Como são preparadas as reportagens? Como são sentidas pelos repórteres? Que contrariedades enfrentam? Vinte e quatro jornalistas de várias gerações oferecem-nos um relato vivo sobre o que acontece no terreno, dando-nos a conhecer melhor uma profissão que, numa época de informação fácil e barata, mas ao mesmo tempo tão perigosamente manipulável, nunca foi tão importante para a democracia. José Pedro Castanheira conta-nos como descobriu num português um dos primeiros terroristas recrutados pela Al Qaeda provando que um jornalista está disposto a ir até ao fim do mundo por uma boa história. Cândida Pinto recorda como, na Líbia em 2011, dispensar o colete antibala, num dia em que os termómetros atingiam os 40 graus, lhe podia ter custado a vida. Será sempre difícil explicar a um irmão (como tentou Sofia Lorena), ou a qualquer outra pessoa, porque é que o jornalista tem de correr para os lugares de onde todos os outros fogem. A única resposta é: por ser jornalista. Vítor Serpa devia ter sido "apenas" o correspondente que cobria as provas de natação na Argentina, em 1982, mas acabaria a reportar o ambiente de guerra criado pelo conflito entre a Argentina e o Reino Unido por causa das Malvinas. As fotografias de Mário Cruz, vencedor do World Press Photo, atestam o tanto que uma boa reportagem tem a fazer pelo mundo. Por sua conta e risco, registou as crianças acorrentadas no Senegal. O que gravou com a sua máquina fotográfica serve hoje para o governo combater este tipo de opressão. Tudo por Uma Boa História é uma travessia original pelo que de melhor se faz no jornalismo em Portugal. O leitor encontrará aqui dúvidas, angústias, medos, mas também conquistas, prazer e sabedoria, pela voz dos que vivem de contar o mundo aos outros.
ANABELA NATÁRIO nasceu em Lisboa, em 27 de Janeiro de 1960. Concluiu o Curso Superior de Jornalismo, na Escola Superior de Meios de Comunicação Social, à data, a funcionar na Faculdade de Letras de Lisboa.Tem a Carteira Profissional de Jornalista número 683. Iniciou-se no jornalismo em 1981, no Correio da Manhã. Daí passou para a Agência Lusa e, em 1989, integrou a equipa fundadora do jornal Público. Em 1996, fez uma paragem no jornalismo para desempenhar o cargo de adjunta do presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Depois, foi fundadora do jornal 24 Horas, de onde saiu para trabalhar numa empresa «fornecedora de prosa» que entretanto criara, a Énetextos. Colaborou ainda em diversos jornais e revistas, sendo actualmente editora do Courrier Internacional.