Dans ce village fictif du Nordeste brésilien, le temps s’écoule lentement, la routine ne gêne personne, et la vie suit son cours sans grande turbulence.
Mais dans ce trou perdu habitent des femmes à poigne, des hommes sans peur, des artistes itinérants, des béats, des jeunes rêveurs et des prêtres progressistes qui retroussent la soutane dans les luttes agraires… Comme le monde de ce petit village est vaste !
Avec un regard généreux et tendre, dans une langue simple et savoureuse, voici l’histoire d’une terre, mythique et mystique, dont la richesse se dévoile à chaque page.
Maria Valéria Rezende nasceu em 1942, em Santos (SP), onde morou até os 18 anos. Em 1965 entrou para a Congregação de Nossa Senhora - Cônegas de Santo Agostinho. Sempre se dedicou à educação popular, primeiro na periferia de São Paulo e, a partir de 1972, no Nordeste. Viveu no meio rural de Pernambuco e da Paraíba e, desde 1986, mora em João Pessoa. Já esteve em Angola, Cuba, França e Timor, entre outros países, convidada a falar sobre seus projetos sociais. Maria Valéria estreou na ficção em 2001, com o livro de contos Vasto mundo. Depois, escreveu livros infanto-juvenis e o elogiado romance O Voo da guará vermelha. A autora, que costura referências das culturas erudita e popular, “é uma revelação em nossas letras”, como disse Frei Betto.
A experiência de Maria Valéria com a dor do analfabetismo e também com a educação de jovens e adultos foi o mote para O voo da guará vermelho. “Uma personagem se apaixona por aprender a ler e a outra descobre um sentido para sua vida, ensinando”. A autora constrói no livro o encontro de Irene, uma nordestina que vira prostituta em São Paulo, com Rosálio, um servente pedreiro. Dona de uma escrita inventiva e conhecedora da realidade de “Rosálios” e “Irenes”, Maria Valéria fez uma obra poética e forte, que dispensa trivialidades.
Nos contos de Vasto mundo, seu primeiro livro, Maria Valéria apresenta “causos” do povo nordestino, em que trata de amores e dores, da geografia local e da crença fácil no que transcende o explicável. A autora também escreve para crianças e jovens, tanto poemas quanto histórias ficcionais, em que aborda temas como o medo, a lealdade e as relações sociais, sempre com humor e criatividade.
Em Vasto Mundo, Maria Valéria Rezende cria uma história permeada de eventos extraordinários com personagens comuns que habitam um povoado no interior do estado da Paraíba; na vila da Farinhada ocorre de tudo um pouco, desde os desejos das moças por casamento, a descoberta do mundo, os eventos religiosos mais diversos, as perseguições por latifundiários, até a presença dos charlatões.
Desta maneira, com uma narrativa que se encontra e desencontra, pois, cada capítulo conta um evento distinto, mas ainda assim se interligando com a vivência do lugar, a autora traz tanto drama como comicidade a obra, como o fato de que, ficando doentes, os habitantes da vila no interior do nordeste tenta contato até com a NASA, para a solução do problema.
Ademais, parte relevante das histórias trazem a figura da personagem feminina de diversos modos, seja daquela que se predispõe as injustiças como a Dona Eulália, esposa do fazendeiro Assis Tenório, seja Maria Raimunda, que cantando vence uma guerra e assim, com imensa beleza e escrita fluida, a autora traz a tona a beleza da literatura dos profundos rincões rurais do país, sendo uma ótima obra.
Conheci a escrita de Maria Valéria por meio de seu livro "Quarenta dias", que me deixou tão cativado com as aventuras e desventuras de uma senhora paraíbana no país das desmaravilhas, traduzido nas ruas de Porto Alegre. "Vasto mundo" é um encanto, um livro de contos difícil de largar, contos interligados, em que os personagens de um participam no outro, em que as histórias se permeiam e produz, na verdade, um romance, de um povo de vida difícil, mas que encontro no pouco, o muito. São histórias contadas com doses de humor, tristeza, alegrias, dramas, tem de tudo, até irmã freira que reúne um bando de prostitutas e com sua cantoria religiosa consegue tornar um sucesso uma greve de trabalhadores de canaviais. Farinhada deixa saudades, mas é bom saber que há muitas outras obras de Maria Valéria para buscar esse gostinho de coisa bem feita! Excelente!
O universo ficcional de Farinhada é o que dá unidade a essa série de "causos" sobre personagens bem conhecidos do imaginário coletivo de uma cidade do interior nordestino: o coronel e seus capangas, o padre erudito que vem do estrangeiro, a criança buchuda que vive na rua, a solteirona carola, etc. Li num só fôlego, impressionado com o ouvido de Valéria e sua capacidade de arremate, as chaves de ouro que sempre fecham a história e dão toda uma circularidade para as narrativas. Fica-me na memória sobretudo o trecho em que o canto de uma romaria de mulheres cantoras viaja o país, que me fez lembrar bastante algumas passagens de García Márquez e seu realismo mágico.
Ela devia se chamar Maria Coração Valéria. Aiiii.. chega me dar uma coisinha no peito essa lindeza na forma de ver o mundo. Esse livro traz contos que se passam na cidade de Farinhada, interior da Paraíba. E comunica constantemente a inocência do interior.. a simplicidade de ver o mundo.. Mesmo sendo sertanejos, pobres, distantes da nossa realidade, essa forma de enxergar as coisas é tão autêntica, e Maria Valéria sabe ser muito autêntica ao falar disso, de tal forma que conversa com a nossa criança interior.. com o que há de mais puro e humano dentro da gente. É um livro com uma poesia quase disfarçada.
Vasto mundo é um livro que mistura humor, fantasia, realidade e drama de uma maneira única. Com contos que se interligam, a autora consegue constituir um panorama incrível e cativante da fictícia Farinhada. É um livro para ler num fôlego só porque é até difícil de largar.
Vasto Mundo – Maria Valéria Rezende |A Comédia Humana em uma Vila Nordestina!| NITROLEITURAS
Minha primeira leitura da obra de Maria Valéria Rezende, de quem virei fã imediatamente. Uma coleção de narrativas algumas trágicas, muitas com muito humor, outras surreais, e todas MARAVILHOSAS unidas pela fictícia Farinhada, uma cidade mítica do interior da Paraíba.
Vasto Mundo – Maria Valéria Rezende | Alfaguara Brasil, 2015, 168 páginas | Lido de 20.05.16 a 21.05.16 | NITROLEITURAS __________________ SINOPSE
“Eu os conheço a todos. Reconheço-os pelas pisadas e por elas sei de seus humores, de seus sentimentos, de suas urgências, preguiças, de seu contentamento ou aflição. Sei de sua grandeza e mesquinhez. (…) Foi seu tropel incessante que me despertou do meu sono de pedra. Só eu os conheço a todos porque só eu estou sempre neles como eles estão em mim. Eles me criaram e agora eu os crio.”
Nestas breves narrativas interligadas, Maria Valéria Rezende reconta as trajetórias cheias de encantamento do povo da vila de Farinhada, lugarejo fictício no Nordeste brasileiro. Mulheres de fibra, homens destemidos, artistas itinerantes, charlatões, beatas, jovens sonhadoras e religiosos progressistas.
Em Vasto Mundo, a autora constrói com maestria uma galeria de personagens cujas vidas se entrelaçam para tecer a história de um solo rico, apesar de castigado pelas intempéries, que tudo vê e tudo grava, e que é o real protagonista deste livro impactante. __________________ RESENHA
Há tempos que um livro do gênero literário não me divertia tanto. “Vasto Mundo” é um primor, gostosíssimo de ler, divertido, trágico, poético e cheio da cultura fantástica e fascinante do Nordeste.
Confesso que muitos dos ganhadores do prêmio Jabuti são livros de acesso mais difícil para o leitor comum, mas “Vasto Mundo” é diferente, super acessível e merecia mais divulgação.
É um daqueles livros que recomendo para todo mundo, além de ter apenas 168 páginas (ou seja, não dá para dar a desculpa de tão ter tempo para ler), os contos são muito saborosos de se ler, alguns com finais supreendentes, outros seguindo as estruturas dos causos do interior, e todos escritos em uma prosa direta, sem firulas e bem gostosa de ler.
Me lembrou muito as narrativas do Dias Gomes, misturando humor, poesia, surrealismo e muita brasilidade (ou “norderstinicidade”).
Uma delícia de livro! Super recomendado para todo mundo!
__________________
RECOMENDAÇÃO
Recomendo “Vasto Mundo” para
Quem curte romances regionalistas.
Quem curte antologias de contos situados em um mesmo lugar ou unidos por um tema (o “fix-up”).
Quem quer começar a ler a obra de Maria Valéria Resende!
Quem curte causos do interior, contados com muito humor e poesia.
Quem queira conhecer um pouco da cultura nordestina (e do povo da Paraíba).
Quem gosta de literatura gostosa e divertida de se ler.
__________________ PRÓXIMAS LEITURAS
Retorno para o mundo de Westeros com, “O Cavaleiro dos Sete Reinos”, para terminar minhas releituras do George R. R. Martin!
E vamos ler porque ler é doidimais!
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"Vasto mundo "foi uma agradável surpresa. Um livro de contos entremeados, passados em Farinhada, vilarejo ficcional da Paraíba, que ao final que quase fecha as história como num romance. Com a mão leve e a habilidade de contar o essencial, de maneira bucólica quase poética, Maria Valéria Rezende presenteia os leitores com o mundo fantástico das pequenas comunidades brasileiras esquecidas nos confins interioranos do país.
Quem está familiarizado e aprecia a literatura brasileira de meados do século XX, com a ficção de Mário Palmério, José Condé, José Lins do Rego, Geraldo França de Lima, entre os que retrataram a vida das pequenas comunidades do interior brasileiro, certamente acolherá bem, a escritora e freira Maria Valéria Rezende. Porque ela trabalha dentro dos parâmetros desta tradição brasileira, em que a vidinha das cidades interioranas é caracterizada com leveza e carinho, demonstra a inocência ou ingenuidade do caipira, o ardil de que usa para sobreviver, a aceitação do sobrenatural e a certeza do destino, de que pouco mudará em sua vida do nascimento à morte.
Maria Valéria Rezende adiciona à narrativa descrição clara, por palavras ou ações, do ser humano com falhas e qualidades. E do específico, as histórias se tornam universais. Apesar da linguagem leve, de se ater ao essencial, a autora consegue trazer à tona um travo causado pelos pequenos desapontamentos, esperanças modificadas pelo acaso, que cinzelam o comportamento dos personagens. Cada sonho, ilusão, anseio encontra eco no leitor que se frustra e simultaneamente se encanta com a solução achada pela simplória maneira de ser.
Profundamente humana a narrativa de Maria Valeria Rezende proporciona grande prazer até quando sofremos junto aos personagens que retrata. Recomendo sem restrições a leitura deste livro,
Pour mon anniversaire, ma grande soeur m'a offert ce livre à travers la box littéraire "Exploratology". Franco-brésilienne désireuse de découvrir à la fois plus de littérature brésilienne et plus de collection de nouvelles, j'étais aux anges.
Les nouvelles de Maria Valéria sont belles, douces, parfois mélancoliques, souvent crues. Elle arrive à nous entraîner dans un monde totalement ordinaire et rarement enviable, tout en nous faisant rêver. Ses mots sonnent justes et vrais même dans un village fictif. Les personnages deviennent familiers et le village entier devient le village du lecteur: on reconnait avec plaisir des noms, et on voit les relations se lier et se délier sous nos yeux, tout doucement.
Je n'étais pas totalement dépaysée, évidemment, mais je ne peux qu'imaginer ce que peut ressentir un lecteur qui n'a jamais posé les pieds au Brésil. Un pur bonheur.
Cependant, j'ai été décontenancé par la traduction deux ou trois fois - elle était loin d'être mauvaise, mais je connaissais les expressions en portugais et je les aurai traduits différemment. Ça a pu par moment me déconnecter un peu de l’histoire en cours.
Le livre en lui-même est sublime. Je trouve que la couverture attire le regard et donne envie. Les illustrations de Mauricio Negro complimentent extrêmement bien les histoires, je m'arrêtais souvent pour les regarder de plus près.
Que livro incrível! Engraçado, bem escrito, tem ritmo, tem tudo de mais maravilhoso que o Brasil oferece. Esse livro mostra a vastidão do nosso povo e da nossa terra. Como parece ser coisa de outro mundo ler sobre uma pequena cidade na Paraíba. Com seu povo e suas crenças, suas manias e peculiaridades. A força do regionalismo desse livro, lembra a diversidade brasileira, como a gente pode achar que sabe do nosso país, mas é limitado demais pela imensidão desse lugar. O título é "Vasto Mundo", porque é disso que fala, como na pequenez do dia-a-dia de um lugar tão pacato, se encontra de tudo. Esse livro é uma celebração da prosa na língua portuguesa, um presente da literatura nacional.
3,5/5 Ce petit livre est un recueil de courtes nouvelles autour d’un petit village fictif. C’est un peu comme au village à la campagne, sur la place quand tu es avec ta mamie qui peut te raconter qui est chaque passant et quels sont les faits marquants de sa vie, à qui il est lié, etc... Les nouvelles sont pour le coup un peu inégales, bien qu’il y en aie des très charmantes, poétiques ou étonnantes, j’avoue que je n’ai pas été happée par ce volume, et que le « happage » est clé dans ma manière de poser les étoiles ;)
Dépaysant, amusant et l'impression de sentir la chaleur de ce "Vaste Monde" en ce mois de septembre. Comme des contes, on découvre la routine et les histoires d'une ville imaginaire au Brésil, des personnages attachants et des situations parfois rocambolesques ! Un vrai rayon de soleil et quelques morales ou critiques de la société brésilienne qui ne sont pas de refus.
Un très beau recueil de nouvelles qui se lit à la suite. Je ne suis pas fan des nouvelles en générale mais comme il s'agissait d'histoires liées aux légendes sud-américaine, c'était tout de même très intéressant.
Leve e divertido! Bem brasileiro. Retrata pelos contos da vila de Farinhada o cotidiano e a historia de vida do nordestino do campo. Muito bem escrito.
Vaste Monde est un recueil de nouvelles assez étonnant.
Au cours de trois parties, les dix-huit textes de cet ouvrage nous présentent la vie des habitants d’un village fictif du Nordeste brésilien. Chaque nouvelle se concentre sur un personnage différent, les uns étant amenés à croiser les autres au fil des textes. Au travers de ces récits, c’est la vie de toute une région qui nous est racontée.
La littérature brésilienne mériterait d’être plus souvent mise en lumière; j’en lis moi-même peu mais je suis chaque fois surprise. Maria Valéria Rezende est une écrivaine peu commune : elle commence la fiction a 60 ans et publie ce titre… qu’elle réécrit totalement quelques quatorze ans plus tard ! Le résultat est étrange, d’une étrangeté qui attire. La romancière a un style bien à elle et vient bousculer la lectrice ou le lecteur. En adaptant sa plume et le ton de chaque récit au caractère de chacun des personnages, elle présente des nouvelles inégales et donc plus ou moins passionnantes en fonction des goûts de la personne qui lit; l’absence de positionnement chronologique peut également se révéler parfois perturbateur, mais ce n’est pas ce qui marque le lecteur, non. C’est l’atmosphère.
En effet, ce qui se dégage de ces lignes est une ambiance quasi hypnotique : on admire ces textes comme différents éléments d’un même tableau. La simplicité se heurte à l’excentricité, la vie provinciale côtoie une présence extra-terrestre, les rêves fous affrontent la rudesse de la réalité. Et le Nordeste brésilien apparaît alors parfois comme en-dehors du temps. Longtemps après la lecture, la richesse des fourmillements intérieurs de cette région, l’odeur de la terre, la sécheresse du soleil, la poussière des routes, le son des déambulations des villageois.e.s, tout ce qui fait l’esprit de cette campagne restent à l’esprit.
Portés par les sublimes illustrations de Mauricio Negro, ces textes humains, authentiques et originaux, teintés d’espoirs et de désespoirs, d’abnégation et de vie dans toute sa dureté et sa beauté sont assez fascinants dans leur genre.
A Maria Valéria Rezende é uma baita escritora, já havia sentido isso quando li Quarenta dias. Vasto mundo pode ser considerado um "romance mais solto", pois o foco nunca recai em apenas um ou outro personagem, mas vários vão se destacando e outros aparecem em segundo plano e vice-versa. A constante é a cidade fictícia de Farinhada, no interior do Nordeste do Brasil. Gosto muito desse tom de histórias malucas/incríveis/crueis/emocionantes vividas por gente simples e a Maria Valéria faz isso muito bem.