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A Casa da Invenção

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As novidades tecnológicas que surgiram no fim do século XX trouxeram novos desafios para a gestão da informação. Os acervos físicos perdem sua tradicional importância, uma vez que a internet facilita o acesso à produção simbólica. Então, o que o futuro reserva para o armazenamento de livros, a preservação de documentos e a difusão das ideias? Para Luís Milanesi, há uma resposta: mais do que guardar e emprestar livros, as bibliotecas devem se tornar espaços para discutir e criar conhecimento.

272 pages, Paperback

First published January 1, 1997

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Luís Milanesi

4 books1 follower

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Lucas Santos.
12 reviews
December 4, 2018
Sem o jogo de conflitos nada poderá ser criado

O livro é de 1991, revisto e ampliado em 1997. Aparentemente, a edição de 2003 reproduz a de 1997. Antes de qualquer coisa, torna-se importante contextualizar a área da Cultura no Brasil da década de 1990, cenário analisado na obra.

O autor esmiunça afinco os problemas sociais e políticos brasileiros que remetem a precariedade da área da Cultura, mostrando-nos que as raízes de suas debilidades são claramente histórico-estruturais. Milanesi nos leva à Companhia de Jesus e aos Jesuítas cujos sistemas de ensino eram completamente embasados na reprodução dos dogmas religiosos. Adiante, explana a cerca do encantamento que as autoridades brasileiras têm com a ideia dos centros de Cultura surgidos na Europa da década de 1970, em especial o Centro Georges Pompidou de Paris - autoridades públicas que geralmente são acostumadas a ideia de Cultura ser algo ligado a persona culta e/ou que sirva somente como um signo a ser esbanjado pelo município, mesmo que o próprio não faça uso desses espaços.

É notório perceber que, no Brasil, ocorre uma diferenciação conceitual entre bibliotecas públicas e centros de Cultura, enquanto, na Europa, os centros de Cultura em ascensão não são nada mais que bibliotecas públicas que absorveram todas as demais atividades e espaços culturais como teatro, museu, cinema, auditórios, bares, parques, anfiteatros etc.

Na contramão do desenvolvimento de seus espaços, as bibliotecas começaram qualitativamente a cair em queda livre (ou seja, a ficarem mais precárias do que já eram), muito por causa do surgimento de centros de Cultura criados apenas como apetrechos simbólicos e copistas de algo que estava em pleno desenvolvimento na Europa. Porém, tratar-se-ia duma antropofagia feito às pressas, sem informação e com total desconhecimento de causa. Primeiro veio a forma sem antes definir a função. Pior, sem considerar o que já existia.

O livro desmistifica o que são centros de Cultura e como as bibliotecas são peças-chave desses espaços, além de fazer uma análise muito interessante a respeito de como o Estado é autoritário com os espaços culturais ao aplicar uma certa uniformização e estabelecimento de padrões em algo que, sabidamente, varia drasticamente de uma cidade para outra. Não existe biblioteca pública padrão, a biblioteca é resultado da expressão e necessidades da comunidade a qual faz parte. Os resultados de uma política que exerça uma força esmagadora de cima para baixo, através de um Estado forte e extremamente centralizador, são drásticos e irreparáveis.

A comunidade deve fazer e se sentir parte das bibliotecas/centros de Cultura, inclusive ocupando os espaços de gestão como conselhos, assegurada a total liberdade de expressão. O livro é magnífico e nos provoca muitas reflexões a cerca duma sociedade que necessita cada vez mais de informação para alavancar o desenvolvimento e a própria formação de identidade.

"É um paradoxo: quanto mais pobre é uma sociedade, mais necessita das palavras, das formas e da capacidade de inventá-las; e, por ser pobre, tem imensa dificuldade de produzi-las e torná-las fortes. É, ainda, fundamental que a expressão de uma sociedade se relacione e se integre nas palavras e formas que a humanidade em toda a história produziu. Esse é um processo que uma sociedade que se deseja autônoma deve conduzir: obter o conhecimento e criar novos é concretização de autonomia de um indivíduo e de um país”.

Segundo Milanesi, os espaços culturais, pouco entendidos como tais pelos próprios bibliotecários que fazem parte de seu meio, não devem ser meros espaços de reprodução e imposição, pois, desses, basta a escola tradicional e os meios de comunicação em massa. Os espaços de cultura, inevitavelmente, devem ser espaços de informar, discutir e criar. Tais prerrogativas são essenciais para que ocorra conflitos de ideias, análises do meio em que se vive e revisão do que é considerado verdade, dando espaço para que o inquestionável ceda ao mutável, para que a imposição dê lugar à tomada de posição. Não há formação sem informação, isto é, sem o jogo de conflitos nada poderá ser criado. Sem a tríade (informar, discutir, criar) as bibliotecas não conseguirão alçar voos mais altos no atual cenário em que o país se encontra.
Profile Image for Vinicius Mizobuti.
30 reviews2 followers
February 5, 2018
Livro essencial para qualquer profissional ou cidadão envolvido em políticas e construção de espaços culturais no Brasil. A visão de Milanesi sobre o que são os Centros Culturais e o que eles poderiam ser transforma completamente as noções pré-estabelecidas que temos sobre eles.
Profile Image for Uva Costriuba.
396 reviews13 followers
August 12, 2024
Gostei bastante, quero uma cópia impressa.
Acho que ficcionalizar os conceitos da biblioteca pública, aberta e brasileira rendeu reflexões ótimas.
O texto é muito bem escrito e eu ri das piadas com governantes falhos, população reativa e criatividade improvável.
Lerei muitas vezes com certeza.
Displaying 1 - 3 of 3 reviews

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