Desde pequeno, Matheus Leitão ouvia as expressões "perseguição", "prisão" e "porão" sussurradas por seus pais, os jornalistas Marcelo Netto e Míriam Leitão. A assustadora palavra "tortura" apareceu bem mais tarde. Movido pela curiosidade de compreender o passado, o jovem perguntador passou a recolher retalhos de uma história dolorosa, que se iniciou em 1972, no Espírito Santo, quando os pais militavam no PCdoB. Delatados por um companheiro, foram presos e torturados. Na ocasião, Míriam estava grávida de Vladimir, o primeiro filho do casal.
Matheus também seguiu a carreira de jornalista, dedicando-se a reportagens sobre direitos humanos e ditadura. Em nome dos pais é resultado de suas incansáveis investigações, que começam pela busca do delator e seguem com a localização dos agentes que teriam participado das sessões de tortura de seus pais. Passado e presente se entrelaçam nessa obra, que reconstitui com rigor eventos do início dos anos 1970 e, ao mesmo tempo, apresenta a emocionante peregrinação do autor pelo Brasil atrás de respostas.
Uma história sobre pais e filhos, sobre reconciliação e responsabilidade, sobre encontros impossíveis. É também uma história sobre um país que ainda reluta em acertar as contas com um passado obscuro.
Não é meu livro favorito sobre o assunto, ainda prefiro "Ainda estou aqui", Marcelo Rubens Paiva. Mas de forma alguma isso tira seu mérito. "Em nome dos pais" é um livro tocante, com extensa pesquisa histórica, detalhado e muito necessário. Apesar de toda dor e sofrimento envolta na prisão e tortura do período e seus pais, sentimentos como amor, coragem, perdão e os valores mais simples transbordam do livro. Impossível não se emocionar em diversas passagens, impossível não sentir vergonha de tudo isso. Recomendo a leitura., pois como diz Matheus, jamais devemos esquecer.
Meu total respeito e admiração pelo Matheus, Miriam, Marcelo e toda a sua família. Confesso que comprei esse livro com pouquíssimas expectativas, tanto que achei que nem leria e seria apenas mais um na estante. Mas ainda bem que resolvi lê-lo, me arrebatou desde as primeiras páginas. A busca de Matheus por respostas é a busca de um país por respostas, por esclarecimentos de uma história tão tragicamente ocultada. Muito bom! Recomendo a leitura!
Com a foto de Miriam Leitão e o sobrenome do autor na capa chamaram minha atenção e fiquei interessado em conhecer sua história. Em Nome dos Pais é um livro reportagem narrado pelo filho de Miriam e seu único objetivo é resgatar a história dos pais que sofreram nas mãos da ditadura. Sua busca durou muito tempo e teve como base os papeis do processo aberto na época da ditadura e depoimentos de Miriam e Marcelo e também de amigos e familiares que vivenciaram os dramas da época. Matheus passou muito tempo tentando conseguir informações dos próprios pais que tinham dificuldade de falar sobre o período. Mais desafiante ainda foi conseguir entrevistar os algozes e colegas que entregaram os amigos de partido para a ditadura. No livro, duas passagens são marcantes: a entrevista de Foedes que confessa ter dedurado todos os colegas de partido e uma carta escrita por Miriam onde ela relata uma de suas noites de tortura. O livro é válido para conhecermos fatos e relatos sobre o período do regime militar e para nos fazer valorizar a liberdade de expressão que temos atualmente. A escrita do autor é fluida, mas carregada de uma dramaticidade pessoal. A leitura por vezes foi cansativa, pois Matheus floreava e relatava com muitos detalhes sua busca por informações.
falar sobre a ditadura, até hoje, é algo que traz dor e revolta pelo o que aconteceu e pelo o que não aconteceu àqueles que cometeram tragédias contra outros da sua mesma espécie. Matheus traz uma ótica extremamente pessoal que faz refletir sobre o princípio e o propósito da vida humana, de que o perdão é a resposta para a paz individual e, consequentemente, coletiva. contudo, o perdão não deve nunca ser atrelado ao esquecimento, pois com o esquecimento vem a repetição de um passado horrendo e dissimulado.
Livro difícil de ler pela dor e agonia em cada página. O diário de um filho na busca pela história dos seus pais, a biografia de uma geração e de um país, uma história que ainda assombra justamente por ter sido escondida e negada. Fica como consolo as palavras da própria Miriam Leitão: “é mais forte e impactante o gesto da pessoa que te estendeu a mão no escuro do que o do outro que te colocou no escuro”.
O livro pelo que representa é importantíssimo e tem um conteúdo muito bonito porém a maneira da escrita, como a história foi se desenrolando e a religiosidade do matheus leitão não falaram diretamente comigo, talvez eu não seja o público pra quem ele escreveu mas o seu conteúdo de pesquisa me fez ler até o final.
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O livro é um trabalho jornalístico muito bem estruturado e uma mostra uma busca bastante intensa por respostas de um passado muito sombrio. Pra mim o que fica é a ideia de que pra cicatrizar feridas profundas, é preciso cutucá-las onde dói mais. E o resultado pode ser surpreendente. O defeito pra mim aqui é que o autor peca pelo excesso ao descrever algumas situações banais, que não agregam muito na história e deixam o leitor mais cansado do que interessado. É um⭐️ 3,5
O cara foi brabo indo atrás de todos os que torturaram os pais dele, autojornalismo de primeira qualidade! Spoiler: ele ficou cara a cara até com o Ustra!
Um pouco personalista, esse livro tenta explicar como a ditadura impactou particularmente a família Leitão, sem deixar de fazer uma homenagem às várias pessoas que passaram por eles pelo bem e apontar os que passaram para o mal.