Este livro foi editado em 1944 e foi considerado imoral e um atentado ao pudor.
Em plena ditadura fascista, Portugal era um país provinciano e moralista. Depois de o ler, não me espanta que tenha causado polémica e que os seus livros tenham sido censurados.
É no entanto incompreensível que, nos nossos dias, seja desconhecida e os seus livros difíceis de encontrar.
Esmeralda é uma rapariga do campo que vai viver para Lisboa, para casa de uma tia. Esta parente mais abastada, precisa de alguém que a ajude a tratar da sua casa e lhe faça companhia. A troco disso promete que a ajudará a preparar o seu futuro.
Esmeralda é bonita e ambiciosa, depressa percebe que só conseguirá deixar de ser criada se encontrar um bom partido para casar. E nem pensar em voltar para a aldeia.
Não faltam homens que admirem a sua beleza, mas nem todos têm boas intenções.
Estamos perante uma caracterização bastante detalhada e precisa dos papéis das mulheres na sociedade, em meados do século XX. A escrita é simples e o enredo cativante. Sem pudor ou subterfúgios, a autora retrata como viviam as mulheres, o que delas era esperado, aquilo a que podiam aspirar.
Citando Maria Teresa Horta no Prefácio deste livro, Maria Archer teve a coragem,
"De mostrar. De pôr a nu, enquanto mulher, sem imposturas, numa escrita espontânea e frontal, num tempo em que as mulheres eram tratadas entre nós (e não só...), conforme a sua classe social: ora como boneca, fada-do-lar, ser Intocável, dessexualizada e boazinha, ora como besta de carga, pau para toda a obra, ora ainda como mulher de má vida, mau porte, desonesta, a quem as portas das honradas casas se fechavam."
Este é um livro que, infelizmente, apesar de todo o caminho feito, ainda é actual.