Toma as espadas rútilas, guerreiro, E à rutilância das espadas, toma A adaga de aço, o gládio de aço, e doma Meu coração — estranho carniceiro!
Não podes?! Chama então presto o primeiro E o mais possante gladiador de Roma. E qual mais pronto, e qual mais presto assoma, Nenhum pôde domar o prisioneiro.
Meu coração triunfava nas arenas. Veio depois um domador de hienas E outro mais, e, por fim, veio um atleta,
Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem… E não pôde domá-lo enfim ninguém, Que ninguém doma um coração de poeta!
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos was a Brazilian poet and professor. His poems speak mostly of sickness and death, and are considered to forerun the Modernism in Brazil.
Único livro de Augusto dos Anjos publicado em vida, “Eu” é dominado por sonetos, quase todos muito bons. O que não é soneto também é ótimo. Pena ele ter morrido tão jovem, mas morrer deve ter sido interessante ao que muitos definem como o mais estranho poeta brasileiro.
10/10 Vermiforme! Já estava muito bom, porém os poemas finais garantiram-lhe minha nota máxima. Por vezes louvando o abismo e o nada, por vezes reconhecendo o vazio em que se colocou e achando pontas de esperança na beleza da Criação; do escárnio ao infinito ao pedido de redenção; da sujeira, do horrível, do escatológico! Do domínio último dos vermes à insignificância humana, da orgia e do hedonismo à vergonha sentida por seus atos, da loucura advinda do enclausuramento à contemplação do Sol!