Um dos poetas mais importantes e estudados do país em novo projeto gráfico A banalidade, o pessimismo, a morte, o escatológico, a ciência e o cotidiano são as principais matérias-primas para Augusto dos Anjos, autor paraibano que desafiou, de forma corajosa e independente da crítica, os formatos, as convenções e as temáticas tradicionalmente associadas à poesia de então. Contemporânea e ao mesmo tempo retrato de uma época, a obra de Augusto mantém-se questionadora e, portanto, necessária. A presente coletânea, cuja organização e prefácio são de Ferreira Gullar, é de enorme importância histórica e literária. Um verdadeiro presente.
Editora : José Olympio; 6ª edição (19 agosto 2011) : PortuguêsCapa comum : 318 páginasISBN-10 : 8503010941ISBN-13 : 978-8503010948Dimensões : 20.8 x 13.4 x 2 cm
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos was a Brazilian poet and professor. His poems speak mostly of sickness and death, and are considered to forerun the Modernism in Brazil.
Há muitos anos não relia Augusto dos Anjos, revisitando-o percebi que ele é meu segundo poeta brasileiro favorito (só perde para a Hilda Hilst, é claro) e o quanto ele influenciou na construção da minha personalidade e do meu humor peculiar. Um dos grandes, sem dúvida. O plus dessa edição: um texto arrasador do Ferreira Gullar esmiuçando dos Anjos por 80 páginas.
Li na época em que estive mais doente. Com muitas dores e medos. Desconhecendo ainda o que me adoecia. Sentia que os poemas pioravam tudo, e várias vezes pensei em parar. Talvez por isso minha impressão ressentida de que Augusto é um autor verborragico, dramático, fúnebre, e que lê-lo foi uma experiência sofrida. Marquei vários poemas, no entanto, pois sentia-me de fato nesse cemitério de musgos e protozoários, vivenciando na pele tantas escatologias, embora não estivesse tao ressentida e desgostosa com a vida como seus poemas. Conversava com o poeta: por que sofre tanto esse infeliz? Às vezes ficava revoltada com tanto drama. Parecia às vezes um menino brincando com às próprias fezes, brincando de.morte, sem estar morrendo de fato. As rimas me pareciam estapafúrdias, para além de inusitadas, e tudo em Augusto foi uma surpresa fúnebre. Chegou tão fundo nesse pântano de lágrimas que muitas vezes não o suportei, aferrada como estava a continuar vivendo.
Começo dizendo que Augusto dos Anjos foi um dos maiores poetas em toda a história da nossa língua. Seus versos são muito refinados, com uma predileção pelo soneto; a forma do poema é sempre fantástica nas obras do autor. Além disso, suas rimas são fantásticas, conseguindo realizar rimas muito impressionantes. O poeta foi um revolucionário, usando palavras do cotidiano brasileiro à época, contrapondo-se à formalidade parnasiana; palavras como esterco, escarro e outras demonstram bem isso. Os temas abordados são os mais ricos: seus versos transbordam filosofia e são os mais reflexivos que já li, havendo uma grande influência de Schoppenhauer, abordando temas como solidão, amor, dor de amar, natureza humana, a arte de escrever, sofrimento, a dor da existência, morte, saudade e muitos outros. Ademais, ele usa, muitas vezes, uma abordagem científica usando um vocabulário também científico, o que enriquece demais a obra completa desse grande escritor! Poeta sem par! Leitura difícil, mas vale a pena!
Eu já havia lido Eu e Outras poesias há muito tempo atrás, então foi um ótimo retorno. Ele trabalha um tema com diligência e de todos os ângulos, exceto na obra imatura. Nela há menos do estilo próprio, e é mais evidente as influências que recebeu, o que é uma experiência por si só. Ele tem uma angústia que não sei se alguém poderia curar, ou se isso é apenas a maneira que ele quis se apresentar ao mundo, e esse material ressoa em que lê de maravilhosamente.