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Coisas Nossas

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Um presente à cultura popular, do coautor de Dicionário da história social do samba, vencedor do Jabuti de melhor livro de não ficção em 2015 Coisas nossas, de Luiz Antonio Simas, é uma reunião de crônicas que celebra a cultura de rua do Rio de Janeiro, em especial da Zona Norte e do subúrbio. Segundo o autor, “os textos são uma espécie de roteiro sentimental de uma cidade que talvez nunca tenha existido, mas que certamente vive em mim”. Simas faz de seus textos uma conversa com o leitor, mostrando as trajetórias de gente comum. Em curtas narrativas focadas nos personagens, transita por uma espiral de causos curiosos que envolvem desde Gerson, um dos maiores pipeiros, ao nada comum funcionário exemplar de Dom João. O autor alinha a paixão pela história e a atração pelo movimento das ruas, pela boemia, e faz destas crônicas um desfile apoteótico: que começa no carnaval e só termina no ano novo. Esta riquíssima seleção – de fina ironia, irreverência e brasilidade – é um presente à cultura popular. Nela, Simas apresenta um Rio não para chamar de seu, mas para chamar de nosso, de coisa nossa.

140 pages, Paperback

Published July 13, 2017

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86 people want to read

About the author

Luiz Antonio Simas

38 books105 followers
Luiz Antônio Simas (Rio de Janeiro, 2 de novembro de 1967) é um escritor, professor e historiador, compositor brasileiro e babalaô no culto de Ifá.

Professor de História no ensino médio, é mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Simas já trabalhou como consultor de acervo da área de Música de Carnaval do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, e como jurado do Estandarte de Ouro, maior premiação do Carnaval carioca. Foi também colunista do jornal O Dia[2], e desenvolveu o projeto "Ágoras Cariocas", de aulas ao ar livre sobre a história do Rio de Janeiro. Em seus livros, procura resgatar a memória oral da cidade, especialmente da população marginalizada

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Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Sandro Bueno.
5 reviews
March 1, 2020
Por ser uma reunião de crônicas monotemática, recomendo ler esse livro aos poucos, talvez até intercalando com outros livros. Caso contrário, a coisa toda fica bastante repetitiva e um pouco cansativa ao ponto da nostalgia do autor começar a incomodar um pouco.
Profile Image for Harvey Hênio.
635 reviews2 followers
April 20, 2025
Luiz Antônio Simas, o autor desse divertido e ótimo livro, nascido na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1967, é escritor, professor, compositor, professor e orgulhoso babalaô no culto de Ifá. Mestre em História Social pela UFRJ atua como professor nessa mesma instituição e destaca-se como grande especialista na cultura afrodiaspórica e dedica-se a preservar a rica tradição folclórica brasileira assim como a cultura do samba e das escolas de samba frente ao avanço de elementos de culturas estrangeiras em especial dos Estados Unidos e tem vasta e elogiada obra publicada.
“Coisas nossas” é uma coletânea, lançada em 2017, de crônicas publicadas pelo autor, majoritariamente, no jornal “O dia” mas também em sites e redes sociais sendo que parte do material foi lançado pela primeira vez nessa obra.
Os textos são curtos, bem escritos e divertidos e a despeito do formato crônica o autor dá asas à imaginação brincando e estreitando os limites entre realidade, fantasia e nostalgia. Vale a pena reproduzir uma curiosa afirmação que ele fez na apresentação do livro:

“Muitas coisas foram inventadas, sobretudo aquelas que, convictamente, tenho certeza que ocorreram”.

Importante ressaltar que Luiz Antônio Simas é um saudosista que lembra com deliciosa nostalgia de uma cidade que ele sente estar desaparecendo diante de seus olhos muitas vezes marejados de lágrimas. Simas lamenta o declínio e o inevitável desaparecimento do Rio de Janeiro do carnaval de rua, do samba de roda, das brincadeiras de criança presentes nas ruas ainda não tão perigosas e turbulentas como são hoje, das quitandas e vendas de rua, dos campos de várzea, dos terreiros de macumba.
Nesse quesito da nostalgia vale a pena reproduzir alguns trechos de crônicas presentes em “Coisas nossas”:

“Kichute, calce essa força”
“Esqueçam os tênis de grife que seduzem a garotada de hoje e custam pequenas fortunas. Sou de uma geração que na infância usava quatro tipos de calçado: Kichute, Conga azul, Bamba branco e sapatos Vulcabrás. Dentre essas opções a minha predileção era pelo Kichute velho de guerra; preto, feito de lona e com travas de borracha”.

“Novas infâncias”
“Os garotos fazem tabelinha virtual em terceira dimensão. Seduzidos pela parafernália desses trecos, abandonam as coisas mais simples, que exigem mais talento e têm maior poder de sociabilização.
Incluo neste time das brincadeiras mais sumidas que o pássaro Dodô o pique-bandeira, o passa anel, a carniça, o lenço atrás, a cabra-cega, o garrafão, a bola de gude, o telefone feito com lata de leite condensado, o passaraio e muitas mais.
Só me resta constatar que a minha concepção de infância já foi para a roça e perdeu a carroça. Em breve inventarão um aplicativo para se rodar pião pelo celular. Já é mais fácil, afinal, achar um pinguim no verão de Bangu que um adolescente que tenha dado o primeiro beijo em uma brincadeira de pera, uva, maçã ou salada mista”.

“Os bares nascem numa quarta-feira”
“O Brasil em que fui criado e sempre vivi passa longe dos salões empedernidos, bancos acadêmicos, bolsas de valores, altares suntuosos, restaurantes chiques e esquinas elegantes. O Brasil dos meus olhos de criança e das minhas saudades de adulto é o dos campos de futebol, mercados populares, terreiros de macumba, rodas de samba e velhos botequins frequentados pelo meu avô”.

Além da nostalgia das “coisas nossas” que estão desaparecendo massacradas e obnubiladas no aparentemente inexorável processo de globalização de valores basicamente estadunidenses Luiz Antônio Simas faz questão, também e talvez acima de tudo, de exaltar o povo comum, as pessoas comuns que labutam cotidianamente pela sobrevivência e por uma vida digna como ele ressalta na crônica “Cartografia, uma das melhores do livro:

“Desconfio da existência de um fio condutor no que rascunho: vivo brincando com os limites entre a História e a crônica a partir das encruzas, contando histórias de ajuremados, vagabundos, bebuns, foliões, jogadores de ronda, rufiões, damas da noite, onanistas, poetas fracassados, chacretes, partideiros, coveiros, macumbeiros, perebas e brasileiros miúdos. [...]
Cresci na margem do rio fundo do terreiro de Mãe Deda, minha avó. Sou da Lira; fico na tocaia dos desacontecimentos potentes e os mundos importantes me interessam pouco ou quase nada. Causam, sobretudo, enfado e desencantamento. Na crise do Brasil, a minha rota de fuga é exatamente o mergulho mais intenso no Brasil. Incapaz de outras militâncias, as histórias que conto são essas, de infâncias e assombrações. Nelas afago meus avós – meu reencontro cotidiano – e as gentes de batuques, marafos e arrelias.
A minha turma”.

Sou obrigado, em face de minhas posições nem sempre favoráveis a saudosismos em excesso, a confessar que causou-me certo incômodo a maneira como o autor, em nome da saudade, da nostalgia e da valorização do Brasil que ele conheceu quando criança, trafega perigosamente perto do território nem sempre firme da idealização do passado. Nos dias de hoje certos setores da sociedade tem olhado para o passado nem sempre prazeroso do Brasil e construído certas narrativas de forma a justificar a reconstrução de certos passados e a repetição de seus erros e brutalidades. Não estou dizendo que Luiz Antônio Simas faz isso mas ele não fica longe de idealizar o Brasil de sua infância que não foi exatamente a maravilha que ele muitas vezes descreve. Falo isso por que sou da mesma faixa etária do autor e minhas lembranças não sãotodas prazerosas como as dele. E é forçoso reconhecer que melhoramos institucionalmente e estamos mais inclusivos a despeito das dificuldades. E os avanços sanitários e científicos tem que ser reconhecidos. Ou seja, nosso presente não é de todo ruim assim como o passado que o autor quase idealiza não era de todo bom.

Dito isso o livro é uma ótima pedida até para resgatar um Brasil que está realmente ficando na memória mas que merece sobreviver ainda que apenas nas lembranças de todos aqueles que tem mais de sessenta como este humilde escriba.
Profile Image for Ana Clara Leite.
18 reviews1 follower
May 14, 2021
"Eu sei apenas que o encanto com os ijexás, o assombro com os transes dos caboclos e as mãos calejadas que seguram as cordas do Círio de Nazaré, as mesmas mãos calejadas pelo couro do tambor que chama o povo de Aruanda, produzem em mim a sensação de pertencimento que nenhum bandido engravatado, de cabelo grotescamente tingido de acaju, há de tirar. (...) A minha pátria, bem distante do patriotismo tonto, que Samuel Johnson definiu como último refúgio dos canalhas, é o delírio que me conforta. É aquela que ilumina meus olhos, rega meu peito e acaricia as minhas palavras, para que eu conte as histórias que ouvi do meu avô ao meu filho, no contínuo descortinar da vida, arte maior de tremer o chão sagrado e reverenciar o mistério intuído dos ancestrais. A nossa pátria, menino, minha e tua, e por ela vale lutar, é Candeia chamando o Dia de Graça. Esse Brasil há de nos aconchegar nas noites mais frias".
Profile Image for Manu Wojcikiewicz.
6 reviews
April 17, 2021
Que delícia de companhia! Um livro que traz à luz a lembrança de um país de afetos e repleto de histórias e festejos.
161 reviews
July 18, 2022
Alguns são hilários, e trazem uma mensagem clara que me deixou matutando as cidades e mudanças que vêm ocorrendo, mas alguns são mais lembranças de infância.
Displaying 1 - 5 of 5 reviews

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