Em A Descoberta do Frio, o “frio” cobre-se de diferentes racismo, indiferença, desigualdades... Oswaldo de Camargo, com raro senso de quem vai montando em doses certeiras seu quebra-cabeça narrativo, traz para a ficção as tensões de uma sociedade fracionada entre passado escravista e presente do racismo velado, marcada por uma memória de lutas e sofrimentos a todo instante atualizados. E polemiza com nossos mitos fundadores, a fim de colocá-los contra a parede da dura realidade que traz ao leitor, sem nunca perder o encanto do texto bem tramado.
OSWALDO DE CAMARGO nasceu em Bragança Paulista, São Paulo, em 1936. Foi revisor do jornal O Estado de S. Paulo, redator do Jornal da Tarde, diretor de cultura da Associação Cultural do Negro e um dos principais colaboradores de periódicos como Novo Horizonte, Ébano, Niger e Cadernos Negros. É autor de O carro do êxito, 15 poemas negros, A descoberta do frio, entre outros.
O que é o frio insuportável que acomete apenas negros? Em uma narrativa em que o fantástico funciona como uma metáfora do racismo, Oswaldo de Camargo fala da vida social na cidade de São Paulo, os grupos culturais, poesia, religiosidade e memórias indistintas de um passado de violência que necessariamente não terminou.
É: reconheço a importância do Oswaldo como autor e talz, mas realmente. Seu estilo não me pega. Essa confusão de nomes, de personagens jogados, de militância, de prosa jornalística e pouco literária não me pega não. Apenas
“Em A Descoberta do Frio, o “frio” cobre-se de diferentes camadas: racismo, indiferença, desigualdades… Oswaldo de Camargo, com raro senso de quem vai montando em doses certeiras seu quebra-cabeça narrativo, traz para a ficção as tensões de uma sociedade fracionada entre passado escravista e presente do racismo velado, marcada por uma memória de lutas e sofrimentos a todo instante atualizados. E polemiza com nossos mitos fundadores, a fim de colocá-los contra a parede da dura realidade que traz ao leitor, sem nunca perder o encanto do texto bem tramado.”
Em A Descoberta do Frio, Oswaldo de Camargo parte de uma situação estranha e perturbadora: um frio intenso que surge em setembro e passa a atingir apenas pessoas negras, fazendo com que elas desapareçam. A história se desenrola a partir da tentativa de entender esse fenômeno e da luta de Zé Antunes para convencer a cidade de que algo grave está acontecendo, mesmo quando ninguém parece disposto a ouvir ou acreditar. Aos poucos, fica claro que esse frio não é só climático. Ele funciona como metáfora do racismo, da exclusão e da indiferença que atravessam a vida da população negra no Brasil. Quem não sente o frio não o reconhece, e essa negação ecoa a forma como o racismo estrutural é constantemente minimizado ou tratado como exagero. O sofrimento existe, mas é invisibilizado. Sem perder a força literária, o livro se afirma como denúncia e memória. Camargo usa o fantástico para falar de uma realidade dura e cotidiana, marcada por desigualdade e silenciamento, ao mesmo tempo em que homenageia lutas e vozes negras. A Descoberta do Frio provoca desconforto, mas também convida à reflexão: o frio sempre esteve ali, quem levantará a voz para falar sobre ele?
Esse livro fala sobre um frio que assola apenas a parcela negra, mulata e de criolos da população. Quando comecei a ler eu sabia apenas isso sobre o livro, não conhecia o autor e, admito, não conhecia as referências que aparecem ao longo da novela. Entretanto, o autor construi uma narrativa envolvente mostrando como um grupo de pessoas onde seria esperado o apoio mutuo, na realidade parece se dividir em grupos específicos, que julgam-se entre si. Um dos personagens principais, que é o próprio frio, é questionado pelos próprios personagens sobre sua origem: seria ele uma analogia sobre a segregação racial? um delírio? ou uma doença real?. Zê Antunes faz o papel de tentar provar a sua existência, sendo sempre duvidado por todos que os escutam. No fim, achei um bom livro com ótimas discussões e reflexões.
*Obrigada ao Netgalley e a editora Companhia das Letras pela oportunidade de ler esse ebook.*
“A Descoberta do Frio”, de Oswaldo de Camargo, parte de uma premissa muito interessante e cheia de potencial. No entanto, a execução me parece truncada, soterrada por uma narrativa desorganizada e por uma profusão de nomes e referências que muitas vezes surgem sem a devida contextualização.
Talvez a minha questão com o ataque a Machado de Assis e a outros autores seja um preciosismo meu. Ainda assim, quando o prefácio do livro se propõe a criticá-los, espera-se que a obra apresentada tenha força literária para sustentar esse tipo de afirmação. Para mim, não é o caso aqui.
No fim, o livro se perde nesse estilo confuso e pouco convincente. Entendo a ambição do projeto, mas, como leitura, ele me parece mais opaco do que expressivo. Não tenho como dar mais que 2 estrelas.
A premissa me pareceu muito interessante. A alegoria escolhida para destacar a "sutileza" na construção do racismo, em contraste com suas consequências profundas, foi bastante inovadora. Mas o enredo em si não foi tão cativante, talvez pelo fato da linguagem ser muito objetiva.