Esta antologia reúne um conjunto de pequenos excertos de grandes clássicos do pensamento que integram o património intelectual da liberdade na cultura ocidental.
Trata-se de uma composição de autor(es) e não de uma compilação académica. Não se procurou fazer um levantamento exaustivo guiado por coordenadas científicas, nem mesmo basear o trabalho em um esforço prévio de investigação. A selecção dos protagonistas e dos textos reflete as orientações intelectuais, as preferências estéticas e sobretudo as limitações culturais e logísticas dos organizadores.
À Procura de liberdade é um livro que reúne um conjunto de pequenos textos de vários pensadores, desde o ano 431 a. C. até à atualidade. Estes textos versam sobre a liberdade, isto é, sobre a perceção que os indivíduos foram atribuindo ao significado da palavra liberdade, embora associada, umas vezes à liberdade individual e outras à liberdade coletiva.
Dos 54 textos, o que mais gostei foram: Política (Aristóteles, 350 a. C.), A Vida Feliz (Séneca 58 d. c.), Resposta à Pergunta Que é o Iluminismo (Immanuel Kant, 1784), Uma Apologia aos Direitos da Mulher (Mary Wollstonecraft, 1792), O Crepúsculo dos Ídolos (Frieddrich Nietzsche, 1889), O Ser e o Nada (Jean-Paul Sartre, 1943), O Segundo Sexo (Simone de Beauvoir, 1949), Força Para Amar (Martin Luther King, Jr, 1963) Conta – Corrente I (Vergílio Ferreira, 1980).
Endereço-vos o Conta-corrente I
Tu és livre e deves, portanto, libertar-te. A liberdade começa em perceberes o que te oprime. Não bem em haver opressão, mas em reconhecê-lo como tal. Porque pode haver opressão e tu julga-la uma fatalidade; porque pode haver opressão e convencerem-te de que é necessária para a liberdade que te prometem. Só a liberdade absoluta é um perpétuo horizonte, para lá de todos os horizontes, que é o horizonte impossível. Mas é nos limites humanos que tu hás- de querer ser livre e esses são os limites do homem, ou seja, do possível. Por isso não aceites que te inventem a liberdade, mas apenas que te ajudem na tua libertação. Não admitas que ninguém seja livre por ti, mas assume tu próprio essa difícil dignidade….
Ninguém é livre sozinho, porque o é apenas com os outros. Assim, só com os outros tu poderás ser. Mas ser livre com os outros não é serem-no os outros por ti…
Que a tua liberdade comece no pão que te espera à mesa e persista no desconhecido que te espera na rua; na palavra que pensaste e naquela que disseste; na paz do teu sono e na agitação da vigília; naquilo que és tu e naquilo que mostras ser.
Que a distância de ti a ti seja por ti preenchida e nunca pela polícia ou um diretor de consciência – seu irmão.
Tu és livre. É, portanto, do teu dever libertares-te.
Um livro que prometia... Uma antologia de textos do cânone filosófico ocidental sobre liberdade podia ser muito interessante. Resumida a 100 páginas, com pequenos textos que vão de Tucídides (ca 431 ac) a Michel Foucault (1975) sem qualquer contexto, torna-se uma leitura, por vezes, cansativa e difícil, consoante as teses de alguns pensadores