Edmund Burke (1730 – 1797) é um dos nomes centrais da história das ideias políticas. Mas será Burke um autor filosoficamente coerente? Ou apenas alguém que respondia aos desafios do seu tempo sem radicar as suas posições numa particular teoria política? Este ensaio defende a consistência do pensamento de Burke, alicerçada na sua reflexão sobre a natureza humana.
JOÃO PEREIRA COUTINHO nasceu no Porto, a 1 de Junho de 1976. Licenciou-se em História, na variante de História da Arte, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Doutorou-se em Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, onde também ensina no Instituto de Estudos Políticos. Foi ainda Academic Visitor do St. Antony’s College da Universidade de Oxford.
É colunista da revista Sábado (desde 2017), do Correio da Manhã (desde 2009) e do diário brasileiro Folha de S. Paulo (desde 2005). Foi colunista dos semanários Expresso (2004-2008) e O Independente (1998-2003) bem como comentador da TVI-24 nos programas "25ª Hora" e "A Torto e a Direito". Em 2002, juntamente com Pedro Mexia e Pedro Lomba, fundou o pioneiro blogue A Coluna Infame.
Uma análise dos dois Burkes: Coutinho explica porque festejar a revolução americana e repreender a francesa não são atitudes contraditórias ou utilitaristas- são, antes, conseqüências da consistência do pensamento de Burke.
Burke, diz o Cotinho, cria numa dupla natureza humana - a primeira, ancestral e imutável, que vem de Deus e concretiza-se na moral humana, comum a todos; a segunda, social e circunstancial, que vem dos hábitos e concretiza-se na ética política.
Faz lembrar um pouco o Ortega y Gasset - um homem é um homem e suas circunstâncias (todos homens são homens, mas as circunstâncias variam) e o pensamento naturalista: o homem é resultado da raça (ou, antes, de sua herança anímica), do meio e do momento (suas circunstâncias).
Natural, portanto, que se defenda a revolução americana, que respeitou os limites da primeira natureza humana, a eles adaptando a segunda, ao mesmo tempo que critique a francesa, que abandonou a primeira em favor da segunda, e depois usurpou também a segunda, em nome da primeira.