UM RELATO APROFUNDADO SOBRE O DIA-A-DIA DAS RECLUSAS DO ESTABELECIMENTO PRISIONAL FEMININO DE ODEMIRA.
Em Mulheres Condenadas, o leitor é convidado a «entrar na prisão» — que, neste caso, tem apenas cinquenta camas e se situa numa sossegada vila alentejana — e, através das narrativas das reclusas, compreender os sentidos e significados da punição.
Lugar de ambivalências, a prisão continua a despertar medo e curiosidade. Muitas histórias se escondem atrás dos muros, onde o tempo fica suspenso, numa interrupção involuntária da vida em sociedade. Mas o que sabemos sobre quem ali vive? Considerando trajectórias pessoais, experiências de violência, exclusão social e pobreza, bem como o contexto da prática de crimes e de encarceramento, este livro assume-se como um contributo para a reflexão sobre o sistema penitenciário português.
Este livro foi muito melhor do que eu esperava. Faz um relato e uma análise do que é a vida na prisão, das rotinas na prisão de Odemira. A autora fê-lo de forma tão fluída que se tratou de uma verdadeira história e não de uma “mera” investigação antropológica. Passava muito naturalmente da descrição de uma situação ou da história de uma reclusa para a sua análise. Há considerações muito interessantes que eu gostava que tivessem sido mais desenvolvidas. Nomeadamente a questão do juízo de valor (que se reflete nas sentenças) que é feito de mulheres que cometem crimes, é ou não pautado pela sociedade patriarcal em que vivemos? Estas e outras questões que a autora levantou mas que não aprofundou. Não deixa de ser um bom livro que aconselho a quem se interesse por estes temas.
Mulheres Condenadas é pois se não a construção das narrativas, das experiências de vida de mulheres reclusas, de guardas, de outras profissionais que dentro da prisão de Odemira mostram não só a diversidade do crime feminino em Portugal, das lacunas do projeto de mainstreaming de género do estado português assim como do acompanhamento e reinserção social de quem caiu nas franjas do crime e exclusão social.