A história prometia ser muito interessante e nos primeiros capítulos até estava a gostar do livro.
De facto, o narrador da história parte de um acontecimento real (o choque frontal entre dois comboios a 11 de setembro de 1985, pelas 18H37M, no troço de via única que liga a estação de Nelas ao apeadeiro de Alcafache, entre o Sud Express, que partira da estação de Porto-Campanhã com destino a Paris, e o Regional, proveniente da Guarda, do qual resultaram dezenas de mortes), e começa a narrar a vida da sua irmã, uma jovem estudante de Belas-Artes, cuja mochila foi encontrada no comboio com destino a Paris, apesar dos pais pensarem que a mesma se encontrava em casa de uma amiga, a passar férias no Alentejo.
O mistério adensa-se quando é descoberto o corpo da amiga na casa-de-banho da casa onde se encontravam a passar férias.
O narrador começa, então, a narrar-nos a vida da irmã, a partir dos desenhos que esta fez num caderno, o qual estava dentro da mochila que foi encontrada num dos comboios acidentados.
No entanto, no decurso da história, o narrador, ou seja, o irmão da estudante desaparecida, o qual narra a história quando se encontra internado num hospital psiquiátrico, muitos anos depois do acidente, mas que o faz como se estivesse a relatar os acontecimentos quando era criança e no momento em que tudo teve lugar, introduz demasiadas personagens, que aparentemente se relacionam entre si e com a sua irmã, fazendo perder o fio condutor ao livro, tornando-o confuso.
São muitas personagens e muitas histórias dentro da história principal, que surgem de uma forma forçada e pouco natural.
No final do livro, não consegui descortinar o que realmente sucedeu a cada uma das personagens, o que me deixou uma sensação de estranheza e de vazio, e fiquei a pensar se o escritor não terá querido propositadamente que a história, em parte, como foi contada aos leitores, tenha sido uma alucinação da mente doente do narrador e das conversas que este tinha com o seu médico psiquiatra.
Na minha modesta opinião, podia ter sido um bom livro, mas o autor perdeu-se nos devaneios do narrador.