Marcelo Odebrecht é um homem de bem. Pai carinhoso, marido atencioso e uma pessoa discreta, avessa à ostentação. Deu emprego a quase 200 mil pessoas, pagou bilhões de reais em impostos e levou um dos maiores grupos empresariais do país a uma era de ouro. Marcelo Odebrecht é um homem corrupto. Montou um sistema profissional de pagamento de propinas e caixa dois para uma legião de políticos de todos os espectros ideológicos e subverteu a cultura corporativa criada pelo seu avô, a TEO, uma espécie de teologia que prega a honestidade e a transparência. Todas as afirmações feitas no trecho acima são verdadeiras. A vida do presidente do grupo Odebrecht é um desfile de paradoxos. O empresário respeitável, condenado como líder de quadrilha. Amado pelos funcionários. Temido pelos políticos. Um Príncipe que se sentia como o bobo da corte da República.
Vale a pena ler para visualizar de forma organizada tudo que já foi publicado na imprensa sobre o envolvimento de um dos empresários mais importantes/aclamados da indústria da construção (e outras), de uma família tradicional, com a corrupção sistêmica vigente no Brasil. Ao mesmo tempo em que nos sentimos informados e nos regozijamos com a liberdade de imprensa que permite a ampla divulgação desse tipo de comportamento desonesto (mesmo que nem todos tenham sido enquadrados como o foi Marcelo), nos sentimos desapontados e sem esperança diante do tamanho do entranhamento da corrupção em toda a parte. Não é que não soubéssemos. Quer dizer, não sabíamos até onde ia e quem estava envolvido. Acho que ainda não sabemos. Vale dizer que livros como esse, embora envolvendo uma pessoa específica com um processo já concluso, por tratar de temas atuais, e principalmente, por abordar uma situação que, espera-se, está longe do fim, fica parecendo desatualizado. Basta levar em consideração que se trata de uma etapa, e uma que foi abordada em profundidade e bem documentada. Outros livros existem e outros ainda virão. Que sejam bem divulgados e discutidos, para ajudar a prover informação correta e isenta. Ou pelo menos apoiada em fatos e dados, e não em opiniões, achismos e fake news.
Acho que o livro ficou excelente, na qualidades no diálogos e mais que tudo nos detalhes feitos pelos autores sobre o Príncipe e a cultura da Empresa, gostei da similitude das monarquias com a situação do Grupo Odebrecht