz que não tem significado objetivo. Nenhuma novidade ou contribuição. Um livro bem ruim.
Profile Image for Alice Gonçalves.
70 reviews18 followers
August 13, 2017
"As possíveis dimensões da vigilância estatal ainda não haviam sido exploradas quando George Orwell escreveu o romance distópico 1984; hoje, o Grande Irmão já pertence ao nosso vocabulário popular e, em tempos de NSA, à nossa realidade. Em O Que é Fascismo? e Outros Ensaios, um livro que reúne textos escritos por Orwell entre as décadas de 1930 e 1940 na imprensa britânica, o escritor socialista se vê às voltas com três questões centrais: a inviabilidade da utopia hedonista que alguns acreditam ser o objetivo final do socialismo; a afinidade entre as democracias liberais — em particular, a Grã-Bretanha — e o fascismo; e a relação entre a propaganda, o panfleto e a literatura militante de esquerda."

Texto completo sobre O Que é Fascismo? E Outros Ensaios no Medium: https://medium.com/@barzabu/na-compan...
42 reviews
July 9, 2021
A força da escrita de Orwell e sua capacidade de falar com honestidade, apesar de sua ideologia, estão presentes, mas a edição e a tradução deixaram a desejar.
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