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Caminhos da Esquerda

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A condição atual da esquerda é a de um homem perdido na floresta: é preciso encontrar uma saída. É a partir dessa constatação que o filósofo Ruy Fausto empreende um rigoroso balanço crítico da experiência histórica da esquerda, com foco no Brasil mas sem perder de vista o contexto internacional. Soma-se ao esforço crítico a tentativa de propor elementos para reconstruir um projeto ao mesmo tempo democrático, anticapitalista, antipopulista e com consciência ecológica. Caminhos da esquerda tem como base um texto publicado na revista piauí, em outubro de 2016, e que provocou extenso debate com interlocutores de todos os espectros políticos - prova da argúcia e solidez da reflexão de Ruy Fausto, e da necessidade de discussão pública qualificada em tempos marcados pela intolerância e pela fragilização da institucionalidade democrática.

216 pages, Paperback

Published June 19, 2017

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Ruy Fausto

13 books3 followers

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for Dario Andrade.
764 reviews26 followers
September 13, 2017
Esse Caminhos da esquerda é uma versão estendida do artigo publicado pelo Ruy Fausto na revista Piauí 121. Ou talvez fosse melhor dizer que o artigo da Piauí era uma versão condensada do texto do livro.
A pergunta que o levou a escrever o livro foi: “haverá um futuro para a esquerda? Para tanto, ele escolheu, em primeiro lugar, fazer um mea culpa do pensamento de esquerda, uma espécie de retrospecto do que deu errado, para depois encontrar alternativas para o futuro.
Assim, ele define que há patologias que assombram a esquerda e que é preciso fazer um acerto de contas com o passado. São três grandes assombrações: totalitarismo, adesismo e populismo.
O totalitarismo é uma herança pesada da revolução russa, em que leninismo e suas derivações posteriores – stalinismo, castrismo, trotskismo, maoísmo, etc. – mantiveram o pecado original. E pior é que ainda hoje existe uma tentação totalitária haja vista que tanto alguns pensadores totalitários – caso do Alain Badiou ou Zizek ainda fazem sucesso – quanto a atração por Cuba ou qualquer regime totalitário que ainda existe permanece.
O segundo mal é o adesismo – Blair ou FHC – que simplesmente deixaram de ser esquerda porque entenderam que não haveria futuro fora de uma sociedade capitalista.
O terceiro mal é o populismo, típico da América Latina e do Brasil, que alia uma figura carismática, a conciliação de interesses de classes opostas e uma tolerância ao malfeito na administração pública. Em relação ao populismo, ele observa que em relação à nossa experiência mais recente do tipo – o lulismo – o resultado foi que “a esquerda saiu desmoralizada, enquanto a direta, incluindo a extrema direita, levantou a cabeça.”.
Ele condena, pois, o fato de o PT ter enveredado pela corrupção, bem como cita, meio envergonhado o caso do assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André.
No entanto, não fala nada – ou quase nada do desastre econômico da dupla Lula-Dilma.
Critica ainda o discurso político da filósofa Marilena Chaui, que criticou a classe média. Apesar disso, parece-me que recai no erro dela, ao afirmar que “uma parte da pequena burguesia é, digamos, fascistizante, outra hesita, e uma terceira, constituída sobretudo por intelectuais e semi-intelectuais, está afinada com a esquerda e, frequentemente, com o melhor da esquerda”. Ou seja, ele não vislumbra a possibilidade de uma classe média democrática e liberal.
Também me causou má impressão a defesa do desastrado e desastroso governo Dilma ao se postar contra o processo de impeachment. Causa uma certa estranheza quando ele afirma por exemplo, que “durante um longo período (um ano ou mais, parece) organizaram-se reuniões em que se preparava a derrubada de Dilma”. Qual a fonte disso? Quem exatamente disse isso? Um intelectual deveria apresentar a fonte, especialmente porque acaba por ser uma afirmação leviana sem as devidas provas.
Essa defesa de Dilma realmente me incomodou. Ele afirma que foi uma espécie de golpe porque tanto a Constituição quanto as leis teriam sido ignoradas, quando as circunstâncias teriam sido deixadas de lado. Para ele, seria preciso algo extremamente grave para se tirar um presidente e isso não teria ocorrido. Parece-me difícil defender o governo Dilma e parece-me que é um erro de qualquer um da esquerda defender o mais desastroso governo – tanto economicamente, quanto pelo desapreço às regras orçamentárias e legais. Me parece que o governo Dilma intencionalmente fez as pedaladas e outras mágicas contábeis. Não foi um simples tropeço, um descuido. Não. Esse viés, para mim, pelo menos, tira uma boa parte da credibilidade do livro.
Ao tratar da nova direita, cita Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Luiz Felipe Pondé e Denis Lerrer Rosenfield. Em relação ao Pondé pelo menos, acho que ele comete um erro anterior do qual já tratei. Critica, mas sem citar exatamente a fonte. Afirma que Pondé, em uma crônica teria dito algo, mas me parece que deveria ter citado. E fica difícil saber se o Pondé estaria sendo irônico ou não no tal texto.
Também o programa de uma esquerda reconstruída que ele apresenta me parece pouco crível. Segundo ele, “em primeiro lugar, que a esquerda deve ter um projeto clara e explicitamente antitotalitário e também antiautoritário – um programa intransigentemente democrático. Em segundo lugar, que o seu projeto tem de ser estranho a todo adesismo em relação ao sistema – deve implicar efetivamente uma política de caráter anticapitalista. Em terceiro lugar, que, pelo seu programa e na sua prática, a esquerda tem de ser infensa a toda facilidade na administração dos bens públicos e na vida pública em geral”. E continua ele, mais adiante “o que viria em lugar do capitalismo, convém insistir, deveria ser uma sociedade democrática por excelência, com uma organização econômica fundada em cooperativas, subsistindo a propriedade privada, o Estado e alguns capitais não hegemônicos.” Acrescenta ele, ainda, que um programa de esquerda precisa ter também uma preocupação ecológica.
Não sou economista, mas tenho a impressão que ele não tem muita noção de como o mundo real da economia funciona. Acho que ele não entende o que é economia de mercado e capitalismo – que o Samuel Pessoa afirma, em minha opinião corretamente, que são a mesma coisa – e que haveria uma economia de mercado compatível com o socialismo. Além disso, não sei como a democracia seria compatível com esse projeto de ruptura radical. E as pessoas que não se interessam pelo socialismo? O que seria feito delas? Essa pergunta já foi respondida antes e a resposta foi com sangue e mais sangue. Não me parece que ele tenha a resposta de como conciliar democracia com ruptura radical da sociedade.
Enfim, o livro tem coisas interessantes, talvez a principal seja a crítica da esquerda. A crítica, no entanto, parece que perde a força a partir do momento em que ele se posiciona contra o impeachment, o que me parece imperdoável.
Também o projeto de esquerda que ele sugere me parece pouco factível. Tudo bem, cooperativas podem ser interessantes, mas em que medida poderiam ser levadas adiante em larga escala? Boa pergunta.
Enfim, uma leitura interessante, mas que não me parece responder às perguntas que o próprio autor apresenta.






Profile Image for Fernanda.
129 reviews2 followers
July 4, 2020
“As doenças da esquerda são graves, no sentido de que elas limitam o alcance da sua atividade e dão armas aos adversários. Mas não são doenças que façam com que esses movimentos, hoje, principalmente, deixem de ser movimentos de libertação.”
Profile Image for André.
127 reviews16 followers
January 20, 2021
Após o impeachment de Dilma Rousseff, muito se falou sobre a autocrítica que o PT deveria ter feito, mas não fez. Em Caminhos da Esquerda, o já falecido filósofo Ruy Fausto faz uma autocrítica da esquerda como um todo, apontando quais são seus principais problemas e como ela poderia se reconstruir.

Entre as críticas de Fausto, a primeira lida com a visão benevolente que parte da esquerda tem em relação a governos e projetos político-filosóficos ditatoriais, chamados por ele de totalitarismos e neototalitarismos. A diagnóstico de Fausto é confirmado pela contínua dificuldade de diversos ramos da esquerda em criticar a ditadura cubana e, em certos casos, até mesmo o absurdo governo venezuelano. Também há aqueles que ainda defendem o stalinismo ou se recusam a estudar autores críticos do leninismo. Fausto também critica Alan Badiou e Slavoj Žižek, filósofos considerados como “teóricos do neototalitarismo”.

A segunda crítica de Fausto é o que ele chama de reformismo adesista, que seria o que o PSDB – então um partido de centro-esquerda – fez, sob o comando de Fernando Henrique Cardoso, quando aderiu ao neoliberalismo que ganhou força no Reino Unido e nos Estados Unidos durante os anos 80, esquecendo-se da crítica ao capitalismo. A terceira crítica é o populismo, definido como uma combinação mais ou menos forte de “uma liderança carismática, uma política que une, pelo menos na aparência, interesses de classes mais ou menos antagônicas, e certo laxismo na administração da riqueza pública”. A relação entre PT e o populismo como definido por Fausto é óbvia. Por fim, a última patologia seria a dificuldade da esquerda em defender o meio-ambiente.

Como resultado de suas quatro críticas, a esquerda, para Fausto, deve ser democrática, anticapitalista (o que não quer dizer sem livre-mercado), intolerante com a corrupção (algo que não seria apenas uma preocupação de classe média, como grande parte da esquerda sempre afirmou) e preocupada com o meio-ambiente.

Identificadas as patologias da esquerda, Fausto discute um pouco da história da esquerda no Brasil, a conjuntura política brasileira até o pós-impeachment e como a esquerda poderia se reconstruir. Também há uma interessante, porém curta, discussão sobre ideólogos da direita, como Olavo de Carvalho. Como bônus, há dois apêndices com as respostas que Fausto escreveu para o economista Samuel Pessôa, crítico do artigo de Fausto que havia sido publicado na revista Piauí, mas não acho que o livro ganhe muito com os apêndices.

Talvez a principal pergunta do leitor após ler a obra seja: como funcionaria um regime democrático, anticapitalista e com livre-mercado? Fausto tenta dar uma resposta, mas que não chega a convencer. Sim, o capitalismo gera desigualdade, mas certos países, como os escandinavos, conseguiram criar sociedades em que as desigualdades foram muito minimizadas. Alguns outros países conseguiram, no pós-Segunda Guerra, dar saltos em seu IDH a despeito de estarem em sociedades capitalistas. A princípio, há um caminho, no próprio capitalismo, para melhorar a sociedade. Dada a existência desses países, seria mesmo o caso de gastar nossa energia pensando em uma sociedade anticapitalista?
Profile Image for Haymone Neto.
335 reviews5 followers
August 4, 2017
Gostei muito do artigo da Piauí que originou o livro, mas acho que essa versão ficou longa e chata, em especial as respostas ao "economista liberal". As notas também são extensas e repetitivas. De qualquer forma, a crítica às patologias da esquerda e o desmonte das falácias dos atuais ideólogos da extrema direita brasileira continuam a ser interessantes.
Profile Image for Gustavo Marques.
81 reviews
May 18, 2021
Uma interessante visão crítica da esquerda, com claras e sólidas opiniões sobre falhas de escolhas, ideais esquecidos, caminhos possíveis a serem percorridos em um futuro próximo e potenciais pilares de sustentação de uma ideologia de esquerda positiva para a sociedade.

Um material importante para entender melhor o que é a visão progressista e ajudar a construir a sua própria visão política.
Profile Image for Isabela Afonso.
43 reviews2 followers
February 9, 2021
O livro traz uma crítica pertinente ao momento que a esquerda vive no Brasil. Ademais, as reflexões que o autor traz sobre o futuro político dos partidos de esquerda e da própria ideologia são interessantes para repensar o rumo que tem se seguido até o momento.
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