Natália de Oliveira Correia foi uma escritora e poeta portuguesa. Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Tem uma biblioteca com o seu nome em Lisboa em Carnide.
Nasci há tempo suficiente para me lembrar de ouvir a Natália Correia na televisão, da sua irreverência e da forma contundente como se expressava. Tive até o privilégio de a ouvir ao vivo no Botequim, há muitos anos atrás. Mas apesar de haver vários livros dela em casa dos meus pais, nunca tinha lido nenhum, talvez por a maioria serem de poesia, um género que sempre me causou dificuldades…
O desafio de outubro do meu Clube de Leitura é ler um livro de um ilhéu de língua portuguesa e resolvi aproveitar o pretexto para colmatar esta falha. Passei na biblioteca e trouxe este livro, que reúne três contos : Mãe, mãe, porque me abandonaste ? As nações unidas e A Ilha de Circe.
Gostei de todos, mas o meu preferido foi sem dúvida o primeiro, que julgo ser um pouco autobiográfico. Em comum, os três contos têm o facto de se focarem em mulheres, serem críticos e cáusticos, ao ponto de nos fazerem rir, mas terem depois desenlaces trágicos, causando ao leitor algum mau-estar. Tirando por vezes uma escrita um tanto hiperbólica, foi uma grande leitura, que me deixou com vontade de ir procurar mais prosa desta senhora.
Conheci a Natália na série da RTP "3 Mulheres" e o mais extraordinário desta série de contos é conseguirem transparecer tão bem a voz única desta mulher, tal como eu a ouvi interpretada pela Soraia Chaves. Provocadora, Natália narra três histórias repletas de sedução, com uma linguagem cuidada e pautada do seu humor mordaz.