A Marcha do Tempo de Stefan Zweig tem o dom de nos cultivar o intelecto, de nos fazer reflectir nos diversos temas por ele abordados ao longo das páginas deste conjunto de textos sobre figuras e acontecimentos históricos e locais.
Stefan, como inigualável biógrafo, leva-nos a personagens como Lorde Byron, Marcel Proust, Hugo Hofmannsthal, Filipe Daudet, Nietzsche, Tolstoi, Sigmund Freud, Mozart, Beethoven entre muitos outros, relatados com um incrível rigor histórico e escritas na maneira tão cativante e própria de Stefan Zweig.
Transporta-nos para a Europa pós I Guerra Mundial, de ascensão nacionalista. É quase profético na ideia dos "Estados Unidos da Europa". Passo a citar um excerto "Continuará a Europa a sua obra de autodestruição ou unir-se-á? Perdoem-me se não digo, como muitos de entre os senhores talvez o desejem: A consciência vencerá e dominará já amanhã, ou mais tarde veremos uma Europa unida em que não haverá guerras, nem política regional, nem ódio destrutivo entre os povos."
É, na minha opinião, um livro intemporal, com charme histórico, que desperta a curiosidade do leitor e que comprova, mais uma vez, o quão exímio escritor Stefan Zweig era.