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Esta Vida: Poemas Escolhidos

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Reconhecido como um dos grandes mestres da arte do conto no século XX, Raymond Carver (1938-1988) é autor de uma obra poética que se equipara, em fôlego e intensidade, a sua obra de ficcionista. Mais do que isso: a poesia oferece um ponto de vista privilegiado para compreender a visão de mundo do escritor. Afinal, como observou sua companheira, a escritora Tess Gallagher, "era da corrente espiritual da poesia que ele partia para escrever os contos".

Admirador de William Carlos Williams e com um pé na tradição confessional de Robert Lowell e Sylvia Plath, a poesia de Carver é riquíssima em termos de observação da realidade. Mantendo um registro sempre próximo à vida cotidiana, seus poemas, com aparente despretensão, condensam experiências de grande pungência e alta voltagem lírica. Talvez por isso mesmo o leitor brasileiro possa lê-los em chave bandeiriana, como um pequeno manual de alumbramentos.

Primeira coletânea da obra poética de Raymond Carver em nosso país, Esta vida reúne em edição bilíngue cinquenta poemas do autor, selecionados e traduzidos por Cide Piquet com base em seus principais livros de poesia - Fogos (1983), Onde a água se junta a outra água (1985), Ultramar (1986) e Um novo caminho para a queda d'água, publicado postumamente em 1989.

208 pages, Paperback

Published July 23, 2017

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About the author

Raymond Carver

359 books5,151 followers
Carver was born into a poverty-stricken family at the tail-end of the Depression. He married at 19, started a series of menial jobs and his own career of 'full-time drinking as a serious pursuit', a career that would eventually kill him. Constantly struggling to support his wife and family, Carver enrolled in a writing programme under author John Gardner in 1958. He saw this opportunity as a turning point.

Rejecting the more experimental fiction of the 60s and 70s, he pioneered a precisionist realism reinventing the American short story during the eighties, heading the line of so-called 'dirty realists' or 'K-mart realists'. Set in trailer parks and shopping malls, they are stories of banal lives that turn on a seemingly insignificant detail. Carver writes with meticulous economy, suddenly bringing a life into focus in a similar way to the paintings of Edward Hopper. As well as being a master of the short story, he was an accomplished poet publishing several highly acclaimed volumes.

After the 'line of demarcation' in Carver's life - 2 June 1977, the day he stopped drinking - his stories become increasingly more redemptive and expansive. Alcohol had eventually shattered his health, his work and his family - his first marriage effectively ending in 1978. He finally married his long-term parter Tess Gallagher (they met ten years earlier at a writers' conference in Dallas) in Reno, Nevada, less than two months before he eventually lost his fight with cancer.

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Adriana Scarpin.
1,749 reviews
November 7, 2017
Wow just wow. Para um cara conhecido como contista a poesia dele me deixou sem fôlego, não sei se foi a escolha certeira dos poemas pela tradutora/organizadora, mas o que ele mostra aqui tem a simplicidade e a inteligência dos melhores poetas.
Profile Image for Vinícius Gomes.
60 reviews
March 3, 2024
Religião, não tenho (e espero jamais cair na pieguice e no exagero ridículo que é afirmar que a literatura é minha religião); mas me chamam a atenção alguns preceitos das religiões orientais, como a ideia da dualidade, representada pelo símbolo “Yin Yang”. De um jeito torto e peculiar, às vezes me aproprio dessa ideia nos meus devaneios em relação à literatura: meus livros favoritos ou são velozes, intensos e VOLUPTUOSOS (“2666”, “Detetives selvagens”, “Extinção”, “Ioga”, “Slumberland”), ou são calmos, singelos e contemplativos (“Sobre coisas que aconteceram comigo”, “Os anéis de Saturno”, os poemas da Louise Glück e da tia Wislawa). Como toda categorização, esta é falha e estereotipada, e certamente existem exceções e áreas de confluência; assim como é bem provável que eu esteja esquecendo do meio-termo, ou seja, dos livros que talvez representem o EQUILÍBRIO - mas isso não vem ao caso agora. O que importa é que “Esta vida”, seleção de poemas do Raymond Carver, foi o livro que me fez pensar nessa dualidade. Começando com o texto da orelha, escrita pela Angélica Freitas:

"Os poemas de Raymond Carver também estão cheios de esperança e da capacidade de se maravilhar. “Existe algo mais maravilhoso do que uma nascente?”, pergunta, em “Onde a água se junta a outra água”. E a sensação que temos, após lê-los, é que se ficarmos muito quietos com nossas xícaras de café, atentos ao que se passa dentro de nós e ao nosso redor, alguma coisa bonita pode acontecer."

É exatamente nisso que penso quando classifico um livro como “contemplativo”. E para contemplar, precisamos prestar atenção – atitude que também só me dei conta após a leitura dessa obra, mais especificamente do poema “Ondas de rádio”:

"(...) Quando vim para cá, estava tentando me afastar / de tudo. Especialmente da literatura. / Daquilo que ela implica, e do que vem depois. / Existe na alma um desejo de não pensar. / De estar quieto. Somado a isso, / um desejo de ser austero, sim, e rigoroso. (...) E então, Machado, a sua poesia! / Foi mais ou menos como um homem de meia-idade / se apaixonando outra vez. Algo formidável de testemunhar, / e constrangedor, também. / Coisas bobas, como pendurar a sua foto na parede. / Eu levava o seu livro para a cama comigo / e dormia com ele ao alcance da mão. Um trem passou / no meu sonho uma noite e me fez acordar. / E a primeira coisa que pensei, o coração acelerado / ali no escuro do quarto, foi isso – / Não tem problema, Machado está aqui. / Então pude me deitar e voltar a dormir. Hoje levei seu livro comigo quando saí / para caminhar. “Preste atenção!”, você dizia, / quando lhe perguntavam o que fazer da vida. / Então olhei em volta e tomei nota de tudo. / Depois me sentei com ele sob o sol, no meu lugar / junto ao rio, de onde podia enxergar as montanhas. / E fechei os olhos e escutei o som / da água. Depois os abri e comecei a ler / “Os últimos lamentos de Abel Martín”".

Por outro lado, o próprio Carver, em outros poemas, me mostra que as aparências às vezes enganam (e que qualquer tentativa de dualismo e polarização é equivocada), e o que aparenta calma pode esconder tormentas e angústias inimagináveis. “Nossa primeira casa em Sacramento” e “Noite de domingo”:

"(...) Eu vi com meus próprios olhos / o que a frustração pode fazer com um homem. / Fazê-lo chorar, fazê-lo enfiar o punho / numa parede. Fazê-lo sonhar / com uma casa que fosse sua / no fim da longa estrada. Uma casa / cheia de música, sossego e generosidade. / Uma casa que nunca tivesse sido habitada."

"Use as coisas ao seu redor. / Esta chuva leve / lá fora, por exemplo. / Este cigarro entre meus dedos. / Estes pés em cima do sofá. / O som distante de um rock-and-roll, / a Ferraria vermelha na minha cabeça. / A mulher trombando, / bêbada, na cozinha... / Traga tudo para dentro, / use tudo."

Bom, talvez com esse livro o Carver tenha conseguido condensar, mais do que um estilo de poesia, a própria vida cotidiana, com suas tímidas alegrias, constantes preocupações e eventuais momentos sublimes e epifânicos. Seria injusto, no entanto, deixar de mencionar o trabalho do Cide Piquet, que não apenas editou e traduziu este livro perfeito, essencial e insubstituível, como escreveu uma introdução concisa e bonita, capaz de nos preparar, com um estilo próximo ao do autor, para o que vem em seguida. Por fim, destaco o texto “Pequena prosa sobre poesia”, no qual o Carver nos coloca diante de um acontecimento revelador, e que ofereceu a ele uma perspectiva e um caminho até então insuspeitos. Durante muitos anos fui descrente de que momentos como esses eram possíveis, pois considerava algo fantasioso e exagerado. Nos últimos dias, porém, aconteceram algumas coisas que me fizeram começar a acreditar que sim, talvez episódios reveladores e significativos possam acontecer. Devo essa mudança de atitude ao Carver e ao Piquet, e a essa terceira leitura, recém-concluída.

"Algo – eu não sabia exatamente o quê, mas senti que algo importante estava acontecendo. Eu tinha deixou ou dezenove anos, estava obcecado com a necessidade de “escrever alguma coisa” e, por essa altura, tinha feito algumas tentativas desajeitadas de poemas. Mas na verdade nunca me ocorrera que pudesse existir um lugar para onde, de fato, enviar essas tentativas na esperança de que fossem lidas e até, possivelmente – incrivelmente, me parecia – consideradas para publicação. Mas bem ali na minha mão estava a prova visível de que, em algum lugar do vasto mundo, havia pessoas responsáveis que produziam – Deus do céu! – uma revista mensal de poesia. Eu estava abalado. Me senti, como disse, diante de uma revelação. Agradeci àquele senhor muitas vezes e fui embora. Levei o cheque para meu patrão, o farmacêutico, e levei a revista Poetry e o livro The Little Review para casa comigo. E assim começou um aprendizado. (...) Mais tarde, naquela noite, com os olhos ardendo de tanto ler, tive a clara sensação de que minha vida estava em vias de ser transformada de maneira significativa e mesmo, queiram perdoar, grandiosa. (...) Só posso dizer que esse encontro realmente ocorreu, e tal como o descrevi. Eu era apenas um garoto, mas nada pode explicar ou dar conta de um momento como esse: o momento em que precisamente aquilo de que eu mais necessitava na vida – digamos, uma estrela-guia – me foi dado de modo casual e generoso. Nada remotamente próximo àquele momento aconteceu desde então."
Profile Image for Soraya Viana.
159 reviews
May 31, 2024
Quem não tem o hábito ou a predileção de ler poesia pode gostar do estilo de Carver, que escreve em versos livres e sobre temas cotidianos. É o meu caso. Além das características acima, achei esse um ótimo livro por ser bilíngue, pois sempre gosto de cotejar a tradução com o original quando leio poesia escrita em inglês.
Cide Piquet fez um bom trabalho ao selecionar e traduzir os poemas.

Recomendo como leitura para o fim do dia, de preferência logo antes de dormir, embora diversos dos poemas aqui sejam tristes. Considero a visão de Carver a do poeta exímio, que "traduz" a dor em beleza.
Profile Image for Joás Alexandre.
114 reviews
September 1, 2025
Sou — anonimamente — suspeito pra falar de poesia mas aqui em 'Esta Vida' fiquei impressionado com um sentido de estrutura que existe em praticamente todo os textos, senti toda uma arquitetura e ao mesmo tempo aquele sauce que a poesia tem não fica de lado, senti aquele comichão quase invisível que quase passa (e às vezes passa) despercebido. selo Boscov de "Que profissional, que talento, que cuidado!"
Aqui em casa já é 'favorito da vida' e agora quero o Carver contista na minha mesa pra ontem (mas como assim o livro de contos dele tá 170 lulas na estante v.; caramba companhia, reedita)
Profile Image for Benjamin Guilherme.
2 reviews
November 13, 2018
Poemas que são contos ou contos que são poemas? Não importa. São maravilhosos!

Poems, short stories. Short stories that are poems or the other way around. Doesn't matter. They are just wonderful.
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