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Alma

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A memória nostálgica dos lugares encantatórios de Alma, a vila da infância. Dessa infância, donde vêm as imagens e as emoções que norteiam a vida. Toda a não há flecha que não tenha o arco da infância.

172 pages, Paperback

First published November 1, 1995

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About the author

Manuel Alegre

76 books71 followers
MANUEL ALEGRE nasceu a 12 de Maio de 1936 em Águeda. Fez os estudos secundários no Porto, altura em que fundou, com José Augusto Seabra, o jornal Prelúdio. Do Liceu Alexandre Herculano, do Porto, passou a Coimbra, em cuja Universidade foi estudante de Direito, de par com uma grande actividade nas áreas da política, da cultura e do desporto. Destacado elemento dos movimentos estudantis, fez parte da Comissão da Academia que apoiou a candidatura de Humberto Delgado a presidente da República; foi um dos fundadores do Centro de Iniciação Teatral da Universidade de Coimbra (CITAC) e membro do Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), foi ainda director do jornal A Briosa, redactor da revista Vértice e colaborador da Via Latina; praticante de natação, representou a Académica em provas internacionais.

Em 1962, foi mobilizado para Angola, tendo aí participado numa tentativa de revolta militar, pelo que esteve preso no forte de São Paulo de Luanda, cárcere onde conheceu Luandino Vieira, António Jacinto e António Cardoso. Libertado da cadeia angolana, foi desmobilizado e enviado para Coimbra em regime de residência fixa. Em 1964, exilou-se para Argel, onde viveu dez anos. Ali seria dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), presidida por Humberto Delgado, e principal responsável e locutor da emissora de combate à ditadura de Salazar, A Voz da Liberdade. Após o 25 de Abril, regressou a Portugal, passando a dedicar-se à política no seio do Partido Socialista de que é membro da Comissão Política. Foi Secretário de Estado da Comunicação Social e Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro para os Assuntos Políticos do I Governo Constitucional (1976-1978), deputado à Assembleia da República (1976-2009) e membro do Conselho de Estado, do Conselho das Ordens Nacionais e do Conselho Social da Universidade de Coimbra. Em 2006 foi candidato à Presidência da República, obtendo 20,7% dos votos, tendo-se recandidato em 2011, onde obteve 19,7% dos votos.

Foi o primeiro português a receber o diploma de membro honorário do Conselho da Europa. Entre outras condecorações, recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (Portugal), a Comenda da Ordem de Isabel a Católica (Espanha) e a Medalha de Mérito do Conselho da Europa.

Como poeta, começa a destacar-se nas colectâneas Poemas Livres (1963-1965), publicadas em Coimbra de par com o «Cancioneiro Vértice». Mas o grande reconhecimento dos leitores e da crítica nasce com os seus dois volumes de poemas, Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967), logo apreendidos pelas autoridades, mas com grande circulação nos meios intelectuais. Começando por tomar por base temática a resistência ao regime, o exílio, a guerra de África, logo a poesia de Manuel Alegre evoluiria num registo épico e lírico que bebe muito em Camões e numa escrita rítmica e melódica que pede ser recitada ou musicada. Daí ser tido como o poeta português mais musicado e cantado, e não só em Portugal, mas também, por exemplo, na Galiza (Grupo «Fuxan Os Ventos») e na Inglaterra (Tony Haynes, BBC). Daí Urbano Tavares Rodrigues: «Os dois grandes veios que alimentam a poesia de Manuel Alegre, o épico e o lírico, confluem numa irreprimível vocação órfica que dele faz o mais musical (e o mais cantável) dos poetas portugueses contemporâneos.»

Estreando-se na ficção com Jornada de África, em 1989, Manuel Alegre não deixa de arrastar para a prosa e pela prosa a sua vocação fundamental de poeta. «A poesia é a sua pátria», lembra Marie Claire Wromans, e confirma-o a prosa de A Terceira Rosa.

Para além das revistas e jornais já citados, Manuel Alegre tem colaboração dispersa por muitos outros jornais e revistas culturais, de que destacamos: A Poesia Útil (Coimbra, 1962), Seara Nova, o suplemento do Diário Popular «Letras e Artes», Cadernos de Literatura (Coimbra, 1978-), Jornal de Poetas e Trovadores (Lisboa, 1980-) e JL:

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45 (18%)
4 stars
104 (42%)
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2 stars
19 (7%)
1 star
6 (2%)
Displaying 1 - 23 of 23 reviews
Profile Image for Luís.
2,380 reviews1,372 followers
January 24, 2023
"Alma" is a great novel: it is the story of provincial land, at a given historical moment, with its characters, rhythm, landscapes, the river, animals, especially fish and birds, and a certain nostalgic halo of childhood, recreated by an intact, clear, selective memory, precise in the minor details. There will be a temptation to identify 'Alma' with the city of Águeda: a grave mistake. 'Alma' is an excellent novel of genuine fiction, creative, original, transfigured".

Mário Soares
Profile Image for Teresa.
1,492 reviews
January 27, 2019
Li apenas três capítulos (50 páginas).
Para futebol, caça, política e bruxas não tenho uma migalha de paciência.
Profile Image for Sara Jesus.
1,681 reviews123 followers
July 20, 2018
Um dos romances que mais representam Portugal. O fado, o futebol, a religião e a política.

Passa-se do período da República a Ditadora. Demonstra com realismo o papel de Salazar e da Pide. Aborda o lápis azul e o descontentamento do povo.
Profile Image for margarida.
16 reviews7 followers
Read
January 2, 2024
um retrato emotivo e bem-composto de uma pequena aldeia portuguesa (“alma”) no decorrer dos anos 40, cheio de nostalgia e personagens admiráveis. manuel alegre mostra-nos, através dos olhos de duarte de faria, um portugal esperançoso por uma mão amiga dos aliados, salvação que nunca chegou.

lembrou-me do meu avô, meu eterno melhor amigo, vítima das injustiças do regime salazarista. porque é que nem todos tinham sapatos? porque é que apenas 2 prosseguiram os estudos? a tragédia da pobreza e a fraqueza de um povo oprimido manchou gerações, roubou sonhos e destruiu vidas.

já reiterava gonçalo pena: “é preciso responder à violência reacionária com violência revolucionária.” que esta ideia nos acompanhe sempre, bem como a memória de abril.
Profile Image for Ivo Teixeira.
2 reviews
June 24, 2021
Eu não costumo escrever reviews por achar que não tenho nada a acrescentar ao que já foi dito por outros leitores. Mas este livro é absolutamente MAGNÍFICO. Se não leram, leiam, é o melhor conselho que posso dar.
Profile Image for Alexandra Maia E Silva.
430 reviews
July 29, 2023
Alma de Manuel Alegre
Com Alma cheguei aos 100 em 2023
Gosto de números redondos, por isso o 100 tinha de ser especial
O ano passado foi Steinbeck
Este ano calhou mas depois forcei que fosse Manuel Alegre, quanto mais leio mais gosto, já era apaixonada pela poesia, agora é a sua prosa que ganha força, que me dá força.
Alma, rio Alma, a terra, a infância, os pais as avós, os amigos, a escola, aquilo que nos forma, as memórias que tal como a Alma fazem parte de nós, aquilo que nos marcou mais, um cheiro, os sabores, as curvas da rua, a luz que escoa entre os ramos de uma árvore na primavera que não é a mesma no outono.
As nossas memórias mais antigas, as que guardamos com carinho, as que nos fazem sentir raiva, as que nos fazem ficar de olhos rasos, mas sem dúvida as que nos marcaram e marcam ainda, agora e para sempre, ainda que o agora seja quase o para sempre da nossa infância.

Em Alma Manuel Alegre fala da infância entre a 1ª e a 4ª classe, de política, da guerra, da ditadura, de vida na aldeia que perdida no meio de Portugal era tudo menos indiferente à situação. Um relato pessoal, biográfico, riquíssimo. Aquilo que talvez seja o que alguns chamam de Mémoires, memórias mais que biográfico.

Difícil no íncio, compulsiva no meio, suave no final, uma leitura, mais uma que me encheu a Alma
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews85 followers
September 22, 2014
Beatriz Canas Mendes

"Oferecido por uma amiga que conhece mais ou menos as minhas preferências literárias, senti-me impelida a lê-lo o mais brevemente possível. Portanto, mal o recebi, iniciei de imediato a leitura, sem quaisquer expectativas, excepto aquelas que a minha amiga me assegurava poder ter. Ainda por cima, nunca lera nenhuma obra de Manuel Alegre.
Deste modo, "Alma" tornou-se uma enorme surpresa. A princípio, confundi-o com um livro autobiográfico, de memórias - só depois me apercebi de que, apesar de baseado na infãncia do autor, não passava disso. O sarcasmo com que o narrador, ou Duarte Faria, ou o próprio Manuel Alegre, retratam a aldeia de Alma e as suas personagens é inigualável, subtilmente inigualável. Os relatos devoram-se, numa escrita do mais fluído que já li nos meus (ainda poucos) anos de vida. Melhor do que lerem esta "review" será lerem mesmo o livro :) 4,5 estrelas em 5."

Regina

"As memórias de uma infância... É com custo que nos despedimos das personagens. Um livro que nos prende."


Catia Ferreira

"O único livro que já li de Manuel Alegre, mas sem dúvida, um dos meus preferidos entre todos os que já li. O tema, é do meu interesse, aliás, tudo o que tenha a ver com História é do meu interesse, quanto mais da época Salazarista. Contudo, é necessário dizer que a escrita de Alegre também contribui muito para que o livro se devore em poucas horas, descobrindo curiosidades sobre o escritor e desvendando a alma de Alma".

Isabel Maia

"Ao longo de 174 páginas, Manuel Alegre faz desfilar diante dos nossos olhos as recordações de infância de um menino chamado Duarte de Faria. Os sons e costumes da aldeia, os jogos de futebol nas tarde de Domingo, a política, a família, a escola, as brincadeiras, as descobertas próprias da idade. O dia-a-dia na pacata aldeia de Alma, em plena época de Estado Novo".


Eugénio

"Livro de leitura leve, por não precisar de um exercício muito grande de atenção por parte do/a leitor/a. Isto facilita muito a proximidade do leitor aos personagens, o que dá bastante jeito por se tratar de um livro contruído como uma recordação da infância do narrador. Gostei bastante".
Profile Image for Beatriz.
313 reviews98 followers
June 29, 2013
Oferecido por uma amiga que conhece mais ou menos as minhas preferências literárias, senti-me impelida a lê-lo o mais brevemente possível. Portanto, mal o recebi, iniciei de imediato a leitura, sem quaisquer expectativas, excepto aquelas que a minha amiga me assegurava poder ter. Ainda por cima, nunca lera nenhuma obra de Manuel Alegre.
Deste modo, "Alma" tornou-se uma enorme surpresa. A princípio, confundi-o com um livro autobiográfico, de memórias - só depois me apercebi de que, apesar de baseado na infãncia do autor, não passava disso. O sarcasmo com que o narrador, ou Duarte Faria, ou o próprio Manuel Alegre, retratam a aldeia de Alma e as suas personagens é inigualável, subtilmente inigualável. Os relatos devoram-se, numa escrita do mais fluído que já li nos meus (ainda poucos) anos de vida. Melhor do que lerem esta "review" será lerem mesmo o livro :) 4,5 estrelas em 5.
Profile Image for ana beatriz.
107 reviews27 followers
March 14, 2018
《Senti um aperto na garganta ao passar a ponte. Olhei o rio, a nora, os salgueiros, os campos. Alma, dizia eu. Como quando era pequeno e dizia mãe.》
Profile Image for Ricardo Coelho.
9 reviews
January 23, 2023
Notas:

- As rotinas da casa não eram suficientes para tanta energia. E por isso não sei se ela chegou a perceber que a falta de ambição do meu pai era uma atitude artística, um corte estético com o cinzentismo do dia a dia e com a mesquinhez de uma vida regida pela ganância e pelo espírito burguês do lucro, do sucesso e da carreira. (pág.31)

- A morte dos pais, sobretudo da mãe, minha avó Leonor, baronesa de Riba Rio, e a decadência patrimonial que se seguiu, levaram o meu pai a desinteressar-se de qualquer forma de vida profissional activa, salvo o estritamente necessário para garantir o sustento da família. De certo modo ele ficou sempre do outro lado, sem um queixume pelas quintas, os cavalos e os palácios perdidos. Sem azedume, nem inveja, nem sequer amargura. Apenas uma indisfarçavel melancolia. (pág. 32)

- Para me perceber a mim mesmo não posso esquecer que nasci e fui criado entre a tensão da energia e o desprendimento da contemplação (...) energia e melancolia, acção e desinteresse, agitação e desprendimento. (pág. 32)

- (...) e eu, propenso já ao romantismo, ao devaneio, senão mesmo ao desvario, pensava: moira encantada. (pág. 85)

- A minha mãe teve sempre para mim grandes desígnios. Quais eles fossem não sei. Nem ela própria o saberia. Era uma força que vinha dentro dela, uma obstinação. Ela queria grandes coisas para mim, um destino, talvez um milagre. Transmitiu-me desde pequeno essa crença em algo de superior que me esperava ou que eu devia cumprir. Talvez por isso vivia sempre numa tensão extrema, creio que muitas vezes à beira da ruptura. Por vezes desorganizava-se, adoecia. Ela não descansava: estava sempre interiormente orientada para um fim. E nunca satisfeita. Nem consigo nem com os outros. Não sei ao certo o que ela exigia. Nem talvez ela própria soubesse. Sei que me incitava. Era uma fé que quase me obrigava a corresponder, sob pena de eu próprio me considerar um fraco. Não que me estimulasse a ser o melhor, nem sequer a competir. O que ela queria é que eu fosse diferente. Mais do que diferente: o outro, o único. Por ser SEU filho. O SEU. Sublinhado. Por isso tinha que deixar na vida um sinal, um marco, a marca. Ou cumprir a missão que nenhum de nós sabia ao certo qual fosse. (pág. 104)

- O meu pai era um pouco assim: partia frequentemente para não sei onde, talvez para outro tempo, talvez para outro espaço, o das serras da Beira Baixa, atrás de perdizes impossíveis de caçar. Um pouco como na poesia, onde, havia de o aprender depois, se anda sempre atrás de um verso que não há. (pág. 107)

- Dizem, aliás, que também herdei esse tique. Não é vaidade nem altivez. É uma atitude, um não gostar de andar curvado. (pág. 145) [Fez-me lembrar o meu avô Carlos]

- Estávamos apaixonados pelo circo. Talvez pelo mistério, talvez, simplesmente, porque estava de passagem. Era uma forma de descobrir a transitoriedade de tudo, do que é belo e efémero e tem de passar. (pág. 148)

- Era uma daquelas manhãs em que minha mãe virava a casa do avesso. Não sei a que necessidade profunda correspondia tal operação. Talvez ao seu génio, que era o da intervenção, o do comando, o de agir sobre as coisas, mudá-las, empurrá-las, subvertê-las. (pág. 171)

- É com ela que o teu pai costuma dançar sozinho. [...] Mas o meu pai, diziam, fugiu-lhe. Talvez por medo do excesso, talvez porque acima de tudo ele amava as causas perdidas, as coisas inacabadas, as monarquias sem rei. [...] Mas talvez o meu pai soubesse que ela precisava de outras vida, viagens, embaixadas, carreira, um palco, outros espaços urbanos, as grandes capitais, o mundo. O teu pai teve medo, disse-me, mais tarde, Mariana, minha mãe. Com ela seria obrigado a uma vida diferente e ele nunca esteve para isso. (pág. 174)

- Dia de fogo era dia de grande representação colectiva. O importante era ver, intervir, estar lá, gozar o fogo, o acre prazer das dores alheias, consolar as vítimas, chorar com elas. Para depois cada um ser herói segundo o seu modo de contar. (pág. 184)

- Gostava de ter o poder ficcional dos meus conterrâneos de Alma. Instintivamente eles sabiam só a ficção e a imaginação tornam verdadeira a realidade. (pág. 208)
Profile Image for Vera Baetas.
419 reviews32 followers
July 29, 2017
Livro mais estranho que li até hoje. Na realidade não há enredo. Apenas um miúdo que nos conta como é viver numa vila no interior do Distrito de Aveiro, durante a ditadura. Tenho de confessar que me identifiquei nos capítulos sobre a Escola, a Loja, o Café. Fez-me lembrar a minha terra. E, numa coisa temos de concordar, Manuel Alegre sabe, utilizando as palavras, pintar um quadro melhor do que ninguém. Muito bom viajar ao Portugal da década de 40.
Profile Image for Afroqueen1904.
118 reviews10 followers
December 27, 2018
Uma surpresa muito boa este livro. Uma viagem à infância de Manuel Alegre em Alma e à Portugal em tempos de Salazar.
Recomendo.
Profile Image for Sónia.
47 reviews
June 12, 2019
Tem momentos de narração muito divertida mas que ficam presos a demasiadas descrições que quebram o fluir da escrita.
Profile Image for Henrique.
19 reviews
November 5, 2020
Devo admitir que as últimas (todas) páginas foram difíceis de engolir de tanto auto-apreciação.
Profile Image for Mireille Amaral.
135 reviews1 follower
October 4, 2022
As memórias de infância. Os cheiros, as vozes, as emoções de um tempo em que o tempo não tem fim e o significado estápresente nas mais pequenas coisas. Todas elas ficam sempre, como marcas na alma, princípios que norteiam a vida. A nostalgia dos lugares mágicos da infância. De Alma, vila encantada onde convive tradição e subversão, melancolia e audácia, crendices, ideologia e futebol... Pela voz audaciosa de quem não receia dar-se a conhecer, chegam-nos ecos de um Portugal dividido entre a República e a Monarquia, um país que era, áépoca, o mundo de uma criança expectante e atenta. De Alma, partiu toda a sua vida.
Profile Image for Andreia Mariana Fernandes.
14 reviews11 followers
March 23, 2017
"No Inverno a Escola era feia e triste. As mãos enregeladas, muitas delas cheias de frieiras, mal podiam pegar nas canetas. As orelhas doíam, a humidade do rio subia pela encosta acima e atravessava a roupa que era pouca e leve e muitas vezes rota e remendada. Eu olhava os pés descalços e cheios de feridas dos meus companheiros, as cabeças peladas, os rostos cobertos de impingens e sentia uma repugnância misturada com revolta.
Porque é que uns, poucos, tinham sapatos e outros, a maior parte, não?
Perguntei ao professor e ele ficou atrapalhado. Perguntei em casa e ficaram incomodados. Fiz muitas vezes essa pergunta. E de cada vez que a fazia sentia que estava a fazer uma pergunta inconveniente. Nunca ninguém me respondeu e continuo, de certo modo, a perguntar.
Porque ainda sinto o frio da escola. Ainda sinto o cheiro a pobreza, o pouco. Foi sobretudo isso que aprendi, além da gramática, das contas, da História Pátria, dos rios, das serras e das linhas de caminho-de-ferro. Aprendi a conjugar os verbos e nunca foi preciso o professor Lencastre virar-me de cabeça para baixo. Mas a quem tenho eu de agarrar pelos pés e bater com a cabeça no chão para que de uma vez por todas me digam porque é que uns usavam sapatos e outros não?"
Profile Image for E.D Raiden.
22 reviews
June 2, 2018
Narrativa interessante mas infelizmente não "pegou-me". Está longe de ser mau, possui momentos bastante interessantes e tudo a partir dos olhos de uma criança bem retratada mas várias partes acabam por suar desinteressantes, como cerca de 10 páginas sobre um jogo de futebol que não acrescenta quase nada na narrativa. Mas, o 3º ato salvou o livro para mim, dá para ver como Manuel Alegre tem carinho por aquela cidade e pelas memórias que criou lá, tanto que para mim a melhor passagem é a última.

6.5/10
Profile Image for Catia Ferreira.
4 reviews
January 9, 2014
O único livro que já li de Manuel Alegre, mas sem dúvida, um dos meus preferidos entre todos os que já li. O tema, é do meu interesse, aliás, tudo o que tenha a ver com História é do meu interesse, quanto mais da época Salazarista. Contudo, é necessário dizer que a escrita de Alegre também contribui muito para que o livro se devore em poucas horas, descobrindo curiosidades sobre o escritor e desvendando a alma de Alma.
Profile Image for Eugénio Outeiro.
Author 2 books1 follower
January 6, 2011
Livro de leitura leve, por não precisar de um exercício muito grande de atenção por parte do/a leitor/a. Isto facilita muito a proximidade do leitor aos personagens, o que dá bastante jeito por se tratar de um livro contruído como uma recordação da infância do narrador. Gostei bastante.
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