Em 1969, o mundo assistiu com emoção à chegada do homem à Lua através da maravilhosa «caixa mágica». Hoje, ao ligarmos um televisor, percebemos que, depois de um gigantesco salto, demos um valente trambolhão. Na era da pós-verdade e dos factos alternativos, todos os dias parecem 1 de Abril. Programas matinais promovem adivinhos e feitiços contra o mau-olhado, documentários legítimos misturam-se com outros onde aprendemos que as pirâmides foram construídas por extraterrestres e nos intervalos publicitários brindam-nos com alegações de saúde mirabolantes.
«Afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias.» A frase é do grande cientista - e céptico - Carl Sagan e conduz ao objetivo deste livro: promover o uso do pensamento crítico e racional, com apoio no método científico.
- Os alimentos ditos naturais, que também contêm químicos, são mais seguros? - Será que o destino está escrito nas estrelas e nas cartas de tarot? - Devemos ter medo das vacinas e proibir os organismos geneticamente modificados? - Será que no antigo Egipto não existia já tecnologia para construir as pirâmides?
Somos diariamente confrontados com todo o tipo de afirmações. Muitas parecem ser científicas, mas as aparências iludem. Das dietas milagrosas à homeopatia, das pulseiras do equilíbrio à adivinhação, das teorias da conspiração, dos malefícios do glúten ou das vacinas às curas para o cancro, passando pelo não-jornalismo de base científica ou pseudocientífica, esta obra aborda dezenas de situações de cariz duvidoso.
E oferece respostas: dá dicas para pensar como um cientista, desenvolver postura céptica e pensamento crítico. Para que não se deixe enganar.
Acompanho o trabalho da COMCEPT – Comunidade Céptica Portuguesa mais ou menos desde que apareceu, em 2012, e admiro imenso o trabalho que fazem. Esta organização de cidadãos independentes tem como principal objetivo “promover, em todos os âmbitos da sociedade, o uso do pensamento crítico e racional, com apoio no método científico“. O cepticismo que apregoam advém da vontade de questionar o que nos rodeia, o exigir provas fundamentadas para tudo aquilo que nos chega vindo dos mais variados meios. A COMCEPT deseja denunciar casos de pseudociência e de “negacionismo de factos científicos bem estabelecidos“.
São vários os temas abordados neste livro, como o movimento anti-vacinas, os organismos geneticamente modificados, os tratamentos detox, as terapias alternativas (incluindo a homeopatia) ou a comunicação social pós-facto (com as famosas fake news). Em todos estes temas, os autores explicam do que se trata, contextualizam e apresentam-nos factos que corroboram a sua opinião sobre eles. Quem nunca viu nas redes sociais “notícias” ou artigos partilhados à exaustão, que mais tarde se vieram a revelar autênticos embustes? Somos constantemente bombardeados nas redes sociais ou na televisão com artigos que prometem curar tudo e mais alguma coisa, mas que, no fundo, são apenas formas de fazer dinheiro à custa da desinformação.
Por isso e por muito mais coisas, livros como este Não se deixe enganar são extremamente relevantes e de leitura essencial. O fluxo de informação nos dias que correm é tão intenso que, mesmo para os mais atentos, começa a ficar cada vez mais difícil distinguir o que está certo do que está errado. No final do livro, os autores apresentam-nos algumas ferramentas para sabermos lidar com isto. Adicionalmente, aconselho-vos que sigam a página da COMCEPT no Facebook, bem como o Scimed – Ciência baseada na evidência e Os Truques da Imprensa Portuguesa. É cada vez mais importante que nos mantenhamos atentos, que questionemos, que sejamos cépticos.
Temas atuais e do nosso quotidiano. Compacto, direto, de leitura fluida. Devia ler-se na escola, a par do Pseudociência (David Marçal). Dá vários exemplos de pseudociência mas demonstra o que está por trás, ensinando o leitor a pescar em vez de lhe dar o peixe. Uma referência no pensamento crítico em Português.
Sinto-me sempre algo desconfortável por rever um livro de um tópico que conheço bem. Este, para piorar o meu desconforto, até tem como um dos autores alguém cujo conhecimento no dito tópico reconheço e estimo. E que tópico é esse... mau... esse é outro problema. Pode-se dizer que o tópico geral é cepticismo. Mas é um pouco mais prático, lato e um pouco menos filosófico que isso. Penso que o podemos reduzir a "como não ser engrupido por parvoíces" ou "como não acreditar em idiotices".
Penso que estamos em condições de concordar em cunhar estas correntes filosóficas com os nomes anti-engrupismo ou contra-idiotismo.
"Não se deixe enganar" é um livro que nos ajuda a navegar no complexo mundo de informação em que vivemos com particular foco naquilo que pode, e é, avaliado cientificamente. A maioria do seu conteúdo é uma revisão das parvoíces e idiotices que existem por obsessão, convicção e/ou interesse económico e/ou politico. O último terço do livro trata das ferramentas que devemos desenvolver para nos tornarmos menos susceptíveis às ditas parvoíces e idiotices.
É um bom livro, o melhor deste género escrito na lingua portuguesa, que eu tenha conhecimento. É escrito por um conjunto de pessoas que promove activamente o pensamento crítico, o cepticismo, a divulgação e comunicação científica.
Quando alguém me pergunta "mas como é que sabes?" eu recomendo o "The Skeptics Guide to the Universe". Se quem me perguntar for português, passarei, com todo o gosto, a recomendar este "Não se deixe enganar".
Livro da COMCEPT (Comunidade Céptica Portuguesa). Essencial para separar o trigo do joio e melhor navegar na " era da pós-verdade e dos factos alternativos". Muito bom. Na senda de "Bad Science" de Ben Goldacre.
Leitura recomendada para toda gente. Um pouco mais abrangente que o “Pseudociência” de David Marçal, desconstroi muitas patranhas que ouvimos todos os dias.