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A Arte da Brevidade: Contos

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Virginia Woolf escreveu poucos contos, muitos deles meros esboços, exercícios, ensaios de escrita. Mas em alguns estão concentradas características de seus romances mais experimentais: a rejeição do realismo literário, o uso de técnicas narrativas pouco ortodoxas, a experimentação com a estrutura e a sintaxe.

Em edição bilíngue e com acabamento de luxo, a presente coletânea reúne os melhores desses contos. “ O legado ” pertence ao conjunto dos seus contos mais convencionais, mas serve de contraste para melhor apreciação das ousadas técnicas que caracterizam os outros quatro aqui incluídos – “ A marca na parede ”, “ Objetos sólidos ”, “ A dama no espelho ” e “ Kew Gardens ”.

136 pages, Hardcover

Published March 30, 2017

11 people are currently reading
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About the author

Virginia Woolf

1,840 books28.8k followers
(Adeline) Virginia Woolf was an English novelist and essayist regarded as one of the foremost modernist literary figures of the twentieth century.

During the interwar period, Woolf was a significant figure in London literary society and a member of the Bloomsbury Group. Her most famous works include the novels Mrs. Dalloway (1925), To the Lighthouse (1927), and Orlando (1928), and the book-length essay A Room of One's Own (1929) with its famous dictum, "a woman must have money and a room of her own if she is to write fiction."

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Community Reviews

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3 (1%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Nayara Almeida.
88 reviews7 followers
February 29, 2020
A escolha dos contos é fantástica. Todos os cinco parecem girar em torno de um ponto: a comunhão entre o sujeito e o mundo. As coisas não são apenas coisas, no seu âmago está a vida. A mancha na parede; o vidro, a porcelana; os diários, o broche; o espelho e todos os objetos da sala; as flores no canteiro, a folha seca. Nada é simples fundo ou chão para as personagens. O sujeito e o mundo (ou as pessoas e as coisas) estão tão interligados que a fronteira entre eles parece dissolvida nos contos.
Profile Image for Maria Morais.
68 reviews3 followers
November 2, 2020
Para mim, foi uma boa entrada para entender a proposta de VW em sua escrita, suas preocupações com a criação de um estilo entremeado por essa fala profundamente sensível e profundamente feminista, bastante modernista. Seu fazer literário parece fazer frente ao próprio advento da modernidade, cuja velocidade industrial, racionalidade científica e rigidez patriarcal parecem lhe causar profundo desconforto e até arrepios na alma. Encontramos nela a busca de uma mística, menos voltada à religião em si, evidentemente, à entropia, ao êxtase que podemos encontrar nas pequenas experiências, no avesso de nossos dias, algo que só pode ser desnudado pela arte. Mostrando em sua inutilidade, também, toda a sua luz.

Havia lido todos os seus contos dez anos atrás, e agora, buscando um olhar que perscruta não só uma fala, mas uma forma, um projeto, seu trabalho cresceu bastante em meus afetos e deve ser lembrado de forma mais vívida do que foi outrora. Pois confesso: li muita coisa dela e havia guardado quase nada. A marca na parede hoje, parece-me de fato uma obra-prima, não enquanto reflexão filosófica, cuja análise também é válida, mas pela maneira como ela apresenta de forma etérea e contígua, em seu fluxo de pensamento, universos internos e externos em embate. Um olhar de "flecha", masculino e profundamente progressista, linear, racional, é aqui entrecotado, arremessado por pensamentos fluidos que surgem a partir de uma pequena marca na parede, pensamentos que, vez por outra, trazem reflexões contundentes não apenas sobre o papel de homens e mulheres, mas sobre aquilo que é valorizado numa cultura, e aquilo que fica guardado, quase esquecido, como uma marca na parede. Que, no entanto, ali resiste em sua desimportância.

Os outros contos igualmente parecem me trazer reflexões parecidas, como Objetos Sólidos (afinal, quais são esses objetos sólidos para nós? Por que lhes conferimos tanta importância?), quando imaginaríamos um político (pessoas extremamente pré-fabricadas, sobretudo nos tempos de hoje), tão feito à forma natural, moldada ao sabor do acaso. O legado, conto mais "palatável", novamente traz esse enfrentamento ao pensamento masculino de que as mulheres são rasas e incapazes, algo que demonstra também sua versatilidade e domínio narrativo. A dama do espelho parece-me o texto mais enigmático e rico de interpretações, fiquei várias vezes me perguntando se estamos dentro do espelho ou fora dele (enquanto espectadores, e também enquanto vida). As recorrentes ligações que observamos aqui entre os personagens e a natureza e seus movimentos mais uma vez me trazem de volta um desconforto com a modernidade, um desejo de revelar essa vida secreta e imortal, o "coração do poeta", como diria Hilda Hilst. Voltamos então à pergunta, que de certa forma aparece no livro de ensaios, em que espaço nós podemos nossa alma e nossas experiências se revelam? Em quantos prismas estamos divididos? Levados pela imagem petrificada no espelho, ou difusos e quase transparentes no coração de uma natureza tão viva?

Com Woolf, pareço voltar a um lugar recôndito do tempo, um tempo só meu, resgatado pela autora. Para cujo trabalho, o ócio e a observação quase obsessiva parecem ter sido essenciais.

Ressalto também a tradução perspicaz e extremamente cuidadosa do Tomaz Tadeu, cujo trabalho conheço pela primeira vez. Os comentários ao fim do livro também são bastante elucidativos e nos ajudam a apreciar um pouco mais as filigranas da obra.

Recomendadíssimo!
Profile Image for Gabriele.
175 reviews
March 4, 2022
Não tenho muito o que dizer além de: Virginia Woolf é Virginia Woolf e eu amo

Mais uma experiência lendo contos me surpreendendo nesse 2022. Gostei bastante da seleção do Tomaz Tadeu e do posfácio falando sobre esse processo e sobre como os contos aparecem dentro da obra da autora.

É isso

Como o próximo livro do meu projeto pessoal de ler Virginia em ordem cronológica era Mrs Dalloway e eu reli em 2020, decidi colocar A Arte da Brevidade no lugar. Agora sigo no mês que vem com Ao Farol. Sigo também com um desejo muito grande que alguma editora publique os contos completos da Virginia no Brasil de novo. RIP edição cosac naify que eu nunca cheguei a comprar e hoje me arrependo imensamente
Profile Image for Carolina Stephanie.
9 reviews
February 7, 2025
4.5 ⭐️

amei a curadoria. lindo como os contos reunidos na obra são constantemente atravessados por objetos, tornando a escrita delicada
Profile Image for Marcos Vieira.
73 reviews
March 8, 2023

Minha experiência com o material literário de Virginia Woolf é quase zero, então serei breve, e perdão caso fique algo pelo “caminho” nas considerações. Estou ciente que existem muitos admiradores do trabalho da autora, creio que muitos fariam uma postagem com maior aprofundamento, estou convicto do desafio e farei da melhor forma, respeitando minha evolução no assunto.

O livro publicado em 2017 pela editora autêntica é bastante caprichado, entrega ao leitor uma edição bilíngue, com capa dura e tradução de Tomaz Tadeu. Imagino que possa ficar incomum abordar inicialmente atuação do tradutor, vejo que o excelente trabalho de tradução e equipe de elaboração do material foram um dos pontos fortes. É um livro “confortável” de manusear, com uma qualidade incrível, desde o papel utilizado até o projeto gráfico e capa.

O trabalho de Tomaz Tadeu foi fundamental para conceituar os belíssimos contos, foi um diferencial na leitura do leitor “novato”, o cuidado na inclusão das “notas do tradutor” contextualiza e auxilia no entendimento de variações linguísticas no material de Virginia. Apesar de ser uma publicação com 136 páginas, o conteúdo é bem sensível e possui referências de época, em minha experiência, uma busca por material de apoio foi fundamental.

Eu achei os contos com elementos "bem vivos", ricos em detalhes. Os contos de Virginia Woolf foram "materializados' em minha percepção como um "conta-gotas" no desenrolar da trama, lançando miudezas de verdades, como se fossem "migalhas de pão" deixadas por João e Maria.

O gênero narrativo curto, apesar de ter sido explorado pouco em sua carreira, é muito bem utilizado, fiquei próximo de um (no início fiquei um tanto perdido) "labirinto" de ideias e emoções, o que chamou minha atenção foi justamente o fluxo de consciência estruturado. Isso foi um diferencial, desafio que obtive como leitor. Gostei de ler "A arte da brevidade", tenho outros livros de Virginia publicado pela editora autêntica em minha estante, quero muito prestigiar essas belas obras.

Profile Image for gabi.
60 reviews
July 9, 2024
“comtemplado uma e outra vez, semiconscientemente, por uma mente concentrada em alguma outra coisa, qualquer objeto se mescla tão profundamente com a matéria do pensamento que perde sua forma real e se recompõe, um pouco diferentemente, sob uma forma ideal, que se aloja no cérebro quando menos se espera.” (p. 41)

ai que leitura linda!!! comprei esse livro achando que os contos abordariam a brevidade no sentido da brevidade da vida….. e meio que sim meio que não. na verdade acho que a brevidade aqui tratada é pela característica curta dos contos, e o que tem de bonito nessas historinhas de 9 a 15 páginas que nos trazem um fragmento de uma vida, exploram um momento em toda sua intensidade de sons, cores, sensações e formas. a virginia woolf tem sido uma das autoras que mais tenho amado ler pela forma com que ela descreve esse fluxo de pensamentos em cadeia que partem do exterior pro interior e vice-versa, e aqui é muito legal ver ela se experimentando nesses contos breves mas muito intensos. não tem um aqui que eu não tenha amado, mas acho que “a marca na parede” é meu preferido!! muito bala também notar as repetições que se fazem nas diferentes histórias….. a construção do estilo!!! ai eu amooooo ela!!!
Profile Image for igor.
78 reviews
January 30, 2022
Sou apaixonado pela forma com que a Virgínia acaba transformando o "ao redor" em personagem, de modo a lançar um olhar mais detalhado às particularidades e coisas às vezes tão pequenas, simples, como um caco de vidro desenterrado na areia da praia, como uma mancha na parede que nunca havia sido notada, como o nosso reflexo no espelho. Coisas que tiram, nem que por um milésimo de segundo, a nossa atenção do corriqueiro da vida e nos faz pensar no quanto somos minúsculos e efêmeros comparados com a grandeza do mundo. Não havia ainda lido contos dela, esperava que fossem menos potentes, mas a subestimei demais; ademais, estamos falando de Virginia Woolf. Ela conseguiu transformar até contos curtinhos em coisas amplas e multiformes, cheias de delicadeza e sobrecarregadas de um fantástico teor poético.
Profile Image for tH..
93 reviews2 followers
February 5, 2022
ah, Virginia!, e Ó, seu escrever!, tão belo e admirável, sensível e leve enquanto navega os sentimentos humanos e seus pensamentos, Ó, a sutileza! com que comanda suas narrações, entre a racionalização do imediato e o que há em suas entrelinhas, lidas pela mente que abstrai do material e a ele retorna em ciclos de experiência, íntima e natural, observando de maneira exímia sua volta; Ó, observadora exímia e conhecedora das palavras, da narrativa, de cada ponto final e toda reticência!... uma excelente coletânea de contos excelentes, profundamente encantadores.
Profile Image for Paulo Maua.
232 reviews3 followers
July 16, 2024
Para quem nunca tinha lido Virginia Woolf, o começo pela A ARTE DA BREVIDADE em contos escolhidos é muito interessante. A sedução do texto da autora ao longo do enredo e a possibilidade da leitura do original em inglês na página ao lado foram presentes para uma leitura agradável e reveladora.
Profile Image for Gabriela Rodrigues.
26 reviews1 follower
December 12, 2018
a partir da leitura dos contos fui buscar seu mapa astral, as fontes de internet afirmam q ela tem sol em aquário e ascendente em gêmeos, brevidade é seu norte.
Displaying 1 - 17 of 17 reviews

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