Como já fizera em Formação econômica do Brasil (reeditado pela Companhia das Letras em 2007), neste livro Celso Furtado estuda a América Latina com o duplo enfoque histórico e econômico. As estruturas criadas pelos conquistadores, voltadas para os interesses da metrópole, as conseqüências da inserção no sistema internacional de trabalho como continente fornecedor de matérias-primas, a fase de industrialização, as reformas agrárias do México, Bolívia, Peru e Chile, a economia de Cuba, as dificuldades de formação de mercados comuns continentais são apenas alguns dos temas estudados. A economia latino-americana, cuja primeira edição é de 1969, é também uma análise da contribuição dos economistas latino-americanos da Comissão Econômica para a América Latina (cepal) para a solução de problemas como a inflação, o planejamento e a superação do subdesenvolvimento.
Os temas tratados por Celso Furtado se apóiam em dados quantitativos que se estendem até o primeiro choque do petróleo, em meados dos anos 70. O autor preferiu, contudo, não atualizar as estatísticas nas sucessivas reedições, por considerar que A economia latino-americana é, acima de tudo, uma introdução à história e à economia da sociedade da América Latina desde os tempos coloniais, e um estudo das tendências de longo prazo do desenvolvimento do continente.
Oitavo ocupante da Cadeira 11 , eleito em 7 de agosto de 1997, em sucessão a Darcy Ribeiro e recebido pelo Acadêmico Eduardo Portella em 31 de outubro de 1997.
Filho de Maurício de Medeiros Furtado, de família de magistrados, e de Maria Alice Monteiro Furtado, de família de proprietários de terra. Foi casado com a jornalista Rosa Freire d`Aguiar.
Estudos secundários no Liceu Paraibano, em João Pessoa, e no Ginásio Pernambucano, no Recife. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1944), Doutor em Economia (1948) pela Universidade de Paris (Sorbonne). Estudos de pós-graduação na Universidade de Cambridge, Inglaterra (1957), sendo Fellow do King`s College. Participou da Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. Técnico de Administração do Governo Brasileiro (1944-45). Economista da Fundação Getúlio Vargas (1948-49);
Como Diretor da Divisão de Desenvolvimento da CEPAL (1949-57), contribuiu de forma decisiva, ao lado do economista argentino Raúl Prebish, para a formulação do enfoque estruturalista da realidade socioeconômica da América Latina;
Diretor do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE) (1958-59);
No Governo de Juscelino Kubitschek, elaborou o Plano de Desenvolvimento do Nordeste, que deu lugar à criação da SUDENE, órgão que dirigiu por cinco anos (1959-64);
No Governo João Goulart, foi o primeiro titular do Ministério do Planejamento (1962-63); Com o golpe militar de 1964, teve seus direitos políticos cassados por dez anos, dedicando-se então à pesquisa e ao ensino da Economia do Desenvolvimento e da Economia da América Latina em diversas universidades como as de Yale (EUA, 1964-65), Sorbonne (França, 1965-85), American University (EUA, 1972), Cambridge (“Cátedra Simon Bolívar”- Inglaterra, 1973-74), Columbia (EUA, 1976-77);
Com a redemocratização, foi embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Européia (1985-86), em Bruxelas, e Ministro da Cultura do Governo Sarney (1986-88), quando elaborou a primeira legislação de incentivos fiscais e fez a defesa da identidade cultural brasileira.