Amores impossíveis num Portugal em convulsão, entre o Regicídio e o nascimento da República.D. Manuel II foi o nosso último rei. Tinha dezoito anos, quando mataram seu pai, D. Carlos, e o príncipe real Luís Filipe, em 1908. De súbito, caía sobre a cabeça do jovem a obrigação de reinar um país onde os monárquicos não se entendiam, decadentes, caciques traiçoeiros e republicanos que recorriam a todos os métodos, da grande oratória à intriga mesquinha, para que a República deixasse de ser um sonho. Reinou trinta meses. Teve seis governos e a obrigação de casar com uma princesa. Os reis europeus recusaram-lhe filhas e netas, antevendo a queda da realeza, e, à falta de princesa, apaixonou-se por uma deusa Gaby Deslys. Linda! O amor entre os dois foi o único legado coerente do seu reinado. Rigoberto era o mensageiro que lhe levava notícias do amor distante. Também ele apaixonado por Gardénia. É a história de amizade entre o rei e o mensageiro, assim como as histórias dos amores de ambos, que vos narro neste livro. Até que o amor os separou, a Monarquia caiu e a República nasceu para viver durante 16 anos, com 45 governos, duas ditaduras pelo meio, e oito presidentes da República.
Nasceu em Moura onde estudou até aos quinze anos. Continuou os seus estudos em Beja e depois já casado e com dois filhos em Lisboa, fez o Bacharelato em Biologia, em 1975, tendo sido a partir desse ano, professor do Ensino Secundário, dessa área, até 1978.
Nesse ano ingressou na Polícia Judiciária e foi o primeiro classificado no curso de investigação criminal e formação de inspectores.
Até 1990 pertenceu a brigadas de furto qualificado, assalto à mão armada e homicídios.
Várias vezes louvado, deixou aquela instituição para se dedicar à vida académica.
No entanto, regressa dois anos depois para junto da então direcção da PJ com a incumbência de proceder aos estudos e avaliações do movimento criminal. É nestas funções de assessoria que participa nos Casos de Polícia, programa da SIC que marca uma viragem nas relações entre polícia e comunicação social. Os 12 anos como inspector da Polícia Judiciária, proporcionaram-lhe inúmeras experiências e inspiração para as suas obras de ficção, sendo algumas delas adaptadas para televisão, através da sua produtora Antinomia.
Licenciou-se em História, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Simultaneamente desenvolveu intensa actividade como escritor. Várias vezes premiado em Portugal. Colabora regularmente em vários jornais e revistas nacionais. Desenvolvendo estudos sobre a violência e morte violenta, dirigiu a equipa que identificou e trasladou os mortos do cemitério da Aldeia da Luz, numa das operações científicas mais impressionantes dos últimos anos.
No que respeita à política é independente. Depois de na juventude ter vivido a euforia decorrente do 25 de Abril, com 21 anos, afastou-se de qualquer actividade política. Já depois de ter abandonado a PJ, aceitou por duas vezes integrar, na qualidade de independente, listas do PS à autarquia de Moura mas com o aviso prévio que não estaria disponível para aceitar lugares de acção política. Residindo em Santarém (S. Bento), o PSD deu-lhe apoio.
A 8 de Junho de 2009 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Do Moita Flores falta-me apenas um livro, Polícias sem História. A forma como escreve é atractiva e tão bem escrita que ganhou, desde o primeiro livro, uma fã.
Neste O Mensageiro do Rei, o autor centrou-se na vida amorosa de D. Manuel II e da relação, ficcional, que este teve com um mensageiro dos correios, que tinha como função levar-lhe a correspondência da sua amante.
Escrito de uma forma original, já que o livro é relatado através de um guião cinematográfico, a história é centrada primeiro no ano do regicídio (1908) e da entrada da Primeira República em Portugal.
Nesta fase tumultuosa da nossa história, D. Manuel vê-se "obrigado" a assumir o reinado e a procurar uma noiva com urgência. Não se sente de todo talhado para tal cargo, nem tão pouco com vontade de escolher à pressa uma princesa adequada ao seu estatuto de rei. Acontece que os principais reinos também não se mostram muito interessados em que as suas princesas casem com um rei que poderá estar prestes a deixar de sê-lo e as negociações ficam paradas.
Nesse interregno, D. Manuel conhece uma atriz francesa, nascida em Marselha, já com sucesso nas melhores salas de espectáculo, e se apaixona perdidamente. O amor é recíproco e ambos vivem um verdadeiro amor.
Mais que a relação entre o rei e a atriz, este livro traz a história de um monarca e um simples mensageiro, que presenciou o assassinato do rei D. Carlos e de D. Luís Filipe. Rigoberto é, para mim, a personagem mais cativante. Leva uma vida simples, com um gosto enorme pelo trabalho que faz e pela camaradagem entre os colegas dos correios que me cativou desde o começo. Um homem castiço, com peripécias próprias de um homem com uma vida despreocupada, mas cujo amor por uma rapariga de família lhe traz alguns dissabores. Partilha com o rei o amor impossível.
Este livro não me cativou de todo. Gostei da parte que incluía o romance histórico. Contudo, penso que a outra parte da história que incluía a produção e gravação do filme estragou um pouco o livro. A escrita do autor é muito simples, tornando o ritmo de leitura muito rápido. Não consigo dar mais de duas estrelas porque fiquei desiludida com o livro.
O romance de Francisco Moita Flores “O Mensageiro do Rei”, narra curto reinado de D. Manuel II que não estava destinado a sê-lo, tendo-se iniciado com e dezoito anos, quando mataram seu pai, D. Carlos, e o seu irmão príncipe real Luís Filipe, em 1 de fevereiro de 1908. Com a implantação de república D. Manuel passou ao anonimato ficando o último monarca como um dos menos conhecidos da história recente de Portugal. A narrativa do romance, vai vagueando entre duas histórias amor impossíveis, a de época coincidente com o reinado do D. Manuel II, com a artista francesa Gaby Deslys e a de Rigoberto o mensageiro com a Gardénia filha de um burguês que queria ser conde. Intercalada existe a narrativa passada no tempo atual, que acompanha escrita do guião e as filmagens dessa época histórica, patrocinadas por um neto da antiga amante do rei. Os personagens principais da história passada no tempo atual são o realizador Luís Filipão da Costa que Moita Flores homenageia dois dos seus amigos dessa área, e o argumentista Francisco Montoito, na minha opinião é o alter-ego caricaturado do próprio escritor. Na Wikipédia nada refere a cerca de Gaby Deslys na biografia de D. Manuel II, por curiosidade este último rei tinha vários cognomes: O Patriota, pela preocupação que os assuntos pátrios sempre lhe causaram; O Desventurado, em virtude da Revolução que lhe retirou a coroa; O Estudioso ou o Bibliófilo devido ao seu amor pelos livros antigos e pela literatura portuguesa. Os monárquicos chamavam-lhe O Rei-Saudade, pela saudade que lhes deixou, após a abolição da monarquia. O link (https://osaldahistoria.blogs.sapo.pt/...), com o título “As mulheres de D. Manuel II”, fornece informações adicionais.
O livro divide-se em duas histórias em paralelo, o que torna a leitura muito enfadonha. Não retiro o mérito quer ao autor quer à forma de escrita. O autor tem um tipo de escrita que eu gosto muito, mas a forma como escreveu o livro, não me foi apelativa. De qualquer forma saber como foi e os motivos do regicidio é sempre uma lição de história bem contada.
Este é o 6ª livro que leio do Francisco Moita Flores. Quanto mais o leio mais gosto da sua escrita. Esta é uma obra extraordinária onde o amor e a história de Portugal se complementam. Duas histórias de amor e um marco importante da nossa história onde são recordadas as mais altas figuras que para ele contribuiram. Aconselho vivamente
A forma como a história está construída é bem interessante. Só não leva cinco estrelas por estar sempre a falar nos "americanos" (os veículos de tracção animal que circulavam sobre carris, não os naturais dos E.U.A.) numa época em que já não circulavam em Lisboa.
POR: Sabendo que ia ter oportunidade de conhecer o autor iniciei a leitura das suas obras com a escolha deste livro por ter sido aquele que, pelo período temporal, mais me cativou. Juntando ficção a factos históricos, o autor consegue criar um romance com a Lisboa do início do Séc.XX como pano de fundo. Com um enredo que nos prende ao livro do início ao fim, damos por nós, 100 anos depois, a associar a pandemia que vivemos com a vivida nesse tempo. Proporciona uma boa leitura. Recomendo.
ENG: Knowing that I was going to have the opportunity to meet the author, I started reading his works with the choice of this book because it was the one that, over time, captivated me the most. Combining fiction with historical facts, the author manages to create a romance with Lisbon from the beginning of the 20th century as a backdrop. With a plot that ties us to the book from beginning to end, we find ourselves, 100 years later, associating the pandemic we are experiencing with that experienced at that time. Provides a good reading. I recommend.