O livro de uma das mais importantes vozes da poesia portuguesa, galardoada com o Prémio Autores SPA / Melhor Livro de Poesia 2017.
O livro de Maria Teresa Horta, Poesis, é uma reflexão sobre a poesia em geral e da autora. É também um retrato poético sobre a vida da própria autora enquanto poetisa, com muitos poemas relativos ao seu percurso pessoal, abordando as dificuldades e as perseguições de que foi alvo enquanto mulher e autora de poesia erótica.
Maria Teresa de Mascarenhas Horta Barros was a Portuguese feminist poet, journalist and activist. She is one of the authors of the book Novas Cartas Portuguesas (New Portuguese Letters), together with Maria Isabel Barreno and Maria Velho da Costa. The authors, known as the "Three Marias," were arrested, jailed and prosecuted under Portuguese censorship laws in 1972, during the last years of the Estado Novo dictatorship. The book and their trial inspired protests in Portugal and attracted international attention from European and American women's liberation groups in the years leading up to the Carnation Revolution.
"Ser poeta é correr riscos trazer consigo a vassoura de voar a linguagem
a paixão, a liberdade
As asas são seu ofício onde resguarda a saudade" — Maria Teresa Horta
Ser leitora é uma benção uma porta para o conhecimento na estrada do paraíso
o prazer, o sonho
Estar só sem nunca o estar lazer que aconchega o coração — Maria Teresa Proença
B. POESIS
Este livro tem 166 poemas. Se lermos apenas um, fica todo lido. O assunto é sempre o mesmo: o poeta que escreve poemas. Palavras chave de todos: poema, verso, poeta, escrita, palavra, estrofe, linguagem, sílaba, verbo, livro, e... já não me apetece mais... A meio do livro, há um poema que começa assim: "O teu corpo o meu corpo" e eu animei-me: Xixa! Finalmente um poema com paixão de amor... Pois adivinhem qual é o terceiro verso: "e o corpo do poema"...
Ler este livro foi um enfado gigantesco. A certa altura desmanchei-me a rir por insistir em ler o que não tem nada para ler. Admiro a autora pela determinação com que usa sempre as mesmas teclas; só é pena não ter imaginação para usar todas. Quanto a mim, mereço medalha pela coragem em carregar com os 166, embora com sensibilidade nula para os apreciar.
C. POESIAS
Em tempos que já lá vão, escrevi uns poemas (estão a rir-se? eu também...). Foi numa fase de paixão assolapada e saíram-me do miolo (depois de muito espremido) umas cacas (como aquela lá de cima). Os da fase do êxtase, são todos com muitos apitos e luzinhas; os da de dor de corno, são uma miséria franciscana... Tenho-os guardados numa pastinha intitulada BOSTITE, mas já mudei para POIASIS. O latim dá-lhes outro encanto...
D. PRENDAS
Como é que eu tenho este livro? No Goodreads não tem rating; se o abrisse na livraria, largava-o de imediato; a escritora ser minha homónima não é razão suficiente. Passo a explicar: Como eu quando me interesso por um livro o compro de imediato (já saí de casa a horas "impróprias" para comprar um livro - é uma das minhas pancadas, a juntar a mais umas dezenas delas), raramente alguém me oferece livros. A não ser que eu elabore uma lista e me tranque em casa. No entanto, há uma pessoa que gosta de me surpreender desencantando um livro que eu não tenho. É o caso deste e de um ou outro mal "estrelado".
E. CONSTELABILIZAÇÕES
Contabilidade estrelar — Para a Horta: Pela determinação: 5 Pelo riso: 5 Pelo enfado: -5 Pela imaginação: -4
— Para a Proença Pela coragem: 5 Pela paciência: 5 Pela sensibilidade: -5 Pela ignorância: -5
— Para o Dador: Pelo risco: 5 Pela dedicatória: 5 Pelo sucesso: -5 Pela intuição: -5
Outra crítica aqui disse deste livro que "Este livro tem 166 poemas. Se lermos apenas um, fica todo lido. O assunto é sempre o mesmo: o poeta que escreve poemas" e o deu por isso uma só estrela. Mas resulta que um dos meus gêneros preferidos é precisamente os livros sobre os livros. Então, esta coleção, cuja leitura "foi um enfado gigantesco" para a Proença, foi para mim uma delícia: centos de poemas sobre a poesia mesma! Confesso que também fiquei curiosa de como Horta escreveria de outros assuntos, como do corpo humano com o qual conecta o corpo do poema (e vejo que tem uma antologia de poesia erótica), mas não posso negar que gostei do livro tal e como é: uma série de meditações sobre a poesia. O avalio pelo prazer que me deu, sobretudo.