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Eu

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Augusto dos Anjos foi um poeta brasileiro pré-modernista que viveu de 1884 a 1914. Durante sua vida, publicou vários poemas em periódicos, o primeiro, Saudade, em 1900. Em 1912, publicou seu livro único de poemas, "Eu". Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizaria uma edição chamada Eu e Outras Poesias, incluindo poemas até então não publicados pelo autor. Suas poesias trazem marcantes sentimentos de pessimismo e desânimo, além de inclinação para a morte. Com relação à estrutura, pode-se dizer que suas poesias apresentam rigor na forma e rico conteúdo metafórico. Morreu ainda jovem (em 1914) devido a uma enfermidade pulmonar, deixando para trás suas carreiras de promotor público (formou-se em Direito em 1906) e de professor, além de sua única e marcante obra.

131 pages, Paperback

First published January 1, 1912

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About the author

Augusto dos Anjos

51 books64 followers
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos was a Brazilian poet and professor. His poems speak mostly of sickness and death, and are considered to forerun the Modernism in Brazil.

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31 (32%)
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9 (9%)
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3 (3%)
1 star
1 (1%)
Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Bruno Assaz.
96 reviews4 followers
May 25, 2024
Único livro de Augusto dos Anjos publicado em vida, “Eu” é dominado por sonetos, quase todos muito bons. O que não é soneto também é ótimo. Pena ele ter morrido tão jovem, mas morrer deve ter sido interessante ao que muitos definem como o mais estranho poeta brasileiro.
Profile Image for Vinicius Bruno.
182 reviews
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March 17, 2025
10/10 Vermiforme! Já estava muito bom, porém os poemas finais garantiram-lhe minha nota máxima. Por vezes louvando o abismo e o nada, por vezes reconhecendo o vazio em que se colocou e achando pontas de esperança na beleza da Criação; do escárnio ao infinito ao pedido de redenção; da sujeira, do horrível, do escatológico! Do domínio último dos vermes à insignificância humana, da orgia e do hedonismo à vergonha sentida por seus atos, da loucura advinda do enclausuramento à contemplação do Sol!

Obscuro!
Rutilante!
Profile Image for Carla Parreira .
2,547 reviews6 followers
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August 27, 2026
O único livro publicado em vida pelo poeta paraibano Augusto dos Anjos, em 1912, ganha edições póstumas ampliadas sob o título de Eu e Outras Poesias. Formado em direito, mas atuante como professor de língua portuguesa até sua morte precoce por pneumonia aos trinta anos, o autor construiu uma obra singular que se destaca pelo tom profundamente pessimista, angustiado e fatalista.

A obra inicia-se com o extenso poema Monólogo de uma sombra, responsável por ditar a atmosfera sombria do volume. O eu lírico assume a perspectiva de uma sombra, associada ao inconsciente e ao lado obscuro da psique humana. Ao longo da leitura, é recorrente o emprego de um vocabulário inusitado para a poesia de sua época, incorporando termos cruamente materiais e orgânicos, como saliva, esterco, larvas, podridão e cancro. Essa linguagem expressa a repulsa pela existência e o fascínio pela inevitabilidade da deterioração da carne, demonstrando como a matéria e a morte se impõem de forma irrevogável sobre a subjetividade humana.

Essa visão de mundo atinge seu ápice em composições famosas como Agonia de um filósofo, O morcego e Psicologia de um vencido. Nesta última, o ser humano é definido simultaneamente por sua constituição biológica e química e por sua dimensão espiritual dramática, embora a efemeridade física prevaleça sobre a alma. O pessimismo incisivo impede a celebração do amor ou do prazer, retratados como ilusões ou ameaças. Mesmo memórias da infância ou a trágica perda de um filho recém-nascido são abordadas sem sentimentalismo, com um olhar focado na condição efêmera e perecível da matéria.

A poesia de Augusto dos Anjos expressa uma dimensão cósmica na qual o indivíduo é reduzido a uma existência insignificante diante das leis implacáveis do universo. Do ponto de vista formal, a obra combina o rigor métrico e o uso de rimas ricas e complexas a um vocabulário oriundo da biologia, da física e da química. O uso constante de hipérboles intensifica o caráter dramático dos versos. Embora dialogues com o simbolismo, o parnasianismo, o romantismo e o realismo, a obra é frequentemente classificada dentro do pré-modernismo por sua ruptura estética e originalidade temática, antecipando a liberdade criativa que caracterizaria a literatura brasileira nas décadas seguintes.
Profile Image for Umbra Kil.
16 reviews
December 17, 2022
E' bem possível que eu um dia cégue.

No ardor desta lhetal tórrida zona,

A cor do sangue é a cor que me impressiona

E a que mais neste mundo me persegue!


8/10
Profile Image for isabella.
131 reviews8 followers
June 28, 2023
perfeição. nada a acrescentar, exceto: edgar allan poe sonha em chegar aos pés de nosso augustinho. eu te amo, primo gótico distante.
Displaying 1 - 6 of 6 reviews