Nas ruas de Lisboa, um táxi circula e observa. E, com ele, nós observamos também: Manuel, o taxista que não sabe chorar. Olinda, a ama de duas crianças mal-educadas. Daisy, a stripper. João, o sem-abrigo… Um dia, um momento infeliz, com consequências trágicas, obriga Manuel a confrontar-se consigo próprio, e as consequências serão mais transformadoras do que ele alguma vez imaginou. Manuel parou-me e mandou-a entrar. Olinda não tinha como pagar uma viagem de táxi até à Brandoa. Manuel apagou a luz de serviço e disse-lhe que já não estava a trabalhar. Com o orgulho a ceder à medida que os sapatos ficavam encharcados, Olinda entrou.
Filipa Fonseca Silva was born in a small town called Barreiro, just across from Lisbon, Portugal, in 1979.
She graduated in Communication from Universidade Católica Portuguesa and worked as an advertising copywriter until 2017. She is now a fulltime writer.
Her debut novel is called Thirty Something – Nothing’s How We Dreamed It Would Be and it made her the only Portuguese author to reach Amazon Top100 in Women's Fiction. It was followed by The Strange Year of Vanessa M (2013), Things a Mother Discovers (and no one talks about), Taxi Tales (2017), I Hate My Boss (2018), The Elevator (finalist of Bertrand Book of the Year 2022), What if I Die Tomorrow? (finalist of Bertrand Book of the Year 2023) and Brave Green World (June 2024).
She likes to write about ordinary people, whose stories reveal timeless dilemmas but capture the spirit of our times. She has a very cinematographic style and the rights for a movie adaptation of her two latest novels were already sold in.
Filipa is also an activist for the environment and women’s rights, and founded the Women Author’s Club in 2023, a platform for mutual support between female authors, which aims to promote and celebrate Portuguese Literature written by women (she rebels against the tag Women’s Fiction).
She lives in Lisbon, Portugal with her husband and two children.
Amanhece na Cidade foi a minha estreia na obra da autora Filipa Fonseca Silva, que ficou conhecida por ter sida a primeira portuguesa a alcançar o Top 10 da Amazon, com o livro Os 30 – Nada é como Sonhámos. Neste seu mais recente romance, a narrativa na primeira pessoa é assumida por um táxi que circula em Lisboa, dando ao leitor uma perspetiva diferente sobre as vidas da gente da cidade e sobre o ritmo por vezes alucinante em que vivem.
A personagem principal, para além do táxi, é o seu condutor – Manuel, um homem na casa dos 50 anos, que vive algo amargurado com a vida e que divide as suas atenções entre uma stripper que conduz a casa todos os dias e a segunda mulher, no pouco tempo que passam juntos. O olhar do táxi sobre a vida de Manuel e das pessoas que se vão cruzando na sua vida é curioso, bem-humorado e perspicaz. Este foi, quanto a mim, o aspeto mais bem conseguido do livro. A proximidade do táxi das várias personagens que vão aparecendo na história permite conhecê-las com alguma profundidade, através de diálogos que decorrem dentro dele ou de simples mensagens que o táxi deteta nos telemóveis dos seus passageiros. Para mim, o táxi pode ser também visto como o elemento simbólico, o da mudança, consubstanciado na sua função de transportar pessoas.
E, na realidade, a mudança é um dos temas importantes deste livro. Vemos um homem agarrado a convicções que sempre teve como certas, mas que, a determinada altura, começa a questionar. Uma mulher que deixou o seu país e filhos há 3 anos, mas que começa a perceber que se calhar essa não foi a melhor opção. Outra mulher que escolheu a vida de stripper para poder dar uma vida confortável ao filho, mas quando a vida traz algumas pessoas para a sua vida, as prioridades são postas em causa.
Num estilo bastante acessível, Filipa Fonseca Silva vai mostrando, através dos olhos do táxi, como estas vidas se vão entrecruzando no meio citadino. Várias das observações do táxi versam sobre a vida apressada e a constante falta de tempo que parecem apanágio das pessoas que vivem na cidade, o que à primeira vista me parece acertado ainda que apresente a realidade de uma forma algo simplificada. Tenho estado a tentar perceber exatamente o que é que me pareceu faltar neste livro e, provavelmente foi isso mesmo: mais alguma densidade narrativa e profundidade psicológica nas personagens teriam sido bem-vindas. A abordagem é original e o tema e contexto interessantes, mas a sensação com que fico é que a forma como a mensagem passa podia ter sido melhor trabalhada, nomeadamente através das personagens e das suas ações.
Em resumo, foi uma leitura agradável, que me entreteve e que, apesar de não me ter cativado completamente, me deixou curiosidade por conhecer futuros trabalhos desta autora portuguesa.
Viver em espaço urbano tem as suas particularidades. Para quem lhes tem um amor especial, especialmente por as ter estudado e as ver como elementos sistémicos, é sabido que o grande factor mutável são as pessoas. E que sem elas a cidade não tem vida nem tão pouco significado. Deste modo, Filipa Fonseca traz-nos uma história quase que em roteiro cronista e guionistico, da vivência da cidade (ou antes, na cidade) pelos "olhos" de um automóvel - táxi de profissão - que entre o seu olhar presente e por vezes algo divinhatório e omnipresente, consegue relatar-nos a vida daqueles com quem se cruza constantemente, a começar pelo condutor que o guia diariamente. Este livro é uma colectânea de vivências e momentos que todos nós já presenciámos ou vivemos de alguma forma, que fazem parte das pessoas com quem trocamos olhares ou conversas a caminho do trabalho, nos transportes públicos, no supermercado, a recolher os filhos da escola, entre outros tantos momentos diários e quotidianos. Este foi o aspecto que mais me divertiu e envolveu neste livro, especialmente porque o táxi assume a função que eu muitas vezes também desempenho: a de observadora não interveniente no meio que me rodeia. Já quanto ao enredo principal, fiquei um bocado desiludida, primeiramente porque não o esperava e comecei a observar uma tendência narrativa que não me estava inicialmente a envolver, e posteriormente porque acabou por não ocupar um espaço preponderante na narrativa, continuando quase que em cenário paralelo e secundário, como todos os outros. Ainda assim, e porque a crónica narrativa não se sustentaria por tantas páginas sem um envolvimento conductor mais assegurado, este até me fez sentido finalmente. É interessante ver o evoluir de algumas relações pelos olhos deste táxi, muito inanimado, com uma personalização que lhe atribuiu dos pensamentos mais reflexivos e atentos ao mundo exterior que tenho lido presentemente. É divertido (pela diferença), real (pelo que nos revemos nele), com uma sensibilidade especial e até despercebida, caso não conheçamos a realidade retractada. Envolve personagens geralmente mais marginalizadas, as que circulam fora dos olhos do grande ecrã, as que têm vidas mudanas, as que por vezes não têm destaque mas compõem parte do corpo mutante que fazem mover as cidades. É uma narrativa sobre todos, com as variantes embutidas nas histórias individuais, todas com humanismo e imensa tratabilidade. Apesar de não ter ficado rendida ao enrendo e ao desenrolar da história, fiquei-o à fórmula e a este olhar sobre a vida citadina. - Cláudia
Adorei este livro 📕 que talento tem a Filipa, conta tanta coisa em tão poucas páginas ❤️adoro está escrita português ❤️👏👏👏 para o ano voltou a lhe dar um abro e um beijo na feira do livro 📕⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️
I just loved the humanism of this lighthearted, yet deeply thought book. The Author has enchanted me since her first books and this one is a clever story narrated by..... a taxi! Very ingenious, the characters are larger than life people with their greatness and their imperfections, which makes them all the more lovable!
Ao visitar a Feira do Livro de 2022 em Lisboa não resisti a comprar este livro da FFS, era um dos que ainda não tinha lido. Como os outros livros que já li dela, é um livro envolvente e que se lê rapidamente.
Um livro que me surpreendeu, na história, na escrita e na forma de contar. Uma excelente surpresa, que me deixou interessado nos restantes livros da autora.
Acho que é um bom livro e dei-lhe 4 estrelas pelo facto da premissa ser tão interessante e original.
Basicamente, a história é narrada por um táxi, que conta a vida das pessoas que nele se sentam e o dia-a-dia do seu condutor também, o Senhor Manuel.
A escrita da Filipa, como sempre, é deliciosa, simples e muito boa. Gostei bastante da evolução do Senhor Manuel ao longo da história. A personagem está extremamente bem construída e apesar de, aparentemente parecer um homem preconceituoso e machista, acaba por ter várias camadas que o tornam muito interessante.
Gostei da Portugalidade da história: está nos discursos das personagens, nas descrições das ruas por onde o táxi passa, na rotina dos moradores do bairro onde o Senhor Manuel vive, nos costumes e na forma como interagem entre si.
Foi uma agradável surpresa. Conheci a Filipa através do "Elevador" e fico sempre surpreendido com a sua criatividade, para histórias tão ricas e diferentes.
Amanhece na Cidade de Filipa Fonseca Silva é 'A prova de que um homem, por mais complexo que seja, está sempre a tempo de abandonar os seus preconceitos.' . Apesar de considerar que nenhum crime deve seguir impune, neste livro vemos a redenção como a libertação desse crime. Manuel, homem, marido, pai, ex-marido, ajuntado, taxista de meia idade, corre Lisboa convicto das suaa ideias até lhe acontecer o impensável em tantos eixos da vida. . De alguma forma consegue avançar e encontrar redenção, '(...)como se fosse tão simples, a redenção (...)' . Um livro português de Portugal traz consigo uma leitura sempre mais exigente, mais rica e mais completa. . Amanhece na cidade é português de Portugal, algo pacato, algo surpreeendente, algo nosso. .
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Uma leitura fácil, fluída, mas esperava mais. Fui com muita espectativas, sobre o livro. Mas, Filipa Silva Fonseca tem dom para a escrita. Tudo que escreve é bom. A vida cotidiana de seres incógnitos ....
Este livro apanhou-me desprevenida — e isso é sempre um bom sinal.✨ 🌄Amanhece na Cidade é daqueles livros que se lêem com um sorriso meio cúmplice, como quem está a ouvir uma conversa real, sem filtros nem floreados. 🏙️Fiquei surpreendida (e inicialmente meio perdida) por o narrador desta história ser um táxi... um táxi a contar uma história é simplesmente hilariante e gostava que a autora tivesse tirado mais partido desta opção para acrescentar mais humor à história. 🚕Julgo que este livro acaba por ser uma crítica à sociedade atual em muitos dos temas abordados pelo livro. Filipa Fonseca Silva escreve de forma directa, mordaz q.b. e muito honesta, tocando em temas que reconhecemos facilmente: relações falhadas, escolhas adiadas, expectativas que pesam e aquela sensação de “é agora ou nunca”. Gostei especialmente da forma como as personagens são imperfeitas — nada de heróis românticos ou vidas instagramáveis. Há dúvidas, medos, decisões erradas e muita humanidade pelo meio. É um livro que fala de recomeços, mas sem vender ilusões: recomeçar dá trabalho, dói e obriga-nos a olhar para dentro. 🏙️A cidade quase funciona como uma personagem extra, cheia de ruído, solidão e oportunidades escondidas. E esse amanhecer não é só literal — é emocional, é aquele momento em que percebemos que não dá para continuar a adiar a vida. 🚕Não é um livro para quem procura romances açucarados. É para quem gosta de histórias reais, cruas, mas cheias de significado. No fim, fechamos o livro com a sensação de que talvez também esteja na hora de fazer algumas perguntas a nós próprios. E isso, para mim, é literatura a fazer o seu trabalho. 🌄💭