Jump to ratings and reviews
Rate this book

O Martelo

Rate this book
o martelo is a book about violence and female sexuality, narrated by a nameless female voice, with an antagonist (the prince) and a ambivalent hero (Humboldt). The book is thus divided in two parts – in the first one, the nameless woman describes her post-rape experience within public institutions and bureaucratic instances; in the second part, she describes her experience as both married and adulterous woman, making questionable, suspicious parallels between husband and lover, and between rape and consensual sex. The division of the book is inspired by Constantine the Great, the first Christian Roman emperor, who created a law establishing that rape and adultery were similar crimes, committed only by the woman, for her being unable to take care of her husband’s property (i.e. her body).

o martelo was first published in Lisbon, in February 2016, by douda correria, with 28 poems and illustrations by xuehka. The second edition was published in Rio de Janeiro by edições garupa, in January 2017 (134 days after the coup in Brazil), with 29 poems and postface by journalist and activist Carol Almeida.

73 pages, Paperback

First published February 7, 2016

98 people want to read

About the author

Adelaide Ivánova

13 books34 followers
Adelaide Ivánova (Recife, 1982)é poeta e fotógrafa brasileira, lançou os livros Autotomia (Pingado-prés, fotos) e Polaróides (e negativos das mesmas imagens) (Cesárea, 2014, poemas e crônicas), Erste Lektionen in Hydrologie (und andere Bemerkungen) (edição da autora, 2014, fotos) e O martelo (Douda correria, 2016, poemas). Tem trabalhos fotográficos publicados por diversas revistas internacionais. Adelaide Ivánova vive e trabalha entre Colônia e Berlim, na Alemanha. Há ainda mais material que vale a pena conferir no site https://adelaideivanova.com.[escamandro]

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
60 (48%)
4 stars
49 (39%)
3 stars
11 (8%)
2 stars
4 (3%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 14 of 14 reviews
Profile Image for Adriana Scarpin.
1,781 reviews
June 24, 2018
o urubu

corpo de delito é
a expressão usada
para os casos de
infração em que há
no local marcas do evento
infracional
fazendo do corpo
um lugar e de delito
um adjetivo o exame
consiste em ver e ser
visto (festas também
consistem disso)

deitada numa maca com
quatro médicos ao meu redor
conversando ao mesmo tempo
sobre mucosas a greve
a falta de copos descartáveis
e decidindo diante de minhas pernas
abertas se depois do
expediente iam todos pro bar
o doutor do instituto
de medicina legal escreveu seu laudo
sem olhar pra minha cara
e falando no celular

eu e o doutor temos um corpo
e pelo menos outra coisa em comum:
adoramos telefonar e ir pro bar
o doutor é uma pessoa
lida com mortos e mulheres vivas
(que ele chama de peças)
com coisas.
Profile Image for Felipe.
Author 9 books65 followers
July 30, 2019
A edição brasileira de O Martelo tem a capa coberta por um pigmento vermelho que suja superfícies, dedos e roupas enquanto se lê. Nada supérfluo, esse detalhe específico transforma o livro de Adelaide Ivánova numa outra coisa. De uma coletânea de poemas ele se transfigura em peça de performance, de objeto livro para objeto vivo, e com uma coisa de fato viva em mãos o leitor não mais está em segurança. O sangue que jorra das páginas encharca a capa e cai em suas mãos como que num lembrete: ficção nunca é só ficção, a poesia é sempre verdade, não importa se mente. Como dizia antes, encontrar O Martelo foi como reabrir as comportas de um debate pessoal proporcionado por aquelas leituras e estagnado há muitos meses, mas para além das questões identitárias e estéticas, rendeu certa reflexão no que diz respeito à poesia, ao poema em si. Contemporâneas que são, Adelaide está muito bastante alinhada com a urgência de Angélica, mas trabalha numa frente distinta, onde a violência se entremeia a um caráter quase onírico, fabular. Em comum, a violência, no dissenso, a voz e a energia.

Advertidamente gestado a partir do hábito da autora de dormir com um martelo embaixo de seu travesseiro, a poesia aqui é sortilégio e epitáfio, um estado perpétuo de estagnação entre a entrega e o alerta. O desejo nutrido pelo misterioso Humboldt está inevitavelmente atrelado ao trauma do estupro, ao abismo revelador de tudo aquilo que se deixa abraçar pela ideia de ‘erótico’, por uma kafkiana noção de autoridade -que se revela em momentos especialmente cruéis, como aqueles em que o médico trata vítimas como ‘peças’. Se trata de uma progressão muito bem particionada que observa o traumático e o lascivo em seus lugares cabíveis, mas que também deixa espaço para investigar arestas mal polidas, a negação da dor, a negação da paixão, a aceitação de ambos como uma voz repleta de ecos, como no fantástico “a moral”, onde a poesia de amor é comicamente destroçada frente à acepção de uma realidade que nunca propôs se esconder: “… achei / que depois / de cruzar / todos os / sinais fechados / ao seu / lado arriscando / minha vida / teria o direito de chupar seu pau até amanhecer mas / a única / coisa sua / que comi / foi uma / mozartkugel nojenta / com recheio / de marzipã”.

O Martelo observa com atenção um processo de reestruturação. Existe uma vida que pulsa fraca frente a descrença perpetrada pelo violento do mundo, mas que se agarra aqui e ali a parâmetros conhecidos e coerentes, o que por fim terá rendido não apenas um grande e denso processo de observação do entorno, da arena metafórica em que a personagem se vê forçada a lutar, mas também a realização do eu, do poder que emana deste eu; tanto na aceitação das marcas irreparáveis infligidas a ele e que agora fazem parte deste todo, como na consciência de um poder de luta, de defesa. Como na epígrafe de Paul Celan, que a autora escolheu para abrir suas páginas “O tempo, de fina areia, canta em meus braços:/me aconchego nele, faca na mão”.

https://osobressalto.blogspot.com.br/...
Profile Image for Clarice Chacon.
34 reviews1 follower
December 30, 2020
Adelaide consegue fazer poesia sobre violência sexual, com burocratas que questionam mulheres, perdas e retomadas de amor e sexo. E suas palavras energizam.
Profile Image for Arthur .
284 reviews72 followers
January 3, 2022
Eu queria ter tido a experiência do livro físico (lerei na casa de Seane na próxima visita). O ruim de tentar registrar impressões após algumas semanas é que não lembro muito (talvez pesquisando nas mensagens trocadas com Seane), mas mexeu numa região muito próxima de Um útero é do tamanho de um punho. Um dia releio pra recuperar essas impressões.
Profile Image for Marina Lima.
6 reviews2 followers
June 7, 2021
Do título ao conteúdo: Adelaide é, certamente, uma das autoras mais geniais que li ao longo dos últimos anos. Ao tratar sobre temas como estupro, patriarcado e Amor, o som do martelo de Adelaide é ensurdecedor e arrebatador.
Profile Image for Danielle Gilaberte.
74 reviews
December 4, 2017
"a escrivã é uma pessoa
e está curiosa como são
curiosas as pessoas
pergunta-me por que bebi
tanto não respondi mas sei
que a gente bebe pra morrer
sem ter que morrer muito
pergunta-me por que não
gritei já que não estava
amordaçada não respondi mas sei
que já se nasce com a mordaça"
Profile Image for Ivanna Berrios.
50 reviews5 followers
July 9, 2021
This is some of the most interesting poetry i’ve read in a minute. I instantly reread it not because i “loved” it but bc i needed to excavate more and more, its so sharp and deceptively simple. I didn’t like the collection first time around, but its cause I went too fast.

One politically flimsy poem about burqas gave me second hand embarrassment and rlly took me out of the collection. Its centering of judicial processes also is a bit corny but the “centering” is morbid and critical and unstable.
Profile Image for Alix.
249 reviews64 followers
August 12, 2017
"no porão tinha
uma mala dentro dela
josefine
que aí se escondia com
a ajuda da mãe para
que não fosse estuprada
afinal só se estupra alguém
que se acha o destino da
mãe não se sabe mas
josefine
está bem obrigada aos 11 anos
comeu banana pela
primeira vez oferecimento do
oficial francês que também
dava aborto às alemãs
que não tinham martelos
ou malas."
Profile Image for Amanda.
5 reviews3 followers
July 30, 2025
“a escrivã é uma pessoa e está curiosa como são curiosas as pessoas
pergunta-me por que bebi tanto
não respondi mas sei que a gente bebe pra morrer sem ter que morrer muito
pergunta-me por que não gritei já que não estava amordaçada
não respondi mas sei que já se nasce com a mordaça”
Profile Image for Fernanda Turino.
186 reviews8 followers
December 10, 2020
Eu definitivamente preciso ler mais poesia.
O Martelo me impactou e me fez sangrar (como meu amigo falou que provavelmente faria, na dedicatória que escreveu quando me deu o livro).
Profile Image for Razan.
463 reviews11 followers
March 21, 2025
I liked both versions of ‘the hammer’ poems, however, didn’t find the rest particularly inspiring…
Profile Image for amand tx.
50 reviews3 followers
April 3, 2020
eu poderia esvaziar esse bar
levar seus donos a falência
pelo puro desejo insaciável
de te ouvir falar.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Displaying 1 - 14 of 14 reviews