Primeiro de 3 volumes que reunirão a obra completa do génio do surrealismo português. Este volume recolhe a ficção completa de Mário-Henrique Leiria, incluindo diversos textos inéditos e outros nunca antes compilados em livro (quase 1/3 do livro). Coligem-se os volumes míticos: Contos do Gin-Tonic e Novos Contos do Gin juntamente com outros contos dispersos e inéditos, uma novela, teatro, guiões para cinema e uma banda desenhada. A edição foi preparada pela Professora Tania Martuscelli (Universidade do Colorado/Boulder), a maior especialista na obra de Mário-Henrique Leiria, que recolheu todos os textos constantes do espólio do autor e em vários outros materiais dispersos. Oferece-se pela primeira vez aos leitores portugueses de forma sistemática e coerente uma obra até agora dispersa e em boa parte indisponível.
É aluno da Escola Superior de Belas Artes, de onde é expulso em 1942 por motivos políticos. Participou nas actividades do Grupo Surrealista de Lisboa, entre 1949 e 1951 e em 1962, depois de ser preso pela PIDE aquando da "Operação Papagaio", instala-se no Brasil onde desenvolve várias actividades, como a de encenador e de director literário da Editora Samambaia. Voltaria em 1970. Publicou Contos do Gin-Tonic (1973), Novos Contos do Gin (1974), Imagem Devolvida, Conto de Natal para Crianças (1975) Casos de Direito Galáctico (1975), O Mundo Inquietante de Josela - fragmentos (1975) e Lisboa ao Voo do Pássaro (1979). Colaborou, com pequenos contos, no suplemento Fim-de-semana, do jornal República e no semanário humorístico, "Pé de Cabra". Chefiou a redacção de O Coiso, semanário impresso nas oficinas do República, durante 13 semanas, em 1975. Aderiu em 1976 ao PRP - Partido Revolucionário do Proletariado. Alguns textos seus, escritos em colaboração, foram recolhidos na Antologia Surrealista do Cadáver Esquisito (1961), organizada por Mário Cesariny.
Fosse só os "Contos do Gin-Tonic" e os "Novos Contos do Gin" e levava as 5 estrelas, mas algumas das coisas soltas/inéditas acabam por ser francamente inferiores (mesmo que haja umas pérolas lá pelo meio).
Em verdade, em verdade vos digo, que não deveis adquirir de um só trago a obra completa de um autor que nunca lesteis. Tivesse eu tentado apenas os célebres Contos do Gin Tónico, em vez de me pôr a ler tudo de enfiada, e talvez não tivesse ficado tão nauseado. São engraçados, os contos, bem escritos e estimáveis, criativos dentro dessa óptica do surrealismo literário em que até não somos tão versados em Portugal, no que à ficção diz respeito. Mas o efeito, meus amigos, é sempre o mesmo, e isso cansa. A estratégia repete-se e a vontade de evitar a sequência narrativa resulta num permanente cortar as pernas ao leitor, o que às tantas acaba por doer. Ainda li até ao fim os Novos Contos do Gin Tónico. Piquei ali e acolá, mais à frente, e depois baixei os braços. Basta. É seguir em frente.