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Pai, Pai

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João nasceu em Ribeirão Bonito, interior de São Paulo, filho mais velho de uma família de classe média baixa. Desde o início, acompanha a forma rude como o pai José trata sua mãe, de origem mais humilde. É vítima, ainda criança, da violência de José, que não aceita sua natureza de “menino maricas”. Antes de completar 10 anos, João entra num seminário, para escapar do ambiente de casa. “Eu iniciava meu processo de ser outro, um homem, sem deixar de ser o mesmo filho de José, o cachaceiro.”Depois de abandonar o seminário, ele busca sua liberdade, e deixa o Brasil da ditadura para conhecer o mundo. Atravessa graves momentos políticos na América Latina e vivencia a contracultura nos Estados Unidos. Mergulha na escrita e nas artes. Mas a sombra do pai continuará sempre consigo.

256 pages, Paperback

First published September 28, 2017

6 people are currently reading
177 people want to read

About the author

João Silvério Trevisan

25 books29 followers
João Silvério Trevisan (born June 23, 1944 in Ribeirão Bonito, São Paulo) is Brazilian author, playwright, journalist, screenwriter and film director. In his much-diversified oeuvres, he has published eleven books, among them great works of fiction, essays, short stories, and screenplays. Trevisan has been influential as a literary and cultural critic, particularly on gay and lesbian issues and his works have been translated into English, Spanish, and German.

Early in his career in 1970, Trevisan wrote and directed a feature film, Orgia ou o Homem que Deu Cria, which was censured by the Brazilian military regime for almost ten years. In 1976, however, Trevisan wrote his first book, Testamento de Jônatas Deixado a Davi, and in 1983, Em Nome do Desejo. He subsequently emerged as one of Brazil's more important literary figures due to the enormous quantity and quality of work produced over the course of his career on a variety of topics. In 2010, one of his many short stories, The Secret Friend, was adapted to a short film directed by Flavio Alves. The film was shot in Brooklyn, and entered more than 80 film festivals and won 21 awards all over the world, including Best of the Fest at Palm Springs International Film Festival, the Storyteller Award at Savannah Film Fetival, and the Van Gogh Award at the Amsterdam Film Festival, among others.

Trevisan's best-known literary work, Two Bodies in Vertigoo is part of the anthology The 100 Best Brazilian Story Tales of the Twentieth Century. He has been honored three times with Premix Jabuti, which is the most prestigious Brazilian literary award and three times with the Association of Art Critics of São Paulo (APCA) Award, as well as several other honors. Yet, despite the numerous awards and distinctions, his work has been ignored by the Brazilian mainstream media.

Between 1973 to 1976, Trevisan lived in Mexico and in the United States, where he had direct contact with the gay rights movement. Not surprisingly, in 1978, he founded, SOMOS, the first gay rights organization in Brazil and, in the same year, the first gay news publication, O Lampião da Esquina. In 1982, he started research for his book, Devassos no Paraiso (Perverts in Paradise), which became at the time the most comprehensive study of the history of homosexuality in Brazil.

He currently resides in São Paulo, Brazil.

http://en.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3...

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Displaying 1 - 15 of 15 reviews
Profile Image for Guilherme Smee.
Author 28 books195 followers
November 21, 2017
"Meu pai existiu. Meu pai me deu um espermatozoide, e assim eu gerei um pai". Essa foi a frase que mais me marcou neste livro. Afinal, são mesmo os pais que geram os filhos ou são os filhos que geram os pais? Me parece que a segunda oração é mais correta. Afinal, nem todo pai é pai se tem um filho, mas todo filho é filho se tem um pai. Nem todos os pais possuem a consciência de sua responsabilidade sobre a vida dos seus filhos e como as suas ações podem influenciar de forma muito positiva ou muito negativa as vidas de sua prole. Parece ser o caso dessa "inconsciência seletiva", o caso do pai de João Silvério Trevisan, um autor brasileiro importantíssimo e pioneiro para o cenário e o estudo da literatura LGBT. Entretanto, pela minha experiência e a de meus amigos gays, muitos de nós tem a "paternidade inconsciente seletiva" como um fator aglutinador e importante para a formação de nossa identidade sexual e de gênero, geralmente se afastando da masculinidade autoritária, segregadora, preconceituosa e violenta. O papel distante e negador da identidade do filho por parte do pai, seja reprimindo, mandando, forçando e obrigando a determinados comportamentos ditos "viris" faz com que seus filhos quebrem a identificação com a masculinidade e a virilidade percebendo-as como perniciosas e destruidoras. Essa hipótese portanto, vai contra a tese popular que "tem que apanhar para ser homem". Quanto mais essa virilidade for exigida da criança, mais desgosto ela vai ter desse modelo de gênero e, portanto vai se aproximar de seu binário social, a feminilidade, mais sensível e compreensiva, mais criativa e artística. Trevisan traça muitas hipóteses para corroborar essa tese no seu livro usando sua situação como estudo de caso, mas sem chegar a nenhuma conclusão, deixando a "identidade queer" como algo que construído de maneira independente por cada pessoa, porém com alguns pontos em comum, como os que citei acima. Um livro que vem muito a calhar quando se pensar que as pessoas "se tornam" LGBTs através de uma "ideologia de gênero". Tolinhos... Sabe de nada inocente!
Profile Image for Eric Rocha.
91 reviews2 followers
September 8, 2020
O início é simplesmente genial. Daí em diante vira um diário honesto de um homem culto, vivido e cheio de referências (o que é meio genial também)

Mas confesso que senti falta da força das primeiras páginas no resto do livro todo (acho que eu gosto de levar porrada afinal - ah, schocking
Profile Image for Filipe Matzembacher.
8 reviews5 followers
Read
March 19, 2018
eu me vi, vi meu pai, avô e mãe. perdoei e me perdoaram.

me senti sentado na mesa de bar, naquelas noites tristes, falando sobre momentos difíceis da vida. e no fim um abraço apertado, para voltar para casa em segurança.
Profile Image for Roud Faria.
122 reviews2 followers
January 28, 2019
“Devouring the father is scary thus necessary.”
This compelling book was so amazing that I had to put it down so I could think and analise myself while reading it. The author is, in my opinion, one of the few intellectuals and novelists in the world who is able to walk with a pulsating wound which he isn’t scared nor ashamed of revealing to the rest of us, cowards. His pain doesn’t convince you in a form of cheap drama but slaps you in the face or punches you in the stomach with his brilliant capability of analysis and intellectuality. The best book I’ve read in the last 3 years!
Profile Image for Alexandre Willer.
Author 4 books18 followers
January 5, 2020
pai, afasta de mim e se cale porque a voz do pai é a voz que me mantém longe de mim e acerca de mim mesmo em tudo que eu pensei saber sobre a vida que me foi dada sem pedir ou questionar.

o pai me parece um estranho, há esse tanto de vida que existiu antes de mim e que parece insistir em caber na que tenho pela frente, num exercício psicotécnico que me força a encaixar a bola no triângulo e o quadrado no hexágono, a vida que me pertence não foi feita por mim mas feita para mim e há esse peso imenso que devo somar ao que já carrego, sina, herança, espelho de mil faces que me olha de soslaio quando menos espero.

ser filho de um pai é tarefa não benção, conforme os anos passam vou notando em mim nuances e detalhes que não são meus mas de meu pai mesmo tendo ele já morrido e seu espaço ocupado por um vazio de filho que não sabe como honrar uma conta que não fiz mas que, pelo jeito, terei de pagar um dia.

vivemos então algum tipo de vida genética de nossos pais? herdamos tanto assim deles e por uma questão somática fadados e replicar o paterno no que pomos a mão? e ser pai, que é? sou eu o pai de mim mesmo? se parte do que sou veio dele mas outra parte eu mesmo fiz para mim, não posso ser progenitor de mim mesmo e assim, abrir mão do pai que me fez ser rompendo um laço que pode ser mais convenção que afeto real ou biologia pura?

pai, pai não é um livro fácil, não espere respostas ou bordas recheadas de dramas familiares comezinhos, há apenas o cru, o concreto firme de uma vida em pedaços e de uma paternidade emprestada de evidências soltas por uma trilha de sentimentos quebrados e remendados como possível.

é um parto paterno, gravidez macha de sensações estranhas, eu me senti mal e péssimo filho, aliviado e filho exemplar, magoado e filho pródigo, exaltado e filho reparador de uma vida que precisava entender. por diversas vezes me pego a questionar essa pessoa que acho que sou se meu pai, vivo fosse, teria orgulho de mim, sentiria prazer em reconhecer que esse naco de carne que lhe saiu do escroto valeu o esforço e o gozo, por no mundo, vingar e vicejar, se fiz, faço e ainda farei honra a sua memória ou qualquer concepção que ele pudesse ter disso.

não sei.

e não saberei eu já que abri mão da paternidade por escolha e sem qualquer arrependimento, paterno é um termo que me foge enquanto sê-lo e não sei se cheguei a entender que é enquanto filho. ser pai é para quem tem coragem, culhões, peito, bunda, pernas e braços, não sou pai porque mal acabei de aprender o que era ser filho, sem terminar esse aprendizado não me encaro capaz de assinar o contrato de paternidade mas, como diz no livro, não acabamos assumindo o papel de pai uns dos outros quando a ausência de um se faz?

somos pais de nossos amantes, de nossos amores, de nossos amigos, de nossos inimigos, de nossos pecados e de nossos prazeres. somos pais de nossos erros e acertos e somos pais de tudo mais que temos pela frente quando a vida é mãe bandida e resolve fazer birra com seus filhos, não se enganem a vida só tem mães, pais a vida desconhece e põe para escanteio porque pais carregam nada além de um nome e um gene meia-boca para chamar de seu.

eu sou meu pai, sou ele porque foi dele que saí e dele absorvi parte do amálgama que faz de mim o que sou, os genes falam alto demais em mim, os dele, estão aqui e eu os ouço gritar diariamente mas, também sou meu pai porque eu sou quem sou por uma invenção minha, aprendizado meu, vida que fiz para mim, coisas que aprendi e sei, murros em facas e açucares de confeiteiro, doce e amargo, pai e patrão, pai, eu afastei de mim vários cálices mas nunca me calei e jamais calei a ti porque sem nossa voz eu seria quase mudo e pregaria minha paternidade em vão.

talvez que comece a ter algum orgulho de quem sou, se não é a melhor versão de mim, também não é das piores, sou humano, pai, sou pai de um ser falho e de carne, essa carne que tomei emprestada de ti quando teu gene resolveu procriar, prosperar e estar aqui para atestar, de alguma forma, que você também está mesmo que não esteja.

eu acho que tenho algum orgulho de ser meu pai e, se assim for, espero você também tenha de ter sido meu pai.
Profile Image for Nícolas.
58 reviews5 followers
December 28, 2017
Não vou fazer uma sinopse do livro, pois pra isto, basta ler a contra-capa ou a descrição em qualquer site. Irei me ater a minhas impressões.
Quando comecei a ler o livro do Trevisan, fiquei com medo de ele desbancar para a auto-ajuda e moralismos baratos. Que bom que eu não poderia estar mais enganado. O livro tem suas delícias. Em primeiro lugar, não é moralista. Trevisan tem uma coragem ímpar ao debater assuntos que ninguém quer comentar. Nada escapa a seu olhar observador: o patricídio, a sexualidade infantil, críticas à esquerda, repressão, exílio, etc. Mas não só isso, como também paixões avassaladoras, o poder da liberdade: tudo está lá. Se por algumas vezes ele descreve sua sensibilidade e seu sofrimento através de situações das quais foi vítima, também faz o mea culpa, deixando claro quando poderia ter agido de forma diferente, quando foi ranzinza sem motivo e não se pintando de anjo.
Outro ponto fantástico são as escolhas utilizadas para construir este romance. Na página em que o autor oferece sua Oficina Literária, ele diz: “A literatura brasileira atual tem dado importância maior a enredos bem articulados e a certo tecnicismo exibicionista, em detrimento da sinceridade e aprofundamento das problemáticas abordadas”. Eu não poderia concordar mais com ele. É por isso que acho maravilhosa sua abordagem. Os capítulos pequenos ora se assemelham a crônicas, ora a ensaios, passam por listas, quebram quaisquer expectativas. Ao mesmo tempo, mantêm uma unidade temática.
“Pai, pai” é um livro corajosíssimo que eu recomendo bastante.
Profile Image for Joao Paulo.
83 reviews
October 15, 2020
Trevisan faz mais uma análise, no sentido psiquiátrico, de si mesmo. Tendo relações explicitamente junguianas, encontra início em seu fim.

Possui uma linguagem bem formal, com palavras bem difíceis, o que é meio estranho para um livro no qual o autor tenta se abrir com seu leitor e consigo mesmo. Nisso acaba encontrando uma pieguice que foge de um impacto. Os sentimentos colocados de forma tão limpas as vezes soam meio egocêntricos e frágeis, o que não é de todo ruim na maioria dos casos.

Ler ele depois de O Rei do Cheiro foi meio decepcionante, vir de um livro que se utiliza tanto de sua forma para se moldar para cair em um gênero diário, analítico, onde os sentimentos acabam tendo pouco valor verdadeiro com uma escrita que não é truncada, mas cai em uma apatia. Parece ter um estilo quase infantil, só que complicado por algumas palavras mais elaboradas, o que conversa com o tema do livro (essa dita segunda infância do autor, onde tenta atar laços com sua primeira infância e o resto da vida), mas de modo geral não me agradou. O discurso vira monótono, tendo várias repetições de acontecimentos que nem tentam usar de uma carga dramática criada anteriormente, porquê ela é inexistente.
25 reviews17 followers
Read
January 12, 2024
Uma mistura de romance autobiográfico, com livro de memórias, crônicas e poesia.
A seção inicial relatando a experiência do autor em um cenário rural e tradicionalista enquanto criança queer me agradou bastante, apesar de doída, acho que porque me lembrou "O Fim de Eddy", livro que gosto muito (e recomendo).
Mas aonde "Eddy" me ganha, "Pai, Pai" me perde nos momentos que deixa o teor confessional de lado e parte para as lamentações de João Silvério em sua carreira (inicialmente) fracassada já na vida adulta, que é quando "Pai" assume de vez uma escrita deliberadamente enfeitada como as poesias que o autor tanto gosta – indicado pelas inúmeras referências à Carlos Drummond de Andrade –.
Quando está focado nas implicações psicológicas da dinâmica conturbada com o pai, o livro tem muitas passagens "quotáveis", a análise que o João faz de si mesmo tem um quê de distanciamento emocional dos eventos que eu não sabia se ficava impressionado ou preocupado.
Uma leitura que me agradou na maior parte.
Profile Image for Ozmar Pedroza.
96 reviews11 followers
July 17, 2022
"À medida que vou revolvendo a lixeira do passado, percebo como tudo o que le reodeia significa. Simplesmente porque tudo está sempre para ser decifrado. [...] Aquí, agora, não busco apenas o significado do que meu pai foi para mim. Percebo que estou buscando aquilo que meu próprio pai não pôde compreender."

Una autobiografía sincera que utiliza la figura del padre, y su ausencia, como el hilo conductor del texto. A partir de una narrativa vigorosa el autor plantea, a través de sus recuerdos y vivencias, cómo fue que aprendió a querer a su padre a pesar de la relación violenta que vivió con él. Las memorias de João Silvério Trevisan se convierten en un viaje por la conciencia de un autor que intenta comprender por qué su padre actuó de tal manera y de qué forma eso influyó en su vida. Es una ventana también para conocer el Brasil de la segunda mitad del siglo XX, porque sus vivencias son testimonios importantes de la cultura de ese periodo.
Profile Image for Fellipe Fernandes.
224 reviews16 followers
May 12, 2022
Quanto tempo é necessário pra se aprender algo? Quanto de esforço é necessário pra revisar uma vida? Quanto custa um perdão? Quem paga esse custo? Todos nós, em algum momento, revisamos nossa relação com genitores. Pai e mãe têm ambos um papel essencial na jornada de nossas vidas. No caso desse livro, é pela jornada do Trevisan que um acaba por se pensar no centro de sua própria narrativa. Qual é a finalidade do rancor na nossa história? A quem serve a amargura? Temos a péssima mania de insistir na (im)possibilidade de o passado ser diferente. Recuperar a figura paterna, especialmente num contexto social como o nosso, frequentemente marcado por machismo e suas consequências, é também recuperar-se na trilha da fé no futuro. Um livro bonito, com memórias dolorosas e francas.
Profile Image for Alejandro.
54 reviews
February 1, 2019
Que obra dura e difícil. João Silvério Trevisan compôs um livro em que expurga e disseca sua relação com o pai, criando uma teia em que este relacionamento permeia cada passo dado em sua vida. Mais que uma tentativa de entender o que havia nesta conexão entre eles (ou na falta dela, para ser mais preciso), Trevisan tenta buscar perdoar o pai, numa espécie de perdão mútuo - perdoar o pai é perdoar, em última instância, a si.

Carregado de comentários e notas, “Pai, pai” ainda fornece uma infinidade de dicas para aprofundar no tema, que invariavelmente circunda a vida de todos, mesmo que de forma muito particular na relação pai-filho. Duvido muito que os leitores não saiam reflexivos destas páginas.
Profile Image for RRoncato.
6 reviews10 followers
October 30, 2019
Um livro potente, transformador, tocante. Pessoal e ao mesmo tempo "profissional". Filosófico, psicanalítico, verdadeiro, real. Reconta pelas memórias de um autor gauche, como ele disse, pra não dizer marginalizado se fez ser em circunstâncias totalmente adversas. E não é um livro de autoajuda, coach, pelo contrário, põe o dedo na ferida e sara. Ou melhor, e a salva, como der, como puder, se puder.
Profile Image for Michell Matta.
2 reviews
February 26, 2026
A primeira metade do livro foi perfeita. Me fez refletir muitas coisas em mim - filho abandonado pelo pai e homossexual. Mas depois se torna uma escrita pesada, duro consigo mesmo e com doses claras de narcisismo.
Profile Image for Amanda.
27 reviews2 followers
April 20, 2020
Gostei bastante da escrita do João Silvério, que traz sua infância no interior e a figura distante de seu pai, com pinceladas de um olhar mais psicanalítico em suas vivências
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