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O Pianista de Hotel

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O Pianista de Hotel transporta-nos numa melodia.Â É uma entrada para um mundo regido pela linguagem da música, pela sua força e beleza, presentes no ritmo de cada frase, de cada parágrafo rigorosamente medido.Livro em camadas, nele se cruzam diversos planos, diversas histórias perpassadas pelo poder redentor da música «que entra e rasga», a solidão, a dor e o vazio das pessoas que habitam nestas páginas. Com um vasto subtexto, a densidade das personagens está carregada de mistérios que nos prendem a sucessivas interrogações.Há um pouco de nós em todas elas.Há muito de nós neste mergulho ao mais fundo da alma humana.Â É um romance que se lê e ouve, que mantém todos os sentidos alerta. Uma pauta musical, com andamentos diversos, que acabam por se cruzar numa vertigem imprevisível de autêntico thriller psicológico.E, depois, há o pianista...

390 pages, Kindle Edition

First published January 1, 2017

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About the author

Rodrigo Guedes de Carvalho

12 books254 followers
RODRIGO GUEDES DE CARVALHO nasceu no Porto, a 14 de Novembro de 1963.
Licenciado em Comunicação Social, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, profissionalizou-se na RTP. Actualmente é subdirector de Informação da SIC. Em 1997 recebeu o Prémio Especial do Júri do Festival FIGRA, em França, pela reportagem A condição humana, sobre as urgências hospitalares.
Em 1992 estreou-se na escrita, com o romance Daqui a Nada, vencedor do Prémio Jovens Talentos da ONU, conhecendo uma reedição pela Publicações Dom Quixote, em 2005. Nesse ano lançou o best-seller A Casa Quieta e assinou o argumento da longa-metragem Coisa Ruim, co-realizada pelo seu irmão Tiago Guedes. É ainda autor de A Mulher em Branco (2006), Canário (2007), O Pianista de Hotel (2017), Jogos de Raiva (2018) e Margarida Espantada (2020).

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192 (27%)
4 stars
320 (46%)
3 stars
136 (19%)
2 stars
31 (4%)
1 star
7 (1%)
Displaying 1 - 30 of 87 reviews
Profile Image for Tânia.
482 reviews
August 21, 2017
Medianeras de Gustavo Taretto

Rodrigo Guedes de Carvalho, autor de O Pianista de Hotel, é um conhecido jornalista e pivot de televisão. Ainda não conhecia a sua vertende de escritor e fui com as expectativas em alta, pois tinha lido algumas críticas muito positivas, nomeadamente a de Helena Vasconcelos no Público.
São múltiplos os temas abordados nesta obra. Todos actuais e que respeitam a pessoas comuns, tais como a violência doméstica, a homossexualidade, o desgaste profissional, a morte de familiares próximos. O autor explora-os centrando a narrativa na psicologia de cada personagem e pouco em acontecimentos, pois os grandes acontecimentos aconteceram todos no passado, que é frequentemente recordado por cada personagem, demonstrando que é certeiro o aforismo de William Faulkner, de que “the past is never dead. It's not even past”. O autor revela um profundo conhecimento sobre os actuais descontentamentos do homem comum citadino, aliás a obra está repleta de considerações e generalizações sobre o homem sozinho e perdido na multidão que o rodeia.
Durante a maior parte da obra, senti que a história estava a ser cozinhada em lume muito brando, ou fazendo analogia com a música, parecia uma faixa de música muito longa e sem grandes arranques, senão quando o final me arrebata e deixa-me a pensar no que li. Nos desencontros por oportunidades desperdiçadas, por descrença, por cansaço das desilusões.
Aquele final que mexeu comigo recordou-me um filme argentino, de que gostei muito e julgo ser desconhecido da maioria. O filme a que me refiro é o Medianeras e as imagens que publico estão relacionadas com esse excelente filme.


Atendendo a que o filme não estreou nas salas portuguesas e não foi lançado em DVD, recomendo que o vejam aqui (ainda que as legendas estejam em português do brasil).

Também no final descobriremos como a figura a que alude o título da obra é curiosa. Remete-nos para a figura do pianista de (bar de) hotel que facilmente visualizamos mas pouco saberemos sobre a mesma. Mas é bem conseguido e o leitor é magistralmente enganado.

Gostei do romance centrado na psicologia das personagens, nas considerações sobre o comportamento humano e o final tão real que senti como um abanão. Também foi muito simpático ter-me feito recordar um filme tão especial como Medianeras.
Não apreciei o ritmo lento da narrativa, que julgo poderia ter sido encurtada.

Podem ler aqui uma entrevista do autor a propósito deste livro.
Profile Image for Ana.
756 reviews178 followers
July 20, 2018
Moram cá em casa todos os romances que Rodrigo Guedes de Carvalho publicou e foi com enorme alegria que o ano passado eu e o maridinho recebemos a notícia de que o autor tinha posto fim a um interregno demasiado extenso (de mais de dez anos!) publicando O pianista de hotel. Não sabemos o que esteve por detrás desse interregno, mas já lho perdoamos – e sem qualquer espécie de rancor – pois a espera valeu bem a pena.
Não me sinto especialmente à vontade para estabelecer paralelismos entre O pianista de hotel e as suas “irmãs mais velhas”, porque já as li há muitos anos (existe vontade de relê-las, é verdade, mas são sempre suplantadas pelas leituras mais “frescas” na estante) e aquilo que ainda retenho são as influências antunianas em Daqui a nada, por exemplo, a presença marcante de conflitos emocionais e geracionais entre personagens que arrebatam o protagonismo na trama e um estilo que tem o descaramento de nos sugar a atenção e deixar-nos um nadinha furibundos com desfechos pouco conclusivos. Muitas destas características estão presentes em O pianista de hotel, porém aquilo que se destaca e talvez reflita um refinamento e amadurecimento na escrita do RGC seja o papel do narrador e a consequente importância que aquele lhe confere na estrutura e desenrolar da narrativa.
Não é necessário avançar muito na leitura para compreender e sentir que, apesar de estarmos com um livro nas mãos, a escrita parece dar lugar à oralidade e que facilmente nos imaginamos sentados ao lado de alguém que nos conta uma história e que, como sempre ou quase acontece, se dispersa, divaga e vai entrelaçando e intrometendo detalhes, factos, sentimentos e outros aspetos de outras personagens, lugares e tempos. É, assim envolvidos nesse estilo oralizante e muitíssimo bem trabalhado, que vamos penetrando nas vidas de diversas personagens e criando laços imediatos com todas elas, ou melhor, com quase todas, pois creio que uma ou outra (Ana Paula, por exemplo) são desnecessárias e nada acrescentam à narrativa.
Luís Gustavo, Maria Luísa e Pedro Gouveia foram, sem dúvida, as minhas personagens preferidas. As três são “órfãs” e sentem-se incompletas. Tentam remediar essas lacunas que a vida não lhes quis preencher ou que lhes deixou em determinado momento evitando o mundo à luz do dia, singrando com muito êxito na profissão escolhida ou acobardando-se nos momentos decisivos. Foi-me impossível não me condoer das suas situações, da falta física, emocional e prática de sentem de alguém que partiu das suas vidas, foi-me impossível não acarinhá-los em variadíssimos momentos e foi-me impossível não gostar deles. Amei a relação que Luís Gustavo tem com o seu avô Sérgio (outra personagem deliciosa), a amizade genuína que liga Maria Luísa a Saúl Samuel (mais uma personagem bem construída) e a ligação profissional e paternal que une Luís Gustavo e Pedro Gouveia. São inquestionavelmente – personagens e laços que as juntam – pontos fortes desta obra e que me fizeram devorar quase quinhentas páginas em pouco tempo.

Opinião completa em:
http://osabordosmeuslivros.blogspot.c...
Profile Image for João Sampaio.
129 reviews39 followers
November 20, 2020
Uma escrita musical e musicada.

Uma escrita onde, com enorme facilidade, me sentei ao lado de uma personagem que se encontrava hospitalizada em estado comatoso, me sentei numa mesa onde servia uma linda rapariga, numa sala de operações onde operava (ouvindo apenas música para não haver distrações) um conceituado cirurgião e a sua equipa, me deparei num átrio de hotel ouvindo as maravilhosas notas vindas de um piano.

Uma escrita que me envolveu na história, nas suas personagens, nos seus destinos cruzados, nas suas encruzilhadas, lutas e frustrações. Rapidamente me sentia impelido a falar-lhes (às personagens) aos ouvidos e dizer-lhes “faz isto, faz aquilo”, “não faças isso, não vai correr bem”, “como te compreendo”,...

Um misterioso enredo que é uma verdadeira pauta musical, com as suas linhas devidamente equidistantes, horizontais e paralelas. As histórias vão decorrendo, também elas, devidamente equidistantes, paralelas, ao tom do rumo das suas vidas (verdadeiras notas musicais). Personagens igualmente próximas, tão próximas e que, tal como as pautas, acabam por nunca se tocar.

Um livro que assume ritmos comuns a uma dinâmica musical e à sua intensidade. Por vezes forte, outras piano, por vezes num ritmo lento, outras tantas assume uma energia extra, conferindo-lhe um ritmo avassalador. Por vezes crescendo com as renovadas esperanças e a luz que nas suas vidas vão surgindo, por vezes um dominuendo, com as desgraças e desesperança, as cabeçadas da vida.

“Pianista do hotel”. Não estava fácil chegar à parte onde perceberia porquê desse título. Foram algumas centenas de páginas até surgir a menção ao dito. E que descoberta!
Personagens (as vivas e as mortas) bem desenhadas que são autênticos instrumentos musicais.

Um tributo aos mortos, amigos, familiares desaparecidos “que nunca desaparecem” e nos acompanham. Um som, uma aparição, um objeto fora do sítio, uma nota musical, aquela nota musical…

Várias reflexões sobre a sociedade atual, sobre a solidão, sobre o “homem sozinho” que se encontra no meio de uma multidão. Aborda a homossexualidade, foca as relações com vários anos, monótonas, rotineiras, explora o assédio sexual, a sexualidade, os encontros e desencontros, as desilusões e desuniões da vida.

Um livro que quando chegamos ao fim ficamos com a sensação do inacabado. Queremos mais...
Profile Image for Maria João (A Biblioteca da João).
1,387 reviews250 followers
November 13, 2020
9,5 de 10*

Depois de ler “Margarida Espantada” fiquei com muita vontade de ler os outros livros publicados por Rodrigo Guedes de Carvalho. Foi agora a vez de “O Pianista de Hotel” e em boa hora o fiz! Que livro bom este! Percorrer estas páginas foi uma viagem incrível!
Rodrigo escreve diferente. Não tem um texto corrido, nem uma pontuação dita normal. Tem personagens com dois nomes próprios, tem diálogos rápidos e assertivos, tem personagens carismáticas e cheias de camadas.

Comentário completo em:
https://abibliotecadajoao.blogspot.co...
Profile Image for Ana Carvalheira.
253 reviews68 followers
July 14, 2017
Foi o primeiro livro que li de Rodrigo Guedes de Carvalho e fiquei surpreendida com a sua extraordinária eloquência narrativa!

Do ponto de vista morfológico, agradou-me o efeito produzido por uma estruturação da oralidade em texto escrito, no sentido que damos às palavras, às expressões, às sintaxes quando as verbalizamos. E, utilizando esta estratégia, RGC constrói um romance que também poderia ser ouvido sem que nada fizesse perder o interesse e a qualidade do seu próprio conteúdo literário. Não se limitou a escrever um texto corrido, com as necessárias pausas, diálogos, monólogos introspetivos, etc., mas, a meu ver, conferiu a este romance uma cadência musical que também vai de encontro ao misterioso enredo.

Todas as personagens, e são várias, a elas lhes foi reservado um drama existencial, uma tragédia imoral - no sentido da imoralidade das injustiças que um qualquer ser superior, ou talvez inferior decidiu, se calhar numa a noite de insónia ou numa manhã de ressaca, atribuir a quem, se calhar menos merece - vítimas de impensáveis e imponderáveis situações que, se formos bafejados pela sorte, poderemos resistir-lhes e sair algo incólumes ao longo da vida. Mas, por outro lado, afigura-se-me desleal quem possa acreditar que “essas coisas apenas acontecem aos outros” e não ter a noção de que a vida consiste de facto, numa série de imponderáveis, possibilidades, probabilidades, incertezas e tudo sem garantias e prazos firmes de validade. RGC ergue, assim, de uma forma notável, essa galeria de personagens, todos marcados por pesadelos, traumas, fobias, desconstruções do ser nas suas mais básicas aspirações, nas suas mais credíveis e aceitáveis expectativas que a vida vai deixando que se esfumem no nevoeiro das circunstâncias de que nos afetam a todos ... pois RGC nunca deixa de nos recordar que somos pessoas e as nossas circunstâncias ... por exemplo, eu Ana, sou mulher e a minha circunstância. Pode, à primeira vista, parecer algo extremamente prosaico como quem diz, ahh pois é, somos todos fruto das nossas experiências, da nossa educação, do que lemos, do que ouvimos, do que escutamos, do que observamos, do que absorvemos mas parece-me que a ideia foi acentuar que não somos fruto mas essa mesma circunstância que é algo que nos adjetiva, que nos qualifica, na generalização de tudo que nos enforma e forma, que se nos cola e adapta à pele e dela nunca mais sai. Gostei dessa forma poética que RGC utiliza para caracterizar a conduta humana.

E porque o pianista de hotel? Tinha passado já metade do livro e ainda não tinha encontrado aquele clique que, minimamente, poderia associar o título ao conteúdo da narrativa e indagava-me quando iria, finalmente, entender o que ou quem era essa personagem! E foi de facto uma descoberta inusitada mas no bom sentido! Não queria alongar-me muito nesta questão pois poderia tirar o interesse da leitura por parte de quem ainda não a iniciou e pretende fazê-lo. Apenas digo que, o pianista de hotel é a personagem central de toda a trama!

A música, tratada como uma espécie de “guest star” consiste no elemento polarizador da ação pois caminha paralela em todas as direções, aglutina personagens, constrói cenários, redime pecados mas, acima de tudo, aponta caminhos, abre as portas da alma, com ela tudo perdoamos, sem ela tudo seria engano …

RGC dedica este livro a todos os nossos mortos mas não o faz de uma forma funesta, sinistra, dolorosa ou dramática, muito pelo contrário, a mensagem pareceu-me algo extremamente positivo tendo ido um pouco mais além da convicção de que todos temos que, os nossos entes queridos que já partiram para uma outra dimensão, continuam conosco ...

Só não atribuo cinco estrelas porque, de quando em vez, RGC perdeu-se em algumas banalidades que considerei algo excessivas e ao mesmo tempo estranhas ao resto do conteúdo e porque afirmou que Espinoza era holandês :)
Profile Image for Ana.
598 reviews67 followers
August 13, 2022
Não sei bem o que opinar sobre este livro, mas tenho uma certeza, foi uma descoberta de sentimentos em cada página em cada capítulo. É uma verdadeira montanhosa russa de emoções. Está muito bem escrito e é a escrita que inicialmente nos prende, principalmente nos capítulos iniciais.

Se houvesse 3,5 * teria sido a pontuação justa mas o Goodreads não permite
Profile Image for Isabel.
313 reviews46 followers
October 10, 2017
4,5*

P. 11- "Abriram ambos um livro e, julgando lê-lo, estavam a ser lidos."
Profile Image for Sofia.
1,038 reviews128 followers
March 11, 2020
Gosto do autor como jornalista, mas gosto ainda mais como escritor.
Tinha lido há alguns anos "A casa quieta", que foi uma agradável surpresa e li de seguida "A mulher em branco", que creio que saiu logo depois.
Posteriormente, por motivos que não me recordo ou apenas por circunstâncias e acasos da vida, não tornei a pegar num livro de Rodrigo Guedes de Carvalho.
E de circunstâncias e acasos da vida nos fala este romance. Dos nossos fantasmas (também vejo os meus e falo muitas vezes com eles: espero que me ouçam), de (des)encontros e de cansaço ("O que há em mim é sobretudo cansaço/Não disto nem daquilo/Nem sequer de tudo ou de nada/Cansaço assim mesmo, ele mesmo/Cansaço." F.P.).
Estamos sozinhos na multidão que nos rodeia e tantas vezes bastava acreditar, mas o cansaço das desilusões da vida puxa-nos para baixo. Dizei uma palavra e serei salvo.
Profile Image for Elsa.
65 reviews38 followers
January 28, 2018
A ler... sem dúvida. Esperar 10 anos por uma obra assim... vale a pena.

Apesar de não o conhecer pessoalmente nutro um carinho especial por Rodrigo Guedes de Carvalho, acho-o um jornalista a sério e gosto de o ouvir. E, desde há alguns anos também gosto de o ler.

Confesso que, e talvez porque saiu há já década, não consigo lembrar-me de detalhes da última obra dele que li, apenas estava ainda claro que gostei muito (Canário – editado em 2007). Por isso, e depois da leitura de O Pianista de Hotel fui folheá-lo de novo e pude constatar que afinal gostei muito de muitas passagens – assim o provam as inúmeras marcas nos cantos das páginas.

Mais uma vez Rodrigo Guedes de Carvalho consegue prender-nos à leitura sem nos desiludir. As estórias ao mesmo tempo que parecem nem sequer poderem vir a cruzar-se acabam por se entrelaçar de uma forma que nos deixa quase perplexos... A densidade emocional das personagens atinge-nos como um raio e não foram raros os momentos, durante a leitura, em que tive de engolir em seco ou parar um pouco para respirar fundo.

Ao longo das quase 500 páginas todas as estórias vão sofrendo reviravoltas incríveis o que nos deixa cada vez mais agarrados à leitura sem perceber se queremos mesmo continuar ou se não será melhor deixarmos para o dia seguinte para saber que outra “desgraça” estará para acontecer ou para nos ser revelada.

Engane-se quem pense que vai ler um livro fácil.

O Pianista de Hotel está escrito com uma linguagem crua e pura e é uma obra de leitura quase (quase?) pesada do ponto de vista emocional que aborda alguns temas que muitos outros escritores teriam “problemas” em abordar, como seja a violência doméstica, violação, assédio sexual, a estigmatização social por variadas razões, a orientação sexual dita “desviante” e condenada pela sociedade, depressão e ... a nossa (sim, de todos nós) relação com a perda e/ou morte de quem amamos.

Eu considero este livro ao mesmo tempo duro / cruel (mais um fortíssimo murro no estômago) e, ao mesmo tempo, do mais bonito a nível emocional que se pode ler. Para perceberem porque o digo terão de o ler... Há passagens que me emocionaram bastante e que me fizeram parar alguns minutos...

Deixo aqui apenas um pequeno excerto de uma descrição de um desses momentos que nos transportam até às urgências de um qualquer hospital...

“Pedro Gouveia entra na sala de trauma, e Luís Gustavo já lá está, e Pedro Gouveia olha para ele antes de olhar para o doente e percebe. É grave, é bastante grave, mas Pedro Gouveia pediu um dia como os outros.
E diz então para descobrirem o ferido, começar pelos cobertores, pelos lençóis, vamos lá a cortar-lhe a roupa depressa.
E Pedro Gouveia, que passou a vida a ver isto, já não consegue ver isto
- Que é esta merda meu deus o que é que fizeram a este desgraçado, que é isto caralho
E Luís Gustavo e os outros enfermeiros sabem que não é para responder, é só para ouvir
- Quem faz uma coisa destas, deus meu
porque o doutor sabe que alguém fez alguma coisa, isto não foi acidente, o tipo de fracturas, onde são e como estão, foi coisa cirúrgica, e um acidente contra um muro não tem nada de minucioso, como uma queda do décimo andar, isso são pastas informes, até porque o médico sabe
porque lhe contaram logo os enfermeiros
que ouviram os paramédicos e os bombeiros
contar o que ouviram dos polícias e testemunhas
que foi um tipo jovem ou dois ninguém sabe bem
que tinham na mão tacos de beisebol ou ferros ou correntes
ninguém sabe afiançar
mas que bateram sem parança
e só fugiram quando alguém não aguentou mais
e foi na direcção deles aos gritos
vocês matam o homem vocês matam o homem” (...)
Profile Image for Filomena Clercq Faria.
5 reviews11 followers
February 6, 2018
A crueza da linguagem seduz-me. O autor conseguiu colocar um imenso poder nas páginas deste extraordinário romance. Há trejeitos narrativos que me incomodatram, as chamadas flores de papel de embrulho que desqualificam este ou aquele parágrafo, mas aquilo que fica promete durar. Que melhor promessa existe para quem ser atrever a pegar-lhe.
Profile Image for Luís Queijo.
322 reviews27 followers
June 10, 2022
Após alguns anos na expectativa e com vontade de ler alguma coisa do autor (que admiro substancialmente pela “boa onda” que me transmite - aquelas coisas que não se explicam), que tem sido sempre preterido face a outros que tenho considerado mais prementes, resolvi pegar no último dele - “Cuidado com o cão”. Qual não foi a minha surpresa de perceber, antes de o começar, que é o último de uma suposta trilogia (que, pelos vistos, não é bem), com personagens em comum. Resolvi começar pelo primeiro (este) e depois a avançar para os seguintes.
Relativamente ao livro, acho que nunca fiquei tão confuso acerca do que dizer. A escrita é completamente diferente de tudo o que tenho lido. Assemelha-se a uma história verbalizada com tudo o que isso acarreta - atropelos no discurso, o fusão de ideias, repetição frásica para enfatizar e, como se não bastasse, pensamentos do narrador/orador pelo meio. Simultaneamente, num mesmo capítulo muda-se de tempos narrativos um sem número de vezes o que não ajuda à percepção do desenrolar da história. Tudo isto, “primeiro estranha-se e depois entranha-se”, não resultando mal uma vez que me manteve agarrado para perceber como seria o desenlace final. Isso é que me chateou, mesmo.
Se até aí, se vai navegando com os estranhos recursos estilísticos do autor, e percebendo que o foco é mais a construção dos personagens e das sua relações (o que é explorado de forma soberba), o fim tão “aberto” deixou-me um “amargo de boca” enorme. Gostava de pensar que o desenlace seria reservado para os volumes seguintes da suposta trilogia, ainda que ache que não ocorrerá.
Par quem, como eu, gosta de princípio, meio e fim, senti-me defraudado, ainda que valha pelos personagens e pelas vivências relatadas., tão comuns a todos nós. Podia ser pior… mas também podia ser muito melhor.
Lê-se, quando me apetecia recomenda-lo, vivamente.
Profile Image for Diana Costa.
41 reviews8 followers
June 6, 2017
Este senhor prende e surpreende-me sempre.Tem a capacidade de apaixonar-me cada vez mais pela sua escrita: por um lado objetiva, crua, carnal, humana, quotidiana nas palavras como nas imagens, por outro, complexa quanto de empregnada de doçura ternurenta, onde em quase todas as páginas há desenhos lineares de prosa poética.
O facto de recoorer à medicina e a sua importância nas nossas vidas, repete-se.
É obrigatório lê-lo!
Profile Image for Joana.
95 reviews28 followers
September 23, 2017
Foi o primeiro livro que li de Rodrigo Guedes de Carvalho, mas seguramente que não será o único. Com uma escrita muito estilística, mas simtaneamente coloquial, este romance lé-se de um fôlego. Podia ser sobre qualquer um de nós, seres imperfeitos, repletos de desejos e angústias, que carregamos connosco os nossos mortos e o passado que nunca deixa de nos assombrar. Foi até agora um doa livros que mais gostei de ler este ano.
Profile Image for Carla.
184 reviews25 followers
December 3, 2019
O Pianista de Hotel, o quinto livro escrito por Rodrigo Guedes de Carvalho, mas o primeiro que leio deste jornalista e escritor, dá-nos a conhecer histórias distintas de diferentes personagens que, de uma forma ou de outra, acabam por se cruzar, tendo como elo de ligação entre as histórias e seus protagonistas a música, seja através do som de uma harmónica tocada por um avô ao neto, apesar daquele mal saber tocar, seja por intermédio do neto, que já adulto e trabalhando no hospital como enfermeiro, decide aprender a tocar melódica para melhor suportar o quotidiano difícil da sua profissão, seja por uma violoncelista exímia que encanta os professores e o público com o seu virtuosismo, mas que granjeia o ódio do namorado, o qual por raiva e inveja a agride violentamente nas mãos, impedindo-a de voltar a tocar, não obstante o seu pai, um reputado médico ortopedista tudo fazer para a ajudar, seja através da música de uma guitarra tocada por um músico de rua que encanta uma jovem empregada de um restaurante e de uma discoteca, que percorre as ruas em busca de salvação para as suas fragilidades e inseguranças resultantes de ter ficado com dezasseis anos sozinha no mundo e sem conseguir dormir à noite por medo e desamparo, seja também através das músicas tocadas por um pianista num hotel de Lisboa, onde se encontram o enfermeiro e o médico ortopedista que referi, os únicos que as escutam, pois na verdade talvez não exista nenhum pianista a tocar naquele hotel.

Como é característico nas obras de vários escritores portugueses, as vidas das personagens deste livro são difíceis e tristes, uma vez que ou foram abandonados enquanto crianças e jovens pelos pais, ou perderam os seus filhos, ou nunca tiveram coragem para assumir e lutar pelas pessoas de quem gostaram, ou mantiveram relacionamentos familiares conflituosos, ou nunca conseguiram por medo obter os estudos e o emprego que tanto ambicionaram ou, finalmente, tudo atingiram a nível pessoal e profissional, mas tudo perderam por motivos diversos.

E neste livro não há histórias felizes, nem finais felizes, visto que cada uma das personagens acaba por desistir dos seus sonhos, o que se deve a uma espécie de determinismo da literatura portuguesa, que as conduz à solidão, à doença ou à morte.

No entanto, e apesar de tristes, há uma certa beleza nas personagens e no seu percurso de vida, muito por causa da sua bondade, da amizade que as une e do amor que sentem pelos seus familiares, mesmo em relação aos que já faleceram e que visitam "os vivos" de quando em quando, de forma a trazer-lhes algum conforto.

Mas quanto a mim, as histórias tristes com finais infelizes começam a desgostar-me. Considero que a literatura para ter qualidade, não tem que ser necessariamente feita de personagens sofridas e de enredos trágicos.
Profile Image for Helia Jorge.
41 reviews7 followers
November 1, 2017
Um livro de histórias que se cruzam sem nunca se chegarem a tocar.
Um livro onde o limiar da loucura e da realidade se confunde.
Um livro de desesperanças com intervalos de alegria pueril.
Um livro de palavras por dizer, de gestos que ficam no ar numa promessa nunca cumprida.
Um livro que é como uma nota que se arrasta e repete até à exaustão.
Um livro que nos deixa a eterna sensação de que tudo fica a meio, inacabado... e a angustia de saber que faltava tão pouco para que tudo fosse diferente.
Um livro que não nos deixa indiferentes mas que não nos deixa cômodos.
O Rodrigo Guedes Carvalho confirma assim ser um exímio escritor que nos sabe levar ao desconforto e não nos fala à mente nem ao coração mas directamente ao estômago.
Profile Image for Adoração dos Livros .
15 reviews29 followers
September 17, 2022
Gostei muito deste livro, escrita simples mas ao mesmo tempo rica, tem um emaranhado de histórias com as quais nos identificamos. Personagens vulgares, como todos nós, mas que vamos percebendo, ao longo do livro, os factores que os levaram a ser assim...
Profile Image for Rui.
184 reviews10 followers
April 2, 2019
Nunca tinha lido nada do autor. Face às críticas - e certamente ao marketing - esperava mais. Custou-me a entrar na história. Reconheci estilos que serão do agrado do autor. Em alguns momentos vemos Saramago e noutros até o Antonio Lobo Antunes; a magia é que ainda não está lá. Contudo não posso dizer que não gostei: apenas esperava mais. Obrigado, Rodrigo.
Profile Image for Vanessa.
95 reviews15 followers
November 17, 2020
Opinião ⭐ ⭐ ⭐ ⭐
Este livro captou a minha atenção logo no início devido aos acontecimentos das primeiras páginas, mas depois o meu entusiasmo foi esmorecendo quando comecei a perceber para onde se encaminhava o enredo.
É um livro sobre encontros e desencontros, de dramas familiares com episódios mal resolvidos e de vidas que se cruzam e se tocam sem se verem, tem um algo mais do qual não vou falar, vou deixar que o descubram quando lerem este "O Pianista de Hotel", mas foi este detalhe que me deixou desconcertada.
Contudo, a escrita do Rodrigo Guedes de Carvalho é muito bonita e isso contribuiu fortemente para que lhe desse as 4 estrelas, fez com que eu fosse saboreando as suas palavras, mesmo quando a história não me estava a agradar tanto quanto gostaria.
A nota final para mim foi esclarecedora para eu poder contextualizar um pouco mais este livro na minha cabeça.
Profile Image for Cristina.
45 reviews2 followers
October 9, 2021
Desde que iniciei este livro, não consegui mais largá-lo. Foi um crescendo de emoções até à última página. Que excelente surpresa! Não tinha qualquer expectativa e fiquei rendida à escrita de RGC. Como a narrativa foi inteligentemente construída, pelas tais "camadas", a profundidade dos personagens, a melodia que os acompanha. E consegue ainda manter o suspense, do vai não vai, que nos envolve porque até queremos dar uma ajudinha...
Profile Image for Tânia Dias.
167 reviews13 followers
June 8, 2024
Se o início me causou estranheza, tudo o resto se entranhou em mim. Diálogos tão reais e intensos. Histórias paralelas como cadernos de música à espera das notas.
Fiquei rendida a esta escrita, ao domínio completo digno de um enorme contador de histórias.
É tão bonito ver que, para além do conceituado jornalista, é um Homem com os valores certos, um escritor brilhante.
Recomendo! 🤍
Profile Image for Tiago Delgado.
25 reviews
July 24, 2022
Um livro que deixa o leitor de boca aberta!
Cada escritor tem a sua maneira de escrever e Rodrigo Guedes de carvalho não foge à regra, temos que apreciar a escrita de cada autor por mais invulgar que nos pareça.
A história é um pouco confusa no que toca à descrição história das personagens uma vez que são descritas por capítulos.
Profile Image for Paula Susana.
10 reviews1 follower
September 16, 2022
Estava desejosa para ler este autor... pelas criticas tinha grandes espectativas!
Mas... não me fascinou, confesso que durante a leitura, chegou até a desiludir-me... a espectativa estava muito alta!!!!!
Talvez a escrita do autor tenha contribuído para este desgosto. Não consegui sentir empatia por nenhuma personagem... E por falar em personagens, o pianista de hotel, afinal... "E, depois, há o pianista..."
Profile Image for Carla Mendes.
165 reviews4 followers
December 26, 2018
Talvez se tivesse lido antes este e só depois o "jogos de raiva"... Este tivesse sido o meu favorito. Mas agora nunca o saberei. Escritos de forma que me parece mito semelhante, os dois me surpreenderam agradavelmente. As personagens e os seus destinos, chocantes e envolventes. Um livro bonito mas que nos deixa com uma sensação de que algo ainda não acabou. Na verdade, muito ainda não acabou.
Agora estou curiosa em relação aos outros!
Profile Image for Marco Caetano.
102 reviews9 followers
August 31, 2021
Rodrigo Guedes de Carvalho é escritor, já tinha ouvido dizer, agora posso afirmar. Este pianista de hotel é todo ele música e que bela música!

O pianista de hotel é um livro feito de camadas que se interligam e que prendem o leitor do início ao fim. Este é para mim o ponto forte deste livro, as suas várias camadas (capítulos) genialmente estruturadas, através das quais somos transportados, terminando sempre em grande suspense. Assim, temos várias frentes em aberto, nas quais queremos estar e por isso mesmo deixamo-nos conduzir ao som desta música. Na verdade, é indiferente saber qual a camada que vai ter continuação a seguir, pois queremos segui-las sem preferência. Que é isto senão mestria!

A forma como as personagens nos são apresentadas é outro ponto forte. São pessoas comuns, como qualquer um de nós, carregadas de histórias de vida com as quais nos identificamos de uma forma ou de outra. O caminho escolhido nunca é o de uma descrição direta. Há um leve levantar do pano no decorrer dos acontecimentos, permitindo a sua apresentação. Uma curiosidade, todas as personagens são apresentadas com dois nomes Maria Luísa, Luís Gustavo, Saul Samuel, Maria Amélia, etc., etc.

Para continuar a ler:
http://conspiracaodasletras.blogspot....
Profile Image for Suzel.
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May 8, 2021
Fui à procura deste livro numa tarde de um dia abrasador, logo eu que não gosto nada de calor, porque dentro de mim perdura a memória fina da luto de outro livro.
O autor, que sempre achei cumprir o distanciamento das almas doces pelo semblante fechado, foi de uma simpatia desarmante e, perdido no largo átrio quente, teve a delicadeza de escrever estas palavras.
Mais tarde comecei o livro e não gostei não me tocava a alma. Senti que o atraiçoava, que afinal estava errada e era indigna da sua simpatia.
Durante muitos meses deixei o livro amadurecer na mesa de cabeceira, acusando-me surdamente.
Estes dias chegou a hora da colheita e valeu plenamente a espera.
O Rodrigo Guedes de Carvalho é o meu companheiro de lutos, escreve a ausência do modo que doendo cura, e essa doçura é o que nos faz querer viver.
Profile Image for Simone Malafaia.
25 reviews
August 25, 2025
Gostei muito da escrita do autor, mesmo não concordando sempre com o que estava escrito.
O livro é um novelo de histórias e personagens essencialmente deprimentes (há uma certa beleza nisso). Ainda assim, fiquei com a sensação de não ter compreendido totalmente algumas partes.
Nenhuma das histórias me pareceu realmente concluída; foram antes vislumbres de momentos na vida das personagens, como se o propósito fosse mostrar os encontros e desencontros, as desilusões da vida e a forma como muitas pessoas, apesar de refletirem constantemente sobre as suas dores, acabam por permanecer num estado de inércia.
Apesar de perceber esta intenção, não fiquei totalmente satisfeita. Sendo um livro de centenas de páginas, senti que muitas questões triviais foram desenvolvidas como se fossem conduzir a algo maior, mas acabaram por não levar a lado nenhum.
Profile Image for Vânia Caldeira.
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October 2, 2018
A escrita é a de sempre. Sabe a familiar, a conhecida... e é tão boa! Do autor li “A Casa Quieta” (o meu preferido) e “Mulher em Branco” e noto algumas diferenças. Senti que os outros livros eram mais centrados em 2-3 personagens. Este livro é mais amplo e ainda assim cruza com mestria histórias de gente. Gente normal, com vidas comuns marcadas por diferentes adversidades. Partindo dessa tela de gente cria uma teia extraordinária de encontros e desencontros com os ingredientes também já conhecidos, mas sempre trabalhados de forma diferente - paixão, raiva, rancor, ódio, ciúme, inveja, luxúria... Transversal a toda a história há uma música de fundo, seja uma imaginada melódica, um sangrento violoncelo ou um esperançoso piano. E é por essa pauta que somos conduzidos, não conseguindo parar de ler mais um extraordinário romance de RGC. Ansiosa por ler os que me faltam!
7 reviews
February 1, 2025
"O Pianista de Hotel", de Rodrigo Guedes de Carvalho, é um livro com uma escrita poética, que explora a solidão, a busca por conexão em um mundo muitas vezes indiferente e as nuances da vida e das relações. Achei algumas passagens um pouco extensas, mas na generalidade a escrita cativa e a profundidade emocional da história mantém o interesse. Uma bonita forma de começar 2025.
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