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As Perguntas

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"Alina enxerga sombras e vultos desde criança. Doutoranda em história das religiões, especializada em tradições ocultistas e aferrada à racionalidade que tudo ilumina, ela se acostumou a considerar as aparições como simples vestígios de sonhos interrompidos. Certo dia, um telefonema da delegacia desarruma sua rotina de tédio programado. A polícia suspeita de que uma seita vem causando uma onda de surtos psicóticos em São Paulo. A única pista disponível é um símbolo geométrico desenhado por uma das vítimas. Intrigada e ansiosa para fugir da rotina, Alina decide investigar por conta própria um mistério que a fará questionar os limites entre razão e religião, cultura e crença. Em As perguntas, Antonio Xerxenesky costura o tédio da vida cotidiana com o desconforto do horror em um livro repleto de referências ao universo dos filmes, da música e do ocultismo."

184 pages, Paperback

First published August 23, 2017

7 people are currently reading
212 people want to read

About the author

Antônio Xerxenesky

40 books491 followers
Antônio Xerxenesky nasceu em 1984, em Porto Alegre, e radicou-se em São Paulo.
Escritor e tradutor, é autor, dentre outros, dos romances "Uma tristeza infinita" (2021), "As perguntas" (2017) e "F" (2014, finalista do Prêmio São Paulo e primeira seleção do Prix Médicis Étranger). Sua obra foi traduzida para francês, italiano e espanhol. Xerxenesky foi escritor residente do International Writing Program, na Universidade de Iowa (Estados Unidos), em 2015, e da Fondation Jan Michalski, em Montricher (Suíça), em 2017.

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5 stars
30 (9%)
4 stars
106 (34%)
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120 (38%)
2 stars
35 (11%)
1 star
20 (6%)
Displaying 1 - 30 of 53 reviews
Profile Image for Eric Novello.
Author 67 books568 followers
Read
October 4, 2017
Um desses livros que vai além de definições de gênero ou de literário, misturando tudo em proporções variadas ao longo da narrativa, como o Xerxenesky já havia feito em seus trabalhos anteriores. Inclusive brincando com essa mistura na própria história, com esse "não é isso, mas aposto que você vai achar que é mesmo que eu diga que não é", já que temos uma protagonista cética no meio de uma investigação de um culto com possíveis (embora improváveis) desdobramentos sobrenaturais.

Dito isso, há algo de terror no livro, um terror psicológico que dá medo em alguns momentos. Que funciona como um filtro do que seria São Paulo esvaziada de possibilidades. No terço final, aliás, tem uma cena, um diálogo rápido, que dá vontade de bater palma de tão bem sacado. (Adoraria falar o que é, mas além dos spoilers não faria sentido algum sem a leitura do livro inteiro).
Há também algo de policial, já que temos uma investigação de um culto misterioso com passagem na delegacia e tudo.
Há algo de literatura do cotidiano, porque o tédio da protagonista e sua relação com a cidade são dois fatores importantes de motivação nas suas decisões.
Há algo de neo-noir, já que o interior, o estado psicológico da personagem, vale mais do que o externo; no caso, o resultado da investigação.

Como eu li um post do Xerxenesky no Blog da Companhia das Letras, fica difícil falar qualquer coisa de um ponto de vista mais neutro. Inclusive recomendo que você só leia o post depois de ler o livro.

Mas dá pra dizer que "As Perguntas" foi o livro que mais gostei do autor desde "Areia nos Dentes". É um livro ligeiro de ler, e que vai te deixar olhando por cima do ombro por alguns dias.




Profile Image for Gabriela Ventura.
294 reviews135 followers
October 7, 2017
Madrugada de sábado. Esse livro me mostrou uma verdade inconveniente a meu respeito: eu virei o tipo de pessoa que fica PISTOLA porque o autor confundiu a iconografia do Tarot de Marselha com o Rider-Waite na sequência final do romance.

(O que demonstra por A + B que eu virei a curva em um lugar muito errado na minha vida. Mas isso não vem ao caso agora.......... Justamente com o 9 de espadas- diz a voz no fundo da minha cabeça - a carta clássica da insônia. Ok, ok, parei, vão caçar minha carteirinha de cética.)

Vão caçar a carteirinha da protagonista também e, pelo menos, não vou estar só. "De nada adianta poder citar o Sagan de cabeça, queridinha." O referente do "queridinha" fica propositadamente ambíguo, é claro.

Li o livro em um fôlego e, quanto mais penso sobre ele, mais gosto. A ponto de me recusar a recapitular os fios gerais da narrativa: não é como se importassem. Estão soltos, compondo cenas vagas de uma mulher perseguida pelos próprios demônios (que não precisam ser necessariamente sobrenaturais) em uma madrugada paulistana. E, no meio disso tudo, dramas geracionais, a solidão das grandes cidades, acadêmicos que precisam arranjar empregos no mundo real (oi, oi, mandem frilas) e um catálogo de referências amoroso e criterioso - da perseguição obsessiva da lentes de Dario Argento à atmosfera onírica das festas-rituais do Schnitzler - para construir uma narrativa que parece ser de terror, mas é só muito triste, no fim das contas. O verdadeiro terror-millenial, o único possível, alguém poderia argumentar - e, olha, não é como se eu tivesse forças para contradizer o que quer que seja. Não no avançado da noite, quando estamos operando sobre as regras da hora das bruxas. É melhor que eu pare por aqui, não é como se não houvesse uma sombra atrás de mim também, atrás de todos nós.
Profile Image for Cláudia.
Author 7 books77 followers
February 8, 2021
Um livro que alimentou inúmeras lombrigas literárias e deu sede de tantas outras. Ao mesmo tempo, queria mais e queria menos; tive medo do tanto que me identifiquei com a dissecação do sobrenatural e, ao mesmo tempo, com a magia e os mistérios da cidade que eu amo.

Queria que a descrição fosse mais fácil - delicioso! uma leitura ágil! - mas na verdade, foi uma bela surra em um tantão de coisas. Leiam, leiam. É fantasia. É fantasia sem dúvida.

E foda, por todo ângulo que eu olho agora.
Mas de jeito nenhum que eu olho por trás do ombro.
Profile Image for Maria Hany 2 .
3 reviews21 followers
January 28, 2025
إيلينا .. فتاة درست التاريخ و تحديدا تاريخ الأديان و مقارنتها
لكنها كانت تعمل بتحرير مقاطع الفيديو و بلا شك كان هذا العمل غير متعلق بدراستها
كانت حياتها مملة و روتينية إلا في يوم واحد
عندما استدعتها الشرطة لمساعدتهم في جمع المعلومات عن تحقيق ما
كان له علاقة بالسحر الأسود و عبادة الشيطان و الديب ويب
و تنتهي الحال بإيلينا بما لم تتوقعه أبدا ..
Profile Image for Maria.
4 reviews1 follower
March 16, 2018
Um livro que vai do nada ao lugar nenhum.
Profile Image for Gabalis.
29 reviews
January 11, 2020
A primeira metade da obra se passa numa salpicada grossa de referências variadas. Nada que vá mais fundo do que a mera menção de nomes. São ocultistas, bandas, alguns títulos de livros, diretores de filmes de terror e uma boa porção de termos da internet 2.0. Estas coisas todas não estão ali para se firmarem dentro da história e servirem para algum desenlance mais pra frente. Nada disso será usado ou mencionado novamente. Essa lista de coisas está ali numa tentativa de estabelecer a personagem principal, Alina. Aqui está Alina e aqui estão as coisas que ela gosta. A geração dela fala dessas coisas, então vamos botar tudo aqui. A lista é abrangente na esperança de encontrar algo que o leitor também goste.

É com essa lista de coisas que a Alina gosta mas não importam para o leitor (porque não importam para a história) que finalmente chegamos no aguardado momento onde o mundo oculto de rituais obscuros da cidade de São Paulo entram em cena. E a coisa se dá por um pastiche manjadíssimo; a polícia precisa da ajuda da Alina para resolver um possível caso de assassinato. Este ponto na verdade estabelece algo importante; a história se passa no universo da turma do Scooby Doo mas eles estavam de férias. Sobrou pra Alina.

Mas Alina não precisa se preocupar porque uma ou duas páginas depois o assassinato já foi completamente esquecido e nunca mais vai ser mencionado novamente. Como muita coisa nessa história, o coitado do morto é logo abandonado pelo caminho. Não tem mais importância, não vai ser resolvido, como na vida real. Caso encerrado. É o case que se torna cold mais rápido da história policial.

Agora somos arrastados pela Alina por São Paulo, mas a única coisa que ela sabe falar de São Paulo é que é tipo Nova York, é tipo Londres, ela é tipo assim, muito legal, mas com mendigos. Sim em Nova York não há mendigos. Os mendigo é nosso. Nesse lengalenga o leitor vai tropicando por um grande número de páginas onde Alina entra num monólogo que serve para o autor repassar opiniões sobre coisas que não importam e não avançam a história. Alina pretende ser a voz de sua geração, mas ela não tem nada novo ou interessante a dizer sobre sua geração e acaba afogando a história da qual faz parte.

Bem tarde, quando Alina finalmente desiste de ser a voz de sua geração, o autor parece se lembrar que ainda tem uma história a ser resolvida. Então Alina dá uma busca no google, dispara umas mensagens e pouco depois recebe um email pra fazer parte de um ritual secreto. Simples assim, um email. O sujeito que morreu misteriosamente e tem escavado na pele um símbolo não era gancho narrativo digno o suficiente. É melhor ela encontrar a solução do caso pelo google mesmo, por email. Isso não estabelece em nada a competência de Alina, só a incompetência da polícia, desfazendo mais personagens pelo caminho.

Alina continua demonstrando toda a sabedoria do alto de seus trinta anos de idade durante toda a trama, como ir sozinha até um apartamento na rua tal e tal fazer parte de um estranho ritual religioso com pessoas que ela não conhece. Deve ser seguro, afinal São Paulo é mesmo uma outra cidade que não é São Paulo, isso foi bem estabelecido. Tudo se encaixa perfeitamente.

Lá no ritual, que é tão banal e manjado como tudo até aqui, ela começa a ver uma sombra. Ou é a sombra que ela já via desde sempre. Não importa, as coisas não precisam fazer sentido. Ela contrai uma sombra, e esta sombra agora a segue pra todo lado. Essa sombra obviamente não leu o começo do livro, senão já tinha parado de seguir faz tempo. Por fim a narrativa acaba sem apresentar absolutamente nenhuma resolução, espera-se que os tolos monólogos tenham sido o suficiente. Acaba assim, porque parece que chegou a hora da janta. Uma pena. Podia ter sido uma boa história mas no fundo é um manifesto indiferente metido nas vértebras de uma história quebrada. Provavelmente meu último livro deste autor.
Profile Image for Tiago Germano.
Author 21 books124 followers
February 17, 2018
Fim da maratona Xerxenesky. É notável a evolução como narrador de livro a livro. Neste, em particular, mais até que em F., me agradou a forma como os conflitos geracionais são entremeados às demandas que uma narrativa de gênero (o horror, aqui) solicita. Os trechos sobre os trinta anos de Alina, a maneira como suas questões existenciais se relacionam com o cenário (esse céu de São Paulo que foge aos clichês do ar rarefeito, da poluição, etc), tudo está muito bem delineado - como se pode ler nas "quotes" que eu transcrevi aqui. Lê-se de um só fôlego as 24 horas dessa personagem, e ao final, a transição para a primeira pessoa torna a coisa toda ainda mais ágil e impossível de largar. Dei bons sopapos na cadeira.
Profile Image for Júlio.
40 reviews
June 12, 2020
Na medida do mistério. Porra é bom d+
Profile Image for Italo Lins Lemos.
54 reviews4 followers
March 27, 2023
Um livro que pertence ao estilo de suspense que encontramos nos filmes da A24, mas que peca pelos personagens unidimensionais e enredo que não cumpre o que promete. Se comecei a leitura na expectativa de entender o porquê de nós, "indivíduos cientificamente educados", volta e meia flertarmos com o sobrenatural, do meio para o final percebi que a proposta era mais de entretenimento do que de análise filosófica - que é algo que Xerxenesky melhorou, e muito, em "Uma Tristeza Infinita".
Profile Image for Daniel Benevides.
277 reviews40 followers
September 3, 2020
divertido, intrigante, e cheio de boas reflexões sobre os dilemas entre a racionalidade e a espiritualidade.
Profile Image for Samir Machado.
Author 34 books358 followers
February 15, 2018
As Perguntas é essencialmente uma história de horror, no sentido mais psicológico. Alina experimenta uma lenta distorção da realidade que pode (ou não) ser fruto de paranoia, uma incerteza obscura alimentada pela sensação de ser seguida por uma sombra que talvez só ela veja. "Viramos adultos quando pessoas da nossa idade morrem de forma absolutamente estúpida e podemos contemplar, com a lucidez necessária, a fragilidade e o absurdo da vida", ela diz. Mas se as religiões existem para mediar nossa relação com a morte, como o sarcasmo niilista de uma millenial sobrevive, quando sua racionalidade é assaltada pelo medo sobrenatural? E que tipo de medo ocupa esse lugar, se houver somente o vazio? É nessa soma de opostos – dia e noite, luz e sombra, realidade e imaginação – que o livro cria o retrato espiritual de uma geração em crise atravessando tempos sombrios. Ainda que eu tenha um carinho especial pelo Areia nos Dentes, acho que esse talvez seja o melhor livro do Xerxenesky.
Profile Image for Bruno.
71 reviews6 followers
March 25, 2021
Fazia tempo que eu não ficava grudado num livro como nesse. Bom demais, muito foda como ele constrói uma história de terror em cima de questões urbanas e até meio prosaicas, mas que se relacionam com o dilema fundamental de se "existe algo mais?".
Profile Image for Nathaly.
134 reviews10 followers
January 31, 2021
estou decidindo se foi uma leitura descompromissada muito interessante ou muito desnecessária
Profile Image for Rodrigo Ferrari.
191 reviews18 followers
May 6, 2020
As influências do autor são claras nesse livro. É uma mistura de Eyes Wide Shut do Stanley Kubrick com o ocultismo presente nos filmes de Dario Argento. Em primeiro momento, pensei que a narrativa ia falhar em apresentar originalidade e profundidade, entretanto, tive certeza que não foi o caso de “As Perguntas” quando finalizei a leitura.

Conhecendo as referências que o autor faz na leitura, pude entender que seria um livro que traria mais perguntas do que respostas. Apesar da narrativa tratar o vazio como ponto central, não achei o livro enfadonho ou desinteressante, o suspense e a protagonista me deixou envolvido e imerso nesse nada que faz parte da vida dos personagens.

Xerxenesky não apresenta respostas, mas mostra os diversos caminhos para que a gente consiga chegar nelas e discute se realmente é importante conhecê-las. Tudo é incerto e desconhecido. No final do dia, o vazio vai permanecer, a gente sabendo das coisas ou não. Percebi acompanhando a trajetória da Alina que a sombra é a angústia e a resposta e que nunca, *nunca*, vamos poder fugir disso.

Livro excelente e boa surpresa da literatura nacional atual. Vale muito a pena ler.
Profile Image for Luiza.
9 reviews
July 8, 2023
Esse livro prova que Xerxenesky brilha mesmo na introspecção. Pela sinopse achei que o foco seria na investigação com grandes descobertas e uma solução ao final, mas não foi esse o caminho que o autor tomou. Na verdade os assassinatos e a investigação são tão somente pano de fundo para as reflexões de Alina. A sinopse não foi bem escrita, diga-se de passagem.

De qualquer forma, a narrativa não é das mais fortes, com pontos soltos e alguns clichês. Mas, como falei, o que se destaca na obra são os momentos de reflexão da narradora, principalmente em relação ao seu conflito interno entre ceticismo e espiritualidade que é suscitado por acontecimentos que não são explicados pela ciência.

Ademais, fica nítido que Xerxenesky empenhou-se em pesquisar a fundo os temas que traz na obra, o que aprecio bastante.

Não é o melhor livro do escritor, mas, se quer saber minha humilde opinião, vale a pena a leitura.

Profile Image for Guilherme Smee.
Author 27 books190 followers
November 30, 2017
Esse foi o livro do Tony que eu gostei menos. Mas tenho que confessar uma coisa: que todos os livros dele que eu li me inspiraram para escrever, seja com ideias lançadas que foram pra outro lado, seja com reflexões, ou pelo estilo de escrita do Tony que é bem gostoso de ler. Também foi ele quem me apresentou uma das minha autoras favoritas que é a Ali Smith, que é uma autora queer, e que eu poderia dizer que é uma autora MARA, só pra ficar na gíria das loca, cujo estilo é ao mesmo tempo inovador e revigorante. O que não gostei muito desse livro em questão aqui, as perguntas, foi a forma como a história se arrasta e a maneira como acontece o desfecho. Embora seja uma leitura gostosa, para um leitor como eu que busca sentido para a vida na palavras, não agradou muito. Embora o livro todo seja sobre perguntar e fazer sentido, racionalizar e questionar, acreditar ou ser cético (ou mesmo cínico). Adorei o F, uma das melhores leituras do ano passado, mas esse aqui, não sei, nesse momento é difícil dizer que gostei. Vamos ver o que tempo diz.
Profile Image for Will Queiroz.
11 reviews
April 17, 2020
A experiência de leitura foi ótima.

O texto é envolvente, dinâmico, não consegui largar... Me conectei com a personagem com facilidade e foi interessante acompanhar sua sina dentro de São Paulo. A narrativa é convincente, eu realmente senti medo de olhar para as partes escuras do meu quarto enquanto lia. Sombras!

Enfim, o livro trás questões filosóficas sobre a crença e a ciência. Dilemas humanos sem resposta objetiva, e isso pode frustar alguns leitores... Considerei o desfecho um tanto anticlimático (artístico, porém), fiquei virando a página tentando desbloquear um parágrafo oculto que nao existia.

A experiência de leitura como um todo foi uma delícia! Certamente, vou procurar mais obras do autor.
Profile Image for Diego Perez.
156 reviews11 followers
May 11, 2021
Leitura ágil, o livro alterna momentos envolventes e momentos "prosaicos" na falta de outra palavra. É como um filme de sessão da tarde: divertido. Mas um divertido que tem um pouco de vergonha da sua própria condição.

Uma nota algo mais pessoal: Particularmente escrevi um artigo há uns anos atrás sobre a figura do diabo na obra do Quevedo (e o que essa figura poderia significar naquele contexto) e sim, é muito difícil encontrar material sério na avalanche de exoterismo e pseudo-análises que você pode se deparar pela internet ou mesmo livros em bibliotecas públicas.
Profile Image for Lealdo.
133 reviews12 followers
March 9, 2023
Gostei mais que do F, que não concluí. Achei um livro estranho, que não conseguiu encontrar o meio-termo que parece buscar entre literatura de gênero e ficção literária. Tem trechos bons, trechos médios e trechos fracos. Aplacou um pouco a minha nostalgia por São Paulo. Entre gostar e não gostar, li em duas sentadas, e me deixou mais esperançoso com o recente dele.
Profile Image for Maria Morais.
68 reviews3 followers
February 20, 2020
Achei a premissa muito interessante, e fiquei algum tempo me perguntando por que não curti tanto a experiência de leitura - embora seja uma narrativa fácil e rápida de ler, entrecortada por momentos de tensão e dúvida e capítulos de profundo desalento. Gostei muito da ideia de uma sombra que assola essa classe média, sem motivo algum aparente, e de uma seita secreta que, de alguma forma desperta essa sombra. Mas achei as preocupações da personagem às vezes muito pueris e ingênuas... como, pro exemplo, todas as cobranças que ela se faz em relação ao seu sofrimento, colocando-o sempre em contraste com as desgraças do mundo. Chama a si mesma de parasita social, de mimizenta, praticamente. Mas ela também uma pessoa que está sendo esmagada pelo sistema, que se sente asfixiada numa cidade, num contexto histórico que se assoma no horizonte (e que hoje soubemos onde foi bater). O universo da personagem em si me pareceu empobrecido por esse autoflagelo e o tom acusatório, e também acabei achando que o universo da seita em si poderia ter sido um pouco mais bem explorado, bem como a função do próprio personagem Fábio. No final, todos os seus integrantes ficaram parecendo um tanto patéticos (como quase sempre costumam ser retratados), mas há algo muito sério nos efeitos que algumas delas costumam causar ao redor, como a narrativa nos leva a desconfiar.

Gostei dessa experiência de "ação" entrecortada por lembranças, como se uma realidade brigasse com outra, interna, como um pano de fundo muitas vezes ignorado não só pela razão, mas pela forma como lidamos com nossos sentimentos. Então o texto assume formalmente a função da briga interna de Alina consigo mesma.

De todo modo, podemos ver essa sombra de várias formas diferentes. Como perguntas sobre a existência que ficam sem resposta, sobre nosso passado colonial, nossas lembranças que nos assolam... É um livro que abre portas interessantes, e deixa muitas perguntas. Sinto que, de algum modo, ele está crescendo dentro de mim, principalmente quando contrasto a época em que ele foi escrito e os dias de hoje.
Profile Image for Ivandro Menezes.
Author 5 books27 followers
July 10, 2018
Peguei o livro do Xerxenesky para ler numa daquelas tardes em que você precisa ir ao médico. Numa sentada, li quase setenta páginas e confesso que não consegui largá-lo. Não que a trama seja ágil, acelerada. Longe disso, mantém um ritmo agradável, tedioso como a vida de sua protagonista, Alina, que na casa dos trinta ainda não sabe a que veio.

Essa sensação de deslocamento, não pertencimento e insatisfação é, para além de descrita e mostrada, experimentada pelo leitor na condução da narrativa. Vale destacar a excepcional escolha do narrador e da suave mudança de perspectiva entre o dia e a noite, em especial, por jogar com a ideia de neutralidade - inerente ao pensamento científico clássico, empírico - e com a parcialidade/subjetividade aguçada - comum a experiência religiosa. Não vejo como inocente ou aleatória essa "mudança" de narrador com o desenrolar da trama.

Alina é perseguida por essas sombras, esses vultos, desde o passado ao presente. E, gradativamente, do pesadelo, passando pela alucinação ritual, alcança a própria realidade, essa ilusão tão segura (como o é toda ilusão) de que tudo é delimitado e material. Nossa negação contínua e vã tentativa de domesticação do real constrói a empatia necessária para sentirmos a mesma angústia da protagonista. Daí, seus passos são os nossos, seus medos são seus medos, suas lembranças misturam-se com as nossas. Cruzamos cidades, caminhamos em trevas e enfrentamos os medos na busca de respostas - ou satisfação, realização pessoal, profissional, afetiva etc. -, por ser também a nossa busca.

Há uma parte de nós que olha para o oculto - como ao olhar para o futuro - e se assusta, sem perceber que há um outro rosto no espelho, outra pergunta despontando e nos movendo. Por mais que soe clichê, lembrando-nos que são as perguntas, as insatisfações, os desejos não realizados, a solidão, o vazio existencial, forças motrizes. E, não se engane, apesar de não ser acelerado, esse é um livro em constante movimento.

Profile Image for Emily.
552 reviews43 followers
April 21, 2020
Quando eu li a sinopse de As perguntas, achei que fosse gostar do livro. Vultos!!! História das religiões!!! Uma possível seita!!!!! Geometria sagrada!!!! Um punhado de coisas que me interessam!!!

Aí eu efetivamente comecei a ler e o negócio foi ladeira abaixo lol Antes de qualquer coisa, As perguntas passa muito a vibe de Personagem Feminina Escrita por Homem (tem literalmente uma cena em que a Alina sente "uma pontada de excitação" depois de tirar a roupa toda pra colocar um roupão cerimonial DEPOIS DE DISCORRER SOBRE COMO AQUILO ERA IDIOTA???) e isso me incomodou demais. A ironia que permeia TODAS as atitudes da Alina (aliás o próprio nome dela passa a vibe de Personagem Feminina Escrita por Homem) me incomodou, a história do irmão dela que foi jogada sem? nenhum motivo aparente? só como contraponto pra Alina? me incomodou , as vinte mil referências a filmes cult de terror e tudo mais me incomodaram.

No geral, a premissa do livro era muito boa!! Mas não rolou pra mim, por mais que eu tentasse.
Profile Image for Um mar de fogueirinhas.
2,198 reviews22 followers
April 9, 2020
Minha primeira incursão ao autor brasileiro, por conta de uma promoção (gratidão Companhia das letras). Comecei sem grandes expectativas, mas fui tomando gosto pela narrativa e jogos de palavras, mesmo que Alina me pareça tão alheia ao mundo. Um bom suspense, embora eu ainda prefira Victor Bonini na linha mistério/policial.
Profile Image for Sassenach.
560 reviews13 followers
March 4, 2019
Découverte de cet auteur et c'est plutôt réussi. Il mêle fantastique, suspense et réflexions sur la condition d'être humain et sur la mort et les religions, sans que cela ne devienne trop compliqué !
Profile Image for monique.
301 reviews26 followers
November 14, 2020
o terror está mais na identificação com a protagonista do que em qualquer outra coisa, mas ainda assim o livro é um dos melhores de 2020, principalmente comparado com o tanto de bomba que li esse ano.
Profile Image for Paulo Sousa.
293 reviews13 followers
February 4, 2024
LIVRO RUIM DEMAIS!

Leituras de 2024
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As perguntas [2017]
Antônio Xerxenesky (🇧🇷 1984-)
Cia das Letras, 2017, 184p.
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“Seriedade é algor tão frágil quanto um castelo de cartas; basta uma gargalhada para derrubar toda a estrutura” (Posição no Kindle 1375/60%).
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Para resumir: Alina, sulina, acadêmica de história, trabalha produzindo vídeos de propaganda em São Paulo, tem uma vida insípida e, um belo dia sua rotina é mudada ao ser convocada pela polícia, que a inquire sobre um símbolo esquisito encontrado (ou descrito por elas, não sei bem) em várias pessoas supostamente desaparecidas, mas que reaparecem, todas apresentando um comportamento semelhante a zumbis e que levanta a suspeita da polícia sobre algum tipo de seita, cujos rituais tem deixado as pessoas assim. Alina não consegue saber de que se trata ou o que significa de fato o tal símbolo. Volta para sua vida morna mas decide buscar por conta própria as respostas para este mistério….
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Não, você não está diante de um romance policial. E, a meu ver, nem mesmo um livro de suspense. Tão pouco um livro sobre ocultismo ou mesmo sobre transtornos psicológicos. “As perguntas”, do escritor brasileiro Antônio Xerxenesky é seguramente um dos livros mais mal escritos que já li nos últimos anos! Eu sei, você pode estar se perguntando porque então terminei esta leitura, sendo um livro ruim. Também pode tomar para si a máxima que sempre prego: a de que a cada livro ruim sendo lido, se deixa de se ler um livro bom…
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Mas.
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Não suficientemente satisfeito com minha impressão desta leitura, forjada a duras penas e na alta quilometragem que modestamente possuo ao ter trilhado autores grandiosos e mesmo bons livros escritos de escritores menores, quis saber como o Xerxenesky iria terminar esse livro curioso. E não poderia ter me decepcionado mais ainda, porque “As perguntas”, como o próprio título, mais dúvidas deixam que qualquer questionamento cabível, de como algo assim foi tão festejado à época do lançamento, lembro-me bem, e aplaudido por bocado de gente por aí (geralmente fujo de livros indicados do afã e das exarcebadas manifestações que se faz ao redor de seus lançamentos).
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O autor peca em vários sentidos: na abrupta mudança de vozes narrativas, como se tencionasse dar uma sacudida no andamento do livro após uma dose cavalar de café; na própria construção da personagem Alina, que é um arremedo muito mal feito de uma mulher corroída por um mar de dores e inaptidões sociais, talvez porque estava na moda o estereótipo da pessoa perdida no mundo, desajustada e arrasada por uma grande perda familiar; nas descrições cansativas do que Alina vai “vendo” na passagem dos seus dias, fragmentos que certamente não fariam falta uma vez cortados do texto; uma aparente incerteza sobre qual caminho o autor quis trilhar, quando tentou se embrenhar no imenso universo de crenças e culturas brasileiras (a passagem do motorista de táxi, baiano de Cachoeira, foi uma tentativa falha, a meu ver, de dar algum estofo para falar da cultura yorubá); o próprio estilo do romance, uma hora vertendo para o policial, outra claudicando para o suspense, ambos falhos; a cena da busca da personagem por descobrir um segredo que a deixou com uma “marca” espiritual é sofrivelmente hilária, bem como a conversa com o tal magíster, o líder da reunião secreta, cujo final, terminado na interrupção assim do nada (creia: não é todo escritor que sabe deixar em suspenso um final de livro, ele precisa, antes, deixar as ferramentas para que o leitor possa se servir de opções de como a história termina!) é o pleno fechamento de um livro péssimo, ruim mesmo, mal estruturado, cuja citação no início desta mini-resenha, que a duras penas pincei no meio destas páginas, pode muito bem ser usada como a materialização deste projeto do Xerxenesky: nada mais que um castelo de cartas, derribado pela pretensão de se querer trilhar por um ambiente pouco conhecido. Paciência.
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