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Avalovara

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Este romance de 1973 assinala o ápice do percurso literário do pernambucano Osman Lins. Tendo como ponto de partida a intersecção entre uma espiral e um quadrado, nos quais se inscreve uma curiosa frase em latim, o romance cria uma intrincada trama de texto e mundo, em que a imagem dos nomes sobrepõe-se à imagem dos seres e das coisas, compondo um terceiro destino que cabe necessariamente ao homem decifrar.
Avalovara intercala oito temas narrativos que atravessam tempos e espaços distintos, de Amsterdã a Recife, de Recife à Roma Antiga, daí a São Paulo e vice-versa, numa narrativa notável, que ambiciona abarcar o mundo e a linguagem em sua totalidade. Neste mergulho no cerne da linguagem, o ritmo poético precede e ordena os nexos narrativos, num casamento entre prosa e poesia que marcou o romance brasileiro contemporâneo.

415 pages, Paperback

First published January 1, 1973

25 people are currently reading
764 people want to read

About the author

Osman Lins

34 books21 followers
Osman Lins (July 5, 1924, Vitória de Santo Antão, Pernambuco, Brazil – July 8, 1978, São Paulo, Brazil) was a Brazilian novelist and short story writer. He is considered to be one of the leading innovators of Brazilian literature in the mid 20th century. He graduated from the University of Recife in 1946 with a degree in economics and finance, and held a position as bank clerk from 1943 until 1970. From 1970 to 1976 he taught literature.

His first novel, 0 Visitante ("The Visitor"), was published in 1955. His later publications would bring him international recognition and establish his reputation—Nove, Novena (1966; "Nine, Ninth"), a collection of short stories, Avalovara (1973), a novel, and A Rainha dos Cárceres da Grécia (1976; "The Queen of the Grecian Jails"), a novel/essay. Lins was the recipient of three major Brazilian literary awards, which included the Coelho Neto Prize of the Brazilian Academy of Letters.

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3 (2%)
Displaying 1 - 23 of 23 reviews
Profile Image for Morgana.
Author 4 books36 followers
April 19, 2021
eu deveria, obviamente, esperar uns dias antes de escrever isso aqui. porque eu acabei de terminar esse livro e porque eu ainda deveria pensar e pensar nele — mas eu comecei a ler em agosto de 2019 e estou aqui em novembro de 2020, foi mais de um ano pensando muito nele.

você, lendo essa review: talvez você não demore tanto assim, ou até demore mais — não importa muito. levei esse tempo para ler porque li com um grupo, primeiro de conhecidos e colegas, e a partir daí de amigos. então é impossível falar de avalovara sem falar em afeto e em amor, e isso pode macular a qualidade do que eu venha a dizer a seguir, já que minha ligação com esse livro se divide, também, na minha ligação com as pessoas que esse livro me trouxe.

isso aqui é mais um desabafo do que uma resenha, digamos assim. mais um ensaio do que um artigo.

mas comecemos pelo começo. comecemos com talvez você ter medo de ler esse livro porque, pelo que você ouviu falar, é um livro difícil. porque se divide em linhas narrativas, porque não é numa sequência cronológica, porque mesmo dentro de uma única linha o tempo se expande e se encolhe, porque você vê tudo pelo giro de uma espiral e tempos que estariam distantes agora estão próximos, enclausurados pelo espaço de um quadrado, e cada linha ecoa uma letra de um palíndromo escrito há tanto tempo que sua história se apagou, mas as palavras não.

mas sabe o que é? esse é um livro sobre escrever. é um livro sobre as palavras. é um livro sobre livros — anneliese roos e suas cidades, locais. cecília, a que não tem medo de leões e aqueles que a habitam, personagens. ana, inominada, a mulher símbolo e mais do que tudo, mais do que tudo, a mulher palavra: a palavra. a palavra, pura e simples, tudo o que há, e há de se haver algo mais?

sendo um livro sobre livros, sendo um livro sobre escrever (sendo um livro sobre buscar sem encontrar, sobre buscar e se decepcionar com sua busca, sobre buscar, sobre amar — a palavra, os amores —, sobre opressão, sobre o fedor, sobre o horror, sobre o medo — um livro maior que um livro, um livro que é uma vida inteira), é claro que o escritor quer, mais do que tudo, que ele seja lido.

você sempre vai ouvir falar que escritores escrevem pelo imperativo. pela necessidade. escritores precisam colocar aquelas palavras todas em algum lugar. e o lugar é o livro, que é uma ponte, um caminho — é necessário o outro lado. nenhum escritor quer escrever sozinho, nenhum falante quer falar sozinho, o amor depende do outro. não tenha medo de ler avalovara, não ache que você não vai conseguir, é só uma brincadeira. é só uma brincadeira do osman lins e ele quer que você brinque com ele. ele quer que você participe. ele quer que o seu coração esteja tão nesse livro quanto o dele está. tudo o que você precisa fazer — e é realmente só isso — é se dispor a ler.

se um livro fosse só sua forma inovadora, resistiria? talvez, se fosse o primeiro a inovar, sim, como exemplo. mas outros autores já haviam brincado com a forma do romance, antes e depois. outros autores misturaram o romance com o teatro, fizeram capítulos inteiros de silêncio, misturaram o tempo, a sintaxe, inventaram uma nova semântica. forma é conteúdo, sim, sim, é claro — mas o conteúdo é aquilo que fica, o que resta, quando você fecha seus olhos e pensa naquele livro, naquela passagem, naquelas palavras organizadas de forma a remexerem qualquer coisa dentro de você.

avalovara não é só seu formato — a brincadeira! o palíndromo, o quadrado, a espiral, o tempo, é tudo uma brincadeira, participe também —, mas a sua história. tão simples, um homem — e nem tão bom homem assim, mas quem liga? — que se apaixona por três mulheres e que quer escrever um livro. é só isso. e é isso transformado em palavras que nunca, nunca vão se rebaixar. você vai ler cada descrição de sexo que vai fazer com que você ria — mas osman lins está se levando totalmente a sério, não há ironia aqui, e você com sua leveza vai se opor a solenidade dele, uma conversa, uma brincadeira.

a escrita de osman lins é outra coisa. ou não, porque parece ser exatamente como tudo o que você já conhece — a batida do seu coração, pensamentos interrompidos, música. é solenidade, mas ela está pertinho de você, convidando você.

acima de qualquer coisa, esse livro é uma história de amor, que dura todas as páginas, do começo até o fim. do amor pela palavra. e se você se interessou por esse livro, talvez você já ame a palavra. então por que não se dispor a ler sobre esse amor? transformar o amor por uma amante em amor pela ideia, amar a palavra, amar a palavra como se ama o concreto.

e assim, aos poucos, talvez possamos perder nossa opacidade.
Profile Image for Arthur Dal Ponte Santana.
117 reviews15 followers
August 15, 2022
Eu suspeito que o grande tema desse livro, meio que por detrás de toda essa ideia de "quadrado e espiral", seja a tensão inerente entre duas formas de tempo: o tempo humano e o tempo eterno.

O tempo humano é o tempo do agora, vivido em uma torrente de sensações e com uma miríade de imagens que sobrepõem, aspecto muito presente nas passagens individuais de Avalovara, todas muito semelhantes às imagens de um sonho. Esse é o tempo do quadrado e de cada uma das letras nele inscritas.

O tempo eterno é o tempo que não é visto, invisível aos olhos e não percebido assim de imediato. Aparece no texto por meio do projeto, por meio do perdurar das historias e personagens no meio de todas essas imagens. Esse é o tempo da espiral e do movimento que ela engendra.

Avalovara se resolve em uma coisa, no acontecimento como aquilo que faz o eterno surgir dentro do humano. A coincidência, o detalhe ínfimo que faz aparecer o infinito como que planejado, nem que seja por um instante.

Avalorava é o movimento e o espaço em que ele ocorre. É um perder-se e reencontrar-se indefinidamente. É cair no finito para alcançar o infinito. É uma constante lembrança de que nosso tempo humano não é necessariamente pouca coisa. Que nosso tempo pode ser o tempo eterno da espiral ainda que seja o tempo humano do quadrado.
Profile Image for Tuck.
2,264 reviews253 followers
Read
January 31, 2011
i'm am a loser. i couldn't finish this by Lins. he is a complete mad man writer. i like to think about what his editor thought when she busted out this manuscript from its envelope, shit a brick maybe.
Profile Image for Murilo.
3 reviews3 followers
December 9, 2024
Livro meio doido, meio brilhante. Pequei em demorar tanto para terminá-lo, e com isso a história se perdeu um pouco. Mas a narrativa caleidoscópica com linguagem esculpida e a proposta da espiral e do quadrado, num ir e voltar constante, me prenderam ao livro.
Profile Image for Bernardo Mozelli.
21 reviews8 followers
September 23, 2016
I won't give further information about the book's structure and etc. because after two months slogging through it, I've explained it to enough people.

That being said, this book gave me extremely mixed feelings - a 3.5 or .75 would be a fairer rating- because it's very competent in handling it's themes and the structure of the book(s), but, at least as far as my theory goes, based mostly on the military regime treatment of other arts, Lins (and most other brazilian writers at the time) couldn't go as experimental as they could without being censored. Each writer had more or less efficient means of navigating around this, and his was a rather annoying one: I'll use one (or rather, two) of the chapters - the book is divided in six stories based on a spiral laid upon the SATOR AREPO square, each letter being a different story - to explain my problems. Going on and on for the same sexual metaphors in a sub-Song of Songs style at first, then developping variations on that until we get to a ethereal, stream-of-consciousness in the last two ones - and I gotta say in these last chapters, the prose is beautiful, as well as the first ones, where things are still contained. But the middle ones get extremely dull and offputting, and made me understand how important it is that we get a equivalent expression to purple prose in portuguese as fast as we can.

Overall, I strongly suggest this to people who like experimental literature, specially OuLiPo, high modernism and that sort of thing, but be aware, you'll often find yourself reading 10 pages of rather cliché body part descriptions and find your inner editor after page 120 or so (and he'll keep working at least until page 350 when everything starts to get resolved)*


*No way I'm checking the english numbering my dudes, just guess, you're all smart enough to do this.
Profile Image for Geoffrey.
654 reviews17 followers
July 24, 2018
Welp, I read this. And...I appreciated it in theory, but in fact, it was, I'm just going to admit it, the most incomprehensible thing I've ever read, and not in a fun way. And believe me, I've read some shit. I...appreciate the thought, but I'm hard-pressed to think of anyone to whom I'd recommend this.
Profile Image for Reginaldo Pereira.
3 reviews
February 8, 2013
Nao leia a sinopse acima porque ela antecipa algo que nao deveria.

Avalovara e sobrenatural. Parece quase impossivel que tenha sido mesmo escrito. Matematico, psicologico, transcendental e historico.
Profile Image for Newton Nitro.
Author 6 books111 followers
August 8, 2016
Eis que finalmente chega o momento de ler o clássico da literatura brasileira pós-moderna, Avalovara, uma obra de impressionante arquitetura literária e celebrada por críticos como o mestre Antônio Cândido.

Avalovara – Osman Lins | Cia. das Letras, 1995 (1ed. 1973), 384 páginas | Nota 4 em 5 | Lido de 03.08.16 a 05.08.16 | NITROLEITURAS

SINOPSE

Avalovara é um romance brasileiro de 1973, escrito por Osman Lins e com primeira edição publicada pela editora Melhoramentos. É considerado a obra-prima do escritor pernambucano, pelo equilíbrio entre a investigação formal e a abordagem das questões humanas.

A obra baseia a sua estrutura e o seu enredo no Quadrado Sator . O romance atribui a criação do palíndromo SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS a um escravo de Pompeia, Loreius. Para obter sua liberdade, ele compõe o quadrado mágico, atendendo a um desafio do seu amo. No entanto, revela o segredo a uma cortesã, que o trai.

O leitor é convidado a a percorrer um labirinto de letras que identificam capítulos, onde é narrado de forma fragmentária e superposta o relacionamento de Abel com três mulheres: Cecília, Roos e uma que é só identificada por um símbolo.

No labirinto aparece outras histórias: a do suposto pergaminho da Biblioteca Marciana de Veneza (de Marcos, não de Marte) que contém o quadrado mágico com a frase em latim: SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS, a do relógio de Julius Heckethorn, a história da personagem representado por um símbolo e a história do próprio Abel.

A distribuição dos capítulos segue uma sequencia ditada por dois parâmetros: o quadrado mágico com a frase latina e um a espiral que o percorre.

O tema de Loreius em sua busca da liberdade se alterna com a história de Abel, um jovem escritor brasileiro que busca seu amor em diversos lugares do Brasil e da Europa. Ao mesmo tempo, Abel tenta compreender a relação entre o artista e a obra, numa possível interpretação da frase inscrita no quadrado – “O criador mantém cuidadosamente o mundo em sua órbita”

As narrativas se intercalam, explorando os formatos do quadrado e da espiral. Segundo o próprio autor, essa organização foi a sua forma de refletir sobre “a transição do caos ao cosmos”[6] . Lins também povoa a obra de referências a clássicos iterários como A divina comédia, de Dante Alighieri, Werther, de Goethe, Moby Dick, de Herman Melville, e La modification, de Michel Butor.


RESENHA

Medonho, impressionante, hermético, poético, Avalovara é isso tudo.

É uma obra para quem curte a linguagem literária em si, para quem aprecia o jogo poético de palavras, cenas, emoções, conceitos, e a montagem e a quebra contínua da ilusão de realidade gerada pela literatura.

E para quem quer ver um escritor absolutamente LOUCO em termos de estrutura, o romance segue quase que um esquema matemático fractal no entrelaçamento de oito narrativas dentro de uma espiral inscrita no Quadrado Sator (não esquente, se você ler Avalovara, vai saber o que é esse tal Quadrado Sator!).

E realmente é um troço de doido, pós-modernérrimo, hermético, misterioso, cheio de configurações medonhas e entrelaçamentos narrativos!

A experiência de leitura é totalmente alucinógena e poética, a narrativa passa por momentos de caos e ordem, por passagens narrativas cinematográficas, cenas de sonhos, cenas eróticas psicodélicas, e muita poesia, com frases maravilhosas, tristes, melancólicas, visionárias. É uma espécie de uma obra brasileira do mesmo escopo da Odisséia de James Joyce, Avalovara é uma experiência literária poderosa, recomendada para leitores que realmente curtam literatura poética e com muito estilo e autores.

“Avalovara” é uma narrativa experimental unificada pelo amor e o desejo entre os protagonistas, que se processa em cenas eróticas e de exploração da sensualidade, misturando pontos de vista e mergulhando em uma experiência interna da mistura de almas que acontece em uma relação profunda.

E o que impressiona é a coexistência do caos e da ordem na narrativa, da fantasia e do realismo, do imprevisto e do calculado, desde a concepção da obra como na execução.

Recomendadíssimo, uma jóia da nossa literatura, única na literatura mundial, acredito!

Nota 5 em 5!

CITAÇÕES

“Desenhai, com auxílio de um compasso, se é de vossa índole ser cuidadoso, ou a mão livre, se tendeis para as soluções mais fáceis, uma espiral. Atentai, com cuidado, para as extremidades da linha, a interior e a exterior. Vereis, ao primeiro olhar, que a espiral não nos transmite uma impressão estática: parece-nos, antes, vir de longe, de sempre, tendendo para os centros, seu ponto de chegada, seu agora; ou ampliar-se, desenvolver-se em direção a espaços cada vez mais vastos, até que a nossa mente não mais alcance. A verdade é que, se a seccionamos nas extremidades, arbitrariamente o fazemos; fazendo-o, guardamo-nos da loucura. Nem a eternidade bastaria para chegarmos ao término da espiral – ou sequer ao seu princípio. A espiral não tem começo nem fim.”

“A ESPIRAL E O QUADRADO

À altura do ano 200 a.C. reside em Pompéia, então no auge do esplendor, o comerciante Publius Ubonius. Extremamente curioso, tente a especular sobre o incompreensível, viaja sempre que pode (vende, inclusive, produtos hindus) e hospeda mercadores em sua própria casa, como o único propósito de ouvi-los.

Recebe, através do tempo e das distâncias, diluídos, adulterados, talvez ungidos de magia, resíduos da matemática egípcia, da astronomia babilônica e dos ensinamentos pitagóricos.

Um servo, Loreius, sempre perseguido por sonhos enigmáticos, alguns verdadeiros, outros talvez invetados para atrair a curiosidade fácil do amo, afigura-se, a Publius Ubonius, o interlocutor ideal. Não rato, o comerciante esquece a esposa, os filhos e os negócios, para entreter discussões com Loreius.

Acaba, em consequência de tantas e cada vez mais exaltadas conversas, por prometer ao servo liberdade, se este descobrir uma frase significativa e que possa, indiferentemente, ser lida da esquerda para a direita – e ao revés.

Não só isto: sotopondo as palavras de que se componha, possa ser lida também na vertical, inicie-se a leitura do ângulo esquerdo superior ou do inferior direito. Em qualquer sentido, afinal, que se empreender a leitura da frase, deverá esta permanecer identical a si mesma. Quer Publius Ubonius, incapaz, não obstante suas perquirições, de concentrar-se no problema, representar a mobilidade do mundo e a imutabilidade do divino.

A imutabilidade do divino encontraria sua correspondência na imutabilidade da frase, com o seu princípio refletido no seu fim; enquanto a mobilidade do mundo teria sua replica nas variadas direções seguidas para a leitura da mesma expressão e também na possibilidade de criar, com as letras constantes dessa frase imaginada, que Ubonius não conhece mas deve existir, outras palavras.

Os sonhos de Loreius multiplicavam-se; suas vigílias são desesperadas. Antes de tudo, decide a extensão da sentença, que deverá ter cinco palavras. Ultrapassar este limite, parece-lhe uma ostentação; uma fraqueza contentar-se com menos. Além do mais, o número abriga significados cabalísticos, para ele importantes, havendo, dentre outras, a ilação entre o cinco e o pentágono estrelado, emblema universal da vida.

Sendo a frase composta de cinco termos, cada um destes, forçosamente, teria cinco letras, de modo a possibilitarem, agrupados uns sobre os outros (se lidos no sentido horizontal) ou lado a lado (se no vertical), as permutes exigidas pela obstinação de Ubonius.

Prepararam os dois homens, como se verá, e sem o saberem, o plano desde romance onde ressurgem e do qual são colaboradores. Contempla-os, com gratidão, o narrador, por sobre os dois mil anos que a eles o unem.”

Avalovara, Osman Lins.
Profile Image for Il Pech.
356 reviews23 followers
February 10, 2024
Come Solenoide, è un omaggio alla scrittura imperniato sulle riflessioni; si riflette sul libro all'interno del libro stesso.
Le scene di Lins, al contempo fisiche, carnali e allusive, velate di una patina di sogno, mi hanno ricordato un Cartarescu che abbandona la dimensione incubo, gli insetti e lo straniamento per dimorare nel sogno carezzevole e delicato, illustrandoci la meraviglia della parola, nelle sue infinite possibilità evocative. Parole che sbocciano o appassiscono, che evolvono trascinate dall'instancabile galoppo della spirale, in balia delle condizioni in cui si incrociano col reticolo dell'opera, in un gioco di specchi in cui tutto è frazione e intero, mondo in mondi piu grandi; tutto è doppio e gemello(a volte persino triplo), opposto e complementare - la vita e la morte, Nata e Rinata, spazio e tempo, 🌚e Abel, la spirale e il quadrato- e i significati crescono come esseri viventi; vite che s'arrampica infestando le pagine.

Bello, eh?

Cronistoria della mia lettura:
pag30: entusiasmo
P.70: sarà un 5 stelle?
P.200: brutti presentimenti
P.250: accenni di noia;salto qualche riga
P.300: tre storie stanno per finire e ne iniziano due nuove. Speranza.

L'ambizione è imbavagliata dalla struttura del romanzo che determina numero e successione dei capitoli e definisce la lunghezza degli stessi ingabbiando la prosa di un Lins che ha calcolato male i tempi e si ritrova a svolgere in 470 pagine un compito da 200. Le scene, forzate e dilatate, diventano parodia delle stesse, la forma prevarica e stupra il contenuto.

P320: disillusione
P350: occhi sulla pagina, mente al prossimo pasto
370: sgomento, ira, salto pagine intere.
Da p.400: sofferenza, irritazione, totale disinteresse.

L' idea è ⭐⭐⭐⭐⭐
lo svolgimento proprio no.
Profile Image for Marcos Faria.
234 reviews14 followers
March 25, 2019
Porra, que livro. Mais um que vai pra prateleira do "por que eu nunca tinha lido isso antes?".

Osman Lins parte de uma estrutura aparentemente simples, o Quadrado Sator. Cinco palavras de cinco letras, oito letras diferentes. Cada letra, um "tema" ou tom. Até aí, tudo bem. Mas sobre o quadrado se superpõe uma espiral, percorrendo o quadrado da borda para o centro e determinando uma nova ordem de passagem por cada um dos tons — que, ainda por cima, são se aprofundando a cada vez que são constelados no texto.

Só essa brincadeira à la Calvino já seria bem interessante. Só que esse jogo duplo da espiral e do quadrado se replica em outras dualidades: tempo-espaço, amor-morte, homem-mulher, sonho-realidade, necessidade-acaso. E, é claro, a questão de fundo em tudo isso, a relação entre literatura e mundo. Tudo isso com uma ditadura militar de cenário distante porém indisfarçável.
Profile Image for Michela Chiarlo.
Author 1 book7 followers
Read
October 22, 2020
Come ve lo spiego? Dunque... c'è una frase latina palindroma che forma un quadrato sator arepo tenet opera rotas. E c'è una spirale disegnata sopra alle 25 caselle che compongono il quadrato. Ogni volta che la spirale incrocia una casella si ha un capitolo. A ogni lettera corrisponde una storia. E fin qui è geniale. Il problema è che
-solo a pagina 100 si scopre che il protagonista maschile è lo stesso per la maggior parte delle trame
- molto spesso sono presenti artifici tecnici volti a ricreare sensazioni: lettere che spariscono, virgole messe a caso, parole che si interrompono a metà
- anche i singoli capitoli sono intrisi di incongruenze, elementi di realismo magico, momenti onirici in cui non si capisce cosa accade, chi parla
- alcuni personaggi muoiono, poi tornano in vita, oppure è un sogno... boh?
- ci sono creature inventate, uccelli ovunque, donne-uomo o esseri androgini non si capisce bene.
Insomma prendete tenet di Nolan, frullatelo con inception e complicate la trama di almeno due ordini di grandezza. Non avete capito niente? Neanche io.
Profile Image for H..
7 reviews8 followers
December 15, 2012
Descobrir um grande livro, sem querer, é sempre um enorme prazer. Descobrir Osman Lins, propositalmente ou não, é como apaixonar-se novamente pela literatura, por mais que nela já tenhamos mergulhado profundamente tantas outras vezes.

Agradeço a minha boa sorte por ter entrado em contato com esse fragmentado e, ao mesmo tempo, completo universo não só de palavras, mas de múltiplas realidades que Lins apresenta, lança em nossa direção.

Apenas me pergunto como esse autor é, ainda, tão pouco conhecido. Como pode a força latente de suas palavras ainda se manter oculta?
4 reviews
May 2, 2022
O Ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva introduziu o Ato Institucional nº 5 (ou AI-5) em 13 de dezembro de 1968 no Brasil. Parlamentares que se opõem à administração militar perdem seus assentos no legislativo, e estados e municípios sofrem interferência política. A tortura tornou-se institucionalizada e as proteções constitucionais foram revogadas. O Brasil é uma ditadura do ponto de vista político, econômico e social. Movimentos estudantis planejam manifestações contra a brutalidade governamental, mas são sufocados pela censura e pelo silêncio. Grupos armados populares, como a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a Ação de Libertação Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário Oito de Outubro(MR-8), surgem para lutar contra a ditadura. O país está mergulhado em turbulência política. Carlos Marighella, o líder revolucionário, é morto no ano seguinte. Em 1969 o escritor Osman Lins começa a trabalhar no que viria a se tornar sua obra mais conhecida e prestigiada: o romance Avalovara.
Lins faz uma odisseia literária nos próximos anos, não indiferente aos acontecimentos que o cercam, tentando se identificar como artista e cidadão em meio à instabilidade nacional. Ele tenta estabelecer alguma aparência de ordem com palavras e se esforça para entender sua função em meio às terríveis circunstâncias do país. A viagem leva você por livrarias, escolas, movimentos estudantis e, principalmente, becos teóricos muito profundos. A Melhoramentos também publicou Avalovara de Osman Lins em 1973.
Como previsto, a história tem uma forte tendência política e está repleta de alusões simbólicas à situação política do país. Acompanhamos Abel, um jovem escritor, através de sua vida e de seus três amores: Roos, Ceclia e uma senhora conhecida apenas por um símbolo. As cidades compõem o corpo de Roos, que é "vazio de seres humanos", como diz o narrador. O corpo de Ceclia é feito de indivíduos, enquanto o da mulher-símbolo é feito de palavras.
Avalovara tece uma metáfora sofisticada e bem equilibrada no processo de escrever e criar um romance. Todo o seu corpo estrutural é constituído por peças que simbolizam as várias fases do desenvolvimento de uma história. A obra é trançada em toda a sua estrutura, empregando as construções estruturais de um romance de forma bela e equilibrada, como um retrato crítico altamente sofisticado do trabalho político e criativo de seu período. A função hermética de leitura e desconstrução analítica dos mínimos aspectos deixa para nós, leitores e estudiosos, eventualmente apreender o processo de sua elaboração, e como Lins superou o muro de ferro da censura.
Aqueles que aceitarem se aventurar por este livro difícil, mas delicioso, farão uma viagem de mudança de vida por uma das melhores obras literárias já criadas em língua portuguesa.
Profile Image for Christiana Lamazière.
6 reviews2 followers
February 18, 2019
Odiei. A linguagem poética non sense me irritou profundamente na época (2009?). Talvez merecesse (ou não...) uma segunda chance.
Profile Image for Renato Grun.
1 review
October 20, 2024
Avalovara é uma das obras mais importantes já escrita na literatura brasileira, nem todos estão preparados para admitir isso, quanto mais para ler a obra de Osman Lins.
Profile Image for Filipe Oliveira.
49 reviews
June 8, 2023
Osman Lins e seus ensaios para fazer literatura... Frieza e fineza na construção em cuja estrutura, entretanto, o livro morre. Desperdício de energia vocabular com tantas enumerações. Os personagens não são personagens de verdade. Não comovem. São pura pose, composta de exercícios de estilo. E não só com estiletes escreve-se literatura. Avalovara permanece na estante para se ler como se lê Gonçalo M. Tavares: foco no raciocínio. Outras faculdades, além desta, me oferecem os grandes autores.
2 reviews
November 29, 2025
This is an undeniably impressive novel, but ultimately not quite my taste. I found the language a bit too flowery, and I was often bored by the frequent and long fantastical descriptions of events. That said, I do appreciate the novel's structure and ambition, and there are parts of it that I did really enjoy.
75 reviews1 follower
January 20, 2017
A very odd, challenging, interesting novel from Brazil. Not for the faint of heart. I must re-read!
Profile Image for Cicero Marra.
354 reviews23 followers
June 29, 2017
Vamo lá. O livro é uma autobiografia-ficcional (eu acho) em que Tempo e Espaço não coincidem, pois se tratam de grandezas apreendidas por nós de formas distintas. O autor usa da sobreposição do quadrado e da espiral tanto como ilustração desse descolamento quanto como um modelo pra sua prosa. O Espaço é o quadrado, multidimensional, tal qual o palíndromo em latim "SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS", que, quando disposto em tabela (assim como na figura) permite ser lido da esquerda pra direita, da direita pra esquerda, de cima pra baixo e de baixo pra cima. Já o Tempo, cíclico, é a espiral, que irradia desde um centro que coincide com a criação do homem e da mulher no jardim do éden (isso é um spoiler). Como é de se imaginar, a leitura é impossível e só faz algum sentido se contemplada como um todo, feito uma obra de arte ou uma escultura. Lembra um pouco, inclusive, a proposta do filme "A chegada" do Denis Villeneuve, em que a linguagem não só traduz mas também simula a unicidade da vida. Enfim, é cabeçudo mas é maravilhoso que alguém no Brasil tenha tido a capacidade de compor uma obra à altura da sua pretensão. Avalovara é de 1973 e Osman Lins é o homem.
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