Este não é um livro sobre marketing. É um livro sobre a existência", avisa o filósofo Luiz Felipe Pondé, logo na abertura de Marketing existencial. Seu objetivo não é indicar caminhos para o mercado, nem auxiliar os leitores a serem consumidores mais felizes. É analisar por que a produção de bens em nossa época foi, pouco a pouco, se confundindo com os anseios existenciais dos indivíduos e deixou de atender à mera satisfação de necessidades básicas. Neste século XXI, a difusão de "bens de significado" passa à vanguarda do mercado, conduzido por um "marketing existencial" que busca vender produtos não apenas materiais, mas, sobretudo, os imateriais, na forma de bálsamos para as angústias mais profundas das pessoas. Em sua provocante reflexão, o autor recorre à filosofia da existência - de Kierkegaard a Sartre, de Unamuno a Camus - para examinar como as questões essenciais dos seres humanos permanecem vivas e sem resposta, mesmo na "sociedade do cartão de crédito"
Pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".
Penso ser uma leitura extremamente válida com reflexão sobre a nossa época e existência, apesar de ser um ensaio breve. Facilmente, podemos nos encaixar em algum dos esteriótipos descritos, pois somos frutos de nosso tempo.
Uma reflexão filosófica pessimista. O autor não explora com profundidade os temas que ele apresenta. Se você deseja entender o consumo como forma de representação do "self" sugiro o livro "Darwin vai às compras".
Mais um dos livros de filosofia de avião do Pondé. Já gostei mais dele e, para dizer a verdade, acho que ele se sai muito bem em vídeos – Youtube – e em artigos breves de jornal. De qualquer modo, estou aproveitando esses dias da marmota para ler alguns livros dele que tinha em casa. Mas voltemos ao Pondé. De certa maneira essa virtude da brevidade, acabou por atrapalhá-lo quando se trata de textos que exigiram maior fôlego. Mais uma vez me parece o caso aqui. Não que o livro seja ruim. Tem uma tese interessante – a ausência de significado inerente ao Homem é preenchida nas sociedades pós-modernas pelo consumo incessante de produtos – que podem ser coisas, experiências, pessoas ou ainda sentidos não materiais – que podem ser criados de modo contínuo, permanente e sem fim ou limites, a não ser, é claro, os do cartão de crédito. A tudo isso ele chama de marketing existencial, isto é, a capacidade de criação desses produtos que precisam ter sempre a ideia de que significam alguma coisa de mais profundo do que realmente são. A parte mais legal do livro é justamente aquela em que faz apanhado das ideias do existencialismo, a começar por Kierkegaard e dá umas pinceladas no pessoal que veio no século XX – franceses e alemães em sua maioria. Mas gostei bastante da síntese que ele faz do autor dinamarquês. O existencialismo enquanto teoria foi – de acordo com o Pondé – diluído até se transformar em uma coisa meio tutti frutti. As nossas angústias diante das grandes perguntas permanecem. Nós ainda queremos saber se há algo por traz disso tudo que nós chamamos de Vida. No entanto, a pós-modernidade nos oferece uma resposta adocicada em que a verdade experiência da Vida é substituída por algo em que a experimentação de produtos – que podem até ser pessoas – se tornou a nossa única constante. Não sei, por fim, se ele, Pondé, tem uma resposta para a armadilha do marketing existencial, já que em certa medida ele também é alguém que faz parte da grande-máquina-de-produção-de-significados-de-consumos-que-diminuam-a-dor-de-estar-vivo.
Sem dúvida o assunto principal deste livro é pertinente e deve gerar mais discussões tanto na rede como em outros livros: a busca pela satisfação da sociedade contemporânea por meio de produtos para preencher os vazios existenciais. O formato do livro que incomoda um pouco. São assuntos complexos e profundos, como o avanço das igrejas pentecostais na classe média, analisados rapidamente em poucas páginas. Este formato segue a tendencia da maioria dos pensadores ou filósofos best sellers atuais: capítulos curtos e no máximo 250 páginas. Senti falta de uma maior análise dos diferentes perfis abordados por Pondé, não acredito que a classe alta em São Paulo (onde ele da vários exemplos) se comporte da mesma forma em outras capitais pelo mundo. Acho que poderia haver uma versão digital com mais aprofundamento e esclarecimentos. O avanço do mercado para nos oferecer bem imateriais por meio de produtos físicos (carros roupas comida etc) ou não fisicos (remédios espirituais) da uma sensação de alívio mas até quando? Este é o ponto principal perseguido por Pondé mas que por causa do espaço oferecido fica um pouco a desejar
Normalmente gosto bastante das apresentações do Pondé, e essa temática não poderia ser mais atual! mas o livro acabou aquém da minha expectativa.
Pondé mantém seu estilo de mesclar teses com colunas de jornal, que é uma informalidade que acho interessante, mas muitas vezes nesse texto ele parece estar divagando e acaba fazendo ramificações demais, o que torna a leitura um pouco vaga e confusa. Ao contrário, ele poderia ser mais didático e sistemático, o que ao meu ver tornaria a leitura e o desdobramento no tema mais interessante, qualidades essas normalmente presentes em suas apresentações orais.
Entre as pautas abordadas no livro, ele faz uma breve apresentação da filosofia existencialista, depois fala do utilitarismo permeado na nossa sociedade atual. Dali vai desdobrando o porquê o marketing existencial ganhou tanta força. O marketing existencial é entendido como atrelar significado aos produtos para além da sua utilidade objetiva, como usar tal camiseta faz você ter um dado estilo ou personalidade, ou quando você faz uma viagem A, você está fazendo uma redescoberta espiritual, ou um simples fato de consumir um cardápio faz você ser do time do bem. Esse significado preencheria a falta de sentido na vida - pauta central para o existencialismo -, mas que tradicionalmente fora preenchida por relações duradouras ou ritos de comportamente, que hoje andam fora de moda.
I have been learning from Pondé for some time now: interviews, podcasts, the "Linhas Cruzadas" TV program, some post-graduation courses. In this book, he puts together many elements of the philosophy of existence and German Romanticism - Nietzsche and Kierkegaard, mainly - in the context of our daily lives, which, of course, are dominated by marketing, its devices and strategies. It was a very enriching read, despite being relatively quick and, I might even say, entertaining. The best part: I was introduced to some other authors such as Miguel de Unamuno and Lucien Goldmann, whom I did not know yet, but that now I will try to get to know better.
Achei fantástico, bem pessimista porém dentro da realidade. O livro fala sobre como a perda de sentido para a vida, totalmente instrumentalizada devido ao racionalismo da era Moderna, gerou uma demanda pelo consumo de significados que foi aproveitada pelo marketing para vender valores éticos, estéticos e religiosos. Uma frase que sintetiza bem o conceito seria "você é o que você consome". Em alguns momentos, dava até pra ouvir a voz ácida do Pondé. Foi um complemento bem interessante para os meus estudos de Comunicação e propiciou bastante autoreflexão.
"A psicanálise há muito tempo sabe que o gozo com a visibilidade é da ordem primitiva no desenvolvimento do inconsciente. Logo, o ridículo de adultos que criam visibilidades inexistentes na realidade, atesta: o marketing existencial é uma ferramenta que reconhece, lida e propõe soluções para a miséria de um existente angustiado e desesperado com o próprio abandono ontológico em que se encontra quando a consciência se torna presente em sua vida invisível." - Pondé.
Simplesmente Fantástico, nos faz questionar nossas atitudes, nossos comportamentos e analisar melhor tudo que acontece ao nosso redor. Uma leitura impactante, porém realista, nos faz querer ser mais autêntico em nossas vidas e seguir com mais coragem. Vale muito a pena a leitura, um dos melhores livros de Luiz Felipe Pondé.