Augusto dos Anjos foi um poeta brasileiro pré-modernista que viveu de 1884 a 1914. Durante sua vida, publicou vários poemas em periódicos, o primeiro, Saudade, em 1900. Em 1912, publicou seu livro único de poemas, "Eu". Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizaria uma edição chamada Eu e Outras Poesias, incluindo poemas até então não publicados pelo autor. Suas poesias trazem marcantes sentimentos de pessimismo e desânimo, além de inclinação para a morte. Com relação à estrutura, pode-se dizer que suas poesias apresentam rigor na forma e rico conteúdo metafórico. Morreu ainda jovem (em 1914) devido a uma enfermidade pulmonar, deixando para trás suas carreiras de promotor público (formou-se em Direito em 1906) e de professor, além de sua única e marcante obra.
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos was a Brazilian poet and professor. His poems speak mostly of sickness and death, and are considered to forerun the Modernism in Brazil.
Único livro de Augusto dos Anjos publicado em vida, “Eu” é dominado por sonetos, quase todos muito bons. O que não é soneto também é ótimo. Pena ele ter morrido tão jovem, mas morrer deve ter sido interessante ao que muitos definem como o mais estranho poeta brasileiro.
10/10 Vermiforme! Já estava muito bom, porém os poemas finais garantiram-lhe minha nota máxima. Por vezes louvando o abismo e o nada, por vezes reconhecendo o vazio em que se colocou e achando pontas de esperança na beleza da Criação; do escárnio ao infinito ao pedido de redenção; da sujeira, do horrível, do escatológico! Do domínio último dos vermes à insignificância humana, da orgia e do hedonismo à vergonha sentida por seus atos, da loucura advinda do enclausuramento à contemplação do Sol!
O único livro publicado em vida pelo poeta paraibano Augusto dos Anjos, em 1912, ganha edições póstumas ampliadas sob o título de Eu e Outras Poesias. Formado em direito, mas atuante como professor de língua portuguesa até sua morte precoce por pneumonia aos trinta anos, o autor construiu uma obra singular que se destaca pelo tom profundamente pessimista, angustiado e fatalista.
A obra inicia-se com o extenso poema Monólogo de uma sombra, responsável por ditar a atmosfera sombria do volume. O eu lírico assume a perspectiva de uma sombra, associada ao inconsciente e ao lado obscuro da psique humana. Ao longo da leitura, é recorrente o emprego de um vocabulário inusitado para a poesia de sua época, incorporando termos cruamente materiais e orgânicos, como saliva, esterco, larvas, podridão e cancro. Essa linguagem expressa a repulsa pela existência e o fascínio pela inevitabilidade da deterioração da carne, demonstrando como a matéria e a morte se impõem de forma irrevogável sobre a subjetividade humana.
Essa visão de mundo atinge seu ápice em composições famosas como Agonia de um filósofo, O morcego e Psicologia de um vencido. Nesta última, o ser humano é definido simultaneamente por sua constituição biológica e química e por sua dimensão espiritual dramática, embora a efemeridade física prevaleça sobre a alma. O pessimismo incisivo impede a celebração do amor ou do prazer, retratados como ilusões ou ameaças. Mesmo memórias da infância ou a trágica perda de um filho recém-nascido são abordadas sem sentimentalismo, com um olhar focado na condição efêmera e perecível da matéria.
A poesia de Augusto dos Anjos expressa uma dimensão cósmica na qual o indivíduo é reduzido a uma existência insignificante diante das leis implacáveis do universo. Do ponto de vista formal, a obra combina o rigor métrico e o uso de rimas ricas e complexas a um vocabulário oriundo da biologia, da física e da química. O uso constante de hipérboles intensifica o caráter dramático dos versos. Embora dialogues com o simbolismo, o parnasianismo, o romantismo e o realismo, a obra é frequentemente classificada dentro do pré-modernismo por sua ruptura estética e originalidade temática, antecipando a liberdade criativa que caracterizaria a literatura brasileira nas décadas seguintes.