A língua, os seus modos de utilização, os conseguimentos nela obtidos, foram um objecto constante de preocupação no período a que nos reportamos. A atenção ao que se escrevia – tratasse-se da própria escrita ou da dos outros – era patente, não raro assumindo formas de obsessão. Sendo de todos os tempos, essa atenção atingiu no período aqui estudado um paroxismo. (…)
Na "luta surda" que se travou entre a linha genealógica castiliana e a herculiana jogaram factores múltiplos. Alguns tão chãos como as opções políticas (…) alguns tão culturais como o paganismo, a libertinagem, a ruralidade de Castilho, ou o cristianismo, o ascetismo, a intelectualidade de Herculano. Mas a confrontação foi também de concepções literárias: Herculano desacreditando o culto dos clássicos antigos e a apetência francesa, Castilho pondo a ridículo tendências "góticas" e as nebelusidades do Norte.
A Questão Coimbrã foi ou não uma «questão literária»? Foi-o, deveras. Mas de modo radicalmente complexo. Reagindo a simplificações, este livro vai ao fundo da grande polémica de 1865.