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As Pessoas do Drama
«À minha frente, um muro. Uma faca nas costas. Eu sentia-lhe a lâmina, seca como uma luz que apenas projectasse sombra. Entre o muro e a lâmina não havia nada. Vontade, medo, expectativa, nada. Eu teria perguntado, se soubesse a pergunta, teria respondido, se houvesse resposta. Não, em ambos os casos. Não a quem perguntar, não a quem responder, não a quem acusar, eu próprio mergulhado nessa mistura de solidão e de miséria sexual de onde emergem arte, crime e religião, todos obrigados a cavar o vazio que depois se esforçam por preencher ou por dissimular. Eu duvidava, no entanto, que dos dois lados da faca o vazio fosse compatível com aquilo que o pretendia preencher. Voltei-me devagar.»
- GenresPortugal
296 pages, Paperback
First published June 12, 2017
About the author
H.G. Cancela
11 books16 followersHélder Gomes Cancela (1967) é um escritor português. Venceu o Grande Prémio de Romance e Novela APE/IPLB pela obra As Pessoas do Drama em 2018.
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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
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April 23, 2019"As Pessoas do Drama" (2017) pode ser lido como continuação de "Impunidade" (2014) ou remake, a continuidade não é perfeita, existem vários elementos narrativos que não oferecem suporte à continuidade, ainda assim pode tentar-se a aproximação. Dizendo isto apenas, já sabem o que vos espera, ainda que sendo um trabalho muito menos violento, mais focado, mas também talvez por isso mais repetitivo, fez-me sentir falta de mundo. O mundo que habitamos é vasto, denso e complexo e no entanto para Cancela, dois romances resumem tudo a meia-dúzia de personagens alienados, sofrendo todos das mesmas patologias do foro mental. Eu tentei, li vários textos sobre o livro, muitos deles pareciam escritos por quem nem sequer o tinha lido, mas chegado ao final, a convicção de que não é um bom livro é grande, embora admita que possa ter falhado na leitura, mas é o que sinto agora.
A obra recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela 2018, segundo o júri "pela leitura crítica da História e da Cultura europeia na sua relação com a cultura árabe, através de uma temática poderosa (a culpa, a impunidade, o drama, o olhar, o incesto, a tensão e a violência familiares), e de uma revisitação de personagens e de mitos do nosso património cultural ocidental". Bem, devem ter lido um livro que eu não li. Sim a Cultura Europeia está em destaque, temos Antiga Grécia (Antígona), temos Itália (Roma), Espanha (Badajoz e Cordoba) e Portugal (Alentejo, Elvas e Lisboa). Mas Cultura Árabe, a sério? Porque existe um personagem secundário marroquino, que passa por espanhol, mas porque é mudo, não fala uma língua, todos lhe dizem que é de parte nenhuma?
Quando terminei de ler "Impunidade" senti-me defraudado. Mais de metade do livro tinha sido passado a tentar interpretar algo, quando apenas a 1/3 do final Cancela resolve tirar o tapete. Desta vez Cancela termina o livro, e só na nota final que define os personagens, tal como nas peças de teatro, é que percebemos quem é quem. É um jogo vil. Das duas vezes optou por manipular o leitor, não disse ao que vinha, quis jogá-los para o meio da tragédia, obrigá-los a sentir, para depois revelar o que se passava. A isto chamamos manipulação. Hitchcock foi um dos seus maiores mestres, mas Hitchcock não brincava com temas destes, e menos ainda se repetia. Chegar ao final de "As Pessoas do Drama" e reencontrar o incesto como o segredo que tudo explica, é como ir ao cinema ver o último filme de M. Night Shyamalan, e chegar ao final e descobrir que afinal o personagem estava morto desde o início.
Por outro lado, escrever quase 300 páginas sem nunca revelar quem é quem é obra, um verdadeiro tour-de-force, ainda que conseguido à custa de muita redundância, e paciência do leitor, que perto do final já em desespero deixa sequer de querer saber quem são todos aqueles personagens que na frente dele se movem. Mas chegar ao fim e ver a mesma resposta dada no romance anterior, é anti-climático, desolador. Se existe algo que o autor quer dizer sobre o tema que escreva um ensaio, agora usar o romance para rodear, tornear a questão parece-me de mau gosto. Porque o texto não é inocente. Cancela não está propriamente a escrever um livro para chocar e vender, ele usa a escrita para afirmar um ponto de vista, tal como diz:
"É algo a que me proponho enquanto projecto de escrita e de literatura: cada livro tem de merecer a atenção do leitor. Deve dar-lhe algo em troca daquilo que exige. E deve dar-lhe tanto mais quanto maior é o que exige. Não tem de ser fácil ou imediato, mas deve ser intelectual e esteticamente gratificante. Deve acrescentar algo à experiência do leitor." Cancela in Público, 29 de Julho de 2017
Cancela quer ampliar a nossa experiência da realidade, e a melhor forma que encontrou para fazer foi escrever dois livros seguidos sobre o incesto? Muito sinceramente, a mim parece-me mais sentido de missão:
“Se há alguma coisa que possa ser a função das artes na actualidade é a capacidade de experimentar os valores. Aquilo que não é legítimo no plano político ou no plano social é desejável no plano artístico. Se a arte não é um espaço de experimentação, de encostar o mundo aos seus próprios limites, então não sei para que serve a arte.” Cancela in Público, 29 de Julho de 2017
Não sendo legítimo, é desejável na arte. Concordo. Mas a arte não é mera experimentação do que é ilegítimo, a função da arte é exatamente a de quebrar os tabus da sociedade, de a fazer abrir-se e aceitar o que moralmente vai sendo questionado. Repare-se no que diz ainda:
"a literatura é um extraordinário organizador de experiência e um espaço de construção da nossa própria identidade. O autor constrói-se através do processo de escrever, é a escrita que suporta a construção da sua identidade.” Cancela in Público, 29 de Julho de 2017
Ou seja, o texto não é mera ficção, existe algo no seu interior que move Cancela. Não me move realizar aqui qualquer psicologia, menos ainda psicanálise. Interessa-me antes compreender o que livro tem para dizer, e faço-o também porque é o próprio autor que questiona o silêncio de quem o lê, o que me leva a falar, já que confesso que chegado ao final, senti mais vontade de atirar o livro para o monte e esquecê-lo, juntamente com o livro anterior e o seu autor.
"Não podemos contra-argumentar com o silêncio. Contra um insulto, sim, podemos reagir. Mas não podemos reagir dentro do silêncio. Em relação ao Impunidade o silêncio foi quase absoluto.” Cancela in Público, 29 de Julho de 2017
E afinal o que se retira desta leitura? Como é que a minha experiência do real se altera ao ler esta obra? Na verdade alterou-se apenas no meu respeito por quem escreve bem, e tem um enorme talento na construção de texto e trama narrativa, que deixou de acreditar que essas condições são suficientes para alguém criar obras relevantes. Algo que me custa ainda mais num autor nacional. Não é apenas a questão do incesto, foram vários os momentos ao longo da leitura em que estaquei a questionar o suporte científico do que se apresenta. Temos um filha que renuncia aos pais adoptivos, para se tornar uma alma vagante apenas porque é adoptada? Que potencialmente se tornaria um ser alienado porque é fruto da consanguinidade, apesar de ter vivido toda uma vida normal até descobrir que era adoptada? Como se os pais biológicos fossem a razão de tudo, e 16 anos de educação, desde o dia em que se nasceu, tivesse tido impacto nulo naquele ser? Esta é toda uma visão retrógrada sem suporte no que sabemos hoje sobre o modo como se edifica o ser-humano. A biologia define muito do que somos, mas não é uma cruz que se carrega desde que se nasce até que se morre.
Publicado no VI:
https://virtual-illusion.blogspot.com...
A obra recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela 2018, segundo o júri "pela leitura crítica da História e da Cultura europeia na sua relação com a cultura árabe, através de uma temática poderosa (a culpa, a impunidade, o drama, o olhar, o incesto, a tensão e a violência familiares), e de uma revisitação de personagens e de mitos do nosso património cultural ocidental". Bem, devem ter lido um livro que eu não li. Sim a Cultura Europeia está em destaque, temos Antiga Grécia (Antígona), temos Itália (Roma), Espanha (Badajoz e Cordoba) e Portugal (Alentejo, Elvas e Lisboa). Mas Cultura Árabe, a sério? Porque existe um personagem secundário marroquino, que passa por espanhol, mas porque é mudo, não fala uma língua, todos lhe dizem que é de parte nenhuma?
Quando terminei de ler "Impunidade" senti-me defraudado. Mais de metade do livro tinha sido passado a tentar interpretar algo, quando apenas a 1/3 do final Cancela resolve tirar o tapete. Desta vez Cancela termina o livro, e só na nota final que define os personagens, tal como nas peças de teatro, é que percebemos quem é quem. É um jogo vil. Das duas vezes optou por manipular o leitor, não disse ao que vinha, quis jogá-los para o meio da tragédia, obrigá-los a sentir, para depois revelar o que se passava. A isto chamamos manipulação. Hitchcock foi um dos seus maiores mestres, mas Hitchcock não brincava com temas destes, e menos ainda se repetia. Chegar ao final de "As Pessoas do Drama" e reencontrar o incesto como o segredo que tudo explica, é como ir ao cinema ver o último filme de M. Night Shyamalan, e chegar ao final e descobrir que afinal o personagem estava morto desde o início.
Por outro lado, escrever quase 300 páginas sem nunca revelar quem é quem é obra, um verdadeiro tour-de-force, ainda que conseguido à custa de muita redundância, e paciência do leitor, que perto do final já em desespero deixa sequer de querer saber quem são todos aqueles personagens que na frente dele se movem. Mas chegar ao fim e ver a mesma resposta dada no romance anterior, é anti-climático, desolador. Se existe algo que o autor quer dizer sobre o tema que escreva um ensaio, agora usar o romance para rodear, tornear a questão parece-me de mau gosto. Porque o texto não é inocente. Cancela não está propriamente a escrever um livro para chocar e vender, ele usa a escrita para afirmar um ponto de vista, tal como diz:
"É algo a que me proponho enquanto projecto de escrita e de literatura: cada livro tem de merecer a atenção do leitor. Deve dar-lhe algo em troca daquilo que exige. E deve dar-lhe tanto mais quanto maior é o que exige. Não tem de ser fácil ou imediato, mas deve ser intelectual e esteticamente gratificante. Deve acrescentar algo à experiência do leitor." Cancela in Público, 29 de Julho de 2017
Cancela quer ampliar a nossa experiência da realidade, e a melhor forma que encontrou para fazer foi escrever dois livros seguidos sobre o incesto? Muito sinceramente, a mim parece-me mais sentido de missão:
“Se há alguma coisa que possa ser a função das artes na actualidade é a capacidade de experimentar os valores. Aquilo que não é legítimo no plano político ou no plano social é desejável no plano artístico. Se a arte não é um espaço de experimentação, de encostar o mundo aos seus próprios limites, então não sei para que serve a arte.” Cancela in Público, 29 de Julho de 2017
Não sendo legítimo, é desejável na arte. Concordo. Mas a arte não é mera experimentação do que é ilegítimo, a função da arte é exatamente a de quebrar os tabus da sociedade, de a fazer abrir-se e aceitar o que moralmente vai sendo questionado. Repare-se no que diz ainda:
"a literatura é um extraordinário organizador de experiência e um espaço de construção da nossa própria identidade. O autor constrói-se através do processo de escrever, é a escrita que suporta a construção da sua identidade.” Cancela in Público, 29 de Julho de 2017
Ou seja, o texto não é mera ficção, existe algo no seu interior que move Cancela. Não me move realizar aqui qualquer psicologia, menos ainda psicanálise. Interessa-me antes compreender o que livro tem para dizer, e faço-o também porque é o próprio autor que questiona o silêncio de quem o lê, o que me leva a falar, já que confesso que chegado ao final, senti mais vontade de atirar o livro para o monte e esquecê-lo, juntamente com o livro anterior e o seu autor.
"Não podemos contra-argumentar com o silêncio. Contra um insulto, sim, podemos reagir. Mas não podemos reagir dentro do silêncio. Em relação ao Impunidade o silêncio foi quase absoluto.” Cancela in Público, 29 de Julho de 2017
E afinal o que se retira desta leitura? Como é que a minha experiência do real se altera ao ler esta obra? Na verdade alterou-se apenas no meu respeito por quem escreve bem, e tem um enorme talento na construção de texto e trama narrativa, que deixou de acreditar que essas condições são suficientes para alguém criar obras relevantes. Algo que me custa ainda mais num autor nacional. Não é apenas a questão do incesto, foram vários os momentos ao longo da leitura em que estaquei a questionar o suporte científico do que se apresenta. Temos um filha que renuncia aos pais adoptivos, para se tornar uma alma vagante apenas porque é adoptada? Que potencialmente se tornaria um ser alienado porque é fruto da consanguinidade, apesar de ter vivido toda uma vida normal até descobrir que era adoptada? Como se os pais biológicos fossem a razão de tudo, e 16 anos de educação, desde o dia em que se nasceu, tivesse tido impacto nulo naquele ser? Esta é toda uma visão retrógrada sem suporte no que sabemos hoje sobre o modo como se edifica o ser-humano. A biologia define muito do que somos, mas não é uma cruz que se carrega desde que se nasce até que se morre.
Publicado no VI:
https://virtual-illusion.blogspot.com...
September 19, 2022
Novamente, deve ir para este livro sem ler nada antes sobre ele, especialmente algumas reviews aqui carregadas de spoilers, que arruinam a leitura.
Cancela é um génio da manipulação do leitor, aqui com um texto mais disperso, repetitivo, teórico e maçudo do que em “Impunidade”. Dei por mim muito entediado com todas as considerações filosóficas em torno do teatro, do drama, da carne… e com aquela que é, provavelmente, para mim, uma das personagens femininas mais antipáticas e mimadas de sempre.
Estava a ficar desiludido por não sentir aquele assombro que senti ao ler “Impunidade”. Mas na última página, na lista das personagens (não a leiam antes, pela vossa saúde!) há aquele estouro que nos faz prender a respiração, ficar que tempos a olhar no vazio e a pensar que queremos voltar ao início do livro.
Não o farei, porque as partes mais reflexivas são mesmo muito, muito aborrecidas e repetitivas. Também os maus tratos a animais não contribuem para nada, a meu ver.
Aconselho a leitura, mas leiam primeiro “Impunidade” e deixem passar algum tempo.
Aquela página final… que génio.
Cancela é um génio da manipulação do leitor, aqui com um texto mais disperso, repetitivo, teórico e maçudo do que em “Impunidade”. Dei por mim muito entediado com todas as considerações filosóficas em torno do teatro, do drama, da carne… e com aquela que é, provavelmente, para mim, uma das personagens femininas mais antipáticas e mimadas de sempre.
Estava a ficar desiludido por não sentir aquele assombro que senti ao ler “Impunidade”. Mas na última página, na lista das personagens (não a leiam antes, pela vossa saúde!) há aquele estouro que nos faz prender a respiração, ficar que tempos a olhar no vazio e a pensar que queremos voltar ao início do livro.
Não o farei, porque as partes mais reflexivas são mesmo muito, muito aborrecidas e repetitivas. Também os maus tratos a animais não contribuem para nada, a meu ver.
Aconselho a leitura, mas leiam primeiro “Impunidade” e deixem passar algum tempo.
Aquela página final… que génio.
December 29, 2023
Foi o primeiro livro que li deste autor. Fiquei bastante impressionado com a qualidade da escrita, coerência do texto e ausência de sentimentalismo. Também apreciei o equilíbrio entre o fio narrativo e o investimento na força expressiva da linguagem. As profusas considerações sobre o teatro, o drama e as personagens acabam por se tornar um tanto gratuitas, no entanto são pertinentes na medida em que ilustram uma certa obsessão reflexiva por parte das personagens, que mantêm a lucidez suficiente para pensar sobre aquilo que vivem. Saúdo ainda a coragem de escrever um romance em que nenhuma das personagens possui um traço que seja de bondade, generosidade ou optimismo, se bem que a tendência sufocante para as caracterizar unicamente pela negativa, por meio daquilo que se recusam a fazer, se torne repetitiva e irritante. Do que gostei menos foi do final: nada resolve, mas não se lhe pedia uma resolução; pior do que isso, parece apontar para um clímax que nunca acontece e deixa no seu lugar uma conclusão arbitrária. De certa forma, este final está de acordo com a ideia, reiterada ao longo do livro, de que o espectador (leitor?) não tem direito a nada a não ser estar naquele lugar, durante o tempo do espectáculo, e depois poder ir-se embora. A lista das "dramatis personae", na última página, contém uma revelação inesperada e telenovelesca que não só não traz nada de verdadeiramente relevante como soa a truque de prestidigitação rasteiro.
February 26, 2024
O livro é difícil e muito retorcido. As personagens são cheias de falhas, o texto não. H. G. Cancela escreve muito bem.
September 18, 2019
Do estilo à trama, a escrita de H.G. Cancela é complexa e intensa a múltiplos níveis. Um livro denso, duríssimo, que perturba, confunde e não tem uma única personagem que não seja de uma notável estranheza e escuridão: marcadas pela dor, o desenraizamento, a ausência e uma profunda solidão, (des)ligando-se em relações frágeis, destrutivas, movendo-se na fronteira ténue entre literatura e teatro. Foi um livro de leitura arrastada e de digestão lenta. Reconheço qualidade à escrita, mas o primor da forma não é tudo. Confesso que não me agarrou - o ritmo da prosa também não ajuda: por vezes é como nadar contra a corrente, obriga a resistir para continuar.
Eu até costumo aguentar bem murros no estômago, literariamente falando, mas depois de este me mandar ao tapete, preciso urgentemente de recuperar o fôlego, que é como quem diz ler algo bem diferente, que convoque emoções mais luminosas e me desamarfanhe as vísceras. Uuuuufa.
Impõe-se uma pausa técnica para reunir coragem antes de ler o ‘Impunidade’.
Eu até costumo aguentar bem murros no estômago, literariamente falando, mas depois de este me mandar ao tapete, preciso urgentemente de recuperar o fôlego, que é como quem diz ler algo bem diferente, que convoque emoções mais luminosas e me desamarfanhe as vísceras. Uuuuufa.
Impõe-se uma pausa técnica para reunir coragem antes de ler o ‘Impunidade’.
February 26, 2020
Personagens vazios, praticamente desprovidos de caracterização ou motivação. Um enredo sem explicação mas sem o interesse de uma noa história absurda. Frases pesadas, desnecessariamente opacas e obtusas, e um ritmo lento. Tudo isto fez com que eu abandonasse a leitura deste romance, algo que não me lembro de fazer há anos.
O que é que me fez finalmente decidir a pousar este livro? Esta frase, que me pareceu a melhor explicação para este livro:
"Nunca há nada para dizer. Escreve-se em círculos, umas palavras suscitam outras, suscitam personagens, as personagens suscitam situações, é só isso. Encenam-se palavras, aprofundando o poço em que caíram."
O que é que me fez finalmente decidir a pousar este livro? Esta frase, que me pareceu a melhor explicação para este livro:
"Nunca há nada para dizer. Escreve-se em círculos, umas palavras suscitam outras, suscitam personagens, as personagens suscitam situações, é só isso. Encenam-se palavras, aprofundando o poço em que caíram."
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