Parafraseando a Rita: #RomanceNaAreia
E acrescento: O que é escrito na areia, a onda leva. Bendita seja a Natureza que sabe o que faz.
Apesar do livro ter sido publicado em 1983, a minha nota é a de que o bom carácter é intemporal e a autora esqueceu-se de vestir de preto.
Não obstante a protagonista feminina ser uma mimada pedante, senti empatia pela violência que esta sofre.
Primeiro, pelo ex-marido.
«Saias com pregas fazem com que as tuas ancas pareçam ainda mais largas»(.).Katie protestava, dizendo que não tinha ancas largas, mas, mesmo assim, começou a frequentar um ginásio. «Se cortasses os cabelos bem curtos, o teu queixo não pareceria tão proeminente.» Katie protestava que o seu queixo não era «proeminente», mas cortou os cabelos. «Se apertasses os joelhos, o teu rabo não abanava tanto quando andas.» Katie corrigiu a postura, perguntando-se se ainda continuava a «abanar».
O seu subconsciente registara a raiva controlada nos olhos dele, quando um empregado não o atendia suficientemente depressa num restaurante; tinha observado o aperto nervoso das mãos no volante, quando outro condutor não saía da sua frente(...).
(...)vira-o a desafivelar o cinto e a tirá-lo das presilhas. (...)
- (...) Vais chorar muito, pedir desculpas e dizer que me amas.
E ele tinha razão. Meia hora depois, Katie ainda gritava «amo-te», com o rosto enfiado na almofada, quando a porta do apartamento se fechou atrás dele.
Mais tarde, pelo par romântico da estória. Um machista inveterado.
- Eu não disse que todas as mulheres eram boas cozinheiras, apenas que as mulheres deveriam cozinhar. Os homens deveriam trabalhar para comprar a comida para elas prepararem. É assim que deve ser.
- Como homem, é responsabilidade minha providenciar-te uma casa e toda a mobília. Tu não vais pagar por nada.
- Veste outro - disse ele (...).
- Não - disse Katie (...) - Porque razão o faria?
- Porque eu te pedi.
Até poderia apreciar o livro, como mero educador cívico do que são red flags conjugais, mas a autora passa pano nisto tudo e insiste em tornar esta novela numa bela história de amor terror.
Foi a derrota da razão.