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158 pages, Paperback
First published January 1, 2017
“como podemos “combater o fascismo” se fortalecemos uma injustiça muito mais ampla?”
“Deve-se lembrar que a situação da Alemanha, com seus 7 milhões de desempregados, era obviamente favorável aos demagogos.”
““The Secret of the League” foi escrito em 1907, quando o crescimento do movimento obreiro começava a aterrorizar a classe média, que imaginava, erroneamente, estar sendo ameaçada de baixo, e não de cima. Como prognóstico político o livro é trivial, mas é de grande interesse devido à luz que lança sobre a mentalidade da luta da classe média.”
““Quando um homem de verdadeiro gênio aparece no mundo, pode-se reconhecê-lo por este infalível signo, o de que todos os ignorantes conspiram contra ele.” Assim escreveu Jonathan Swift, duzentos anos antes da publicação de Ulysses.”
“Quando tiranos são executados, deveriam sê-lo exclusivamente por seus próprios súditos; os que são punidos por uma autoridade estrangeira, como Napoleão, acabam virando mártires e lendas.”
“Arriscando-me a dizer algo que os editores do Tribune podem não endossar, sugiro que o verdadeiro objetivo do socialismo não é a felicidade. A felicidade tem sido até agora um produto, e até onde sabemos assim pode continuar para sempre. O verdadeiro objetivo do socialismo é a fraternidade humana. Esse é o caso, e assim é amplamente percebido, apesar de isso em geral não ser dito, ou não ser dito alto o bastante. Homens passam suas vidas em dolorosas lutas políticas, ou são mortos em guerras civis, ou torturados em prisões secretas da Gestapo, não para estabelecer algum paraíso com aquecimento central, ar-condicionado e iluminação fluorescente, mas porque eles querem um mundo no qual homens amem uns aos outros em vez de trapacearem e se assassinarem reciprocamente. E eles querem esse mundo como um primeiro passo. Para onde irão a partir daí ainda não é tão certo, e a tentativa de prever em detalhes só faz confundir a questão.
O pensamento socialista tem de lidar com previsões, mas apenas em termos latos. Com frequência, tem-se que visar a objetivos que são discernidos só muito vagamente. Neste momento, por exemplo, o mundo está em guerra e deseja a paz. Porém, o mundo não tem experiência de paz, e nunca a teve, a não ser quando ainda existia o Bom Selvagem. O mundo queria algo que só vagamente pensava poder existir, mas que não era capaz de definir com exatidão.”
“Quase todos os criadores de utopia se parecem com o homem que está com dor de dente e, por isso, pensa que a felicidade consiste em não ter dor de dente. Eles querem produzir uma sociedade perfeita mediante uma interminável continuação de algo que só foi valioso porque era temporário.
Mais sábio seria dizer que há certas linhas ao longo das quais a humanidade tem de se movimentar, que a grande estratégia está mapeada, mas que profecia em detalhes não faz parte de nosso negócio. Quem quer que tente imaginar perfeição simplesmente revela seu próprio vazio.”
“Mas a guerra atual, como Joyce descobriu, não é de um tipo que possa ser ignorada, e creio que deve tê-lo levado a refletir que uma escolha política é necessária, e que mesmo a estupidez é melhor que o totalitarismo.”
“Vai-se constatar que, do modo como é usada, a palavra “fascismo” é quase desprovida de todo significado. Numa conversa, é claro, é usada até mesmo mais desarrazoadamente do que quando impressa. Ouvi o termo ser aplicado a agricultores, a lojistas, ao Crédito Social, ao castigo corporal, à caça à raposa, às touradas, ao Comitê de 1922, ao Comitê de 1941, a Kipling, Gandhi, Chiang Kai-Shek, à homossexualidade, aos programas de rádio de Priestley, aos Albergues da Juventude, à astrologia, às mulheres, aos cães e a não sei o que mais.”
“Mas debaixo de toda essa confusão subjaz uma espécie de significado oculto. Para começar, é óbvio que há diferenças muito grandes, algumas delas fáceis de apontar, mas não fáceis de explicar, entre os regimes chamados fascistas e aqueles chamados democráticos. Segundo, se “fascista” significa “que tem simpatia por Hitler”, muitas das acusações que listei são mais justificadas do que outras. Terceiro, todo aquele que indiscriminadamente lança a palavra “fascista” em todas as direções está agregando a ela alguma medida de significado emocional. Por “fascismo” eles estão se referindo, de maneira grosseira, a algo cruel, inescrupuloso, arrogante, obscurantista, antiliberal e anti classe trabalhadora. Com exceção de um número relativamente pequeno de simpatizantes do fascismo, quase todo inglês vai aceitar “troglodita” como sinônimo de “fascista”. É a coisa mais próxima de uma definição a que chegou essa tão abusada palavra.
Mas o fascismo também é um sistema político e econômico. Por que, então, não podemos ter dele uma definição clara e aceita por todos? Ai de nós, não teremos uma — ainda não, pelo menos. Explicar a razão disso é algo que levaria muito tempo, mas basicamente é porque é impossível definir satisfatoriamente fascismo sem admitir coisas que nem os próprios fascistas, nem os conservadores, nem socialistas de nenhum matiz querem admitir. Tudo que se pode fazer no momento é usar a palavra com certa medida de circunspecção e não, como usualmente se faz, degradá-la ao nível de um palavrão.” - George Orwell, Tribune , 24 de março de 1944
“Mesmo na Europa os limites para viajar estavam constantemente se estreitando. A menos que fosse para uma visita curta, era muito difícil entrar na Inglaterra, como descobriram tantos alquebrados refugiados antifascistas. Vistos para a URSS eram emitidos com bastante relutância a partir de 1935. Todos os países fascistas se fechavam a qualquer um em cujos registros constasse ser antifascista. Havia muitas áreas que só se podiam atravessar com a condição de não descer do trem. E ao longo de todas as fronteiras existiam cercas de arame farpado, metralhadoras e rondas de sentinelas, frequentemente usando máscaras antigás.
Quanto à migração, tinha quase desaparecido desde os anos 1920. Todos os países do Novo Mundo fizeram o que era possível para manter imigrantes afastados, a menos que trouxessem com eles consideráveis somas de dinheiro. A imigração japonesa e chinesa para as Américas havia cessado completamente. Os judeus da Europa foram obrigados a ficar e ser chacinados porque para eles não havia para onde ir — no caso dos pogrons tsaristas de quarenta anos antes, tinham conseguido fugir em todas as direções. Diante de tudo isso, dizer que os métodos modernos de viagem promovem a intercomunicação é algo que simplesmente não posso entender.
Os contatos intelectuais também diminuíram já há muito tempo. Não faz sentido dizer que o rádio põe as pessoas em contato com países estrangeiros. Se o rádio faz alguma coisa, é exatamente o contrário. Uma pessoa comum jamais ouve uma rádio estrangeira, mas, se em qualquer país um grande número de pessoas sinalizar que o está fazendo, o governo tratará de impedi-las, seja com punições brutais, seja com a apreensão de aparelhos de ondas curtas ou com a instalação de estações que transmitem sinais de interferência. O resultado disso é que toda rádio nacional é um tipo de mundo totalitário em si mesmo, zurrando noite e dia propaganda para pessoas que não têm como ouvir nenhuma outra coisa. Enquanto isso, a literatura fica cada vez menos internacional. A maioria dos países totalitários barra a entrada de jornais estrangeiros e só permite uma pequena quantidade de livros estrangeiros, que são submetidos a uma cuidadosa censura e às vezes são publicados em versões deturpadas. Cartas que circulam de um país a outro habitualmente são adulteradas no meio do caminho. E em muitos países, durante a última dúzia de anos, livros de história têm sido reescritos em termos muito mais nacionalistas do que antes, de modo que as crianças possam crescer com a visão mais falsa possível do mundo lá fora.”
“Wilde decerto percebeu que havia tendências autoritárias no movimento socialista, mas não acreditou que iriam prevalecer, e com uma espécie de profética ironia escreveu: “É difícil para mim pensar que qualquer socialista, hoje em dia, pudesse propor seriamente que um inspetor fosse bater toda manhã em cada casa para verificar se cada cidadão se levantou e fez trabalho físico durante oito horas” ─ o que, infelizmente, é justo o tipo de coisa que inúmeros socialistas modernos proporiam. é evidente que alguma coisa deu errado. O socialismo, no sentido de coletivismo econômico, está conquistando a terra com uma velocidade que dificilmente pareceria possível sessenta anos atrás, e ainda assim a utopia, pelo menos a utopia de Wilde, não ficou mais próxima.”
“Na verdade, o problema do mundo como um todo não é como distribuir a riqueza que existe, mas como aumentar a produção, sem o que a igualdade econômica significará apenas uma pobreza comum.”